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Kennedy Alencar

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Política
05-10-2013, 0h08

Constituição de 88 construiu colchão social

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Há um debate no Brasil que sempre trata dos gastos públicos. Na maioria das versões, temos um Estado inchado, que gasta muito e que gasta mal. É uma versão parcial. É uma meia verdade.

O Brasil construiu um colchão social que teve seu início na redemocratização, quando José Sarney, o ex-arenista, falava em priorizar o social. E aqui não vai nenhuma desculpa pelo descaso sarneyzista com o atraso do Maranhão.

Mas veio a Assembleia Constituinte de 1988. Demandas represadas foram atendidas no texto da Carta Magna. Ali começou uma trajetória de proteção aos mais pobres sob o manto da democracia. O Brasil estaria muito melhor hoje se não tivesse existido o golpe de 1964. Mas aconteceu. É história, que não deve ser esquecida, mas lembrada para não ser repetida.

E a partir da Constituição que completa 25 anos hoje fizemos uma opção por tentar reparar injustiças históricas. Houve erros. A ordem econômica nasceu meio atrasada e precisou ser reformada. Mas o artigo 5º e o desejo de proteção social são as principais marcas da nossa maior lei.

Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva foram boas sequências, necessariamente nessa ordem. Houve a decisão política de enfrentar a inflação. O projeto teve continuidade. E os pilares do Plano Real propiciaram uma expansão inédita de políticas sociais no país.

Dilma Rousseff tem cometido alguns erros na economia, na opinião deste blog, mas é inegável a manutenção do compromisso em melhorar a vida dos mais pobres, que é o que mais importa.

O Brasil vai avançando. Como disse Sebastião Salgado, é bom que os candidatos a presidente em 2014, com suas qualidades e seus defeitos, sejam Dilma, talvez Marina Silva, Aécio Neves e Eduardo Campos. Ao gosto do freguês, cabem elogios e críticas a todos eles.

E, para retomar o começo deste artigo que celebra os 25 anos da Constituição, é bom, sim, melhorar a qualidade do gasto público. Faz sentido evitar maquiagem nas contas públicas. Mas o foco principal é diminuir a desigualdade social, nossa maior chaga. Cortar ministérios, enxugar gastos, melhorar a gestão etc. são ações necessárias. No entanto, o olhar tem de ser sempre para os mais desfavorecidos. É esse o imperativo principal da política. E nossa Constituição está de parabéns nesse quesito. Felizes 25 anos.

Comentários
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  1. Alberto Menezes disse:

    Gostei do comentário, Kennedy. Ao seu tempo, cada um dos protagonistas teve papel determinante na reconstrução do Brasil nesses últimos 20 anos. O país está melhor, sim. Vale celebrar a Constituição de 88!

  2. Thiago Machado disse:

    Parabéns pela lucidez Kennedy. Há bravatas para todos os lados, e uma delas é a de um Estado enxuto a todo o custo. Creio que o Brasil tem avançado muito nas questões que você citou, mas só iremos atravessar o limiar de um real desenvolvimento civilizatório quando enfrentarmos reformas radicais na estrutura fundiária e fiscal desse país, distribuindo melhor a renda e ampliando as condições da população de produzir.

    Parabéns pelo blogue e bom trabalho!

  3. Alysson Martins disse:

    Engano seu Kennedy, o foco não deve ser necessariamente lutar pelos desfavorecidos. Isso do ponto de vista estratégico é uma bobagem. Sim, porque qual foi o país desenvolvido que atingiu esse patamar com essa estratégia desde a Grécia? Nenhum! Os EUA ganharam no mercado, bem como o Japão e os países da Europa, que avançaram em tecnologia. Se você falar em educação, talvez seja mais assertivo.
    O foco é desenvolver a economia para gerar oportunidades, e subir degraus na cadeia alimentar mundial. Nós não estamos aqui nesse planeta para lutarmos por um mundo ideal, nós estamos aqui para lutar pelo mundo real, que é duro, covarde, e impessoal.

    • Alysson, depende de que país você deseja.

      Os Estados Unidos e a China podem ter muito mais capitais do que o Brasil, mas são nações onde há proporcionalmente bem mais desigualdades do que aqui: um cidadão abaixo da linha da pobreza em nosso país se beneficia do colchão social e pode ser, no mínimo, um problema a menos para o Estado. Se não temos um país considerado ideal, ao menos estamos tentando, já que nossa Constituição impõe ao Brasil que procure igualdade, justiça e diversidade de pensamentos, mesmo que uma parcela significativa da população pense que o ideal seria viver numa “ditadura de pensamento único”, tão ao gosto do regime de 64 que premiou corruptos a granel e puniu os poucos que ousavam duvidar do “Brasil grande”.

      Brasil grande que vivemos, de fato, hoje.

  4. Guido Chiniara Batuta disse:

    Os mais injustiçados, nunca desfavorecidos,’só se o argumento consiste em ser favorecido Politicamente ,
    pois políticas pública não favorece o povo.

  5. Leonardo disse:

    “Os Estados Unidos e a China podem ter muito mais capitais do que o Brasil, mas são nações onde há proporcionalmente bem mais desigualdades do que aqui”

    Estados Unidos mais desiguais que nós? Não é isso que dizem os rankings, dá uma olhada nesse gráfico aqui:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Gini_Coefficient_World_CIA_Report_2009.svg

    Ao que parece, nem a China é tão desigual como nós.

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