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Kennedy Alencar

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Política
01-06-2017, 8h17

CPI da JBS dará oportunidade de revanche a políticos

Reação para apontar eventuais mentiras e contradições de delatores
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da JBS deverá dar aos políticos uma oportunidade de vingança em relação ao empresário Joesley Batista. Anteontem, foi lido o requerimento de criação dessa CPI, que já conta com assinaturas suficientes para ser instalada. Ela será mista, composta por deputados e senadores.

Na Câmara e no Senado, existe um sentimento de revanche em relação à JBS que tende a levar essa CPI a ter importância maior do que outras realizadas recentemente. Muitas CPIs apresentaram pouco resultado, repetindo investigações do Ministério Público e da Polícia Federal. Dificilmente o acordo de delação será anulado. Mas há forte contrariedade de deputados e senadores em relação à JBS.

Eventuais contradições e até supostas mentiras ditas por delatores poderão ser apontadas, dizem reservadamente senadores e deputados. Há desejo de investigar as informações de que a JBS especulou no mercado de dólar e na Bolsa com a informação privilegiada de que a colaboração premiada de Joesley e executivos criaria uma crise. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) já apura esses casos.

Além de Joesley, há irritação em relação a Ricardo Saud, o grande operador de recursos da JBS no Congresso. Saud chegou a ser mandado para fora do país antes da delação de Joesley, que o trouxe de volta para preparar a colaboração por ter medo de ser delatado pelo antigo lobista.

Deputados também querem investigar o ex-procurador da República Marcelo Miller, que era um dos principais auxiliares de Rodrigo Janot e deixou o Ministério Público para integrar o escritório de advocacia que negocia o acordo de leniência com a JBS.

Segundo o Ministério Público do Distrito Federal, foi fechado um valor de R$ 10,3 bilhões de multa para a JBS. Esse acordo de leniência deverá ser assinado nos próximos dias. A articulação de Joesley para criar o Banco Original, do grupo JBS, também entrará na mira dos parlamentares.

*

STF x Congresso

Diante do volume de processos de políticos com foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal, o tribunal não tem outra alternativa. A maioria dos ministros do STF deverá acompanhar hoje o voto do ministro Roberto Barroso a favor da restrição do foro.

Barroso apresentou ontem números que mostram como esses processos entopem a pauta do tribunal, estimulam a impunidade e deixam em segundo plano outros temas de interesse da sociedade. É correta a visão de manter o foro em casos cometidos durante o mandato e que tenham relação com o exercício da função.

Seria importante acabar com idas e vindas de processos entre a primeira instância e os graus superiores. Pela regra atual, quem comete crime antes de ser eleito para um mandato parlamentar, por exemplo, passa a ser julgado no STF por esse ato quando assume o cargo.

Numa espécie de retaliação ao Supremo, cuja decisão atingirá em cheio a classe política, o Senado aprovou ontem uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para acabar com o foro privilegiado no Executivo, Legislativo e Judiciário, com exceção dos chefes dos Três Poderes e do vice-presidente da República.

Parece exagerado extinguir o foro para todo mundo, mas atende a um apelo da sociedade. São razoáveis as dúvidas sobre a implementação da medida nesse grau tão radical. Haverá um debate maior na Câmara. Não será tão fácil essa PEC seguir adiante na Câmara do jeito que está, mas seria saudável acabar também com o foro privilegiado do Judiciário.

*

Pé no freio

O Banco Central reduziu ontem a taxa básica de juros, a Selic, para 10,25% ao ano. Em razão da atual crise política, já era esperada uma queda de 1 ponto percentual e não de 1,25 ponto percentual, como alguns setores previam antes da delação da JBS.

O comunicado do Banco Central diz com todas as letras que pode aplicar redução mais moderada na próxima reunião em julho, algo como 0,75 ponto percentual. É um claro sinal do preço que a crise política cobra da economia.

Se o Banco Central pisar mesmo no freio, isso terá impacto negativo sobre a geração de emprego e os investimentos, criando ainda mais dificuldades para a economia real. Não tem perdido dinheiro quem tem apostado em ações bem conservadoras do atual Banco Central.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Joaquim disse:

    Kennedy, o que estamos vendo é um congresso totalmente alienado. A distancia entre os congressistas e a população deve ser de alguns anos luz, eles não conseguem enxergar o brasileiro comum. É o privado, o particular acima e bem acima do bem comum. Quanto a CPI só rindo, mais uma prova do que escrevia acima. A resposta do congresso ao supremo também outra amostra do escrito acima. É impressionante a falta de caráter e moral destas pessoas. Por fim como é possível que pessoas que achávamos mortas e enterradas, estão ressuscitando, ontem vi um motor/vivo na posse do novo/velho ministro e não acreditei, mais uma prova do que escrevi acima.

  2. Celio Jorge Lasmar disse:

    Montagem midiática, todos envolvidos até o pescoço no crime contra a sociedade brasileira querendo fazer CPI em cima de dois cidadãos competentes que um dia foram ao BNDES – órgão aparelhado por esta cambada, como inúmeros nesta País – pedir empréstimo para alavancarem seus negócios e criarem empregos e foram achacados por estes criminosos que agora tentam inverter os papéis, e que nunca criaram nada no País a não ser miséria, juventude ignorante, fome, e inúmeras mazelas mais, enquanto que os que querem atacar criaram empregos e divisas para o País, apesar de terem aceitado o jogo destes canalhas, pois se não aceitassem também não arrumariam nada e não são os unicos achacados por esta quadrilha de bandidos.

  3. walter disse:

    Caro Kennedy, os citados no congresso, pela JBS, afirmarem que vão se vingar, contando suas versões, não os levarão a nada…não vão falar a verdade; todos pegaram dinheiro deles e de outros…nesta hora, todos os congressistas são iguais, faltam critérios, e lisura. Falando sobre a taxa selic; estava demorando surgir um “falso”pretexto, para diminuírem a queda da taxa de juros…nesta hora, vem os banqueiros gananciosos, e seus lobbys, impõe o ritmo que interessa a classe; fosse para aumentar juros, subiria que nem foguete…esta cantilena já conhecemos de outros carnavais.Infelizmente manda quem pode…

    • Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

      Walter, concordo com você sobre a taxa Selic, é tudo pretexto para ganância dos bancos.
      Celio Jorge Lasmar, você disse algo que eu venho afirmando há muito tempo: ser empresário neste país é atividade de risco, ou você é achacado ou é sequestrado, mas é sempre chantageado… o governo penaliza o empreendedor !
      … e Joaquim, você sintetizou a filosofia do voto distrital, ele estabelece cobrança do eleitor ao congressista, é o fim da alienação.

  4. Cristiano disse:

    Politica no Brasil, cada vez pior e desacreditada, por mais que procuramos tá difícil encontrar uma luz no fim do túnel!

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