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Kennedy Alencar

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Geral
09-11-2016, 9h30

Com Trump, mundo piora; Brasil teme incerteza econômica

Xenófobo, narcisista e ignorante terá cargo mais poderoso do planeta
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A eleição de Donald Trump contribuirá para levar o planeta a um período (tomara que não seja longo!) de retrocesso político, econômico, social e cultural. Trump é a expressão de um fenômeno de extrema-direita global que prospera na negação da política e que se alimenta do preconceito e da incitação ao ódio.

Nas eleições municipais no Brasil, essa negação da política elegeu aventureiros. A vitória de Trump equivaleria a eleger no país uma figura como o deputado Jair Bolsonaro, que voltou a elogiar um torturador ontem no Congresso Nacional.

A escolha de Trump é mais do que um voto de protesto da parte da sociedade americana que se sente excluída pela globalização ou que sofre ainda os efeitos da crise econômica de 2008. É também um voto contra as tradições democráticas americanas, contra imigrantes que foram fundamentais para construir o país, contra o respeito às minorias, contra o debate plural, contra a crença na democracia. Democracia para Trump só valeria se ele fosse eleito.

Esse discurso conciliatório após a vitória era previsível diante da quantidade de absurdos e agressões ditas por ele durante a campanha e do impacto negativo que causaria no mundo inteiro a eleição do republicano. É uma tentativa de conter danos para uma presidência que ainda nem começou.

Não existe transplante de alma. As instituições americanas e o Partido Republicano poderão e deverão impor freios a Trump, mas ele se elegeu presidente da nação mais poderosa do mundo dizendo que acabará com o Estado Islâmico na marra, afirmando que não existe aquecimento global, prometendo erguer um muro na fronteira com o México e ofendendo mulheres, mexicanos, muçulmanos e outras minorias. Ele é uma caricatura de político, de empresário e até de homem, que se gabava de assediar sexualmente mulheres porque tinha dinheiro e fama.

Ninguém deve se enganar e imaginar que haverá um Trump moderado no cotidiano da Casa Branca. Ele tem ideias fascistas e xenófobas. Pregou isso durante a campanha. Deve satisfações ao eleitorado que o colocou na Casa Branca. Recebeu um voto que demanda políticas industriais e comerciais protecionistas que equivalem a fechar os Estados Unidos para o mundo.

Trump é um reflexo da sociedade americana. Representa metade do eleitorado e, apesar de a regra de delegados para o colégio eleitoral ter sido pensada pelos pais fundadores da democracia americana para evitar aventuras, esse sistema agora possibilitou justamente a eleição de um outsider.

Em 1933, o Partido Nazista venceu as eleições na Alemanha com um discurso que tem semelhanças com a plataforma política de Trump e que teve respaldo popular para implementar uma política de horrores. O mundo hoje é outro, os Estados Unidos têm uma sólida democracia. Portanto, o planeta é capaz de não repetir o passado e de resistir a tentações autoritárias.

Mas o mundo piora a partir de hoje, piora a partir da eleição de Trump, que pode dar gás à eleição de políticos extremistas na Europa e em outros países.

O temor principal em relação ao republicano foi o destacado pelo presidente Barack Obama: Trump não tem preparo para comandar a maior economia e a maior máquina militar do planeta, não tem compreensão das responsabilidades nem das complexidades do cargo que vai ocupar. No poder, a personalidade diz muito para o sucesso e fracasso de presidentes. E a personalidade de Trump, narcisista e ignorante, sugere que não perderá dinheiro quem apostar num fracasso.

*

Rumo econômico

Uma análise feita agora de manhã por um auxiliar do presidente Michel Temer destacava a necessidade de ver se o discurso conciliatório pós-vitória de Trump vai se confirmar na montagem do governo e no exercício da presidência. Há uma expectativa de que Trump dê alguma previsibilidade sobre o que fará. Previsível é tudo o que ele não foi durante a campanha. Portanto, é uma incógnita para o governo brasileiro.

Provavelmente, haverá um contato hoje do presidente Michel Temer para parabenizá-lo. Para o Brasil, o importante seria Trump manter a trajetória de recuperação da economia americana. Se ele interromper o trabalho que Obama vinha fazendo nesse sentido, haverá efeitos negativos para economia mundial.

