aki

Kennedy Alencar

cadastre-se aqui
aki
Política
03-09-2015, 9h09

Câmara e Senado jogam pingue-pongue na reforma política

Cresce cenário de proibição ou restrição a doação eleitoral de empresas
6

KENNEDY ALENCAR
Brasília

Há risco de a reforma política virar um eterno pingue-pongue entre Câmara e Senado, com uma Casa anulando o desejo da outra a respeito desse tema. Nesta quarta, os senadores aprovaram o fim das doações de empresas privadas para campanhas eleitorais, o que contraria a principal medida da reforma política votada recentemente pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A questão agora será reexaminada pela Câmara.

Existem algumas saídas para evitar um eterno pingue-pongue. Uma delas seria um acordo entre deputados e senadores para aprovar uma regra que pudesse obter maioria nas duas Casas.

A votação de quarta no Senado, apesar de apertada a favor da proposta aprovada, mostra que um consenso será difícil. A Câmara manteve a contribuição das empresas às campanhas políticas por meio de doações aos partidos. O Senado permitiu contribuição privada apenas de pessoas físicas. É uma tremenda decisão, que embaralha o jogo.

Sem acordo no Congresso, restará ao STF (Supremo Tribunal Federal) encerrar o julgamento no qual já há maioria contra a doação eleitoral de empresas. Esse julgamento só não acabou porque o ministro Gilmar Mendes fez um pedido de vista em abril do ano passado. Há quase um ano e meio o tema está parado no Supremo.

Gilmar Mendes fez isso para dar tempo ao Congresso de votar uma regra que inviabilizasse o julgamento do Supremo e mantivesse a contribuição eleitoral de empresas. Mas não houve consenso entre os parlamentares. Politicamente, Mendes gera desgaste para o Supremo ao não devolver o processo para encerrar o julgamento.

Portanto, o cenário mais provável hoje é uma trava às contribuições empresariais, seja por um acordo no Congresso nesse sentido, seja por um eterno pingue-pongue parlamentar ou pelo encerramento do julgamento no Supremo. Hoje, há um sentimento forte na sociedade de rejeição às contribuições de empresas para as campanhas políticas. Ficar como está será difícil. É mais provável que ocorra a proibição ou uma forte restrição.

*

Colhendo o que plantou

Ao discursar em defesa do ministro da Fazenda e ao convidar o vice-presidente da República para um almoço no Palácio da Alvorada, a presidente fez dois gestos nesta quarta para tentar evitar a saída de Joaquim Levy do cargo e diminuir o distanciamento político entre ela e Michel Temer.

A presidente Dilma está tentando corrigir os erros que ela mesma cometeu. Tanto Levy como Temer têm queixas em relação ao ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que estaria disputando poder com um na economia e com outro na política.

Foi só o governo ganhar um folegozinho após as manifestações de 17 de agosto, menores do que as de março, e com a denúncia ao Supremo do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para Dilma achar que tinha margem de manobra a fim de fazer uma inflexão na economia e retomar espaço na política.

Levy e Temer se queixam de Mercadante, mas a responsável é Dilma. O ex-presidente Lula está quase careca de recomendar à presidente que tire Mercadante da Casa Civil e coloque lá o ministro da Defesa, Jaques Wagner. Dilma resiste porque criou uma relação de confiança com Mercadante que não tem com nenhum outro ministro.

Como Dilma e Mercadante têm linha semelhante de pensamento político e econômico, é uma combinação que produz atritos com Lula, com Levy, com Temer, com o PMDB, com os aliados, com os empresários.

Em relação a Levy, ele não pretende deixar o cargo. Quer ser ouvido.

O problema com Levy é a imagem de que Dilma deixa o ministro da Fazenda parecer enfraquecido, o que é um erro mortal para o governo.

No que se refere a Temer, o distanciamento é crescente, sim, porque o vice se sentiu desrespeitado na tentativa de recriar da CPMF, que foi algo maior, e em pequenos episódios. O problema com Temer é de difícil solução e até mais perigoso.

Se o PMDB romper com o governo, volta a crescer a tese de impeachment no Congresso. A propaganda política do PMDB que está no ar é evidência de que há um forte sentimento contra o governo no próprio partido.

