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Entrevistas
16-10-2019, 22h13

Crise resulta de inabilidade política de Bolsonaro, diz Bebianno

Ele se "preocupa" com chance de presidente não concluir mandato
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

O ex-ministro Gustavo Bebianno diz que a crise de governabilidade e a briga com o PSL são “resultado da inabilidade política do próprio presidente da República”. Ele afirma que se “preocupa” com a possibilidade de Jair Bolsonaro não terminar o mandato por criar “tantas idiossincrasias, tantos conflitos, tantos atritos”.

Bebianno foi um dos principais generais da eleição de Bolsonaro. Presidiu o PSL durante a campanha de 2018 e chefiou por menos de dois meses a Secretaria Geral da Presidência _foi demitido em fevereiro com o início das suspeitas de candidaturas laranjas no PSL.

Em entrevista ao “Jornal da CBN – 2ª Edição”, ele diz que não houve esquema “em nível nacional”, mas admite que pode ter havido casos “pontuais” e “locais” de candidaturas laranjas. Afirma que PT e MDB receberam cerca de meio bilhão de reais em 2018. O PSL não teria “matéria-prima” para um esquema nacional por ter ficado com apenas R$ 9 milhões do fundo partidário, argumenta o ex-ministro.

Bebianno afirma que Bolsonaro mudou quando assumiu o poder. Na campanha, o atual presidente “se demonstrava uma pessoa humilde, muito cordata”. “Essa postura mais agressiva, mais radical, que é muito estimulada pelos filhos, foi uma coisa que passou à margem da campanha.”

Ele responsabiliza dois filhos do presidente, Carlos e Eduardo, por uma estratégia de governar gerando conflitos. Afirma que Flávio Bolsonaro seria “mais preparado”, mas, “infelizmente, ele está envolvido em toda essa questão [caso Queiroz], que merecia um esclarecimento maior”.

Bebianno considera “nociva” a influência que o escritor de extrema-direita Olavo de Carvalho tem sobre o presidente. Atribui isso a Carlos e a Eduardo Bolsonaro, que fariam a ponte entre Olavo de Carvalho e o pai.

Na sua opinião, Eduardo Bolsonaro “não tem condições de figurar como embaixador do Brasil, muito menos em Washington”.

Classifica Carlos Bolsonaro como “o maior isentão de todos”. Alfineta o segundo filho do presidente: “Ficar pela internet ofendendo os outros e conduzindo milícias virtuais é muito fácil”.

Indagado se sentia arrependimento por ter articulado o acordo entre Bolsonaro e o PSL em 2018, ele responde que não, se levar em conta que era preciso derrotar o PT. Mas ressalva: “Eu me arrependo na medida em que vejo que o presidente assumiu o seu papel e passou a ter uma conduta bastante diferente da que ele tinha anteriormente”.

Segundo Bebianno, o maior erro de Bolsonaro foi montar “um entorno” com pessoas sem preparo e extremistas de direita, além de ter se afastado do “núcleo militar”. “Ele escolheu mal aqueles que compõem o seu núcleo duro. O presidente é assessorado por pessoas inexperientes”, diz.

Ouça a entrevista concedida na noite desta quarta-feira:

Comentários
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  1. Georges disse:

    Concordo que o tal foi escolhido porque éra o que tinha para o momento e que esse Eduardo não tem o preparo necessário para representar o país, nem nos EUA e nem em qualquer lugar do mundo. Se nem com os “novatos” a coisa funciona o povo agora vai tentar um saído das telinhas, como se pudéssemos consertar esse país com 1 pessoa só. Ou seja….

  2. walter nobre disse:

    Kennedy o Bebianno deveria ser o último a falar, não foi leal ao presidente, foi pego perdeu a “boquinha”. A eleição do Jair foi um arrastão de última instância, permitindo com isso trazer muito lixo no meio dos bem intencionados, esta previsão já havia, por isso tantos ajustes, concordo que os filhos do presidente deveriam ser mais comedidos, não há razão em manter tantas linhas de comando no mesmo governo, não leva a risco de não concluir o mandato, por isto a postura rígida com o partido, não deve deixar pontas soltas a sua volta.O governo caminhará mais rápido, diante da aprovação da previdência, com isso o Paulo Guedes terá como colocar o bloco na Rua…

  3. […] De acordo com ex-ministro, na campanha Bolsonaro “se demonstrava uma pessoa humilde, muito cordata”. “Essa postura mais agressiva, mais radical, que é muito estimulada pelos filhos, foi uma coisa que passou à margem da campanha”, afirmou em entrevista ao Jornal da CBN. Seus relatos foram publicados no Blog do Kennedy Alencar. […]

  4. Wilson disse:

    Volta e meia, o Presidente diz que não entende nada de economia. Contraditoriamente, apesar de negar o entendimento dessa tal economia, fala e opina sobre economia (espero que pessoas que não são médicos não comecem a agir do mesmo modo…).
    Aguardemos como se pronunciará sobre entender de política, o Presidente, pois, até o momento, sabemos, pelas próprias palavras dele, que não é um sabedor das ciências econômicas.

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