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Entrevistas
23-08-2016, 7h35

Com impeachment, país vive “semiparlamentarismo”, diz Kassab

Para ministro, Dilma cairá devido ao "conjunto das circunstâncias"
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, diz que a presidente Dilma Rousseff sofrerá impeachment pelo “conjunto das circunstâncias” e que isso mostraria que o Brasil vive “num semiparlamentarismo”.

Em relação à eleição presidencial de 2018, Kassab afirma que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, “tem todas as credenciais para ser um candidato”. Ele também citou os tucanos José Serra, ministro das Relações Exteriores, Aécio Neves, senador e presidente do PSDB e Geraldo Alckmin, governador de São Paulo. Elencou ainda o ex-presidente Lula (PT), a ex-senadora Marina Silva (Rede) e o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PDT).

Em entrevista ao SBT, Kassab afirma que o governo Temer não usará o BNDES para socorrer a Oi, empresa de telefonia que pediu recuperação judicial. “Nós não vamos investir recursos públicos para ajudar uma empresa que pode quebrar”, declara.

Kassab avalia que a gravidade da crise levará o Congresso a aprovar as propostas do governo Temer de reforma da Previdência e de criação de um teto para limitar o crescimento dos gastos públicos. Ele entende que os projetos serão aprovados como deseja a equipe econômica: “Não há país que saia de uma crise econômica sem adotar medidas duras num primeiro momento”.

A seguir, a íntegra em vídeo e texto da entrevista, concedida na tarde de segunda-feira em São Paulo:

*

Kennedy Alencar: O SBT entrevista hoje Gilberto Kassab. Ele foi prefeito de São Paulo. É presidente do PSD e ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Tudo bem com o sr?

Gilberto Kassab: Tudo bem. Um momento difícil para o país, a conjuntura econômica desfavorável. Todos nós sonhando e acreditando que as coisas vão melhorar. A crise política ainda persistindo, mas com uma luz no fim do túnel. E todos nós trabalhando por dias melhores.

KA: Vamos começar falando um pouco da área do sr. em relação à questão da TV digital, a meta era chegar até o final de 2018 com 100% de sinal digital. Houve alterações, a gente viu que as Olimpíadas tiveram peso para adiar a entrada de algumas áreas que já deviam estar com o sinal analógico desligado, a gente tem eleições municipais pela frente. Essa meta de 2018 está mantida ou é possível que isso se estenda um pouco mais?

GK: Essa meta já foi alterada num passado recente. Nós temos como objetivo agora, até 2018, digitalizar as principais cidades do país, os principais centros populacionais do país. E eu tenho certeza absoluta que nós vamos atingir essa meta. Daqui a algumas semanas, nós vamos estar consolidando e terminando esse processo em Brasília e, posteriormente, vamos iniciar o processo em São Paulo. Eu acho que o mercado está bastante confiante. A população, o usuário, também. E posteriormente, após 2018, nós teremos um planejamento para que as demais cidades, em geral as menores cidades, possam, num prazo determinado, também passar por essa alteração.

KA: Pois é, houve essa mudança legal que, na prática, acabou com o prazo de 2018. Esse prazo adicional, o sr. prevê que seja de quanto tempo? Já tem uma ideia?

GK: Eu estou muito à vontade porque não foi uma decisão minha, foi de gestões anteriores. Mas foi uma decisão correta. Num primeiro momento, os objetivos estavam baseados em premissas totalmente equivocadas, extremamente otimistas. Agora, não. Nós estamos com o pé no chão. Os grandes centros, com certeza, vão atingir esse objetivo até 2018. Portanto, uma percentagem majoritária da população brasileira. Eu vou estimar, não é meta, mas uma estimativa, que por volta de 2023, 2022, nós vamos estar com o país todo passado por esse processo.

KA: Ministro, no governo Temer aconteceu uma fusão do Ministério da Tecnologia com a pasta das Comunicações. Houve muita crítica, muita reclamação da comunidade científica dizendo que não havia tanta afinidade assim para reunir as duas pastas. O sr. está no ministério e são 100 dias de governo Temer. Qual é o diagnóstico que o sr. faz dessa união? E uma pergunta específica: de onde vai vir o dinheiro? Porque o orçamento está muito apertado e há uma crítica muito grande da comunidade científica.

