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Geral
29-08-2019, 9h47

Boris Johnson cria grave crise constitucional no Reino Unido

Manobra pode levar Escócia a deixar união com Inglaterra, Irlanda e País de Gales
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Kennedy Alencar
São Paulo

O Reino Unido vive uma das crises constitucionais mais graves de sua história e corre o risco de que a Escócia siga o caminho do separatismo a fim de permanecer na União Europeia.

Para alguns analistas, trata-se da crise constitucional mais grave desde as revoluções inglesas do século de 17 que procuraram diminuir o poder da monarquia e fortalecer o dos nobres.

O primeiro-ministro Boris Johnson usou um expediente técnico, a paralisação de alguns dias do Parlamento para que a rainha faça o discurso do programa do novo governo, a fim de fechar o Legislativo inglês por cinco semanas. Assim, ele abriria caminho para uma saída da União Europeia em 31 de outubro sem acordo, cenário considerado desastroso por economistas, que preveem queda de até 10 pontos percentuais do PIB.

O Reino Unido não tem uma Constituição escrita. Todo o seu ordenamento jurídico é baseado em decisões de seus tribunais, entendimentos políticos e acordos de cavalheiros. É o direito ancorado nos costumes democráticos da monarquia constitucional.

O movimento audaz de Boris Johnson é arriscado, pois estimula o separatismo escocês. A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, prometeu recorrer à corte superior do país contra Johnson.

A jogada do primeiro-ministro britânico busca responsabilizar Bruxelas e o Parlamento britânico por uma eventual saída da União Europeia sem acordo _um dos tipos de “hard” (duro) Brexit.

Johnson tem dito que o Parlamento teve três anos para encontrar uma solução desde o plebiscito de 2016, quando a maioria dos votantes optou pela saída da União Europeia num resultado apertado. Ele também tem afirmado que líderes da União Europeia não desejam fazer concessões para um novo acordo em relação ao que foi negociado com a sua sucessora, Theresa May. O Parlamento britânico rejeitou as propostas de May, que caiu em junho cedendo lugar a Johnson.

A oposição provavelmente tentará derrubar o primeiro-ministro pedindo um voto de desconfiança na semana que vem. Ainda não se sabe se uma ala do Partido Conservador se unirá ao Partido Trabalhista para tirar Johnson do poder, mas não é algo simples diante de calendário tão apertado.

Faz parte da tradição o chamado “Discurso da Rainha”, momento em que ela vai ao Parlamento ler o programa de governo do novo primeiro-ministro. Mas isso paralisaria o legislativo por alguns dias e não por cinco semanas, como pediu Johnson. Ele usou algo tecnicamente menor para uma alta jogada política a fim de emparedar o Parlamento, que voltaria a funcionar a duas semanas do prazo final para o Brexit.

A reação da imprensa britânica foi dura. O “Financial Times”, um dos jornais mais respeitados do planeta, pediu a saída de Johnson do poder. O primeiro-ministro é acusado pela imprensa de ter mentido por ter dito há semanas que seria autoritário fechar o Parlamento e por ter negado faz pouco tempo que não optaria por tal manobra. Ele evita a imprensa e prefere fazer lives nas redes sociais.

Boris Johnson é um populista de direita considerado inteligente e culto, ao contrário de outros personagens mundo afora. Tinha até ontem maioria de votos apenas no Parlamento.

Ruth Davidson, membro do Parlamento que pertence ao Partido Conservador, disse que renunciaria ao mandato. Escocesa e gay, ela fortaleceu os conservadores reunindo apoio para eleger outros 12 membros do Legislativo. Se ela abandonar os conservadores, Johnson teria de encontrar outros aliados a fim de vencer um eventual voto de desconfiança, tarefa bastante árdua.

Uma leitura minoritária dos acontecimentos vê na manobra de Johnson um jeito de adiar o Brexit para depois de 31 de outubro criando tamanha confusão agora que possa ser debitada na conta do Parlamento e da União Europeia. Essa avaliação enxerga uma jogada política para convocar eleições gerais em algum momento a partir de 1º de novembro e tentar formar uma maioria mais densa, levando o Partido Conservador ainda mais para a direita.

A incerteza e a luta políticas são a realidade do Reino Unido hoje, que é formado por Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales. Ouça o comentário feito ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Chega a ser hilário o parlamento inglês Kennedy, para não dizer ridículo; com o Boris então, conseguiu um voo de galinha, nesta saída sem critério da UE; nada de novo no Front, estão tropeçando nos próprios calcanhares; no fundo os políticos de lá não queriam sair da UE, com a vontade soberana do POVO, o que não arriscamos aqui, terão que fazer a transição, terão muitos ovos quebrados…Para o Brasil, o mundo tem a feição ideal, para negociarmos positivamente, para tanto precisamos das reformas…

  2. ANDRE disse:

    Mundo em transe lá fora também. O liberalismo econômico das últimas décadas, fez ressurgir o nacionalismo, movimento de direita, que como o comunismo, só fez a humanidade caminhar para trás. Reino Unido e EUA, pareciam imunes, mas vendo seus líderes atuais, vemos que não.

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2019-09-22 01:22:55