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Entrevistas
03-07-2014, 18h29

‘Choro do Brasil pode dar mais confiança a adversários’

Para especialista, acompanhamento psicológico deveria ter começado em 2007
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ISABELA HORTA
Brasília

O presidente da Associação Paulista de Psicologia do Esporte, João Ricardo Cozac, acha que foi tardia a convocação da equipe de psicólogos na Granja Comary. Nesta semana, a psicóloga da CBF, Regina Brandão, entrou em campo para conversar com os atletas. Neymar aprovou a visita. Disse que estava gostando muito de fazer terapia e recomendou aos jornalistas. Para Cozac, esse acompanhamento deveria ter começado em 2007, quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa. Ele não vê problemas em chorar em campo, mas acha que os adversários podem entrar mais confiantes sabendo que a seleção está com o emocional “absolutamente instável.”

Confira a entrevista:

Por que o choro foi tão mal visto pelos torcedores e pela imprensa?

O choro é normal desde que ele seja contextualizado. Todo atleta chora e a gente precisa chorar até para evitar as doenças somáticas. O problema do choro foi o momento em que aconteceu, antes da decisão de pênaltis contra o Chile. Esperava-se certamente mais controle emocional e, infelizmente, ali a gente notou quanta falta fez um trabalho mais prolongado e mais duradouro da psicologia esportiva na seleção.

Quando o choro é prejudicial ao atleta?

Depende muito da intensidade da emoção, dos porquês que estão envolvidos nesse choro. Cada indivíduo tem os seus motivos para a emoção vir à tona. A gente precisa pensar estrategicamente porque se trata de uma Copa do Mundo, um dos torneios mais importantes do universo, e o adversário, enxergando a nossa fragilidade, poderia ter crescido. Outras equipes que venham a enfrentar o Brasil podem entrar um pouco mais confiantes por saber que a seleção brasileira está com o emocional absolutamente instável. O choro é positivo depois de uma conquista. Durante a performance, o choro acaba expondo a fragilidade e oferecendo munição pro adversário.

O Brasil é a seleção com mais títulos mundiais e joga em casa pela segunda vez (a última Copa no país ocorreu em 1950). A pressão da torcida brasileira é muito grande e nenhuma outra seleção passa por isso. Como trabalhar essa tensão psicológica com os atletas?

A seleção brasileira precisa sorrir mais. O time do Brasil está muito sisudo. Está carregando uma carga muito pesada. Não há mágica para ser feita em um ou dois dias. A psicologia do esporte precisa de um tempo para trazer benefícios. Se houver alguma mudança de comportamento dos atletas, vai ser fruto do susto que eles tomaram na quase eliminação diante do Chile. Depois daquele susto, daquela sensação de adrenalina da quase eliminação, talvez isso gere uma força interna que supere essa fragilidade emocional.

Além do trabalho psicológico, o que pode ser feito para ajudar a seleção? O que o técnico, Luiz Felipe Scolari, e o capitão, Thiago Silva,  podem fazer para amenizar a situação?

O trabalho da psicóloga deveria ser realizado no momento em que o Joseph Blatter anunciou que o Brasil seria a sede da Copa. Ali deveria já ter um departamento de psicologia prevendo a pressão, a expectativa e toda essa explosão de emoção, não só do atleta, mas da torcida. Em relação ao Thiago Silva, como capitão e referência dentro de campo, ele demonstrou uma fragilidade perigosa. Em relação ao Felipão, eu acredito que ele também está sentindo essa pressão de todos os lados, da mídia e da torcida. Em algumas declarações dele, eu percebo que eles está um pouco perdido. No início da Copa ele dizia que o Brasil era favorito, que tínhamos tudo para ser campeões, o Parreira falou que a gente já estava com metade de uma mão na taça. Antes do jogo do Chile mudaram o discurso dizendo que seria normal o Brasil ser eliminado, que o Chile era uma grande equipe. Outro dia o Felipão também falou que está arrependido da convocação de um jogador. Aquele técnico, da família Felipão, acho que precisa ser resgatado urgentemente para que esse time não fique à deriva.