GB: Eu tenho dito em todas as oportunidades, nas reuniões com a comunidade científica, que eu tenho respeito pela posição que eles adotaram de questionar a fusão. Eles questionam não porque entendem que não há afinidade entre as duas áreas, mas porque eles têm muita insegurança no sentido de ter um ministro que possa privilegiar a área de comunicações em detrimento da área de ciência e tecnologia. Felizmente, e isso é muito gratificante, eles não têm essa preocupação no atual governo, sendo eu ministro e o presidente Temer o presidente da República. Mas o que eu tenho dito a eles é que nós vamos provar que, dentro desse ministério, todos são importantes. Até porque, num governo presidencialista, as decisões são presidencialistas. E ela [a comunidade científica] está respeitando a nossa posição, estamos trabalhando juntos.

KA: Não foi um retrocesso essa união das duas pastas?

GK: Eu não acredito, sinceramente. Eu defendo a fusão. Nós temos de reduzir mais ainda o número de ministérios. Não tem nenhum sentido o governo federal, o presidente da República, ter uma relação direta com 35, 39, 40 ministros. O que aconteceu é essa necessidade e o governo acabou aproximando as áreas que são próximas. E comunicações tem muita sinergia, em especial no campo da tecnologia, com o mundo das ciências.

KA: Ministro, a Oi, que é a maior empresa de telefonia fixa do Brasil junto com a Vivo, nessa área, entrou com um pedido recorde de recuperação judicial de R$ 65 bilhões. O sr. tem conversado com investidores, tem acompanhado esse assunto. Muita gente avalia no mercado que talvez seja difícil a empresa se viabilizar com os atuais acionistas. Qual vai ser a solução para a Oi? Vai ser uma solução de venda da empresa? Há possibilidade de uso do BNDES, como no passado, para viabilizar um negócio desse tipo? Como o sr. vê essa crise da Oi?

GK: Primeiro, o governo tem se preocupado muito, em especial o nosso ministério, em ter postura, para que essa postura possa tranquilizar o país e as demais operadoras. Porque, no momento em que uma operadora passa por uma crise dessa envergadura, dessa dimensão, nós temos que ter duas sinalizações. A primeira é para a sociedade brasileira. Deixar claro para a sociedade brasileira que nós não vamos investir recursos públicos para ajudar uma empresa que pode quebrar.

KA: Isso está descartado?

GK: Está descartado, porque o Brasil virou a página desse processo. Mas, por outro lado, nós também temos que sinalizar para o investidor, para as demais operadoras e para a própria Oi, que aquilo que estiver dentro da ética e dentro da normalidade de atuação de um governo, nós vamos ajudar. Não tem por que uma empresa, uma concessionária com essa dimensão, não possa o governo ajudar dentro das regras e dentro de um processo extremamente ético e que seja respeitado pela sociedade brasileira.

KA: Deixe eu ver se entendi, então. O BNDES não entraria como sócio, mas poderia viabilizar um empréstimo para um negócio desse tipo?

GK: Eu acho difícil. No processo da Oi, eu acho que o BNDES já esgotou a sua participação. Sinceramente, é uma decisão que será de governo, não do ministério. Mas, na minha percepção, eu acho que já seria um exagero adicional nós colocarmos o BNDES numa nova etapa da Oi. Acho que o BNDES já cumpriu a sua etapa até com um certo exagero.

KA: Ou seja, é a solução privada mesmo?

GK: A solução privada. E, dentro do possível, recuperando-se a empresa hoje, com os atuais concessionários, descartando-se como prioridade a divisão dessa empresa com as demais operadoras. Porque não é saudável concentrar muito.

KA: Porque não estimula a concorrência, é importante. Vamos falar um pouco de política. O sr. tem fama de ser um excelente articulador político.

GK: Fama, só fama.

KA: Mas a carreira mostra que o sr. é um bom articulador político, a fama faz justiça ao sr. O ministro Eliseu Padilha deu uma entrevista ao SBT prevendo que na votação final do impeachment da presidente Dilma, que vai começar agora na próxima quinta-feira e deverá ser concluída na semana que vem, que haverá entre 58 e 62 votos a favor do impeachment definitivo da presidente. Qual é a conta do sr?

