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Política
11-04-2019, 11h34

Bolsonaro joga fora lua de mel e abala confiança no futuro da economia

Governo piora expectativas e comete erros em série
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

Em 100 dias de administração, o maior feito de Jair Bolsonaro foi abalar a confiança no futuro da economia. O governo piorou as expectativas econômicas e desperdiçou esse período de lua de mel concedido a presidentes recém-eleitos.

Nesse contexto, a maior obra do presidente é negativa, o que se reflete nos seus índices de avaliação. O Datafolha constatou que Bolsonaro é o presidente eleito com a pior avaliação aos 100 dias de governo, de acordo com a série histórica do instituto.

O presidente tem cumprido boa parte das suas promessas de campanha. Em tese, parece algo positivo. No entanto, é preciso avaliar a qualidade dessas promessas e como são recebidas pelo conjunto da população _não apenas pelos eleitores de Bolsonaro. Por exemplo: facilitar a posse de armas, como fez o novo governo, é ruim para a segurança pública do Brasil.

Além de abalar a crença de boa parte do eleitorado na melhora de sua vida pessoal e no futuro econômico do Brasil, jogando fora o período de lua de mel, o governo Bolsonaro causou danos ao país em outras áreas.

Piorou a imagem internacional do país nas viagens ao EUA, Chile e Israel. Gerou crise no Ministério da Educação, com embates internos e paralisia administrativa. Escolheu mal dois ministros para essa área. Promoveu retrocessos na questão ambiental, na agenda de direitos humanos em geral e na de direitos de minorias em particular. Atacou a imprensa e jornalistas.

Como previu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no documentário “Brasil em Transe”, produzido para a BBC World News, Bolsonaro tem se revelado incapaz para a função. Na história do país, ele é a pessoa mais despreparada a ocupar a Presidência da República. Isso é uma infelicidade para os brasileiros, pois provoca prejuízos à vida real da população.

Um internauta indagou se havia algo de positivo na nova administração. Com muito boa vontade, dá para citar o discurso em libras da primeira-dama, Michele Bolsonaro, na posse. A área de infraestrutura está caminhando, aproveitando herança da gestão Temer. Devem ser “celebrados” recuos em relação a absurdos, como a ordem do Ministério da Educação para filmar estudantes que seriam obrigados a cantar o hino nacional e a entoar o slogan da campanha bolsonarista.

Importante: não há notícia de um governo que tenha dado certo sem boa relação com o Congresso. Outro feito de Bolsonaro foi justamente piorar o relacionamento com deputados e senadores, com o falso discurso da “nova política”. O populismo de extrema-direita do presidente é o que existe de mais velho nessa seara.

Há apelos para que Bolsonaro mude, mas ele tem dado provas em sentido contrário, como dobrar a aposta no Ministério da Educação com a substituição de Ricardo Vélez por Abraham Weintraub.

Por aspectos de personalidade e o uso intensivo das redes sociais, é possível traçar um paralelo entre Bolsonaro e o presidente dos EUA, Donald Trump. Ou seja, dificilmente ele mudará. O modo de guerra faz parte da forma de governar.

Jornalistas e analistas fingem acreditar que o presidente corrigirá rumos, como se habitássemos um mundo invertido parecido com o da série “Stranger Things”, da Netflix. Mas o discurso divisivo faz parte da personalidade de Bolsonaro e explica significativa parte de seu sucesso eleitoral.

No entanto, esse discurso divisionista é negativo para a entrega de resultados concretos ao governar. Com frequência, aparece a palavra “polêmica” para qualificar o que são atitudes absurdas e mentiras históricas defendidas por Bolsonaro e os seus ministros, como as teses de nazismo de esquerda e de que não houve golpe em 64 nem ditadura militar no Brasil.

É preciso dar às coisas os nomes que elas têm, sob pena de vivermos num mundo invertido de “Stranger Things”, numa realidade paralela.

Há um país real com cerca de 13 milhões de desempregados.

Ocorreu piora das expectativas econômicas.

Está em curso uma guerra cultural que pretende levar o Brasil à Idade Média.

Fabrício Queiroz tomou doril e sumiu do radar sem ser amolado.

Um discurso regressivo, brutal e meramente punitivista na segurança pública contribui para episódios como o do fuzilamento do músico Evaldo dos Santos Rosa, que aconteceu no último domingo no Rio. O Brasil já tem uma polícia com alta taxa de letalidade. A receita de Sergio Moro agravará o problema, apontam especialistas.