O Brasil procurava passar a uma fase de negociação de acordos bilaterais de comércio e também discutia o fim de vistos de entrada para brasileiros e americanos. Com Trump, essas negociações perdem força. No governo Obama, o Brasil esteve fora do radar do Washington. Com Trump, deverá desaparecer desse radar.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
21
  1. João Grilo disse:

    Nenhuma surpresa. Cravei anteontem que ele ía ganhar. As pessoas não sabem o que é o americano médio… O WASP (white anglo-saxon protestant) ainda é maioria fácil naquele país e quando todos saem pra votar , tem jeito não… E mais uma vez temos as “pesquisas” como grande perdedor nessas eleições: só o LA TIMES, que ouve um número maior de pessoas, e proporcional a demografia étnica, acertou em cheio… A vitória de Trump é só o reflexo de um fenômeno global : mídias de direita irresponsáveis, alimentam a paixão do público por personagens folclóricos e caricatos em busca de audiência. O ódio de tipos assim “vende”, Hitler foi uma boa lembrança, e depois, como na estória de Frankenstein, perdem o controle sobre suas criaturas… No nosso país temos os João Dórias( Trump local) e os fanáticos religiosos como próximos “líderes” do “novo Brasil”…
    Novo no que, eu não sei…

    • walter disse:

      Caro João Grillo, tudo certo; realmente, “as criaturas subestimam, seus criadores; podemos condenar a imprensa, pelos atropelos;lembro me, do Mahattan conection, comentando o inicio da campanha Trump, como uma figura de tabloide,que seria apenas cômico, e nada mais..kkk. Terão que se refazer da surpresa, e pedir desculpas, aos seus espectadores…
      Portanto, the bright side; o Trump tocou no “nervo” do Povo….
      Minha única observação, é a favor do Dória; após a gestão desastrosa do Haddad, precisamos desta cara nova, com propostas arrojadas, já que o dinheiro é curto; poderemos julga lo, após seus quatro anos de governo, até lá torcer para dar certo…

    • marcelo de lima oliveira disse:

      certamente se eu estivesse nos EUA não votaria em Trump, mas lembre-se que ele ganhou dentro das regras democráticas e não devemos rotular os que votaram nele pois isso é antidemocrático. Engraçado que vc também rotulou Dória com Trump tropical. Acho que vc tem dois bons motivos para isso: 1) não ser seu candidato e 2) não gostar dele (se brincar vc o odeia). Preste atenção: Dória não prometeu expulsar nordestinos de São Paulo e muito menos construir um muro aqui. Dória nunca foi xenófobo na sua campanha como Trump. Portanto me parece que preconceituoso é vc por rotular Dória e os que votaram nele. Vá estudar o que é jogo democrático e vc verá que no seu conceito a cada 4 ou 8 anos vc vai considerar que as pessoas aprenderam a votar e desaprenderam a votar… ou seja vc não entende o pêndulo da democracia e não entende o que é alternância de poder. As pessoas não se deixam mais influenciar pela imprensa com antes, a qual vc culpa pela vitória de Trump. Sua colocação é muito ruim.

  2. Mauro disse:

    Donald Trump é tudo isso que está na manchete e muito mais, mas a verdade é que foi eleito porquê o americano médio está cansado de comprar coisas com sua marca, mas produzidos no exterior e dando empregos para outros.
    Os democratas são muito bom em discursos politicamente corretos e posam de bons moços, mas foram fraquissimos em atitudes que pudessem devolver os empregos perdidos e as fábricas fechadas.
    Hoje, há um numero crescente de indice de pobreza nos EUA, principalmente entre operários e gente que não cursou universidade e esses cada vez mais demandam assistência do governo e verbas altissimas que o governo não mais possui.
    Há uma guinada no mundo todo para os governos de direita e centro, pois os mais socialistas e com discurso assistencialista, muito mais falaram do que fizeram. O povo dos EUA, votou no escuro, com uma esperança de luz no fim do túnel e agora é só esperar e torcer que para eles e um pouco para todos nós, não seja um trem vindo ao contrário.

  3. joao dias disse:

    Não tenho certeza de que o Mundo pode piorar e devemos lembrar da gestão Bush, Carter, Reagam e Bil Cliton. Devemos lembrar, tambem, que da gestão de Cliton a Obama, a dívida do Tesouro Americano era de 6 trilhão de dólares e, hoje, está perto dos 14 trilhao de dólares, financiada, basicamente pela China, Japão e outros países, inclusive, o Brasil.E esse endividamento é praticamente a custo “zero”. No caso do Brasil, a China, com 20% da população mundial, continuará sendo o maior importador de nossos produtos.Antes, a nossa dependencia aos USA era exagerada. O mundo está mudando e beneficiando os mais competentes na conquista e manutenção de mercados. Já passou da hora o comodismo e privilégios. Precisamos olhar para a frente e não ficar exportando somente commodities, mas produtos acabados , que geram produção, emprego e renda.O paternalismo aos nossos exportadores não pode continuar sem a modernização das plantas industriais e encarando a competencia de cada um.Não à incompetencia.