GK: Eu não estou acompanhando pari passu essa questão, mas o meu sentimento é que será um número aproximadamente igual a esse que o ministro Eliseu Padilha cita, por conta da votação anterior, duas semanas atrás, que se não me engano chegou a 59 senadores. Não acredito que vá diminuir. Ou se mantém igual ou amplia.

KA: No seu entender, a presidente Dilma cometeu crime de responsabilidade? As pedaladas são claramente um crime que pode ser enquadrado na lei do impeachment? Ou ela está perdendo o poder _o sr. a conheceu muito bem, foi ministro dela_ ela está perdendo o poder pelo conjunto da obra? Ou seja, por ter feito um governo que se inviabilizou na política e na economia, um governo ruim?

GK: Eu não quero nem entrar no mérito de um governo bom ou um governo ruim. Eu acredito que o conjunto de circunstâncias que foram acontecendo ao longo dos últimos dois ou três anos levou a essa situação onde o governo, quase com certeza, terá nos próximos dias o impeachment acontecendo. Mas eu fico na sua segunda alternativa, que é pelo conjunto das circunstâncias.

KA: Isso não traz um risco para futuros presidentes? Porque isso lembra o uso do impeachment como um instrumento do sistema parlamentarista de governo, não? Não pode ter um risco de que o próximo presidente, se não tiver maioria, seja apeado do poder também?

GK: Na verdade não é bem maioria…

KA: Bastava ter um terço.

GK: E depois, para aqueles que defendem o parlamentarismo, esse impeachment vai mostrar que nós estamos vivendo num semiparlamentarismo. O governo que não tiver um terço da Câmara dos Deputados passará por um processo de impeachment. É o que aconteceu.

KA: E o sr. acha que merece ser inviabilizado um governo que não tenha um terço, apesar dos votos que ela recebeu?

GK: Olha, eu sou parlamentarista. Para quem é parlamentarista, não é nenhuma surpresa, não causa nenhum espanto um governo cair por conta da falta de maioria no Parlamento. Para aqueles que defendem o parlamentarismo, e são muitos no país, nada mais natural do que um governo cair quando ele perde a sua condição de governabilidade.

KA: Mas isso não reforça o discurso do golpe? Ou seja, no fundo, você está usando uma lei do sistema presidencialista…

GK: Não, são coisas diferentes. Eu falei em abertura do processo de impeachment. O impeachment em si vai mais pela análise do processo, a sua votação, a apresentação dos relatórios, a apuração dos fatos.

KA: Tem um bastidor que eu gostaria de conversar a respeito. A presidente Dilma, em conversas reservadas, se queixa de alguns aliados. E faz queixas em relação ao sr., que foi ministro dela até pouco antes de haver aquela votação em 17 de abril na Câmara, e depois o sr. virou ministro do governo Temer. Nos desabafos, ela fala que foi traída pelo PSD e pelo Kassab. Como é que o sr. responde a essa crítica?

GK: Nós precisamos compreender as circunstâncias das questões. Eu entendo o momento que ela deve estar vivendo. Deve ser um momento muito amargo, muito triste, muito difícil de compreender a ação das pessoas. Em primeiro lugar, eu, como líder do meu partido, presidente, fundador, tive o cuidado de, alguns meses antes do processo de impeachment, reunir a direção nacional do partido. E, por unanimidade praticamente, o partido resolveu liberar os seus parlamentares para adotar a postura que quisessem dentro da Câmara dos Deputados. Essa decisão foi muito respeitada, seja internamente no governo, seja pela sociedade brasileira. Não teve, de parte do partido, nenhuma negociação nem com a presidente Dilma e nem com o então vice-presidente e hoje presidente interino Michel Temer. Os parlamentares tiveram a sua postura, por suas convicções votaram a favor ou contra a abertura de processo e agora, depois de assumir o cargo, o presidente convidou o partido para participar do seu governo. O partido, também por ampla maioria, decidiu participar do governo. E eu acho correto que tenha tido essa postura.

KA: O sr. estava de mãos atadas? Se o sr. tivesse tentado interferir no PSD para não votar a favor do impeachment, o sr. seria derrotado no partido?

