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Geral
25-03-2020, 15h52

Cadê o líder?

Liderança é o que mais está em falta na crise do coronavírus
9

Kennedy Alencar
WASHINGTON

Numa grave crise, liderança é o que mais importa. O presidente Jair Bolsonaro nunca foi nem será líder.

É isso o que mais está em falta no Brasil e nos Estados Unidos. Bolsonaro e o presidente Donald Trump são incapazes para as funções de responsabilidade que exercem. Qual é a saída? Brigar com todos os técnicos, com os cientistas e com o bom senso, apostando na estratégia de desinformação e manipulação da opinião pública que deu certo para chegar ao poder.

Acontece que tem uma pedra no meio do caminho. Uma crise de saúde pública é menos propensa a aceitar soluções diferentes do manual científico. Vidas estão em risco. A ciência oferece respostas e saídas mais confiáveis do que o instinto de demagogos autoritários.

Em Nova York, o governador Andrew Cuomo precisava de profissionais de saúde para a força-tarefa de combate ao covid-19. Mais de 40 mil se voluntariaram. E ainda apareceram mais 6 mil para dar atendimento à saúde mental de pessoas estressadas pelo isolamento social.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson deixou o time “trumpista” de lado e passou a agir com responsabilidade. Pediu socorro para que 200 mil voluntários reforçassem o NHS, o sistema nacional de saúde, especialmente com suporte logístico. Apareceram 400 mil em menos de 24 horas.

Andrew Cuomo se comporta com sobriedade e empatia. Batizou com o nome da mãe, a Lei Matilda, as providências para proteger os mais vulneráveis em Nova York. Boris Jonhson abandonou o personagem bufão _até a linguagem corporal mudou nos briefings diários. Enquanto isso, Trump e Bolsonaro se comportam como bobos da corte e valentões de redes sociais, atacando a imprensa e terceirizando responsabilidades.

Assim como Bolsonaro, Trump fica mentindo sobre o “grande trabalho” que não fez na condução da crise. Não há testes suficientes no Brasil e nos EUA. Faltam equipamentos hospitalares lá e cá. O presidente americano semeia o falso dilema de escolher entre a economia e a saúde. O que faz Bolsonaro, com seu Complexo de Vira-Latas? Macaqueia Trump de forma amadora.

Os 27 anos como deputado federal medíocre já provavam o despreparo do presidente brasileiro para a função. Os ataques às minorias, a misoginia, o racismo e a defesa de torturadores evidenciavam a personalidade cruel, sem um pingo de humanidade.

Mas a atual crise escancara que Bolsonaro é simplesmente incapaz de liderar o país. Cabe ao Congresso, ao Supremo Tribunal Federal, aos governadores e à sociedade civil enfrentar o pandemônio criado pelo presidente no meio de uma pandemia.

Cadê as propostas para mitigar os efeitos do covid-19 nas comunidades carentes das grandes cidades?

Cadê os planos do Paulo Guedes para salvar a economia?

Cadê o resultado do exame de coronavírus que vem escondendo?

Cadê as saídas e os rumos para o país?

Não vamos falar de Winston Churchill nem de Franklin Delano Roosevelt. O presidente brasileiro poderia dar uma olhadinha nos trabalhos de Flávio Dino, Rui Costa, João Doria e Ronaldo Caiado. Ou pedir ao deputado federal Eduardo “Bananinha” Bolsonaro para lhe contar o que Andrew Cuomo anda fazendo em Nova York.

Não é hora de dourar a pílula, vendendo a covid-19 como uma “gripezinha”, nem de dar ouvidos a empresários genocidas, adotando o darwinismo social como política de Estado.

É hora de liderar, mas Bolsonaro não é um líder. Nunca foi. Nunca será.

PS – Agradeço à minha amiga Duda Lafetá, que sugeriu a ideia central desta coluna. Vale a pena ler o que ela escreve no Blog da Ilha.

Abaixo, comentário feito no “CBN Noite Total”:

Comentários
9
  1. Diule Queiroz disse:

    Gabriela Prioli, comentarista da CNN Brasil, foi muito pertinente em sua observação. Bolsonaro sabe que se não haver os cuidados necessários terão muitas mortes, na ordem de centenas de milhares, mas havendo cuidados morrerão poucas pessoas e ele poderá falar que a pandemia não era isso tudo, que foi um complô comunista, entre outras asneiras ditas por ele. Em meio a essa situação toda ele está preparando palanque futuro. Uma pessoa com pensamento tão baixo não deveria ter sido nem deputado.

    • Walter Nobre disse:

      Caro Kennedy, e Diule a Gariela Prioli foi feliz ao citar o Bolsonaro preocupado em encontrar saída heterodoxas, diante de mesmice mundial, não deixa de ser uma atitude visando quem sabe, um futuro próximo, quem vai julga lo são os eleitores no futuro, pode sim equilibrar cuidados com a não paralisia do País, podemos não concordar, daí julga lo como inapto não é uma opção neste instante; independente do Trump nossa realidade é muito diferente, principalmente em recursos. Tenho girado em SP,nas periferias, o mundo lá esta girando na contra mão, comércio funcionando, não conhecem medidas preventivas,quando encontram não tem recursos, falta água falta tudo. Diante de tal fato, fora a politicagem, não podemos seguir a unanimidade, por tudo o ministro Mandetta, sem sair da prioridade, estuda possibilidade duplas, vamos acreditar que as possíveis mudanças a favor, possam ser positivas. A paralisia de forma geral, com todos enfurnados em suas casas vão gerar muitas doenças infelizmente.

