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11-10-2014, 8h23

Datação de pinturas rupestres pode mudar teorias arqueológicas tradicionais

Descoberta na Indonésia gera debate. No Brasil, pesquisadores lutam para preservar patrimônio similar desconhecido pela população
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Daniela Martins
BRASÍLIA

Um estudo científico publicado na revista “Nature” joga nova luz sobre o que sabemos a respeito das pinturas rupestres. De acordo com a pesquisa, desenhos encontrados nas paredes de uma caverna na Indonésia teriam cerca de 40 mil anos. São 10 mil anos a mais do que os desenhos da gruta de Chauvet, na França, considerados os mais antigos do mundo até agora.

As pinturas indonésias são representações de mãos em negativo e de uma espécie de porco selvagem. A datação sugere que a arte figurativa pode ter começado bem antes do que se supunha. É possível que tenha surgido ainda na África e se espalhado com as migrações humanas para fora do continente. Leia mais sobre a descoberta na matéria do jornal “O Globo”.

Aqui no Brasil existe um sítio arqueológico que guarda pinturas rupestres de grande valor. Fica na Serra da Capivara, no interior do Piauí. As pesquisas sobre o local são lideradas pela arqueóloga Niéde Guidon e pela equipe da Fundação Museu do Homem Americano.

As datações da Serra da Capivara são, de acordo com os pesquisadores, muito mais antigas do que as teorias tradicionais sobre o povoamento das Américas sugerem. No Piauí são encontradas pinturas com 29 mil anos e vestígios de habitação humana, como fogueiras, que podem ter mais de 40 mil anos.

Niéde tem sido incansável na busca por recursos para manter o local e para estudar sua história. É um trabalho de imensa importância e uma luta que já dura 40 anos. O parque é de difícil acesso e conta com poucos recursos financeiros e funcionários para garantir a preservação de seu patrimônio. A situação precária do sítio arqueológico foi bem descrita em uma matéria do site “G1”. Leia aqui.

Declarado Patrimônio Cultural da Humanidade em 1991 e ainda pouco conhecido pela maioria dos brasileiros, o Parque Nacional da Serra da Capivara guarda um retrato raro do passado. Merece mais atenção e cuidado.

O documentário “Serra da Capivara”, disponibilizado pelo canal da UNESCO no YouTube, revela um pouco desse lugar incrível:

Comentários
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  1. willians disse:

    Dois aspectos a se comentar: o eurocentrismo europeu (é só ver os mapas-mundi), que sobrevalorizam o que é deles e costuma diminuir o que não é…Mas, a favor deles e contra Indonésia e Brasil, é que lá a preocupação com a conservação e valorização desses lugares é bem maior que aqui…Tomara que pesquisadores do Brasil consigam incutir a necessidade de preservação, antes que se acabem com tudo por aqui…Perderia o país, perderia ainda mais a humanidade…

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