GK: Eu não diria que seria derrotado. Eu acho que não é correto o partido se posicionar, por conta das circunstâncias da nossa participação nas eleições. Todos sabem, o PSD é um partido novo. O PSD já nasceu compromissado com uma parceria com o governo. E, ao longo do tempo, se consolidou dentro do partido quase que uma divisão. Metade do partido apoiou a candidatura da presidente Dilma e a outra metade apoiou a candidatura do candidato a presidente Aécio. Isso é público. Com essa circunstância do partido, não teria nenhum sentido fechar a questão e determinar ou induzir a votação de um parlamentar para cá ou para lá, por conta do histórico.

KA: Mas isso não reforça aquela célebre frase que diz que o PSD não é de centro, nem de direita, nem de esquerda? Que seria um partido que vai compor sempre com quem está no poder? Ou seja, que é um partido muito fisiológico e que vive atrás do poder?

GK: Não, não. Fisiológico é quem negociou apoio por conta de cargos. Nós não tínhamos nenhuma negociação. Nós apenas, na primeira eleição nacional de que participamos, que foi a de 2014, fizemos um entendimento, desde o momento em que o parlamentar se filiava, que iríamos respeitar o posicionamento dele em 2010. Em 2010, quem não tinha apoiado o PT teve liberdade de, em 2014, caminhar de um lado. E existe um compromisso que, em 2018, todo o partido vai caminhar para um lado só. Se ganharmos eleição, seremos governo. Se perdermos eleição, seremos oposição. A nossa postura, a nossa posição em 2014, ela não foi fisiológica. Ela foi uma ação combinada entre aqueles que estavam fundando o partido, respeitando a sua história de 2010.

KA: Na semana passada, houve um jantar no Palácio do Jaburu entre o presidente Temer e a cúpula do PSDB. E houve, nos bastidores, muitas queixas de tucanos em relação a uma possível candidatura do Henrique Meirelles, o ministro da Fazenda, que está filiado ao PSD, ao seu partido, e até um temor de que o presidente Temer, se efetivado e se houver um sucesso na correção econômica, possa ser candidato. Ao mesmo tempo, o sr. tem muito boa relação com o José Serra, do PSDB. Foi vice dele aqui em São Paulo, depois ele o apoiou para ser prefeito da cidade. Nessa briga entre Meirelles e Serra, o coração do Kassab bate por quem?

GK: O coração do Kassab, o do PSD, bate pela recuperação da nossa economia, pelo fim da crise política.

KA: Muito política essa resposta…

GK: Posteriormente, o governo dando certo, depois das eleições municipais, é o momento de se iniciar a discussão e a avaliação do quadro para 2018.

KA: O Meirelles pode ser candidato? É um nome para 2018?

GK: Nunca perguntei para ele.

KA: Mas, na sua avaliação de político experiente, o ministro da Fazenda é um possível candidato ou não?

GK: Eu acredito que todos os nomes que estão sendo ventilados _deixando-se de lado o nome do presidente Temer_, o governador Geraldo Alckmin, o senador José Serra, o ministro Meirelles, o senador Aécio Neves, a ex-ministra Marina Silva, o ex-governador Ciro Gomes, acho que todos esses nomes são presidenciáveis. Porque são pessoas que estão na arena política, tiveram ou estão com atribuições extremamente relevantes que os credenciam para ser candidatos.

KA: O sr. citou o Aécio, o Alckmin e o Serra do PSDB. Uma eventual aliança com o PSDB seria facilitada se o candidato fosse o Serra?

GK: Eu não escondo de ninguém a boa relação que eu tenho com o ministro José Serra, que eu entendo como um dos mais brilhantes administradores do país. Mas seria uma leviandade, na condição de presidente de um partido, eu aqui emitir uma opinião. Porque eu ou qualquer presidente de um partido que deseje ser levado a sério, precisa emitir a opinião que seja representativa da maioria do seu partido. E eu não reuni o partido em nenhum momento para discutir essa questão.

KA: E o Meirelles também vai ficar com ciúme.

GK: Não, o Meirelles, todos sabem da admiração que eu tenho por ele. Ele é filiado ao nosso partido. Sei do respeito que ele tem por mim e já disse agora há pouco que ele tem todas as credenciais para ser um candidato.

KA: Está no baralho para 2018?

GK: Tem todas as credenciais, assim como o Serra, como o Geraldo Alckmin, como o Aécio Neves, a Marina Silva. Não tenho dúvida nenhuma. Como o próprio ex-presidente Lula, que tem se colocado e também tem as credenciais.

