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Política
13-03-2019, 8h56

Bolsonaro faz jogo político ao misturar facada com morte de Marielle

Crimes são graves, mas bem diferentes
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

“Eu também tô interessado em saber quem mandou me matar”, disse ontem o presidente Jair Bolsonaro, ao comentar a prisão de dois acusados de executar a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e o motorista Anderson Gomes.

Sempre econômico ao tratar do caso, até porque a assessoria do hoje presidente disse durante a eleição que a opinião dele sobre os assassinatos seria “polêmica demais”, Bolsonaro afirmou: “Espero que realmente a apuração tenha chegado de fato a quem foram os executores, se é que foram eles, e a quem mandou matar”.

Depois, falou da facada que levou na campanha, mais uma vez misturando coisas diferentes. Fez jogo político.

Ao nivelar o atentado que sofreu ao assassinato de Marielle e Anderson, o presidente usa a manjada estratégia de animar o núcleo bolsonarista (extrema-direita radical que age nas redes sociais). Bolsonaro também foge de questionamentos incômodos sobre um caso que desprezou na campanha e que é tratado de forma insensível por ele e os filhos políticos.

A facada em Bolsonaro e as mortes de Marielle e Anderson foram crimes contra a democracia. Em ambos os casos, houve violência física contra um adversário político. Isso é inaceitável na democracia.

O atentado de 6 de setembro de 2018 contra Bolsonaro foi condenado com veemência pela imprensa e demais candidatos. Mas ele não agiu assim no episódio Marielle.

Ao nivelar os dois casos, cobrando quem seriam os mandantes de ambos os crimes, Bolsonaro fez uma mistificação política. Uma primeira investigação da Polícia Federal concluiu que Adélio Bispo agiu sozinho e que tem histórico de problemas mentais. Uma segunda apuração da PF vai na mesma linha, mas o presidente não aceita tal conclusão.

Adélio pegou uma faca e se meteu no meio de uma multidão para tentar matar Bolsonaro. O modus operandi é típico de lobos solitários com problemas psíquicos. Não parece uma operação calculada do crime organizado.

Nos assassinatos de Marielle e Anderson, houve longa preparação e execução com assinatura de matadores profissionais. Esse procedimento é típico de crimes por encomenda para matar adversários políticos.

Repetindo: ambos os crimes são graves, mas bem diferentes.

*

Caminhos necessários

A polícia precisa colocar foco nas relações políticas e pessoais dos dois acusados de executar Marielle e Anderson: o sargento reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz. Também devem ser investigados os históricos patrimoniais de ambos (seguir o caminho do dinheiro).

A vida social dos acusados é um caminho interessante. Pode dar resultado averiguar que locais visitavam, de quem era amigos. Por exemplo: há câmeras de segurança no condomínio de Ronnie Lessa que podem dar pistas de sua rotina?

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Federalização já

O vazamento da operação que acabou prendendo os acusados de serem executores de Marielle é mais uma prova de que a investigação sobre mandantes do crime deveria ser federalizada. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e o ministro da Justiça, Sergio Moro, deveriam discutir essa possibilidade.

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Desastre educacional

É grave a situação no Ministério da Educação. A pasta virou refém de uma luta interna estimulada por um escritor de extrema-direita, um ministro incapaz para a função e um presidente despreparado que ora cede ao fundamentalismo político, ora à pressão da ala militar. Esse enredo custará caro às gerações futuras.

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Ouça os comentários feitos ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
10
  1. Miguel Ângelo disse:

    Kennedy, em verdade a facada e o caso da Marielle não podem ser comparados como crime contra a democracia. O ato no caso Marielle envolve a política suja do RJ. O assassinato dela envolve questões da milícia, e talvez mais a fundo, dos governos municipal, estadual e federal. É um crime contra a democracia. Agora, em qualquer lugar do Brasil, pela legislação vigente, pelos princípios que norteiam o crime. Ato irregular (pois nós temos até agora só uma informação que o indivíduo agiu assim) por pessoas insanas não são crimes a democracia. Pela lei, insanos não são culpados pelos seus atos, já que não comandam num mundo real suas ações. Bolsonaro é um homem que não devia estar ocupando a cadeira de presidente. E talvez ele alegue também sua insanidade, quando for colocado a corte marcial por deixar a invasão mansa dos EUA chegar ao Brasil. Quando isto acontecer, Adélio Bispo não conseguirá entender seu papel na sociedade. Contudo, Bolsonaros podem avaliar suas ações contra a soberania.

