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Política
26-01-2017, 9h15

Contestação a Moraes dificulta ainda mais indicação ao STF

Renúncia em órgão da Justiça questiona política carcerária do ministro
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A renúncia coletiva do presidente e de seis integrantes do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária enfraquece politicamente Alexandre de Moraes e diminui ainda mais a possibilidade de o ministro da Justiça ser indicado para a vaga de Teori Zavascki no STF (Supremo Tribunal Federal). A renúncia dos membros do conselho, que é vinculado à pasta da Justiça, aconteceu ontem.

O movimento é um questionamento direto ao Plano Nacional de Segurança costurado por Moraes e às medidas que o ministro vem sugerindo para enfrentar a crise carcerária. Moraes se defendeu perante o presidente Temer dizendo que indicados pela ex-presidente Dilma se rebelaram.

Mas é algo que vai além de afinidades e preferências políticas. Quem renunciou entende do assunto e discorda de Moraes, que tem atitude truculenta e atropelou o conselho.

Apesar do apoio de alguns ministros do STF a indicação de Moraes para a vaga de Teori, essa possibilidade vem diminuindo diante da avaliação do presidente Temer de que a vinculação política dele com o governo não seria bem vista pela opinião pública e investigadores da Lava Jato.

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Jogo legislativo

Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE) consolidaram suas respectivas candidaturas às eleições para as presidências da Câmara e do Senado. Na Câmara, a disputa ocorrerá na quarta, dia 1º. No Senado, a eleição acontecerá no dia seguinte.

Dificilmente haverá surpresa. O atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, conseguiu rachar o Centrão, um grupo de partidos conservadores que padece da falta da liderança de Eduardo Cunha, que está preso em Curitiba. Maia também deve atrair parcela considerável de apoio de petistas, porque o PT quer negociar um lugar na Mesa Diretora da Casa.

Nos bastidores, o governo torce por Rodrigo Maia. Se houver uma surpresa e o STF (Supremo Tribunal Federal) impedir a candidatura de Maia, o deputado federal Antonio Imbassahy, do PSDB baiano, poderia ser improvisado como candidato de um plano B. Mas é improvável que o Supremo interfira nessa disputa.

Já Eunício Oliveira conseguiu costurar um amplo acordo no Senado. Tem o suporte de quase todo o PMDB e do presidente da Casa, Renan Calheiros. E conta com o apoio também do PSDB e de outros partidos aliados de Temer.

O governo Temer considera Maia e Eunício aliados confiáveis para votar a agenda de reformas que está no Congresso. Há sempre uma preocupação em relação a eventuais implicações nas investigações da Lava Jato. Mas, se isso surgir, será um problema para ser tratado adiante, até porque é difícil encontrar um político relevante que não esteja de alguma forma no alvo da investigação.

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Fator X

Eike Batista é o nome mais importante investigado na Operação Excelência, operação que é um desdobramento da Lava Jato. Ele fez negócios durante o governo de Sérgio Cabral, administração sobre a qual tem sido descoberta corrupção pesada. Eike também foi influente nas gestões Lula e Dilma.

A conta chegou para um empresário que teve muito poder no governo Cabral e que tinha relação de amizade com o então governador. Eike Batista está no exterior e deverá se entregar às autoridades, segundo seu advogado. Há expectativa em relação à defesa que ele apresentará diante da grave acusação de que pagou propina ao casal Cabral no Uruguai.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. SOLUÇÃO PARA O PAÍS: LAVA JATO E VERGONHA NA CARA! disse:

    A predominância da política e, o pior, da política abjeta, onde quanto mais corrupto, mais ladrão, mais valor tem o político, está afundando o país, na maior crise moral, política e econômica de nossa História.
    Mensalão e Petrolão¸ as maiores provas!
    Para cargos nomeados as qualidades profissionais, técnicas, pouco importam nos “acordões” firmados nos jantares promovidos nas mansões dos figurões corruptos (jantares pagos com o dinheiro dos cofres públicos), quando tais cargos são “negociados”.
    Exemplo: o exmo. Senhor Alexandre de Moraes deveria ser imprescindível para o cargo de Secretário da Segurança/SP, ou não seria o escolhido pelo governador Alkmin! Deixou planos, projetos e foi ser Ministro da Justiça!
    Passam-se alguns meses e já não é tão importante mais como Ministro da Justiça?… agora querem-no como Ministro do STF!
    Meu Deus, até quando esses políticos vão continuar minando os cofres públicos, administrando mal e afundando o país?

  2. walter disse:

    Sinceramente Kennedy, o Ministro Moraes, esta fazendo o que é possível, não tem autonomia para ser mais amplo; estão costurando, um “bem bolado”, já que o Temer tem outros planos no congresso. Indicação ao Supremo, pode esperar; por enquanto o jogo político, é reeleger Rodrigo Maia,que segue o planalto; pretendem voltar com a isenção aos envolvidos “caixa dois”…
    Quanto a ao Eike; pelo que causou, vem sendo pouco cogitado, ou processado; deve muito, em todos os sentidos…achar que este cidadão, ficou pobre, que fez remanejamentos de recursos a seu favor, sabe Deus por onde, deve explicar caso a caso…

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