KA: Ministro, em 2008, na disputa pela Prefeitura de São Paulo, quando o sr. foi candidato à reeleição, foi muito dura a disputa com a Marta Suplicy, que à época estava no PT. Hoje, o sr., no PSD, viabilizou uma aliança com a Marta, que está no PMDB. Houve até ataques pessoais naquela campanha. A primeira pergunta é se, do ponto de vista pessoal, o sr. considera superadas essas divergências com a Marta? E o que leva políticos que foram adversários tão contundentes no passado a estarem juntos numa eleição hoje?

GK: Primeiro, é importante a gente recordar que, quando eu venci as eleições em 2008, quando eu fui reeleito prefeito de São Paulo, seja no primeiro turno, enfrentando o Geraldo Alckmin e ele nos deu o apoio para enfrentar a Marta no segundo turno. Naquele momento, foi superada qualquer divergência com o hoje governador Geraldo Alckmin. E, no segundo turno, quando nós vencemos a eleição contra a Marta Suplicy, no mesmo dia da vitória ela me telefonou, cumprimentando, e eu também a cumprimentei. Acho que aquele telefonema de altíssimo nível mostrou que a campanha tinha acabado naquele momento. Passado esse momento, ao longo da minha gestão, o que ela pode, ela contribuiu. Eu então prefeito de São Paulo e ela ministra e senadora, tivemos vários momentos de entendimento pela cidade. Portanto, é algo que ficou na campanha, como em qualquer campanha. Não existe campanha política em que não tenha estresse entre os candidatos. Cada um com as suas motivações, com as suas estratégias de marketing. Agora, neste momento, foi uma questão de convicção mesmo. Primeiro, nós tínhamos um candidato, um pré-candidato. Aliás, um bom pré-candidato, que é o Andrea Matarazzo. Vereador em São Paulo, foi secretário municipal da subprefeitura na nossa gestão, foi secretário estadual da Cultura, é uma pessoa muito bem preparada. A partir do momento em que foi ficando claro que essa aliança era inteligente do ponto de vista político-eleitoral por construir uma candidatura de centro em São Paulo _a Marta vindo dos setores de esquerda da cidade, caminhando para o centro e o Andrea vindo de uma área mais liberal, mais conservadora, caminhando para o centro_ nós pudemos construir uma aliança muito forte, uma candidatura muito forte. E, comparando essa candidatura com as outras candidaturas, eu entendo que é a melhor para São Paulo. São Paulo precisa ter à frente da Prefeitura pessoas que conheçam a cidade, pessoas que entendam as prioridades da cidade e que sejam essas prioridades iguais às do cidadão que mora em São Paulo.

KA: Uma chapa mais competitiva, não é?

GK: Uma chapa competitiva que possa vencer as eleições.

KA: Em julho, o líder do PSD na Câmara, Rogério Rosso, foi o candidato do centrão, o candidato do Eduardo Cunha. Há agora toda uma pressão para se votar no dia 12 de setembro a recomendação de cassação do Eduardo Cunha. O PSD e o Gilberto Kassab vão orientar a favor da cassação do Cunha ou acham que essa questão tem que ficar para depois das eleições municipais?

GK: O PSD, assim como em todos os momentos em que foi avaliada a questão do Eduardo Cunha, liberou os parlamentares para se posicionarem de acordo com as suas convicções. E será assim no dia 12.

KA: No âmbito da Lava Jato, há informações de bastidor que dão conta de que delatores apontariam caixa 2 na campanha do sr. em 2008. O sr. já disse que nunca recebeu recursos ilegais, que todas as doações foram legais. Mas há aí essa ameaça da tempestade da Lava Jato. Como o sr. imagina que será o impacto dessas delações, de um modo geral, sobre a classe política? O sr. tem algum temor específico?

GK: Não tenho nenhum temor específico. É importante que, se tiver equívocos em relação a qualquer um no país, que sejam apontados e apurados. O que eu tenho dito sempre é que estou muito tranquilo em relação a tudo o que diz respeito à minha carreira, minhas candidaturas e à minha ação partidária.

