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Entrevistas
14-01-2020, 12h28

Crise brasileira de Dilma a Bolsonaro é “história global”, diz Petra Costa

Indicada ao Oscar, cineasta afirma que PSDB não diferencia ficção da realidade.
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

A cineasta Petra Costa afirma que a indicação ao Oscar de “Democracia em Vertigem” na categoria de melhor documentário revela que a crise brasileira, “infelizmente, é uma história global”. “É muito bom ter esse reconhecimento internacional, que mostra que essa história não é só uma história brasileira.”

Em entrevista ao “Jornal da CBN – 2ª Edição”, Petra julga ser positiva a indicação “num ano em que teve tanto ataque ao cinema nacional” da parte do governo Bolsonaro. Ela diz que recebeu com “grande surpresa” e alegria a indicação ao Oscar do documentário produzido pela Netflix.

Para Petra, “no momento em que” o PSDB não “aceita o resultado da eleição de 2014, abre-se caminho para uma erosão democrática que acarreta na eleição do Bolsonaro”.

“Concordo que a Dilma errou na economia, principalmente quando ela descumpre a promessa da campanha e implementa um regime de austeridade até mais severo do que o oponente dela [Aécio Neves, do PSDB] prometia fazer. Com isso, ela perde toda a base política dela”, diz a diretora.

Petra avalia que “a Lava Jato, no começo, teve uma política necessária de combater uma corrupção sistêmica que o Brasil tem há décadas, mas foi politizando e fazendo uma judicialização da política que é um dos principais inimigos da democracia hoje”. “Se a gente não pode confiar num dos três braços de uma instituição democrática, de um dos poderes [a democracia se enfraquece]. A democracia é baseada na confiança.”

Na visão da cineasta, ter um juiz como Sergio Moro, estrela da Lava Jato e hoje ministro da Justiça de Bolsonaro, que age ao mesmo tempo como “procurador e depois julga”, o que se provou fato com a Vaza Jato, “erodiu um dos principais pilares da democracia brasileira”.

Nas redes sociais, o PSDB debochou da indicação ao Oscar: “Parabéns à diretora Petra Costa pela indicação de melhor ficção e fantasia”. A diretora responde com a elegância que faltou ao partido.

Petra diz que “é uma pena que o PSDB não veja este momento como um momento tão importante para o Brasil”. Para ela, os tucanos não mostram “capacidade de distinguir a ficção da realidade”.

A diretora Petra afirma que o impeachment de Dilma foi “um golpe institucional”. “O Congresso brasileiro se utilizou de lei de impeachment, mas a distorceu. (…) A aplicação da lei de impeachment para uma manobra fiscal é um crime democrático. A democracia não sobrevive não só pelo respeito à Constituição, que pode ser manipulada, mas a duas normas não escritas, que são respeito mútuo e autocontrole. Saber que você pode destruir o seu oponente, mas deixar de fazê-lo por respeito à democracia. Acho que é isso que faltou à política brasileira nos últimos anos e que levou à nossa crise atual.”

Trump e Bolsonaro foram eleitos com utilização de fake news e manipulação das redes sociais, avalia Petra. “Isso está levando ambos os países (EUA e Brasil) a uma descrença na democracia”.

Sobre o governo Bolsonaro, a diretora tem a seguinte opinião: “É um governo que está tragicamente atacando a cultura, atacando o meio ambiente, atacando os direitos trabalhistas, os direitos conquistados depois de décadas”.

Num momento em que o Brasil perde força no cenário internacional com os retrocessos do governo Bolsonaro, a indicação ao Oscar de melhor documentário de “Democracia em Vertigem”, da diretora Petra Costa, traz prestígio ao país. Nesse contexto, a produção da Netflix tem papel importante para transmitir outra visão sobre a história do Brasil e para influenciar o debate público doméstico.

Ouça a entrevista:

Comentários
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  1. Eugenio Arima disse:

    Pensei que a educação nos tiraria do abismo ao qual são lançados os intransigentes, os apedeutas. Mas isto é uma completa ilusão. A ciência com sua predisposição a se prender a fatos, não conseguiu plasmar este princípio para a educação básica. A escola é um local eivado de preconceitos, de abusos, de ignorância.
    O resultado se reflete nas pessoas preconceituosas e ignorantes que querem crer apenas em uma narrativa, aquela mais fácil, aquela mais consolidada, que costuma ser a da mídia e agora, de modo ainda mais grave, as tais redes sociais.
    É tão forte, que não permite reconhecer os fatos levantados pelo documentário. Reagem como se fosse peça panfletária ou publicitária.
    A cineasta não nega sua simpatia pelo ideário de esquerda. Tampouco eu nego minhas simpatias, mas para além disto, ela busca o equilíbrio de demonstrar o lado não contado.
    Inequívoca a imagem de Dilma, no carro, com o semblante espelhando a derrota, não tanto pela força dos inimigos, mas por sua própria lavra.

    • BRAGA-BH disse:

      faco minhas suas palavras adiantando que o raciocinio está corretissimo! Basta ler o comentário do missivista abaixo que se tem a certeza absoluta da verdade de suas palavras!!

