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30-01-2016, 8h56

ComCiência

Esculturas de Patricia Piccinini causam incômodo e empatia ao retratar criaturas fictícias hiperrealistas

Daniela Martins
BRASÍLIA

“O mundo que crio existe em algum lugar entre o que conhecemos e o que está quase sobre nós (a imaginação, ou o futuro) […] Somos cercados por modificações genéticas escondidas em nossos alimentos e animais, sem ao menos dar conta! Eu não induzo o visitante a pensar qualquer coisa sobre engenharia genética, mas pergunto como eles se sentem frente a essas possibilidades.” É assim que Patricia Piccinini explica suas esculturas de seres híbridos que ficam em algum lugar entre o realismo, o sonho e as possibilidades ilimitadas abertas pela ciência.

A artista, nascida em Serra Leoa, vive na Austrália desde criança. Para o curador Marcello Dantas, as peculiaridades dos animais que encontrou no novo país, como ornitorrincos e cangurus, fazem parte das influências do trabalho de Patricia. “Trata-se de um país que tem licença poética para a invenção”, afirma Dantas sobre a Austrália.

Patricia Piccinini diz que seu mundo é mais repleto de perguntas do que de respostas. E suas esculturas fazem mesmo pensar sobre questões delicadas como padrões de beleza, racismo, deficiências físicas, utilização da ciência para seleção genética.

Uma das obras é um filme em que um casal reage com afeto ao nascimento de bebês híbridos. A inspiração foi o caso real de um casal que implantou óvulos em uma barriga de aluguel e, ao se deparar com o nascimento de gêmeos, escolheu ficar com apenas um e abandonar o outro. Um exemplo oposto de rejeição e falta de afeto.

Olhar o diferente e o inesperado nem sempre é fácil. Pode gerar desconforto e até medo. No entanto, os seres criados pela artista não tentam ser assustadores. Ao contrário, a ideia é que despertem empatia. E façam pensar.

Para Dantas, as obras de Patrícia tratam de aceitação, e quem compreende isso com mais facilidade é o público infantil: “As crianças possuem menos pré-conceitos”, define o curador. É uma percepção verdadeira. Os pequenos dificilmente se assustam. Chegam bem perto das obras, curiosos e encantados. Alguns querem abraçar as esculturas e tirar fotografias com elas. E saem da visita muito falantes, discutindo o que fariam se recebessem a visita de um daqueles seres.

A exposição foi um sucesso de público em São Paulo e ficará no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília até abril. Vale a visita, com ou sem crianças.

Visite a página do CCBB Brasília para mais informações.

Fotos: Carol Quintanilha

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