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Kennedy Alencar

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Política
12-10-2015, 9h04

Cunha perdeu capital político para ação pró-impeachment

Aliança da oposição com peemedebista fortalecerá Dilma
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Diante do que foi revelado, com detalhes de movimentação financeira, são grandes a chance de avançar um processo de cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Por mais poderoso e disposto a lutar, Cunha deu, em nota oficial, uma resposta ruim a respeito das acusações de manter conta secretas na Suíça.

Não se defendeu, mas atacou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que tem feito um trabalho equilibrado. O argumento de acusação seletiva, de vítima de perseguição, não responde à descoberta de milhões de francos suíços em contas não declaradas à Receita Federal. Também não há resposta sobre a origem dos recursos.

Os principais partidos, como PT, PMDB, PSDB e DEM, não podem se omitir e fingir que não existe uma acusação que justificaria a tramitação de um processo de cassação do mandato. Petistas, peemedebistas e tucanos pegam leve com Cunha por puro interesse político.

O PT têm medo de que Cunha comande um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Peemedebistas que receberam ajuda financeira e política temem a revelação de fatos comprometedores que Cunha sabe a respeito deles. Tucanos e democratas fizeram jogo de cena, sugerindo uma licença do mandato que Cunha não pretende tirar. O PSDB e o DEM utilizam um discurso ético seletivo. Atacam a presidente Dilma Rousseff, contra quem não há prova de crime de responsabilidade, porque querem que Cunha os ajude a viabilizar um impeachment.

Acontece que os fatos em relação ao presidente da Câmara são gravíssimos. Um grupo de cerca de 30 deputados vai questionar Cunha amanhã se ele presidir uma sessão da Câmara. Ele será atacado todos os dias a partir de amanhã. Será difícil que PT, PMDB, PSDB e DEM finjam que o problema é menor do que parece.

Para tentar barrar o impeachment, o governo acelerou nomeações de cargos de segundo e terceiro terceiro escalão a fim de reunir votos na Câmara. Será uma batalha política para o governo, porque não existem fatos jurídicos a incriminar a presidente da República. Um impeachment neste momento se daria por razões políticas.

A crise de Eduardo Cunha ajuda o governo, porque uma manobra feita por ele tende a cair no descrédito. Até a semana passada, Cunha dizia que não aprovaria a abertura de um processo de impeachment porque soaria como retaliação. O roteiro previa a rejeição de um pedido de impeachment a fim de que um deputado da oposição apresentasse um recurso para levar o tema ao plenário da Câmara.

Cunha também dizia que as pedaladas fiscais do primeiro mandato não poderiam justificar um impeachment. Hoje, a “Folha de S.Paulo” traz uma informação de que um parecer do procurador do Ministério Público no TCU (Tribunal de Contas da União), Julio Marcelo de Oliveira, apontaria pedaladas fiscais em 2015 e poderia ser usado pelo peemedebista. Cunha, então, poderia tomar a decisão de acatar um pedido de abertura de processo de impeachment e tentar votá-lo.

Uma manobra desse tipo seria ainda mais frágil politicamente. O TCU, órgão auxiliar do Congresso, dá pareceres. Faz recomendações. Uma parecer que nem é do tribunal, mas de um procurador ligado ao órgão, soará como encomenda política. Para o impedimento de um presidente, é preciso mais do que isso.

Uma ação de Cunha a favor do impeachment depois do que foi revelado a respeito dele tende a ter zero de credibilidade. Há dois ou três meses, Cunha tinha capital político para um movimento desse tipo. Hoje, não tem mais.

Será um erro a oposição continuar aliada ao presidente da Câmara para tentar derrubar Dilma. A manutenção dessa aliança só exporá a hipocrisia política de uma pregação ética seletiva.

Nessa toada, a oposição fortalecerá a presidente Dilma. Cunha não tem mais condição política de presidir a Câmara e de capitanear a abertura de um processo de impeachment.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. um impeachment atreves de um corrupto é golpe!

  2. DIRETO AO ASSUNTO! disse:

    COMO CIDADÃO COMUM, ELEITOR E PAGADOR DE IMPOSTOS, PERGUNTO:
    O QUE TEM UMA COISA A VER COM A OUTRA COISA?
    SE CUNHA DEVE DEIXAR O CARGO, SE DEVE SER CASSADO ETC, NADA DEVERIA INFLUIR NA QUESTÃO DA PRESIDENTE SOFRER O IMPEACHMENT.
    O CUNHA PODE SER CASSADO, A DILMA PODE SOFRER O IMPEACHMENT, O RENAN PODE SER CASSADO O PT PODE IMPLODIR… SE ACONTECEREM, TODOS SABEMOS, SÃO COISAS QUE SÓ FARIAM BEM AO PAÍS, QUE AMADURECEU E QUE PROVAVELMENTE VAI ESCOLHER MELHOR NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES!
    O QUE É NECESSÁRIO É SE CRIAR LEIS QUE PUNAM COM 30 ANOS DE CADEIA, SEM DIREITO A BENEFÍCIO A TODO POLÍTICO, GOVERNANTE, FUNCIONÁRIO PÚBLICO QUE FOR CONDENADO PELA JUSTIÇA, POR ROUBAR COFRE PÚBLICO, INCLUINDO OS “CHEFÕES” QUE TÊM OBRIGAÇÃO DE SABER DE TUDO O QUE FAZEM SEUS SUBORDINADOS DIRETOS, E DEIXANDO DE SEREM ACEITAS DESCULPAS HIPÓCRITAS TIPO: “EU NÃO SABIA DE NADA”!