Bolsonaro foi eleito democraticamente, o que deve ser respeitado. Mas cabe à imprensa cumprir o seu papel sem temor. Jornalistas que erram ao informar, analisar e opinar são corrigidos pelos freios e contrapesos da democracia. Um presidente também precisa ser fiscalizado _sobretudo um governante que tem uma visão autoritária do mundo, o que é perigoso para a democracia brasileira.

Ouça o comentário feito ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição” a respeito dos 100 dias do governo Bolsonaro:

Comentários
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  1. JORGE DOS SANTOS RODRIGUES disse:

    Eu avisei!

  2. Lucas disse:

    O pior é que os que o elegeram vão responder a isso tudo com “mito, mito, mito” ou mesmo fazendo arminha com as mãos. E a gente, que sabe (e já sabia antes que ia ser essa tragédia) que está tudo indo de mal a pior, nada pode fazer, de concreto, lamentável e vergonhosamente.

  3. Marcos disse:

    Elegeram o cara na base do ódio, anti-petismo e ideologias toscas, dignas de alienados.
    Agora pagam o preço do analfabetismo político, e vão pagar ainda mais.
    Mas aprender a lição, isso não vão.

  4. José Antônio dos Santos disse:

    “PANELA QUE MUITOS MEXEM, OU SAI INSOSSA OU SALGADA”
    Intromissão do Olavo de Carvalho; o dedo da Ala Militar; pressão dos religiosos; e principalmente, pitacos dos filhos.
    Desse jeito …
    Mas, ainda dá tempo de consertar. O problema é querer …
    Enquanto ficarem focando nos problemas da Venezuela; no reconhecimento da cidade de Jerusalém como capital de Israel; vendo comunista (não vejo ninguém contrário à propriedade; é “loucura” não?) em tudo que é canto; e adorando os Estados Unidos!

    Parece um governo que não usa a razão (importante para a ciência, o progresso, a riqueza e até a felicidade), mas insiste em usar a emoção e misturar princípios religiosos com questões de ordem político-administrativas.

    De qualquer forma em torço para melhorar porque se não melhorar todos seremos prejudicados, mais do que já estamos.

  5. Miguel Ângelo disse:

    Grande Kennedy. A Lua de Mel de Bolsonaro e o povo brasileiro. Só chegou onde deveria chegar. Como muitos casamentos. O Brasil machista casou com a peça Bolsonaro por insistência das amigas não confiáveis: as redes sociais; as mentiras divulgadas; as besteiras sobre o comunismo utopia dos falsos capitalistas brasileiros; as lorotas sobre não existência da Ditadura Militar; as pessoas que se acham elite social num país que tem mal mal uma elite financeira (quantos bilionários tem o Brasil?); as falsas lideranças religiosas – que com seus representantes por todo país, ainda usam o dízimo para fazer fortuna em vez de empregá-los em hospitais, creches, projetos sociais – já que este dinheiro não é para uso familiar e corporativo; as ações mentirosas e direcionadas da Lava Jato; as rotulações direcionadas aos políticos como o mal de tudo; enquanto as benesses da Lava Jato são dadas a empresários sonegadores e corruptores. Agora a noiva pintada de princesa se mostra sapo, como sempre foi.

  6. Miguel Ângelo disse:

    E diante tantas mentiras. Esta aproximação com os EUA, Israel, Chile, só somam perdas para a classe empresarial. No Chile para qualquer um bem informado ou não, sobre economia, viu o Presidente, além de falar asneira, dar um chega para lá no Mercosul e ir feito um pavão de peito estufado, sem as penas coloridas, defender a criação de algo que já existe e funcionando. Em Israel mostrou compromisso com estes falsos líderes religiosos do Brasil e não com os brasileiros ou com os cristão de verdade (Ou você em sua santa ignorância leu na Bíblia que se deve colaborar com guerras e mortes que podem ser evitadas?) O que fez Bolsonaro em Israel, nos EUA quando foi a Cia e se precipitou sobre a Venezuela). Nos EUA, assinando acordo em inglês – um presidente que mal fala o português correto, mostrou-se passivo, que é coisa comum de todo homem rude contra sua casa, mas manso feito cordeiro na rua ou quintal dos outros, o que enoja e poe em dúvida sua formação militar. Bolsonararismo é uma fraude.

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2019-08-18 08:34:56