  2. Braga-BH disse:

    O que mais me surpreende é que no dia de hoje, muitos jornalistas(?), muitos comentaristas políticos ainda tentaram justificar a fala infame do presidente no pronunciamento de ontem, com a justificativa de que a economia do país não pode ficar paralisada por 60 dias ou mais.
    Bolsonaro está fazendo uma aposta de pocker. Seu blefe pode levar o país a um caos social devido ao número de mortos que podem surgir com esta pandemia, com a quantidade de famílias sem ter o que comer. Daí para um levante social, uma crise interna para chamar de sua e colocar as forças armadas nas ruas para controle das ações sociais é um pequeno passo. É tudo que ele mais almeja!

  3. Carlos Mario Vásquez Gutiérrez disse:

    É uma pena, tanto no Brasil como no mundo: já sentíamos a ausência de líderes há muito tempo: cadê as lideranças empresariais, das igrejas, dos sindicatos, da OAB, do jornalismo, etc….? Nas crises sente-se ainda mais a ausência de lideranças. O nosso problema é maior, pois além de não ter liderança o Presidente é um desequilibrado!

  4. wilsonsjr disse:

    1) Se o presidente fala sério, por que não edita Decreto revogando todas as medidas que seus Ministérios tomaram, tanto internamente (servidores) quanto para efeitos públicos?

    2) Com a enxurrada de óbitos que pode decorrer de relaxamento da quarentena, como (apenas “verbalmente”, pois, cadê o Decreto?) poderá a economia “melhorar”? Como é intuitivo, em casos de mortes generalizadas por causas epidêmicas, o impacto é infinitamente superior ao da quarentena. Inclusive por que a quarentena, no caso presente, é principalmente preventiva, coisa bem diferente, da “quarentena” de “terror” que pode ter lugar com a subida acelerada do número de óbitos?

    3) Por que seria mais conveniente verbalizar posições incompatíveis com a realidade e com o consenso médico, sanitário, estatístico e, mesmo contra o senso comum? Quem souber a resposta, descobrirá a “mão que balança o berço”.

  5. jose disse:

    Ontem à noite, assisti a uma entrevista no Opinião Nacional (TV Cultura SP), e o entrevistado dizia da incapacidade do jair bolsonaro se solidarizar com o outro enquanto ser humano, ou seja, o importante é ele (Bolsonaro) não contrair o virus, os outros são os outros. É uma personalidade paralela à necessária para a convivência social porque não coaduna com a visão panorâmica que o político dever ter. Não serve, portanto, para ser político. Mas o gado inisiste. É uma questão de psicanálise, e infelizmente esse método é desconhecido pelo gado. Porque a psicanálise é para leitores bem formados, não é senso comum.

  6. Brasil das indecisões ante a razão disse:

    Kennedy, Bolsonaro é um erro que somente as urnas corrigirão. Agora, vale pensar para o bem comum. Onde nem Trump, nem Bolsonaro entram. Afinal, Trump usa os EUA para seu bem próprio. Lá o Congresso, comprado ou não, o apoia (senão aprovasse teria seguido com seu impeachment). Aqui, graças a Deus. O nosso Congresso, com o afastamento do MICO daqueles que o elegeram (PSL). Pode trabalhar para o bem do povo frente a este falso intelectual; militar de araque (pois entregou a soberania do Brasil ao EUA ao assinar contrato em inglês sem saber mal o português); religioso evangélico ou católico (pois é adultero segundo as escrituras); capitalista (pois sempre viveu do dinheiro do povo – do erário brasileiro). Falta-nos pensar ao bem comum. E para isso temos que treinar nossa logística. Nossa visão global sobre o Coronavírus e as consequências – visão holística do Estado. Os prefeitos, governadores no Brasil estão errados? O Presidente, Congresso, Trabalhadores estão errados? Depende? …

  7. Continuando disse:

    não precisa ter contado. Pode pegar o produto por uma abertura, pode receber em casa. O problema do Brasil é que diante o Coronavírus ainda querem defender o bolsonarismo. Aí nos EUA, talvez o trumprismo. Ideologias fracassadas pois invocam um homem mediano (independente de um ser bilionário – Trump, e o outro ser sanguessuga do erário – Bolsonaro). Acordem bolsonarista! Nem o que você chamam de esquerda (que não existe no Brasil pois o PT fez um governo de direita fazendo os empresários mais ricos ainda; e você se sabe ler, sabe criticar, tem ciência que a corrupção sempre existiu, e existirá) atuam no momento como obstáculo. Nós largando vaidades partidárias, ou crença em falsos profetas, falsos intelectuais, falsos militares(uma piada contado pelo mundo se você considera Bolsonaro presidente um militar das FFAAs pensando soberania), podemos resolver tudo, colaborando para organização Estado e Sociedade. Nesse momento se você não pensa no Brasil junto. Se isole dele. Não use a mídia.

  8. Continuando disse:

    Prefeitos, Governadores, o próprio Congresso, o governo com a representação de seu vice-presidente – com sua limitação de cargo. Quando aprovam o isolamento. Estão agindo corretamente. A economia, o trabalho, as empresas, a produção, as dívidas, o pagamento dos salários, podem ser negociados. Os dias parados podem ser negociados, ou pagos, ou descontados. Não podemos, como temos evidências pelos jornais do mundo dos danos e mortes pelo vírus, deixar de aplicar as recomendações da ciência via OMS, e representações da saúde (não visão bolsonarista desse ou daquele médico que insiste em defender uma ideologia fracassada com base no nada (militar, homem, político, religioso – Messias Bolsonaro). Não temos ainda tempo certo. Não será 1, 2, 3 ou 4 meses (mas pode ser que seja). Mas temos que aguardar a evolução do vírus diante o Brasil. E com base científica ir voltando a normalidade. Nesse momento, agradecemos ao jornalismo brasileiro, onde Kennedy, e tantos outros nos informam. Obrigado!

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2020-04-02 19:24:22