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Geral
23-01-2019, 20h25

Bolsonaro erra em Davos e com Venezuela

Brasil optou por ser ator coadjuvante na crise venezuelana
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KENENDY ALENCAR
São Paulo

Na arena internacional, o governo Bolsonaro cometeu hoje dois erros.

O primeiro foi ter cancelado uma entrevista do presidente e três ministros a jornalistas que cobrem o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça. Se Bolsonaro estava cansado, como foi alegado, os três ministros poderiam ter conversado com a imprensa. Ou, pelo menos, um ministro.

Pegou mal na imprensa mundial a fotografia de uma mesa com cadeiras vazias e placas nominando Bolsonaro e os ministros Paulo Guedes (Economia), Sergio Moro (Justiça) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores). A imagem transmite a ideia de um governo que não sabe lidar com a imprensa e que tem dificuldade em ser transparente. Há dano à imagem internacional do Brasil com atitudes desse tipo.

O segundo erro do governo Bolsonaro foi ter feito uma aposta arriscada ao reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, pegando carona numa decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Guaidó preside a Assembleia Nacional e se declarou presidente interino.

Se os desdobramentos dos enormes protestos de hoje levarem à queda de Nicolás Maduro, Bolsonaro poderá se gabar de que ajudou a pressionar por um fim célere do regime venezuelano.

O enfraquecimento político de Maduro é uma realidade. Ele está ancorado apenas no apoio militar, que, se perdido, levará à sua saída do poder. A história da América Latina ensina como tem peso o suporte das Forças Armadas.

No entanto, se Maduro continuar a resistir com aval militar, Bolsonaro e o Itamaraty ficarão em maus lençóis. Há mais de dois mil quilômetros de fronteira seca entre o Brasil e Venezuela. Uma eventual guerra civil no país vizinho não interessa aos brasileiros. O Brasil virou coadjuvante numa crise quando deveria ser protagonista da eventual solução devido ao seu peso geopolítico na região.

Ouça os comentários no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
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    • walter disse:

      Kennedy, falando em Davos, apesar das dificuldades de saúde, e a intolerância, a perguntas irrelevantes, o Presidente fez bonito sim, conversou com vários empresários, assumindo encontros futuros; para um primeiro movimento; quem jamais teve que se submeter a estes encontros indigestos, saiu se muito bem, segundo alguns Jornais internacionais, relevantes…voltará ao Brasil, para fazer a cirurgia reparadora, o que permitirá maior desenvoltura; podem aguardar um presidente mais ativo, e participe…Quanto ao maduro na Venezuela caro, é uma vergonha mundial, com seus argumentos sem qualquer embasamento…deu um golpe sem qualquer classe, foi estupido, por forçar sua permanência, e já vimos outros filmes semelhantes; não haverá qualquer barulho, em algum momento, será expurgado pelos militares, convocando eleições livres; no Brasil, quem perde sempre com este descompassos é o PT, da gleisi; insistir e manter apoio incondicional, para um “governo” podre e sem esperança, ao povo.

      • Tiago disse:

        Respeito seus pontos de vista, mas “argumentos sem embasamento” usa você para defender o Bolsonaro. Quanto malabarismo para para negar a irrefutável performance vexatória do Bolsonaro em Davos.
        Quanto a Venezuela, tenho críticas a Maduro, mas sempre digo às pessoas prestarem atenção. Dois dos maiores apoiadores da queda do regime venezuelanpo são Trump e Bolsonaro. Será que alguém acredita realmente que essas duas figuras estão preocupadas com a democracia e com os direitos humanos na Venezuela?

  1. mano disse:

    preados: Eu não me surpreendo com esse tipo de postura. Será assim do começo até o fim. Agora, é preciso reconhecer que o mercado financeiro está reagindo bem porque concorda com as ideias do ministro da economia Paulo Guedes. O índice de desemprego é muito elevado, o salário médio é muito baixo, a desigualdade social é muito grande, a inflação é da ordem de 4% a.a para os pobres, mas para classe média que frequenta bons restaurantes e shopping centers a inflação fica entre 8% e 10% a.a, a segurança pública e a saúde pública são muito deficitárias. Entra governo e sai governo e as mazelas e problemas continuam os mesmos. Quando vejo os telejornais observo que são os mesmos problemas, ou seja, quando sair Bolsonaro e entrar outro, começa tudo de novo. O grande desafio é conseguir CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL e não vôo de galinha. É preciso fazer bem o dever de casa e entender que a economia é global, portanto Relações Internacionais com competência faz parte do dever de casa.