KA: Para encerrar, dois temas muito importantes que estão em debate no governo Temer são a reforma da Previdência e essa Proposta de Emenda Constitucional que cria um limite para o crescimento das despesas públicas, um teto. Já se ouve na Câmara, que o sr. conhece muito bem, rumores de que será difícil aprovar a PEC do teto com a limitação para a Saúde e para a Educação e que a reforma da Previdência não será tarefa tão fácil. Tudo indica que o Temer será efetivado e será presidente em definitivo. O sr. vê força política no governo Temer para conseguir aprovar essas propostas como elas estão hoje delineadas ou terão que ser feitas concessões?

GK: Eu vejo força política no governo para aprová-las. E, mais do que isso, eu vejo a sociedade brasileira muito tranquila, majoritariamente, em relação a essa aprovação. Tendo esse respaldo da sociedade brasileira, o apoio da sociedade brasileira, os parlamentares vão ter muito mais tranquilidade para votar medidas tão duras, que são amargas. Mas são necessárias, nós estamos falando do futuro do país. De nada adianta nós termos a segurança que você ou eu possamos ter uma aposentadoria em determinado patamar daqui a alguns anos, daqui a algumas décadas, se o país quebrar. Não teremos nada. Então, temos que buscar um ponto de equilíbrio.

KA: Mas esse Congresso tem um histórico de irresponsabilidade fiscal. O que é que mudou? O Temer é mais habilidoso do que a Dilma?

GK: Eu não quero me referir assim ao Congresso porque eu tenho o maior respeito pela autonomia dos parlamentares, eu fui parlamentar. Eu acho que qualquer parlamentar tem muita dificuldade de votar medida amarga. Eu entendo isso, eu já fui vereador na maior cidade do país, fui deputado estadual no maior Estado do país, fui duas vezes deputado federal e eu sei o quanto é difícil votar uma medida amarga. Mas tem momentos em que é pelo o bem do país. Se nós não tivermos uma reforma da Previdência, nenhum de vocês, trabalhadora e trabalhador que está aqui nos assistindo, nenhum assalariado, nenhum empreendedor vai poder garantir nenhuma condição de futuro para aquele que hoje paga a sua previdência. Porque o país vai quebrar e ninguém vai ter aposentadoria. Então, vamos nos conscientizar de que a situação é difícil, é quase caótica em relação ao futuro, para votar uma reforma que viabilize a Previdência do país.

KA: E a questão do teto, é o mesmo raciocínio? Tem que ser aprovado como está?

GK: É o mesmo raciocínio. Não há país que saia de uma crise econômica sem adotar medidas duras num primeiro momento.

Comentários
16
  1. Mauro disse:

    Gilberto Kassab falou o que todos sabem e que acontece em todo o mundo.Escorregou pelo óbvio, embora tenha misturado preferências pessoais com situação politica.
    Em qualquer pais democrático do mundo, um dirigente vive e sobrevive no cargo pelo apoio politico que tem e sómente pelo apoio e nada mais pois quando perde essa base, perde condiçoes de governar e fica exposto a denuncias e responsabilidades que seriam “enxaguadas” e secas, se tivesse uma maioria a seu favor.
    Dilma Roussef pisou em adversários e ignorou solenemente seus próprios pares (declarado por muitos!)acreditando que tinha um poder que em verdade nenhum presidente tem.
    Se apoio politico tivesse e consequentemente maioria a seu favor, o processo poderia ser aberto, mas arquivado na Câmara.Simples assim.
    O impeachment é um processo que envolve um crime (e ele ocorreu), mas é politico e de politica Dona Dilma não entende nada.Perdeu pela inexperiência, arrogância e ditatorialismo.

    • angelim pilati disse:

      Apenas esqueceu de dizer que ele afundou S.P em prol do partido que fundou com dinheiro da prefeitura Partido nada mais e do que antiga “ARENA” que depois se chamou “PFL” e depois “DEM” e agora “PSD” políticos que vive pulando de partido sem o minimo de CARÁTER E PERSONALIDADE
      O BRASIL JAMAIS VAI AVANÇAR ENQUANTO TIVER ESTE TIPO DE POLÍTICO DO TAMA LÁ DA CÁ ACORDA BRASIL NEM ESQUERDA NEM DIREITA C A R Á T E R, D I G U I N I D A D E P R I N C I P I O S M O R A L

    • Joaquim José da Silva Xavier disse:

      até onde sei, no meu parco conhecimento sobre democracia, “conjunto das circunstâncias” é razão para não se votar em alguém, para se fazer oposição, para se pressionar . . .
      para derrubada de presidente, “conjunto das circunstâncias” dissociado de crime gravíssimo, tem o nome é GOLPE!!!