  3. Alberto disse:

    Cuidado com o andor que o santo é de barro.Cidadão Cunha não é um inimigo fácil de derrotar e se derrotado vai levar muitos consigo.Quem viver verá.

  4. César disse:

    Amanhã saberemos quem não tem mais capital político! Não tem nada neste mundo que consiga fortalecer a Presidente Dilma Rousseff. Que a Presidente da Republica, o Presidente da Câmara e o Presidente do Senado, se abracem e afoguem-se juntos. Que caiam todos!

  5. César disse:

    Depois que o processo de impeachment sair do “dentifrício”, não tem mais como voltar.

  6. J K disse:

    Fosse quem fosse o presidente da câmara, o processo seria o mesmo.
    Faz parte do plano, derrotar a PR e o VPR numa manobra apenas e , pela ordem, impedir também o próximo na cadeia sucessória. Depois, com a obrigatoriedade de convocar novas eleições, o candidato (já escolhido de hoje, mas na minha opinião, não eleito antecipadamente) eleito deverá atender aos “assessores” com cargos chave nos ministérios da Justiça, fazenda, planejamento e previdência, ocupando-os com seus nomeados.
    Torço pra que dê errado, mas acho que vou me decepcionar.
    O projeto foi bem construído e está sendo cumprido dentro do cronograma a despeito dos imprevistos, sempre voltando ao prazo relativo ação X momento.

  7. César disse:

    Não se preocupem petistas, o impeachment é só uma marolinha, é só uma transição, é só uma passagem. E já conseguimos ver a luz surgindo no fim do túnel.

  8. Elaine disse:

    Cadê os defensores da destituição da presidenta? Cadê os comentários. Fora Dilma, Fora PT.
    A realidade é o que está colocado aí, não é mesmo? defensores da corrupção.
    Perfeita análise Kennedy

  9. robyson andreotti disse:

    #FICA DILMA

  10. robyson andreotti disse:

    já tem vários deputados e senadores da oposição com a corda no pescoço, um dos últimos foi o Agripino Maia, do DEM, aliado do Aécio, e faltam ainda umas dezenas de nomes de deputados e senadores a serem mencionados pelo ministério público, nessa operação lava-jato, Dilma não pode sofrer impeachment de picaretas com anel de doutor, antes que eles saiam da câmara e do senado humilhados e banidos de seus respectivos cargos.

  11. SÓ O IMPEACHMENT PODE TRAZER A CONFIANÇA DE VOLTA, DOS INVESTIDORES E DO POVO! disse:

    SE O CUNHA TIVER CULPA, QUE PAGUE, APÓS TODOS OS TRÂMITES LEGAIS.
    MAS O QUE NÃO SE PODE É DESVIAR O FOCO DA QUESTÃO PRINCIPAL, QUE É O IMPEACHMENT DE QUEM ESTÁ AFUNDANDO O PAÍS CADA DIA MAIS!
    CADA DIA QUE SE PASSA COM ESSE GOVERNO, MAIS UM CENTÍMETRO DE AFUNDAMENTO NO MAR DE LAMA EM QUE O PAÍS ESTÁ ATOLADO!
    CUNHA NÃO AFUNDOU O PAÍS… ESSE GOVERNO CORRUPTO SIM!

  12. César disse:

    Este governo não precisa ser derrubado. Ele se autodestrói. Ela implodir-se á!

  13. John Mictorius Jr.: O POVO NÃO MERECE CONTINUAR COMENDO GATO POR LEBRE! disse:

    Eu faria uma pergunta, principalmente à mídia que é responsável em grande parte pelo esclarecimento dos menos esclarecidos quanto ao jogo sujo dessa política institucionalizada no país:
    1 – o que é mais importante para o país para que se volte a criar a confiança necessária para a saída do mar de lama em que atolaram o país – a situação do Cunha ou a situação da continuidade ou não desse desgoverno corrupto e completamente perdido, desorientado, sem planos e sem explicações para tanta roubalheira aos cofres públicos?
    É justo a mídia entrar no jogo do desgoverno acuado pelo mais do que necessário impeachment, deixando de protagonizar esse fato e colocando o problema do Cunha como prioritário?
    2 – A queda do Cunha, mas com a permanência desse desgoverno não seria contribuir para afundar mais ainda o país no mar de lama?
    Com certeza, se Cunha for culpado, deve cair, porém muito mais importante para o país, nesse momento, é mudar esse governo corrupto, vergonhoso, incompetente, sem rumo, mentiroso, composto de tudo de pior que compõe o quadro político do país!

  14. Marco Túlio Castro disse:

    Com Cunha ou sem Cunha a Dilma vai ter que arranjar outro tacho porque este já foi. É o maior erro dos petistas vincular o impeachment ao Cunha. Quando ele sair vão conseguir colocar um pau mandado lá ? Com a incompetencia generalizada do PT duvido muito. Mimosa já vai charfundar la lama. Dilma se tivesse um pingo de senso ético e moral já teria saido a muito tempo. Ela não fica por coragem, fica por falta de vergonha na cara.

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