  2. walter nobre disse:

    Kennedy, as criticas a Petra Costa são latentes, a falta de verdade por exemplo é uma delas; não vimos o filme, podermos ter certeza dos excessos e faltas, como todos os filmes nacionais. Este filme na calada da noite, na busca desesperada pelo Oscar chama a atenção; quem de fato é esta diretora, que não conhecemos de fato por outras obras? Tentar desqualificar governos eleitos, já provoca suspeita, como se os anteriores sem internet tivessem maior mérito que os atuais…Falta muito para conseguirmos licitamente um Oscar, precisamos ter roteiros positivos com verdades, e mais que isto, ter diretores e atores, que não frequentem as mesmices costumeiras. Envolver o Bolsonaro, com um ano de governo, tentando descredencia lo, não tem sentido, por falta de critérios isentos, mas vamos lá…

    • Guilherme Aglio disse:

      Querido Wagner.

      O seu comentário é redigido com elegância, e portanto, vou respondê-lo à altura. Entretanto, ele incomoda porque é leviano e porque o sr. abusa da especulação. Dessa forma, vamos a elas: 1) “não vimos o filme” é uma confissão de que o sr. fala do que não sabe? 2) o filme não foi feito ao Oscar. Ele foi feito à Netflix, para a TV e streaming, que no momento do contrato nem sequer tinha tido indicações ao Oscar. A diretora nem esperava essa indicação. 3) Entre desqualificar e criticar há um abismo. Isso independe da maneira como eu ou você enxergamos os governos ou seus projetos. Mas mesmo que os projetos tivessem em questão, que projeto é tão vazio e destrutivo como o atual na nossa história? 4) que mesmices costumeiras? O cinema brasileiro (que o sr. evidente conhece muito pouco ou nada) é marcado por diversas estéticas, escolas, tipos de linguagem, diversos atores e diretores internacionalmente reconhecidos (o diretor Fernando Meireles também foi indicado, inclusive)

  3. maria moreira viana disse:

    So a indicação para o oscar é uma alegria para que fique na historia esse momento que a mulher presidenta do Brasil foi umsa fortaleza em suportar com dignidade tantos mostros que a rodeavam. //Coração valente

  4. ANDRE disse:

    Este comentário infeliz do PSDB, mostra porque um vicejante partido de outrora, de nomes como Fernando Henrique e Mario Covas, definha e caminha para o ostracismo, virando coadjuvante de partidos medíocres como o PSL. PSDB e o PT, ao agirem como avestruzes ajudaram a jogar o Brasil nestas trevas atuais.

  5. LIRA disse:

    Não existe crise na podre politica nacional, na verdade o que existe é um punhado de BANDIDOS, sem nenhuma exceção, levando a população ao caos, por suas atitudes irresponsáveis e, esse atual governo venho por encomenda, conseguindo ser ainda mais temeroso e malvado que todos os anteriores, além de ser uma milicia completa e sem precedentes.

  6. […] Na visão da cineasta, ter um juiz como Sergio Moro, estrela da Lava Jato e hoje ministro da Justiça de Bolsonaro, que age ao mesmo tempo como “procurador e depois julga”, o que se provou fato com a Vaza Jato, “erodiu um dos principais pilares da democracia brasileira”, informa o Blog do Kennedy. […]

  7. […] Na visão da cineasta, ter um juiz como Sergio Moro, estrela da Lava Jato e hoje ministro da Justiça de Bolsonaro, que age ao mesmo tempo como “procurador e depois julga”, o que se provou fato com a Vaza Jato, “erodiu um dos principais pilares da democracia brasileira”, informa oBlog do Kennedy. […]

  8. […] Na visão da cineasta, ter um juiz como Sergio Moro, estrela da Lava Jato e hoje ministro da Justiça de Bolsonaro, que age ao mesmo tempo como “procurador e depois julga”, o que se provou fato com a Vaza Jato, “erodiu um dos principais pilares da democracia brasileira”, informa o Blog do Kennedy. […]

  9. […] Na visão da cineasta, ter um juiz como Sergio Moro, estrela da Lava Jato e hoje ministro da Justiça de Bolsonaro, que age ao mesmo tempo como “procurador e depois julga”, o que se provou fato com a Vaza Jato, “erodiu um dos principais pilares da democracia brasileira”, informa o Blog do Kennedy. […]

  10. wilsonsjr disse:

    Como nossos primos chimpanzés, concentramos o poder em poucos indivíduos. É a causa básica da desigualdade que nos marca, de nascença. A sofisticação da sociedade humana pode nos dar uma falsa impressão disto, mas não é provável que essa impressão falsa encubra as tremendas diferenças entre uns e outros.

    É nesse passo que o avanço do interesse econômico mantém sua, até hoje imbatível, capacidade de gerar desigualdade, enquanto gera riqueza. Os reveses às grandes concentrações de riqueza do século XX arrefeceram, e a expansão daqueles voltou à carga e vai indo muito bem (alguém disse “obrigado”?).

    Quiçá, é disto que fala a Diretora Petra. É bom alvitre ouvi-la. Não vai mudar a sina do interesse econômico, mas vai ensejar que se perceba o caminho que as pessoas comuns terão pela frente.

    Bom lembrar que a repugnante escravidão de africanos ao Ocidente surgiu enquanto caminhavam o Iluminismo, o Renascimento, o Liberalismo, as noções de Direitos Humanos (!).

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2020-02-28 18:27:50