      • Marcus disse:

        Pois é.
        As perguntas que ficarão no ar são:

        A) algum Presidente de hoje em diante terá a coragem de deixar uma investigação como a Lava Jato seguir seu rumo, ou terminará em pizza como sempre aconteceu?

        B) Se um Presidente de direita cometer crime de responsabilidade sofrerá o mesmo processo?

        A história nos mostrará. Mas provavelmente será um filme repetido…

  2. PAULO SIMÕES disse:

    Apoio qualquer reforma que seja para o bem da nação, mas a reforma da Previdência só será justa se todas as mordomias dos funcionalismo Público também passar por uma reforma justa. Corta se aqui, corta se lá. JUSTO!

    • walter disse:

      Exatamente paulo, não poder ter a previdência nossa e a deles; o maior e grande”cancro” no País, é o funcionalismo cheio de vícios.
      Quanto ao kassab, é uma “eminência parda”, esta sempre encima do murro, que se manter no poder; jamais honra o que promete…
      Quanto foi para o PT, até a última hora, esteve com a dilma; nada fez, que o transformasse num ministro de verdade, ágil e contra os interesses da nação; nenhum comprometimento…
      Este tipo, deve ser extirpado nas eleições, não deveria receber votos, mas como sempre, encontra caminhos financeiros, que o mantém no poder; este é o grande problema do país.

  3. renata disse:

    Faltam apenas 2 dias para o segundo ano novo no Brasil. Tchau PT!

    • Miguel disse:

      Você tem representantes da ditadura morrendo com cem anos. Não existe nada de novo. O PT que está saindo do cenário é o Povo Traído. E você deve ser mais uma que fez parte da bagunça inicial que não terá a mínima condição de acertar ela para deixar ruim como estava. Interior do Estado com apartamentos de luxo, prédio de 30 andares, a economia local, não dependendo tanto da União. Hoje, com estes representantes voltados a década de 60, onde até para comer o cidadão precisava do SAPES e COBAL, porque não podia entrar em supermercados privados. Povo brasileiro tem memória curta. É por isto que o lombo engrossa, sem ver a dor e choro de seus semelhantes. Dilma e Lula, são dois fracassos políticos, mas o governo em si, tem mais pontos favoráveis que ruins. O resto, representação política de SP, MG, RS, BA, RJ, só mamaram, criaram suas favelas, e não souberam crescer organizados. Agora não pagam nem o que devem. E ainda posam de bonitos na foto, mandando seus políticos fracassados para nós.

  4. Miguel disse:

    Estamos de novo na Ditadura Militar. Onde um governo tosco, com representantes em todas as esferas, a troco de aumento salarial (TSE, TCU, PGU, Forças Militares etc), estão vendendo a alma, e o final de vida dos brasileiros da década de 60, 70, 80, a troco de suas mordomias. Reclamam de bolsa família, bolsa aquilo, e metem a mão no bolso do povão, e classe média, para manter carros importados, viagens de avião, saúde, vestuário, alimentação como vantagens pessoais. Dos políticos citados, todos são péssimos representantes. Representantes de MG, RJ, SP, BA, RS, deveriam fazer apnéia em corda com as pernas bambas. Faliram o País, recebendo todas as vantagens que podiam do Governo Federal. Sem vergonha se ajoelham e a troco de favores seguraram os pagamentos de contratos com serviços já terminados por quase dois anos para causar caos na economia. Os municípios, seguiram as regras. Em verdade hoje, o voto nulo é a melhor saída. Nas eleições Municipais tirem os candidatos profissionais.

