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Geral
10-04-2019, 10h08

Bolsonaro, Moro e Witzel oferecem ao Brasil a paz dos cemitérios

Fuzilamento de domingo no Rio reflete discurso brutal
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

Os 80 tiros disparados contra um carro no Rio de Janeiro no último domingo não podem ser admitidos como uma ação de segurança pública. Ocorreu um fuzilamento em praça pública.

Mesmo que houvesse bandidos no carro, a ação não poderia ter sido feita como foi. Fuzilar um automóvel no meio de uma avenida é assumir o risco de chacinar pessoas. E, na hipótese de um carro estar ocupado por criminosos, convém lembrar que não há pena de morte no Brasil e que o ministro Sergio Moro ainda não conseguiu flexibilizar a norma de legítima defesa prevista no Código Penal.

Mas, no caso em questão, não havia bandidos no carro. Havia uma família. Uma família negra.

A política de segurança pública apregoada pelo presidente Jair Bolsonaro, pelo ministro Moro e pelo governador Wilson Witzel (PSC-RJ) é a da mão pesada contra criminosos, é a do uso de violência ainda maior. Essa política objetiva nos dar a paz dos cemitérios, aquela paz que alguém sente quando vê que o inimigo está a sete palmos debaixo da terra.

Para essa política ser bem-sucedida, vamos ter de matar todos os bandidos, matar muitas pessoas, sobretudo pessoas pobres, sobretudo pessoas negras. Vamos promover chacinas e tragédias nas nossas periferias urbanas. No domingo, o músico Evaldo Rosa dos Santos morreu. Não foi um exagero. Não foi um erro. Foi um fuzilamento que é reflexo desse discurso de brutalização de nossas políticas de segurança pública.

Bolsonaro, Moro e Witzel oferecem ao Brasil a paz dos cemitérios.

*

Começou errado

Como condição para aceitar fazer a intervenção federal no Rio em 2018, a cúpula das Forças Armadas pediu ao então presidente Michel Temer uma proteção à tropa: soldados e oficiais que matassem civis seriam julgados pela Justiça Militar. Por isso, o caso de Evaldo Rosa dos Santos não está sob alçada cível.

Os militares não queriam intervir no Rio. Como regra, não têm treinamento nem preparo para atuar na segurança pública. Missões como as do Haiti, que propiciam conhecimento dessa natureza, são exceções.

Em tempo: durante o período de intervenção militar, houve aumento do número de mortes no Rio por policiais militares.

Ouça o comentário feito ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição”. Ele começa aos 30 minutos e 20 segundos no áudio abaixo:

Comentários
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  1. Alguém acha que foi coincidência? Dentro deste carro estavam pessoas NEGRAS, e para quem comanda a segurança pública num país de negros, NEGROS são todos bandidos. COINCIDÊNCIA??? Podem apostar que daqui para a frente, com esta política de segurança pública, liberando o “atira antes e pergunta depois”, muitas outras COINCIDÊNCIAS irão ocorrer, sempre sem respostas e sem a devida culpabilização dos envolvidos.

  2. walter disse:

    Uma Falha lamentável caro Kennedy, não justifica, mas o RIO, esta distante da Paz esperada; infelizmente, veremos muita violência, com morte absurdas, de todos os tipos, por falta principalmente, de uma topografia favorável, a planejamentos de segurança…o governador que esta chegando, só encontrou até aqui, catástrofes em geral…como sempre, um estado destroçado, corrompido, desestruturado a muitos anos, com governos incompetentes, além de corruptos, que levam cada vez mais, ao panico geral; só pesam em Verbas poupudas, sem direito a retorno; um Estado Inútil, que não acrescenta, ao país…as Forças Armadas, podem colaborar…todos sabem, sua verdadeira missão, não é fazer policiamento ostensivo…precisam urgentemente, retomar com as forças policiais filtradas…

  3. Lucia Arrais Morales disse:

    Prezado Kennedy,
    Acompanho o seu trabalho desde o sbt. É muito útil para mim a perspectiva que você abre para pensar os acontecimentos. Ontem, durante a entrevista com o prefeito do Rio, Gostei bastante de sua atitude serena em face aos atributos dirigidos por ele a sua pessoa. Nos tempos atuais, é por demais necessário ouvir alguém que oferece uma compreensão. Isso está longe de ser pouco. Muito obrigada.

  4. Augusto Pinheiro disse:

    Esse discurso de ódio de um governo autoritário indica um prenúncio de dias tenebrosos. Os 80 tiros que foram disparados contra uma família de negros não se trata de um “incidente”, como declarou o ministro da justiça, mas de uma guerra declarada pelo Estado contra a população negra e a menos favorecida, que mora nas periferias. Enquanto isso, a sociedade fica assistindo em silêncio a guerra interna entre “olavistas” e militares, que só faz o país se afundar na lama em que se encontra.

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