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Política
01-10-2019, 9h18

Confissão de Janot sobre Gilmar demoniza STF e seus ministros

Ex-procurador-geral estimula ódio já alto no debate público
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

A confissão de Rodrigo Janot de que pensou em matar Gilmar Mendes não é crime. Mas a revelação do ex-procurador-geral da República demoniza ministros do Supremo Tribunal Federal e a própria Corte, o que é um desserviço à democracia.

Do ponto de vista penal, pensar em cometer um crime e não cometê-lo não é crime. Ter a intenção de matar, ainda que a dois metros de distância do alvo, como relatou Janot, e não realizá-la também não é crime.

Mas a confissão de Janot estimula o ódio e a intolerância no debate público. Numa democracia, não devemos demonizar adversários. Assim é como as democracias morrem.

Janot sempre teve imagem de moderado, apesar de rumores de temperamento explosivo nos bastidores. A confissão de que pensou em matar Gilmar Mendes e, para isso, foi armado ao Supremo, desistindo na última hora, transmite mensagem de descontrole emocional.

É uma postura inadequada para quem ocupou posição tão importante, como a chefia da PGR (Procuradoria Geral da República) numa hora crucial da nossa História _em plena Operação Lava Jato. A atitude de Janot lança dúvidas sobre o trabalho dele e de sua equipe na época em que comandou a PGR. Abre flancos para que advogados de defesa questionem atos tomados em sua gestão de quatro anos.

Controversa juridicamente, a busca e apreensão na casa e no escritório de Janot, na última sexta-feita, foi uma resposta política do Supremo. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes que, com os outros ministros do STF, têm sido dura e covardemente atacado nas redes sociais. O país já está com nível altíssimo de intolerância no debate público, o que envenena nossa democracia.

O inquérito a cargo de Moraes é frágil juridicamente. Cabe tudo nele. Isso mostra como as instituições brasileiras foram abaladas nos últimos anos, extrapolando limites.

No atual contexto, a demonização de adversários, do Supremo e da política é um risco para a democracia brasileira. Censurar o livro de Janot é um erro, mas a confissão sobre pensar em matar um ministro do STF é muito negativa para o Ministério Público de modo geral. Isso levou o Supremo a reagir.

Ouça o comentário no áudio abaixo, começa por volta dos 35 segundos:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Exatamente Kennedy, não se sabe ainda, qual a real intenção do Janot, de cara esta insistindo na confissão do Palocci, sobre os cinco ministros beneficiados por propinas; podemos afirmar que o supremo esta mais visado que a casa da moeda…todo este espetáculo nos últimos seis meses, tem causado duvidas, nos últimos tempo, para que precisamos da corte? enfim, tem muita coisa errada, as confissões do Gilmar não ajudam a acalmar ninguém; temos onze ministro, bastariam três ou cinco…

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2019-10-23 04:42:51