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Política
16-09-2016, 9h12

Com apoio do centrão, Temer depende menos do PSDB e DEM

Presidente fecha suporte do grupo à sua agenda econômica
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Passada a cassação de Eduardo Cunha, o presidente Michel Temer fez um movimento político correto de reaproximação com oito partidos do chamado centrão da Câmara: PMDB, PTB, PP, PSD, PR, PRB, PSC e SD. Juntas, essas legendas somam quase a metade da Câmara dos Deputados.

Esses partidos apoiaram o impeachment de Dilma e a ascensão de Temer ao poder, mas uma parte foi derrotada em julho com a eleição de Rodrigo Maia, do DEM do Rio, para presidir a Câmara. Havia feridas a curar.

Com o fim da influência de Eduardo Cunha sobre o grupo, que abandonou o ex-presidente da Câmara na segunda-feira e votou maciçamente por sua cassação, Temer teve boa oportunidade de buscar a reaproximação ao almoçar ontem com dirigentes do centrão.

O presidente obteve o compromisso de apoio à reforma da Previdência e à PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que cria um teto para limitar o crescimento das despesas públicas. Esse grupo de partidos é o mesmo que boicotou o governo Dilma dando gás a projetos de expansão do gasto público e às pautas de interesse de Eduardo Cunha. Ter um compromisso dessa fatia conservadora e fisiológica com o ajuste fiscal ajuda Temer a dar um sinal para o mercado financeiro e os empresários de que terá apoio para aprovar sua agenda congressual.

A reaproximação com o centrão também serve como contraponto ao PSDB e DEM, partidos que têm feito críticas públicas ao presidente, cobrando mais austeridade econômica. Com esse movimento, Temer manda um recado de menor dependência em relação a tucanos e democratas para obter votos na Câmara.

Por último, Temer estreita laços com um grupo que rivaliza ideologicamente com o PT e outras legendas de esquerda, mas que poderia abrir uma dissidência em seu governo e se aliar a petistas e comunistas para eleger em fevereiro o sucessor de Rodrigo Maia na presidência da Câmara. Temer quer ter o controle desse processo de sucessão parlamentar.

Ao contrário de Dilma Rousseff, que não sabia fazer articulação política e que boicotou o próprio Temer nessa tarefa quando ele era vice, o atual presidente não quer cometer erros na relação com o Congresso. Sua prioridade é entregar a reforma da Previdência e a PEC do Teto, porque são assuntos relacionados.

Sem reformar a Previdência, será mais difícil arbitrar que áreas ganharão e perderão dentro de um orçamento limitado. Com a reforma do sistema de aposentadorias, o teto orçamentário poderá ser obedecido com menor dificuldade. No Congresso, Temer está jogando certo. Busca respaldo político para aprovar projetos que podem ajudar a solucionar a crise econômica. Se der certo, ele sairá fortalecido politicamente.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Joaquim José da Silva Xavier disse:

    O casamento Temer com PSDB/DEM é crônica de uma morte anunciada:

    os tucanos esperam fim da farra fiscal, justamente agora que essa ala corrupta do PMDB que está no poder e que tem como caracteristica a gastança?!?
    porém diferente da gastança social/populista do PT, a gastança da turma do interino é eleitoreira/partidária.

    e quanto as eleições 2018, é obvio que isso não irá prosperar tbm, pois na improvável hipotese do governo Temer dar certo é óbvio q o PMDB lança candidato próprio. e se não der . . . o PSDB vai cair fora do governo Temer!!! ou seja, morte anunciada tbm

    • jacinto cheiro disse:

      Se Temer esperar pelo PSDB e DEM, estaria fora do governo em 2017, pois Gilmar M. o cassaria abrindo vaga para um cardeal Tucano.
      Com o apoio das esquerdas conseguiu pedir o impechaman do Gilmar M., que agora dificilmente vai fazer assim se livra da sua cassação.
      Assim o Lula se elege facil em 2018.

    • walter disse:

      Exatamente, caro Joaquim, não há nenhuma novidade, entre os “ratos e os gatos”; estão preocupados, com o sucesso do Temer; principalmente o PSDB, por isso o Temer deverá diversificar; vai compor até com a esquerda, se for possível, não pode ser refém…
      As reformas são necessárias, para sairmos do atoleiro; devemos entender, que embora o Temer tenha sido escolhido pelo PT da dilma; precisa fazer diferença, para acabar com as distorções criadas, pelos vícios do PT em, 13 anos; onde tudo corria frouxo…
      Quanto ao Centrão Kennedy, precisará se recompor, para acabar com as “mumunhas”, que conquistaram com o cunha; precisam descobrir um novo líder de fato; neste momento, o melhor é pousar de fiel da balança, e talvez, permanecer em destaque, como alternativa futura; tudo é possível, para quem tiver visão, o Brasil agradece provisoriamente…

  2. DONG disse:

    O problema da Previdência não é a concessão do benefício e sim arrecadação.
    Para resolver este problema é mais fácil que imaginam.
    Basta que todos os brasileiros contribuam para a previdência inclusive quem já está
    aposentado e parou de contribuir como os aposentados e pensionistas.
    O que esta quebrando os Brasileiros é ter que manter com impostos os altos salários do
    funcionalismo publico municipal, estadual e federal.
    O povo Não tem como manter mais esta situação, já chegou ao limite.

  3. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    O Congresso também pode sinalizar com o ajuste das contas públicas, basta enxugar a estrutura mais onerosa e com o menor benefício de mundo.
    Exemplo: ascensoristas, motoristas, assessores, parentes, amigos enfim, a famigerada “gráfica do Senado”, maior trem da alegria planetário.

  4. Viganelas disse:

    Aos poucos acho q vamos em frente;do jeito q estava estavamos nadando para traz….

  5. Marco disse:

    Esse teto de gastos é pra garantir o serviço da dívida pública que tende a abarcar cada vez mais o orçamento, principalmente na recessão econõmica. Reduzir os gastos com os legislativos emo judiciário eles nem pensam. Delimitar a difrença entre o maior e o menor salário do funcionalismo em 10 vezes tb não.

  6. Marcos Ribeiro disse:

    Prezado Kennedy: Gostei bastante desta sua avaliação política, mas considero que o motivo que você aponta para a reforma da previdência não está correto, porque seus efeitos na redução das despesas públicas irão demorar um pouco a aparecer, serão pequenos no início e crescerão ano-a-ano. Mesmo assim, a reforma da previdência terá impacto quase imediato na economia, porque proporcionará confiança no longo-prazo, o que estimulará os investimentos JÁ. Assim, seu impacto inicial no orçamento público será mais de elevar a receita do que de baixar a despesa. Mas o melhor é que o aumento dos investimentos também tem efeito imediato sobre o aumento do emprego.

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