  2. Tiago disse:

    Bolsonaro e os seus associam cinicamente a facada aos adversários e cinicamente naturalizam as relações dos Bolsonaros com milicianos e com suspeitos do assassinatos de Marielle e Anderson.
    O exécito virtual bolsonarista espalhou pelas redes milhões de fotos montadas de Adélio com lideranças petistas; agora ignoram a foto de Bolsonaro com Élcio Queiroz. Culpavam o PSOL pelo fato de Adélio ter sido filiado ao partido há anos atrás, agora minimizam o fato de Ronnie Lessa morar no mesmo condomínio de Bolsonaro. Não que isso implique alguma culpa para Bolsonaro, mas evidência a diferença de racíocino dos bolsonaristas nos dois caos. Por fim, Bolsonaro desacredita a PF, quando insiste, ao contrário das investigações, que há um mandante para a facada, insinuando que foi alguém do PT ou do PSOL.

  3. juvenil clorado disse:

    bolsonaro é um doente tanto qunto o adelio

  4. luiz disse:

    Fica clara a insensibilidade e desrespeito deste presidente com a vida humana.Ele só pensa em política e poder.

  5. Fabio Camargo disse:

    A hipocrisia transformou o Brasil em uma ópera bufa, um teatro de absurdos, a um nonsense contínuo, onde um escândalo sucede ao outro como se normal e esperado fosse.
    MPF/Lava-Jato se autoproclama um poder absoluto. Dono da verdade e da primazia da ética e da moral apropria-se de dinheiro público e ante o clamor popular, tão caro aos integrantes dessa Nova Justiça, resume-se a abrir mão da sagrada missão de espoliar o erário declarando que está aberto a sugestões quanto ao tema e tudo fica bem. Nada ocorreu.
    Após o episódio Queiroz, El Olvidado com todos os fatos e não indícios que conectam diretamente a família do Presidente e ele próprio com diversos criminosos vemos uma inércia generalizada, um contemplar singelo das pessoas sobre um fato gravíssimo que, em outro momento ou em outro país, não haveria como contemporizar, mas tudo bem. Nada ocorreu.
    Agora prendem os executores de Marielle Franco. Um é vizinho de porta do Presidente da República. (cont.)

  6. Fabio Camargo disse:

    (…Cont.) Vizinhos de porta e quase parentes, pois, segundo o delegado encarregado seus filhos namoram ou namoraram. O outro surge em companhia do próprio Presidente em foto divulgada e segundo informado postada no facebook. Isso somente reafirma e reforça a existência de laços de Bolsonaro e filhos com a milícia no RJ. Gravíssimo em qualquer circunstância e com uma dimensão politica imensa ao envolver o Presidente da República. Mas, aqui, o mote é vamos investigar para não precipitarmos acontecimentos e não considerando o fato politico que independe de trabalhos policiais para levar a conclusões e seus efeitos. Além de tratar do crime de assassinato a investigação registra a descoberta de um arsenal de 117 fuzis automáticos, o bastante para armar uma companhia de infantaria. Mas, tudo bem. Nada diferente do de sempre.
    Concluindo, e se? Imagine se, em vez de Bolsonaro, estivéssemos falando de Lula.

  7. MAURI MARCELO disse:

    Sou um ancião ou mais que idoso e nunca vi o Brasil em mãos tão despreparadas, sem compromisso com a ética, com a justiça, com a democracia. Tenho muita pena sobretudo dos mais pobres que estão perdendo seus direitos fundamentais, sem a menor perspectiva da inclusão social.Tenho pena das gerações futuras, mas já estou percebendo que a geração presente já está pagando por trocar Temer por Bolsonaro!

  8. walter disse:

    Kennedy, nosso País, vem fazendo sensacionalismos, diariamente; esqueceram a Facada do Bolsonaro; seria notícia se ele Morresse? estão tentando amenizar para o assassino confesso, um assassino calculista, com laudos duvidosos, além de ter dois ADVs, no dia seguinte, para comprovar ser um “pau mandado”; qualquer ser humano, teria reação semelhante, depois de tudo o que passou, nesta o presidente esta externando sua tristeza, e demonstrando a falta de realidade, que esta faltando neste País…estes supostos assassinos da marielle, devem ser investigados…mas não falarão nada, basta supor, o tamanho da pena, caso isto aconteça…como é o caso Adelio, não falará por medo…quanto a polícia, tudo é vazado, por motivos financeiros…Quanto ao Ministério da Educação, tem muitas perguntas, a serem respondidas, muito dinheiro, sem destino; tudo deve ser esclarecido, na Saúde, a mesmíssima questão; muito dinheiro desviado, saindo pelo ralo, com pessima qualidade, no serviço oferecido…

  9. Wellington Alves disse:

    Ainda estou convicto de que a facada foi armada para ganharem a eleição. Aliada as estratégias funestas do whatsapp.

    • Ingeborg Schportfeldt disse:

      Você está colocando sob suspeita profissionais idôneos da Santa Casa de Juiz de Fora e do Hospital Albert Einstein. Seria de bom senso você procurar um profissional de saúde mental da sua confiança !

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