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Política
09-10-2019, 8h50

Bolsonaro joga PSL ao mar para se afastar de caso de caixa 2 em 2018

Ataques a imprensa e dano a marca Brasil prejudicam país
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

Além de cena surrealista até para os padrões de hoje da política brasileira, o presidente da República jogar ao mar o próprio partido. Essa atitude que parece espantosa sugere que ele quer se livrar do esquema ilegal de candidaturas laranjas do PSL em 2018.

Ou seja, é mais do que briga por controle da legenda. É se desligar de evidências cada vez mais concretas de que o caixa 2 frequentou a campanha de Jair Bolsonaro no ano passado. O caso do ministro do Turismo, Marco Álvaro Antônio (PSL-MG), parece ser um aperitivo.

Na sexta-feira passada, Bolsonaro se reuniu fora da agenda com o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Depois do encontro, vieram os ataques ao PSL. O presidente disse ontem a um apoiador para esquecer o partido porque o presidente da legenda, o deputado federal Luciano Bívar (PE), estava “queimado para caramba”.

Hoje, Bolsonaro colocou na sua agenda oficial novo encontro com Valeixo, que será acompanhado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro. Contradizendo o próprio discurso ao assumir o cargo, Moro tem atuado como advogado de defesa de Bolsonaro. No domingo, o ministro da Justiça sugeriu em manifestação nas redes sociais que tem acesso a informações sigilosas, o que é ilegal.

Aliás, Bolsonaro deve explicações ao país sobre os motivos para pedir a um apoiador para esquecer o PSL e por que Bíval está queimado. Tem alguma informação privilegiada?

*

Método para minar democracia e jornalismo

Os ataques de Bolsonaro à imprensa são apenas uma nova onda do método de desacreditar jornalistas e veículos, a fim de exercer o poder com mais autoritarismo. Bolsonaro é desrespeitoso com jornalistas, jornais, rádios, TVs e sites por método (minar a credibilidade de quem o critica) e pela intolerância da extrema-direita ao exercício livre da liberdade de imprensa e de opinião numa democracia.

Ao governar com tamanho nível de conflito, Bolsonaro afasta investidores externos, desanima empresários brasileiros e provoca um círculo negativo na economia, que vai andando de lado, crescendo pouco e aos suspiros.

É um governo sem projeto. Isso não é novidade para quem lê o blog desde a campanha eleitoral do ano passado. O despreparo de Bolsonaro e sua equipe de primeiro escalão é algo inédito na história do país.

A marca Brasil desabou no exterior. Prefeitos e governadores de Estado ouvem sugestões de embaixadores para fazer eventos de promoção no exterior sem usar o nome do país _algo como visite o Ceará e Fortaleza, conheça as belezas da Bahia e de Salvador, venha a São Luís e aos Lençóis Maranhenses.

A imagem do Brasil está no chão na arena externa. Com sua fábrica diária de crises, com declarações falsas, autoritárias e extremistas, Bolsonaro alimenta a piora da reputação internacional do país e acirra confrontos domésticos. Envenena o debate público brasileiro.

Do ponto de vista interno, o presidente deixa claro que governará por mais três anos estimulando conflitos na política, desperdiçando energia para governar o país e apostando na fidelização de uma parcela conservadora do eleitorado para chegar ao segundo turno em 2022.

Em debate anteontem em Fortaleza, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse ver a “predominância do ódio” na política brasileira. Infelizmente, Tasso está certo. E Bolsonaro é o principal responsável por estimular a intolerância no debate público e trabalhar para destruir nossas instituições.

Ontem, o Whatsapp admitiu o envio maciço e ilegal de mensagens na eleição de 2018. Bolsonaro foi o maior beneficiário das fake news no ano passado. E faz uso delas para governar. Endossado pelo antigo paladino Moro, o discurso de que Bolsonaro fez a campanha mais barata da história talvez não se sustente se houver uma investigação séria sobre o que aconteceu. Mas, no Brasil de hoje, esperar isso de nossas instituições parece vã esperança.

Os ataques à imprensa e o dano à marca Brasil no exterior minam nossa democracia e afetam negativamente a vida econômica dos mais de 200 milhões de brasileiros. Normalizar o estilo de governar de Bolsonaro e as atitudes inadequadas de Moro na Justiça é como as democracias morrem.

Ouça este comentário a partir dos 4 minutos e 55 segundos no áudio abaixo:

Comentários
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  1. Flávio Barbosa disse:

    Prezado Kennedy,
    a democracia brasileira agoniza desde o impeachement de Dilma.
    Desde então, vivemos em estado de exceção. E o modus operandi foi intensificado e normalizado com a posse de Bolsonaro. A meu ver, o mais grave é a constatação de que não há nenhuma autoridade no país – com mérito para tal – disposta a fazer frente a toda essa barbárie. E o pior: grande parte da população aplaude o desmoronamento dos marcos civilizatórios conquistados a duras penas nas últimas décadas. Buraco sem fundo se tornou o Brasil.

  2. haroldo Funke disse:

    Governar com maioria sem participação de cargos pelo partido menor é geringonza. Governar sem maioria o que é?

  3. walter nobre disse:

    Esta certíssimo caro Kennedy; este PSL serviu para a eleição do presidente, foi difícil escolher um partido isento; não poderia ter qualquer coerência com o Bivar, não tem sido ortodoxo com as contas do partido, não vai responder por desmandos absurdo. Melhor assim não deixa a barba crescer, já que não responde por partido algum; não deve permitir, futuras acusações infundadas, tudo o que a oposição espera é incrimina lo. A questão partidária, precisa da reforma política, a maioria usa recursos indevidamente, não prestam contas como deveriam, muitos deveria esta na cadeia. A imagem do nosso País, precisa de muita lisura, aos olhos dos outros países do primeiro mundo, não são palavras são atos lícitos, diante dos inúmeros escândalos ao longo do tempo. Deveremos organizar a bagunça, tentar desaprovar o Bosonaro não valida suas boas intenções diante da sociedade, que entende bem seus atos…

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2019-10-23 04:48:47