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Geral
15-08-2019, 4h03

Com mentiras sobre 64 e discurso do cocô, Bolsonaro terá desprezo da História

Presidente estimula ódio e comete erro na política externa
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Kennedy Alencar
RIO DE JANEIRO E BRASÍLIA

Em discurso no Piauí, o presidente Jair Bolsonaro abandonou a metáfora preferida: casamento, namoros, abraço hétero e flertes. Voltou à escatalogia que combina melhor com o seu estilo.

Ontem, no Piauí, criticando governadores do Nordeste, mentindo sobre um desejo da região de se separa do Brasil (pura fakenews), mandou essa: “Vamos acabar com o cocô no Brasil: comunistas e corruptos. Usou as duas símbolos para designar o que considera seus adversários.

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Divide país e estimula ódio

Bolsonaro faz um discurso divisionista, dificulta uma boa relação administrativa que deveria ter com governadores do Nordeste, como reza a Constituição. A fala de ontem lembrou um discurso de estímulo ao ódio na política que fez pouco antes do segundo turno da campanha presidencial de 2018.

Na época, ele disse: “Esses marginais vermelhos serão banidos da nossa pátria. Petralhada vai tudo para a ponta da praia”. Ponta da praia é como os militares se referiam na ditadura aos pontos de desova de corpos de torturados e assassinados por agentes do Estado.

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Ignorância sobre política externa

Em relação à questão da Argentina é outro grande erro de política externa. O Brasil é o maior exportador para nosso principal vizinho. Somos o principal parceiro dos argentinos. Eles ocuparam a terceira posição em relação a nós, logo após China e EUA. O Mercosul está ancorado na relação especial entre Brasil e Argentina.

Não faz sentido ofender a oposição argentina, que tem chance de voltar ao poder. Chamá-los de bandidos de esquerda é desconhecimento. São moderados.

E tem um lance histórico importante aqui.

A Argentina tratou a memória da sua ditadura de modo diferente do Brasil. Lá, prenderam, julgaram e mandaram para a cadeia torturadores e ditadores. A imagem de Bolsonaro em geral é péssima. Houve uma ditadura sanguinária e uma guerra desastrosa (Malvinas), sem contar o horror de sequestros de bebês de famílias de esquerda se opuseram à ditura.

Aqui, passamos pano com a Lei da Anistia de 1979. Para permitir a voltar de exilados e a libertação de militantes torturados, julgados ilegalmente e presos, aceitamos perdoar crimes de agentes da ditadura. O terrorismo de Estado se deu bem. Mas foi a política como ela era na época, apesar de não serem desprezíveis os argumentos do Ministério Público que querem ainda punir torturadores e assassinos. Há discussão com prós e contras razoáveis.

Mas algo pior acontece quando um presidente homenageia um torturador como Ustra ou mente falando que havia risco de golpe comunista em 1964. Jango era um moderado. Sua queda sem esquema de resistência mostrou a fragilidade da “trama comunista”.

Organizações armadas reagiram invocando o legítimo direito de enfrentar o arbítrio. Mas essas guerrilhas nunca tiveram chance de verdade. A correlação de forças massacrou uma juventude generosa que cometeu erros de avaliação pelos sonhos nos quais acreditava. Esses jovens merecem nossa homenagem.

Bolsonaro, que mente para as futuras gerações, tentando reescrever a História merece o desprezo da própria História. E ele terá. Ouça esse comentário feito ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição” a partir dos 7 minutos e 28 segundos no áudio abaixo:

Comentários
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  1. FERNANDO DIAS disse:

    kENNEDY, CONCORDO COM TUDO O QUE VC DISSE, EM NUMERO, GÊNERO E GRAU.
    REALMENTE, AS DECLARAÇÕES E MENTIRAS DO PRESIDENTE, SAO DESPREZÍVEIS, TENTA TAXAR TODO OPONENTE POLITICO, COMO COMINISTA, BANDIDO E INIMIGO DO PAIS .

  2. BRAGA-BH disse:

    Aqui em Minas tem um ditado popular que retrata bem a situação de Bolsonaro:
    “Peixe morre é pela boca!”

  3. walter nobre disse:

    Nunca vi nenhum político contrario ou agregados a siglas, falarem bem de certas circunstancias triste do passado, a favor da oposição, caro Kennedy; o eleito não mentiu para ninguém, sempre foi de origem militar, não poderia isentar o abuso de grupo do passado; quando o criticam por enaltecer personagens militares, não se pode esperar outra coisa da oposição; em maioria os brasileiros apoiam o discurso, principalmente os mais velhos de origem humilde, não prejulgam o passado de forma negativa…por tanto não vejo a principio prejuízo neste sentido ao Jair; procura ser convicto de suas crenças, e justo por sua visão; esta fazendo seu trabalho, para trazer empregos, por isto será julgado, desde o primeiro dia, deve acertar…

  4. Edilson Souza disse:

    Nosso presidente ainda não aprendeu a contem sua lingua e saber que ele agora é chefe de estado, sendo assim deveria se colocar como tal, para quê esse odio contra tudo que ele acha que é errado, o que ele fez em 30 anos como deputado, quais foram suas atitudes como tal, devemos respeita-lo como nosso presidente, so que ele tem que se da o respeito pelo lider que é agora, não vai ser xingando os que não lhe estão ao lado que será respeitado, nem os proprios que estão ao seu lado lhe respeitam, esperamos que tenha um comportamento com o cargo que lhe condiz, se preocupe com nosso pais e deixe que os outros se preocupem com os seus.

  5. Fábio disse:

    É um esgoto sem fim. O problema que contamina um país inteiro. Serão anos pra limpar isso tudo.

  6. MARCELOS DE CARVALHO CALDEIRA disse:

    Excelente texto. Análise crítica e independente, como sempre.
    Destaco o trecho:
    Na época, ele disse: “Esses marginais vermelhos serão banidos da nossa pátria. Petralhada vai tudo para a ponta da praia”. Ponta da praia é como os militares se referiam na ditadura aos pontos de desova de corpos de torturados e assassinados por agentes do Estado.
    Pouca gente na época deu destaque a essa fala. Ele, um ex-militar, reconhecendo que aquela barbárie existiu. Significativo.

  7. JOSÉ EDUARDO BOQUEMBUZO disse:

    estimula ódio, é grosseiro, mas tem alergia de corrupção.
    Qual peso da balança é melhor?

  8. Nada como o teste do tempo…
    Infelizmente, até que esse teste se conclua, muitos serão alcançados pelo escatológico leviatã…

  9. Sergio Guedes da Fonseca Neto disse:

    O combate à corrupção não pode servir de cortina de fumaça para atitudes e manifestações arbitrárias e autoritárias do presidente da república, seus ministros e seguidores. Essa postura conduzirá o país à divisão social e à violência. A corrupção deve ser combatida apenas se fazendo cumprir a lei.

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2019-09-18 20:52:20