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Política
26-03-2018, 8h14

Datafolha aponta evidência de ameaça eleitoral por fake news

Pesquisa revela impacto de mentiras sobre Marielle
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KENNEDY ALENCAR
LONDRES

Em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana mostrou que 60% dos moradores da cidade do Rio de Janeiro receberam notícias falsas a respeito da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada no dia 14 de março.

A pesquisa traz alertas importantes sobre a facilidade para difamar uma pessoa e o risco de distorções que fake news podem causar nas eleições deste ano.

Em primeiro lugar, o alcance das mentiras sobre Marielle Franco foi enorme, porque 60% dos moradores do Rio de Janeiro tomaram conhecimento de notícias falsas que tiveram origem nas redes sociais. Isso é assustador. Confirma o que estamos vendo: como é fácil difundir mentiras.

Do universo de todos os que tomaram conhecimento dessas mentiras, a grande maioria soube identificar que eram falsas, de modo geral. Numa mentira específica, 75% souberam ver a falsidade. Esses 75% equivalem a 45% dos moradores da cidade.

Há essa diferença porque os 75% que identificaram a mentira se referem ao conjunto dos que tomaram conhecimento. Os 45% se referem ao conjunto de todos os entrevistados, o que inclui os 60% que tomaram conhecimento e os 40% que não receberam as mentiras.

Sem dúvida, é um dado positivo que 75% dos que receberam a notícia tenham identificado a falsidade. Mas não é desprezível o impacto dos que acreditaram que as mentiras eram verdadeiras.

Entre aqueles que receberam as notícias falsas, 10% acreditaram que eram verdadeiras. Isso equivale a 6% do total de moradores do Rio. Uma fatia de 15% dos que receberam a notícia não soube dizer se ela era falsa ou verdadeira. Esses 15% equivalem a 9% do total de moradores do Rio. Quem não sabe identificar fica numa zona cinzenta, que é propícia à dúvida, ao erro.

Os dados mostram que uma parcela caiu na mentira e outra não identificou a falsidade. Numa eleição disputada, um resultado por margem estreita poderia, em tese, ser influenciado por uma maré de fake news. A pesquisa aponta essa evidência.

Uma notícia falsa ou não identificada como mentirosa tem potencial, sim, para determinar o resultado numa eleição disputada.

No segundo turno da eleição presidencial de 2014, Dilma Roussef (PT) venceu Aécio Neves (PSDB) por uma margem de apenas 3,28 pontos percentuais. O resultado eleitoral que deu a vitória a Donald Trump na eleição americana em 2016 ocorreu por margem apertada _numa enorme atmosfera de fake news. O Brexit, que foi a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, também aconteceu por margem estreita em 2016.

No Reino Unido, eclodiu há pouco tempo o caso da Cambridge Analytica, empresa que usou dados de usuários do Facebook, obtidos de modo fraudulento. A Cambridge Analytica sofre acusações de ter criado fake news sob medida para alguns usuários. Com isso, teria distorcido os resultados na eleição americana e no plebiscito sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.

Voltando ao caso de Marielle Franco, uma série de reportagens do jornal “O Globo” identificou o site Ceticismo Político como propagador inicial da mentira sobre Marielle e a página do MBL (Movimento Brasil Livre) no Facebook como vital para amplificar as notícias falsas sobre a vereadora do PSOL.

Nos Estados Unidos, ganhou força a discussão sobre a necessidade de uma regulação mais forte para empresas como o Facebook. Elas se dizem empresas de tecnologia, mas são empresas de mídia e assim devem ser tratadas pela lei. Não bastam anúncios de página inteira nos jornais americanos e britânicos para limpar a barra do Facebook.

No Brasil, o MBL tem agido como propagador de fake news impunemente há anos, espalhando ódio e intolerância no debate público, como mostra o noticiário. A atitude de mentir e distorcer a realidade ajudou a criar esse clima de esculacho em aeroporto, de ovadas e pedradas no lugar de argumentos e respeito por quem pensa diferente da gente.

Ter posição política de direita, de centro ou de esquerda é um direito de qualquer cidadão. Mas difamar é crime pela lei brasileira. Fazer isso no debate público é mais grave e precisa ser punido.

*

Ela fará falta

Ana Fonseca morreu ontem em Brasília. Ela foi uma historiadora que se transformou numa das maiores especialistas em políticas sociais do Brasil.

Além de ter sido uma das criadoras do Bolsa Família no governo Lula, ela ajudou a desenhar esse modelo que massificou as políticas sociais de proteção aos mais pobres e de combate à miséria. Participou da construção desse colchão social que ameniza efeitos da crise econômica.

Ana Fonseca tinha preocupação em vincular essas políticas às cadeias produtivas, pensando numa integração econômica verdadeira. Ela ajudou pobres a se libertar da escravidão da miséria. Ajudou a melhorar o Brasil. Fará falta.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. rafael disse:

    Bom… uma lei punindo financeiramente produtores e divulgadores de conteúdo claramente fake poderia ser feita, porem 2 alertas: 1)tal lei deveria dar uma definição CLARAde interpretação ao q eh “fake news”, pois uma lei generica daria espaço para censura da imprensa , cuidado, tem mta gente de olho em regualação de midia e 2) esta lei não sera feita pois desde sempre o congresso eh conservador (lula e equipe tinham de desviar para compra-los) e as divulgaçoes de fake em sua esmagadora maioria vem no intuito de ajuda-los. Esse MBL naõ representa nada de novo, sao fantoches dos partidos de sempre.

  2. FABIO TRINDADE GUERREIRO disse:

    Tínhamos receio que a mídia tradicional manipulasse a população, mas o “BIG DATA” é tão ou mais nocivo, daí a importância de uma regulação séria em ambos os setores da comunição de massa: o velho com seus vícios conhecidos, e o novo com suas “novidades tecnológicas”, mas os dois com o poder econômico na direção!

  3. André Martins disse:

    Uma questão não avaliada é o efeito de longo prazo. Daqui a algum tempo (um ano, ou mais) quantas pessoas vão se lembrar dela, como será essa lembrança e como essa lembrança estará relacionada com outros pensamentos dessa pessoa (posicionamento diante de questões onde há disputa entre esquerda e direita)?

  4. ANderson disse:

    O MBL? Sério??? Nem desconfiava. Tão bonzinhos, lutadores ativos contra a corrupção. Que decepção!!!

  5. walter disse:

    Prefiro acredita caro Kennedy, que todos os partidos, são culpados, por esta ameaça; não há santo neste jogo, em nenhum lugar do mundo, não estão livres do Fake news; considerando nossas tendencias, em piorar o Ruim, pode ter certeza, já estamos a muito praticando, nunca como Trump…esta capacidade, dos russos, e quem sabe dos orientais, de forma geral, vai complicar demais qualquer eleição no mundo…temos que admitir, o Fake news, é como drogas, diariamente tem novidades, novos mecanismos, mais sofisticados…ainda bem, algum monitoramento teremos, para o bem do todo…precisamos de uma legislação dura, para os candidatos que tentarem burlar o sistema; com medidas automáticas, na cassação de mandato, e direitos suspensos por oito anos pelo menos…

  6. ANDRE disse:

    O MBL é um destes grupos que se escondem atrás de uma falsa bandeira de combate a corrupção, mas que tem como principal objetivo atacar a democracia e a liberdade de pensamento. Não são democratas e tem braços políticos na extrema direita. Realmente tem que separar o que é opinião do que é mentira difamatória, está deve ser criminalizada.

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