    • Wellington Alves disse:

      Para isso precisamos investir mais em pesquisa e tecnologia e não ficar importando tudo de fora. Diversificar mercados, sem fica dependente de país ou continente. A melhor coisa foi a criação dos BRICS. Mas resolveram remover à força todo esse projeto independente e dar poder para a direita.

  4. walter disse:

    Sinceramente caro Kennedy, depois do Busch,e yeltisin no mundo; nada mais pode nos assustar; somos precursor do Trumpismo, fazemos nossa política comercial semelhante, estamos juntos…kkk…podemos quem sabe, ter maior importância lá.
    Portanto, vejamos o lado risonho da questão; somos todos emergentes;por outro lado que contribui, o Trump, tem sua empresa no Brasil; aliás, já esta relação da lava jato, suspeita de recursos indevidos…quem sabe este limão…acredito que para o mundo,a boa relação dele com o Putin,pode contribuir com o planeta, de certa forma.
    Teremos outros problemas; vejo uma mensagem clara, de todos no mundo; queremos mudanças,no Brasil, esta tudo muito claro…

  5. Marcelo disse:

    Isso é a democracia. Ainda acredito que toda unaminidade é burra. O fato é que estamos todos cansados da mesma figura política. Políticos que medem o que falam, falam o que os ouvidos do povo querem ouvir. Não creio que uma pessoa seja “ignorante” e esteja na posição que ele está. Inteligentes somos sempre nós, certo?
    Respeito à democracia e a escolha. Os EUA e o Brasil está sendo dirigida há alguns anos pela esquerda e creio que a população quer alguma mudança. Isso não é coincidência.
    Hoje ser homofóbico, sexista são rótulos que a mídia impõe a todos. A mídia, artistas em geral são de esquerda, e naturalmente estão protegendo seus interesses. Não se pode fazer mais nada politicamente incorreto que já somos todos tachados. Precisamos respeitar o próximo, mas onde está o limite entre liberdade de expressão e o direito dos outros? Não querer ter um filho homossexual não significa que sou homofóbico. Todos temos culturas e valores diferentes e isso é a democracia.

  6. Alberto disse:

    “O mundo gira e a Lusitânea roda “,célebre frase de uma transportadora e que tem tudo a ver com o que acontece com as nações/populações.

  7. Alexandre disse:

    É o começo do fim dos EUA como potencia. O populismo de Trump levara os EUA a uma situação politico-economica como a dos paises subdesenvolvidos de hoje (Brasil). Novas Guerras serão inevitaveis daqui em diante. Uma 3ª Guerra Mundial se torna cada vez mais proxima da realidade.

  8. Maíra disse:

    Ótima análise!

  9. Ricardo disse:

    Eu não sou vidente nem dono da verdade, mas não vejo como o Trump levar para os EUA as fábricas de smartphones que estão na Ásia (só para citar o exemplo dos smartphones). Mesmo com isenção de impostos, um smartphone fabricado nos EUA custaria mais que os que são fabricados na Ásia. Porém, há um produto que os EUA fabricam internamente que gera muita receita e pode gerar muitos empregos caso tenha maior demanda: material bélico. Não que vamos ter uma nova guerra mundial. Longe disso. Mas os EUA podem começar a disseminar (ou incentivar) pequenas guerras na África, na Ásia e, principalmente, no Oriente Médio, em nome da democracia (ou do controle do petróleo). Lembrando que há muito petróleo na Venezuela e por aqui. Quem sabe não teremos uma guerra civil na Venezuela, estimulada pela CIA?! Lembram de El Salvador? Nicarágua? Ainda bem que os brasileiros são acomodados e nunca teremos uma guerra civil por aqui.

  10. Wellington Alves disse:

    É bom que Trump seja protetor. Precisamos ter verdadeira independência e parar de depender de potências ocidentais. Quero ver como a nossa maldita direita vai se virar sem o aporte da direita estadunidense. Direita é igual em todo mundo- importa-se apenas com seu umbigo.

  11. Michael disse:

    Agora o partido republicano controla a presidência, o senado, a câmara dos deputados, a magistratura e a maioria dos governadores. O partido democrata foi dizimado, e é o que eles merecem por ter escolhido a Hillary Clinton em vez do Bernie Sanders como candidato do partido. O Sanders teria vencido Trump e seria um presidente melhor que a Hillary ou Trump.