Em resumo, Dilma está colhendo o que plantou.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
6
  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    O partido sindicalista pelego se especializou em tirar o corpo fora de qualquer dificuldade. Em São Paulo eles apelaram para a lei “cidade limpa” para tirar o boneco Pixuleco de circulação. Esqueceram dessa lei ao emporcalhar os “Arcos do Jânio”, pintar a ciclofaixas, permitir as pixações em toda a cidade, enfim, sujar até a reputação do já difícil trânsito … É a lógica o fracasso

  2. Joaquim disse:

    Outro dia ouvi, uma ótima. A pessoa comentando dos erros cometidos pela presidente, falou: A gente vê um absurdo, então acha que não é possível, ninguém faria isto, deve ser uma jogada de mestre, igual ao xadrez e no final a gente vê que realmente foi um absurdo.
    A capacidade de errar desde governo é infinita. Se não fosse trágico dava até para cair na gargalhada.

  3. Alberto disse:

    A terra brasilis é uma baderna institucional,governamental e todos os “nal” e “tal” federativos.

  4. Sônia Ribeiro disse:

    E, claro, este mimimi todo, como se essa corja estive acima da Instituição Brasil e seus milhões de pessoas, mais uma vez trunca tudo. Dólar e Euro nas alturas, desemprego, inflação, mais recessão, saúde, educação e segurança que matam a cada dia. Mas assim caminha a humanidade tupiniquim. E eles….ah….., eles acham que tudo podem, até que, como o Rei do Egito, que não mudou muito em todos esses séculos, explorando o povo, o sangrando, se depare com Deus e tudo desmorone. Corja!!! Mil vezes, corja! Larga o osso, em prol do BRASIL!!!

  5. César disse:

    Os problemas do país, me parecem insolúveis, enquanto este governo continuar no poder. Está um caos total! Reformas que na verdade, não são reformas, são modificações para dificultar as investigações e condenações no futuro. Proibir doações de empresas, e liberar as doações de pessoas físicas, sem limite, vai criar um exercito de formiguinhas. O PT será amplamente favorecido e usará os sindicatos e movimentos sociais, para receberem doações fracionadas, através dos membros filiados destas entidades. Ficará muito mais difícil, de ligar dinheiro sujo desviado através da corrupção, a uma empresa doadora de campanha e puni-la. É um absurdo! O Presidente do Senado Renan Calheiros está mais petista do que nunca. Um vendido! Desta maneira, irão acabar com o país de vez. O Procurador Geral da República Rodrigo Janot, agora que foi reempossado, mostra a sua verdadeira face, de engavetador geral, tomando claramente partido, para o governo, livrando a Presidente Dilma Rousseff de acusações graves. O Vice-Presidente Michel Temer, ajudou a dar sobrevida à Presidente Dilma Rousseff ao aceitar a articulação política. Salvando aquilo, que não deveria ser salvo! Enquanto isto, a Presidente Dilma Rousseff, articulava em suas costas. O Ministro da Fazenda Joaquim Levy, é um boneco de posto de gasolina, usado para acenar ao mercado. Está lá apenas para dar credibilidade à quem não o tem. Tudo o que tentou implantar até aqui, foi modificado, pelo Ministro do Planejamento Nelson Barbosa ou pelo Ministro da Casa Civil Aloisio Mercadante. é sempre voto vencido e fica apenas com a culpa pelas consequências das medidas impopulares. É só ver como é tratado pelos manifestantes pró governo nas manifestações da CUT, PT, MST, MTST. É o bode expiatório oficial do governo. Deveria pular fora deste barco furado, o mais rápido possível. Este governo vai nos trazer de volta, a hiperinflação. Devemos nos preparar para o pior! O rombo é muito maior do que o anunciado. Se houver aumento de impostos, a recessão vai se agravar ainda mais. As consequências, serão mais desemprego e mais inflação. O fundo do poço parece estar longe, enquanto este governo continuar. Ela sempre consegue piorar, o que já está ruim!

  6. Pelo amor de Deus, o Brasil indo para o fundo do poço com a incompetência desde a presidente, ministros e a totalidade da câmara e esse pessoal FICA BRINCANDO PARA VER QUEM É MAIS FORTE.
    Nós os elegemos, e de alguma forma devemos também manda-los a merda desde que não cumpram com as suas obrigações.
    Está na hora de uma renúncia coletiva neste cenário político.
    Vai da presidente seu vice, ministros, senadores e deputados federais.
    Tá na cara que todos querem que o Brasil e seu povo honesto e trabalhador se dane.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

2020-12-03 11:24:10