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Kennedy Alencar

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Geral
04-05-2020, 13h41

Com tendência de alta, Brasil já ocupa 7º lugar no ranking global de mortes por covid-19

Brasil tem mais fatalidades do que Turquia, Rússia e Alemanha
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Kennedy Alencar
WASHINGTON

Na contabilidade oficial da Universidade John Hopkins, os EUA estão por volta do meio-dia desta segunda-feira, dia 4 de maio de 2020, com 1.161.804 casos de covid-19 e 67.781 mortes pela doença. O Brasil tem, na contabilidade da Johns Hopkins, 101.826 casos e 7.051 mortes.

Os números da Universidade Johns Hopkins são pouco superiores aos dados oficiais do Ministério da Saúde. A página oficial do Ministério da Saúde contava por volta do meio-dia desta segunda-feira  101.147 casos, 679 a menos do que a Johns Hopkins, e 7.025 mortes, 26 mortes a menos do que o levantamento da universidade americana.

No mapa da Johns Hopkins, o Brasil acabou de ultrapassar o Irã em número de casos e mortes, ocupando o 9º lugar no ranking global de casos contabilizados. Mas a pior notícia para o Brasil é que, em números de mortes, o Brasil já ocupa o 7º lugar no ranking global. Em número de mortes e com tendência de alta, o Brasil vem depois dos Estados Unidos, Espanha, Itália, Reino Unido, França e Bélgica.

Apesar de ter menos casos do que a Turquia, Rússia e Alemanha, o Brasil contou um número maior de fatalidades do que esses três países. A Turquia está com 126.045 casos e 3.397 mortes por volta do meio-dia desta segunda, no ranking da Universidade Johns Hopkins, de Washington, Distrito de Colúmbia. A Rússia tem 145.268 casos e 1.356 mortes. A Alemanha, 165.745 casos e 6.866 mortes. A Bélgica possui bem menos casos registrados do que o Brasil, 50.267, mas o número de mortes por covid-19 é superior, 7.924.

No Brasil, há o agravante da suspeita de enorme subnotificação de casos e mortes. A situação está piorando enquanto um presidente genocida e irresponsável continua a sua obra de destruição institucional.

As instituições brasileiras estão se omitindo ao não punir os crimes de responsabilidade e delitos comuns cometidos por Bolsonaro. A piora da situação sanitária brasileira chamou a atenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do mundo inteiro na semana passada. O Brasil corre o risco de viver uma tragédia maior do que a americana.

*

Campanha eleitoral

Trump deu entrevista no domingo à Fox News, na qual previu o surgimento de uma vacina contra a covid-19 até o fim do ano. Ele também subiu o tom em relação à China, acusando o país de ter escondido a gravidade do coronavírus e causado a pandemia global, que poderia ter sido contida, segundo ele, se tivesse havido maior transparência.

O presidente americano deu a entrevista no Memorial do Lincoln, um dos monumentos mais conhecidos e visitados de Washington. Foi uma tentativa de melhorar a imagem de omissão e erros na crise do coronavírus. Lincoln manteve unido um país que se dividia na Guerra Civil americana no século 19. Trump estimula a divisão nos EUA no século 21.

De longe, é o pior presidente da história americana, mas tenta se comportar como se pudesse ser comparado a Lincoln. Ele montou um palanque na Fox News, simpática a ele, porque tem sido pressionado pelos repórteres quando dá entrevistas coletivas para os jornalistas credenciados a cobrir a Casa Branca.

A previsão sobre a vacina contraria os dois principais cientistas da força-tarefa da
Casa Branca. Anthony Fauci disse que poderia haver vacina disponível em janeiro se empresas fizessem aposta de risco, investindo na capacidade de produção em massa sem garantia de que a cura estaria disponível. Deborah Birx afirmou que, no papel, poderia haver uma vacina. Ou seja, uma cura ainda em fase final de testes e indisponível para uso em larga escala.

Mais uma vez, Trump vende falsa esperança, porque está preocupado com a possibilidade de não se reeleger.

*

Aposta arriscada

Mais de 30 Estados americanos já reabriram parcialmente a economia. Até o fim da semana, cerca de 40 Estados terão afrouxado regras de distanciamento social. Nesse contexto, Trump previu até 100 mil mortes.

Mas projeção oficial levada em conta pela Casa Branca, feita pela Universidade de Washington, do Estado de Washington, prevê 72.433 mortes até 4 de agosto. A reabertura deverá influenciar as projeções desse modelo matemático, elevando a estimativa de mortes.

De tarde, uma nova projeção aumentou a previsão de mortes de 72.433 para 134.475 até 4 de agosto, quase dobrando as fatalidades devido ao afrouxamento do distanciamento social país afora.

A carência de testes continua e faz Estados retomarem atividades no escuro. É uma aposta política dos governadores, porque evitaram um colapso hospitalar e organizaram minimamente suprimentos de equipamentos de proteção pessoal, como máscaras e luvas, bem como ventiladores. Em resumo, a pressão econômica está funcionando para forçar reabertura. Os EUA estão numa espécie de platô da curva de casos. Ou seja, casos diminuíram, mas ainda estão num patamar alto. Um repique pode criar uma segunda onda prejudicial à economia, como disse Roberta Braga, do Atlantic Council, em entrevista à CBN.

*

“Meu coração traiçoeiro…”

Morreu Aldir Blanc, um gênio brasileiro. Compôs canções muito belas, românticas, com força política, visão social, um cronista progressista sofisticadíssimo. Hoje é uma dia triste. “O Bêbado e a Equilibrista” virou um hino político para a minha geração, mas a minha canção favorita dele, também na voz da Elis Regina, é um bolero: “Dois Pra Lá, Dois Prá Cá”.

Ouça o comentário:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy, a pandemia de certa forma por aqui, esta sendo classificada com um caso perdido, o que não é fato em certos estados, com a retomada iniciada, vale considerar que este mês acabará com o achatamento da curva e algum medicamento eficaz; tudo indica que alguma medeida deverá ser tomada, a partir do dia 20/05, já que o comercio em SP, não tem mais o que fazer. Em SP estamos aguardando o achatamento, mesmo que seja timido, já teremos motivos para de forma gradativa e com segurança recomeçar, com todos os aparatos de segurança, voltar a vida. Realmente Aldir Blanc teve o nome difundido na musica em vários momentos, seu parceiro principal João Bosco divulgou suas canções.

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