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Política
07-08-2019, 9h36

Dallagnol perdeu condição de integrar Lava Jato e ser procurador da República

Agiu ilegalmente ao investigar ministro do Supremo
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Kennedy Alencar
São Paulo

Veio a público mais uma ilegalidade cometida por Deltan Dallagnol e outros procuradores da República da força-tarefa da Lava Jato. Reportagem da parceria entre o “El País” e o “The Intercept Brasil” mostra abuso de poder na tentativa de investigar o ministro do STF Gilmar Mendes _algo fora da competência jurisdicional de procuradores da República de primeira instância.

Já é grave que o desvio de foco de investigações tenha ocorrido em relação a um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), inclusive com planos de tentar obter prova na Suíça de duvidosa existência. Intenção era baseada apenas em supostos rumores.

Mas é mais grave o que esse capítulo da Vaza Jato sinaliza.

De novo, a força-tarefa da Lava Jato teve arroubo de estado paralelo, capaz de mudar rumos de investigações e avançar sobre atribuições que não possui para investigar qualquer cidadão. Isso é um risco para a sociedade como um todo.

Nas mensagens do Telegram que compõem o arquivo do “Intercept Brasil”, procuradores chegaram a dizer que sabiam que estavam agindo ilegalmente. Fizeram até troça de sua pretendida ação ilegal.

Se agentes do Estado começam a agir politicamente e direcionar investigações, fora de suas alçadas legais e das regras do direito, todos os cidadãos estão ameaçados.

Esse é mais um episódio da Vaza Jato que mostra que Deltan Dallagnol perdeu a condição de continuar no comando da força-tarefa, de permanecer na Lava Jato e de seguir profissionalmente como procurador da República. Ele agiu ilegalmente.

Dá para defender a Lava Jato e a descoberta do cartel na Petrobras que resultaram em condenações e, ao mesmo tempo, cobrar apuração e punição abusos cometidos por integrantes da força-tarefa.

O conteúdo das mensagens reveladas a partir do arquivo do jornalista Glenn Greenwald e sua equipe tem interesse público, pois mostra um modus operandi de agentes do direito que aplicaram a lei como se fossem justiceiros. Assim, esses agentes entraram no ramo dos milicianos. Uma democracia plena não pode tolerar a corrupção do seu sistema judiciário.

*
Mentira presidencial

Reportagem da “Folha de S.Paulo” mostrou que o desmatamento aumentou 278% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado. São dados do Deter, sistema de alertas do Inpe (Institucional Nacional de Pesquisas Espaciais”.

A revelação deixa mal o presidente da República, que voltou ontem a dar uma série de declarações absurdas, reiterando mentiras sobre dados de desmatamento e comparando-se ao personagem de desenho animado Johnny Bravo, um idiota exemplar da masculinidade tóxica.

Repetindo: ações e declarações do presidente da República e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, estimulam o desmatamento. São um tiro no pé do Brasil.

O ataque à Amazônia não deve ser uma preocupação de países estrangeiros, mas dos próprios brasileiros. Trata-se do país que a nossa geração quer deixar para filhos e netos.

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Crime de responsabilidade

Ao sugerir que editou a medida provisória 892 para retaliar veículos da mídia impressa, o presidente Jair Bolsonaro adentra um vale sombrio. Esse atitude pode configurar cometimento de crime de responsabilidade por abuso de poder.

A MP desobriga empresas de capital aberto a publicar balanços em jornais impressos. Essa obrigação estava prevista para acabar em 2022. Pode até haver discussão sobre o mérito da MP nos tempos de internet, usando o argumento de desburocratizar procedimentos no mundo dos negócios, mas sugerir retaliação ao trabalho da imprensa deixa evidente, mais uma vez, o comportamento autoritário do atual presidente.

*

Deram a real

Os presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente os democratas Rodrigo Maia (RJ) e Davi Alcolumbre (AP), deram a real a Paulo Guedes. Vai passar no Congresso apenas a proposta de reforma tributária que for encaminhada em sintonia com as ideias já amadurecidas no Legislativo.

Do contrário, ocorrerá o que aconteceu na reforma da Previdência. A proposta de Paulo Guedes foi desidratada. O ministro da Economia entendeu o recado.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy esta espionagem já esta requentada, não há base e nem fundamento nestas acusações; pegaram dois integrantes da Lava jato, que tem ficha mais limpa, que qualquer dos membros do Judiciário, não tem nem Multa de trânsito, por favor…Admiro sua pegada pela verdade, acredito em sua lisura enquanto profissional, entendo que toda este processo criou expectativas, nada foi apurado, vamos seguir em frente; estes especuladores tentaram ganhar espaço com Mentiras, que ninguém acredita mais…tentaram atirar em pessoas suspeitas, do judiciário, para leva los a cometer erros graves, mas tudo tem limite, nem mesmo o gilma pode contrariar o sistema…com relação a Imprensa de forma geral, principalmente a televisiva, estão todos endividados, tentando cavar condições diante do planalto, de forma heterodoxa; não podem ter concessão, devendo os tubos, como é o caso da platinada; não vão lograr êxito, enxovalhando o governo…quanto ao desmatamento, aguardar novos aferimentos, depois discuti se

  2. Igor Matias disse:

    Absurdo é um ministro do STF envergonhar toda uma nação com suas decisões e se beneficiar financeiramente de tudo.

  3. Georges disse:

    Precisamos resolver se queremos combater a corrupção, de fato, ou continuar a fazer de conta. Me mostrem uma maneira de poder investigar a turminha impoluta da casa da lagosta e afins. A tal Lava Togas o digníssimo alcolumbre enfiou onde? As informações da Crusoé e Antagonista os comedores de lagostas censuram pois referem-se aos santos do STF mas um pasquim de um produtor de filmes de pornografia ilegal aí eles levam em consideração pois trata-se da turma da Lava Jato. Onde está a legalidade , o moral e a imparcialidade nisso? É assim, repito, que vamos combater a corrupção entranhada em todas as esferas do governo?

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2019-08-20 08:39:14