  12. Alves disse:

    Caro Kennedy, nada mais a comentar após sua matéria como sempre muito acertada.
    O mundo viverá anos de nervos de aço, pois, o botão esta na mão da intolerância.

  13. mano disse:

    Por enquanto, a única certeza: A mídia também perdeu porque no caso da eleição americana não conseguiu influenciar os americanos para não votarem em Donald Trump. Neste quesito a midia brasileira pode prestar serviço de consultoria.

  14. Joaquim José da Silva Xavier disse:

    se os democratas não tivessem passado a perna no social-democrata/socialista, Bernie Sanders, talvez a partir de 2017 vivéssemos num mundo mais tranquilo…

  15. Francisco Miranda disse:

    Bom dia. Fala-se do Trump. Mas esquecem que no Brasil temos uma CCJ, Comissão de Ética que arquiva um processo do Bolsonaro. CPIs que não dão em nada. Presidente do Senado muito duvidoso, briga de ego dos Tres Poderes, Justiça morosa, falha, influenciável. Mais de quatrocentas mortes por erro médico, mais de sessenta mil mortes por arma de fogo. Marginais com mais direitos que os cidadãos honestos e trabalhadores, direitos humanos para bandidos e bandidos que fazem leis a seu favor. Um congresso todo corrompido. FALAR O QUE ???

  16. NA DEMOCRACIA HÁ ATÉ FREIO DE EMERGÊNCIA: O IMPEACHMENT! disse:

    NUNCA VI TANTO ALARDE EM TORNO DE UMA SITUAÇÃO QUE SEQUER EXISTE: CONJECTURAS PESSIMISTAS BASEADAS EM FALAS DE CAMPANHA ELEITORAL, COMO SE POLÍTICO NÃO FOSSE A FIGURA MAIS DESACREDITADA QUE EXISTE, QUANDO EM CAMPANHA ELEITORAL!
    POR ISSO DÓRIA GANHOU EM SÃO PAULO DIZENDO: NÃO SOU POLÍTICO!
    TRUMP FEZ EXATAMENTE O MESMO, GUARDADAS AS DEVIDAS PROPORÇÕES E COM PALAVRAS DIFERENTES. SÓ QUE AMBOS VISAVAM O MESMO TIPO DE ELEITOR: O INDIGNADO COM OS POLÍTICOS, COM A MENTIRADA DOS POLÍTICOS, COM AS ROUBALHEIRAS DOS POLÍTICOS, COM A INEFICIÊNCIA DOS POLÍTICOS.
    E AMBOS TIVERAM SUCESSO. AGORA, VÃO DEMONSTRAR SUAS CAPACIDADES ADMINISTRATIVAS, E VÃO APRENDER UM POUCO COM OS POLÍTICOS.
    DÓRIA VAI DEPENDER DE UMA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA.
    TRUMP VAI DEPENDER DO CONGRESSO NACIONAL.
    NINGUÉM PODERÁ FAZER NADA EXCLUSIVAMENTE DE SUA PRÓPRIA CABEÇA.
    NA DEMOCRACIA HÁ FREIO!
    HÁ ATÉ FREIO DE EMERGÊNCIA: O IMPEACHMENT!

    • Wellington Alves disse:

      Ainda bem que há poderes limitados na democracia. Por isso não concordo com superpoderes do judiciário. Impeachment é usado em casos que há crime, ao menos no Brasil, não conheço a lei estadunidense. É visível que o eleitor está revoltado, por isso esses faláceos se aproveitam. Isso não significa que esses extremos sejam sadios. E Dória será muito combatido. Sou o primeiro voluntário a fazer isso.

  17. Certamente o mundo parece pior como nos diz. Da única superpotência sobrante assusta pensar que foi eleito um Presidente, Donald Trump, que promete ser tão parecido com G. W. Bush na sua impetuosidade arrogante. Depois dos anos da esperança do “Yes we can” de B. Obama, ressurge a promessa de um EUA interessado no seu umbigo, o que nos deixa grandes incertezas depois da afirmação mundial de protagonistas promissores como o Papa Francisco ou António Guterres como futuro Secretário-Geral das Nações Unidas que nos abriram, ao mundo, uma janela de esperança.

    Certamente virão, de novo, tempos difíceis porque a estratégia de fechamento ao exterior, como foi o caso recente do Reino Unido com o “Brexit”, não trás nenhum bom augúrio.

    Nuno Sotto Mayor Ferrão

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