Que aspectos caracterizam um abalo emocional de um time? A seleção brasileira está passando por isso?

À distância, a gente não pode diagnosticar nada e nem seria ético da minha parte. O que eu posso atestar é o seguinte: o emocional extremamente abalado, como o que parece estar acontecendo, gera normalmente uma redução nos níveis de concentração, um aumento nos níveis de ansiedade, o que pode ser penoso para os reflexo dos atletas, pra questão da atenção, do foco, do controle motor de um passe, de um chute a gol. A gente tem de pensar em colocar os nervos no lugar pra não ter prejuízos em rendimento e performance nos próximos jogos e poder resgatar o caminho para equilíbrio e confiança dentro de campo.

Comentários
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  1. Sonia Regina de Andrade e Carvalho disse:

    Impressionante, como os valores estão sendo trocados. Quem tem sensibilidade é fraco? Onde já se viu isso? Pelo contrário, é preciso ter alguma sensibilidade, para que não se fique extremamente automatizado. Os nossos jogadores apenas mostraram que são humanos. Que é como o povo, faz de tudo para ficar bem, mas tem sensibilidade demais. Nos viramos até muito bem, onde o povo é deixado a sua própria sorte.
    É preciso ter equilíbrio entre razão e sensibilidade, Isso é o ideal. Um não sobrevive sem o outro

    • Juliano disse:

      Sonia, concordo com você ninguém trabalha no automático, apenas venho ressaltar que se a seleção tem psicologia do esporte, ela deveria trabalhar melhor essa emoção que é genuína dos brasileiros, é normal sim chorar, mas a comissão deveria ter antecipado esse choro todo e pedido para os psicólogos para que essa emoção e esse choro que viria com certeza, por ser natural e por estarmos jogando em casa, ao favor do jogador, ter trabalhado essa emoção para que o choro viesse no momento certo. E não pense que isso é impossível, não somos robôs, mas os psicólogos do esporte estudaram exatamente para isso, trabalhar com emoções, alto rendimento, concentração, ansiedade. Eu fiz um curso de Psi do Esporte em Cuba e sei exatamente o que os psicólogos que estão criticando o trabalho feito em cima da hora, não é assim que funciona, nem aqui, nem na China.

  2. gesiel disse:

    QUEM PASSA ESTA INSEGURANÇA PARA OS JOGADORES DA SELEÇÃO “É O TECNICO FELIPÃO” e o PARREIRA que eu nem sei o que faz lá. Mas o fato é que HA MUITO TEMPO ja se questiona “POR QUE OS TIMES DO BRASIL NÃO CONTRATAM TECNICOS ESTRANGEIROS, como JA ACONTECE NOS OUTROS ESPORTES DAQUI MESMO DO BRASIL, visto que a classe de tecnicos do futebol brasileiro, ‘É FORMADA POR EX.JOGADORES MEDIOCRES’ QUE NUNCA JOGARAM EM TIME GRANDE, QUANTO MAIS JOGAREM EM TIMES DA EUROPA PARA APRENDER NA PRATICA COM OS MESTRES DAS TATICAS EUROPES; E SEQUER TIVERAM A HUMILDADE para FAZEREM CURSOS DE TATICAS EM PAISES EUROPEUS?” O Brasil TEM OS MELHORES JOGADORES DO MUNDO e precisa ter PELO MENOS o apoiou de tecnicos que ENSINEM NOÇÕES TATICA para que eles tenham mais confiança. Espero que NÃO QUEIRAM TAMBÉM JOGAR na presidente DILMA, A CULPA DA INCOMPETENCIA DO FELIPÃO em não conseguir dar um padrão de jogo para a seleção. Importante lembrar que MESMO SEM ORGANIZAÇÃO os jogadores brasileiros SÃO MELHORES e podem tranquilamente fazer a diferença contra qualquer seleção do mundo. A Colombia NÃO É TUDO ISSO QUE ESTÃO PINTANDO. Vamos Brasil, respeitar sim, temer nunca!

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