  5. Miguel disse:

    Vivemos a Ditadura Militar, com representantes de quase cem anos, nos tirando direitos em troca de aumento de seus salários. Uma pessoa normal ganha R$ 880 reais, um Ministro, Magistrado, Militar, R$ 100.000,00, 11.264% a mais. O que eles são? A Elite Social? A Elite Econômica? Só econômica, porque você eleitor mantém eles no poder. O ideal é a renovação. Economicamente o aumento dos salários na base da pirâmide do funcionalismo público: Militar-Generais – chega de aumento – não temos guerra e se tivermos não temos condições de vencer por falta de arma e civis que queiram morrer pela pátria, já que independente de cor, raça, credo, todos nós somos escravos, e a melhor saída na escravidão é cruzar as mãos e morrer. Pois, só assim que quem chicoteia, também terá que trabalhar para se sustentar. Aumento para soldados, cabos, sargentos. Para o lixeiro, bombeiro, professor. Congelamento dos altos salários por 20 anos. Até o mínimo chegar a R$ 5.000,00.

  6. Caro Kennedy, sou assiduo acompanhador de seu Blog, mas o Gilberto Kassab, fala apenas o obvio, pior prefeito que a CIDADE DE São Paulo teve, só perde em administração para o Ex prefeito Pita e a Marta Suplicy, criou o “CONTROLAR” onde penalizou todos os paulistas que nele votaram e acreditaram em suas promessas. Não tem condições de criticar e nem de dar opinião para melhor nadam pois para isto teria que ter feito algo que realmente dignificasse a sua administração, como secretário de Finanças foi Pifio. Desculpe a opinião mas não deveria ter perdido tempo entrevistando esta cidadão!

  7. Rosivaldo Nunes disse:

    Quem apoiou essa farsa politica que ocorre atualmente, em breve terá vergonha de si mesmo, por pior que tenha sido o mandato da Senhora Dilma, ela jamais poderia ser julgada por bandidos da pior extirpe, e afastada por motivos políticos e falanges derrotadas, a mídia contribuiu e contribui mas a tecnologia está prestes a dar um basta nessa forma coercitiva de dominância midiática unilateral.

  8. ANDRE disse:

    Faltou o senhor Kennedy perguntar a este senhor, já que estamos falando de sacrifícios para a população, quais os sacrifícios que serão propostos por este governo mal coroado para a classe política, o que eles cederam para o Brasil sair da crise? Deveria ter lembrado de perguntar também o que os nossos respeitáveis banqueiros farão de sacrifício para o Brasil sair da crise. Agora, pelo que eu sei, o parlamentarismo já foi rejeitado duas vezes, e vivemos num sistema presidencialista, um politico aceitar que vivemos num sistema de semi-parlamentarismo, mostra o total desprezo dele pela legalidade, pelo que é constitucional e o seu apego ao circunstancial. Esta entrevista me deu asco, vontade de vomitar mesmo, quanta lameira meu deus, o meio político fede.

  9. Carlos Silva disse:

    Interessante não emprestarem dinheiro do BNDES à OI que gera milhares de empregos e pode se recuperar e pagar. Nos EUA o tesouro salvou a GM, aqui deixaram quebrar a GURGEL. Lá chamam para paraninfos empresários (Steve Jobs In Memoriam e Gates), aqui chamam os políticos… Deve ser por isso que estamos em situação tão boa, PIB crescendo muito, renda per capita altíssima, juros baixos, somos muito desenvolvidos, tanto quanto nossas ideias. Parabéns ao novo governo democrático do nosso país de 1º mundo pelas medidas: deixar quebrar as empresas, finalizar o financiamento estudantil e o ciências sem fronteiras..Parabéns

  10. Nem precisa queimar os neurônios para entender porque a PEC que iria mudar o regime democrático para parlamentarista não foi votado no Senado em cinco de julho passado. Se fosse aprovada naquela ocasião a Presidente nomearia um Primeiro Ministro. O governo dela ficaria soberano, porque o Primeiro Ministro tem o poder para constituir e destituir o Parlamento, bem como a Presidente poderia substituir lho também por outro. Para evitar o domínio pleno do PT, os partidos optaram pelo Impeachment para posterior aprovar o regime parlamentar. Feito isto, a Constituição por ser democrática terá que ser adaptada para o novo regime. Se na democracia o poder emana do povo, no parlamentarismo o poder emana do governo. Neste regime é possível o eleitor eleger o novo presidente que iria empossar o primeiro ministro, mas, também é permitido pela nova constituição a eleição ser indireta sem a participação do povo nas urnas. Pelo visto este regime deve ser efetivado com o empossar definitivo do Temer.

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2020-09-28 12:00:08