  2. Cristhiano disse:

    Kennedy, a população em massa está contra Maduro. Não tem como o Presidente do Brasil não apoiar o que a população venezuelana quer. Todos sabemos que a eleição lá foi uma fraude!
    Em Davos, o presidente brasileiro fez um discurso contundente, e de fácil compreensão sem enrolação, e estou certo que quero ver as palavras dele em prática.
    Acertar ou errar é uma aposta que as pessoas estão fazendo com as atuações do presidente, e que é fácil de perder. Mais certo seria colocar os pontos ausentes de cada situação. Acho que muita gente vai perder essa aposta em um dos dois casos.

  3. Wellington Alves disse:

    Se fosse um governo sério. o Chanceler já teria voltado para ajudar a lidar com a questão.
    Mas o que esperar de um GOVERNO DE MILICIANOS.

  4. mariza disse:

    Concordo com o Kennedy que os Ministros poderiam ter participado da entrevista sem o Presidente Bolsonaro, mas discordo quando o Kennedy fala da falta de transparência. Dar uma entrevista não significa que as respostas sejam verdadeiras.
    Quanto a Venezuela, que Deus ajude este povo, porque se Maduro resistir a pressão popular muitos terão suas cabeças cortadas.
    Constrangimento até o presente momento no assunto Venezuela foi a presença da ” Crazy Hoffman”, Presidente do PT, na posse de um ditador.

  5. Miguel Ângelo disse:

    Já que estamos ainda falando de Davos, é fato. Bolsonaro nada produziu economicamente, politicamente para a platéia presente. Todo brasileiro precisa entender isto. Tiago está correto quanto a Walter. Também temos que aprofundar em alguns comentários. Mas Walter exagera em falar nada e só mostrar seus amores a Bolsonaro, um fracasso por natureza biológica. Em Davos, deveria a representação brasileira, não falar o que Trump queria ouvir. Não deixar Bolsonaro dizer o que queria. Deveria ter sido passada a ciência do governo brasileiro, quanto a movimentação do maior bloco econômico da Eurásia – Índia, China e a Rússia, sem nós Porque nenhum jornalista avisa aos brasileiros que a BRICS não mais existe. Que no máximo RICS ou RIC, já que é sabido que os líderes destes países já ignoram o Brasil. Será que só a Arábia Saudita suspenderá 40% da compras de nossos frangos? Os EUA estão temendo o RIC. Já tem logística para comércio pela Europa e Mundo. O apagão foi um bom negócio.

  6. ANDRE disse:

    Discurso pífio do presidente Bolsonaro, que tem medo de falar e demonstrar as suas fraquezas intelectuais. Quanto a Venezuela, o fato de Guaidó se proclamar presidente interino, explica porque a Venezuela tem um governo como Maduro, situação e oposição, nenhum dos dois tem vocação democrática. O caminho democrático, acredito seja pressionar para que novas eleições com observadores internacionais aconteça, mas se auto proclamar presidente, soa tão mal quanto a última eleição de Maduro.

    • Sebastiao Canabrava disse:

      Fico mais feliz quando vejo que, a cada dia apos as eleicoes, as pessoas sensatas se manifestam com mais frequencia. Enquanto que, os incautos (para nao dizer Bolsomitos) estao cada dia mais escassos neste espaco criado pelo melhor jornalista dos tempos atuais no Brasil, o Sr Kennedy Alencar.

  7. J K disse:

    Ele falou o óbvio, porem, num discurso que mais parecia feito para ser usado no dia da posse do cargo do que numa assembleia internacional. Vou fazer isso, fazer aquilo, só “pega” nos ouvidos de quem vive esperando algo dos outros, mas quem conhece como as coisas funcionam sabem que são grandes as dificuldades para atingir o objetivo.

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2019-06-24 18:19:32