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Política
26-06-2017, 8h29

Datafolha reforça possibilidade de candidatura de Joaquim Barbosa

Pesquisa é boa para Lula e Bolsonaro e ruim para Marina e tucanos
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A nova rodada do Datafolha sobre a sucessão presidencial traz boas notícias para Lula, Jair Bolsonaro e Joaquim Barbosa. Reserva ainda más notícias para Marina Silva e tucanos.

Lula e Bolsonaro continuaram a ganhar cacife. O petista é o único político atingido pela Lava Jato que conseguiu manter boa parte da força eleitoral. Hoje, a rejeição dele é alta. Seria um problema para o segundo turno. Mas, se vencer obstáculos jurídicos e conseguir ser candidato, poderia reduzir a rejeição. Seria forte candidato. Aliás, no mais recente Datafolha, Lula se mostrou competitivo também nos cenários de segundo turno.

Bolsonaro (PSC) prossegue tomando votos dos tucanos ou, pelo menos, mantendo com ele parte do eleitorado que já votou no PSDB. Bolsonaro bloqueia os presidenciáveis do PSDB. A radicalização política tucana à direita encontrou melhor representante, digamos assim.

Essa pesquisa deve reforçar a possibilidade de o ex-ministro Joaquim Barbosa ser candidato a presidente. É um percentual muito alto o que ele tem para quem está sem filiação partidária e discretamente afastado da política. O ex-presidente do STF atinge até 13%, a depender do cenário.

Joaquim Barbosa poderia ser uma novidade na cédula eleitoral. Teria o discurso do combate à corrupção naturalmente como bandeira, pelo papel no julgamento do mensalão. É preciso ver qual seria o seu projeto de país. Que planos de governo teria na educação, saúde, economia?

Mas, sem dúvida, é um nome com forte potencial. Exatamente por isso, atrapalharia uma eventual candidatura de Marina Silva (Rede). Seria mais competitivo do que ela, se optasse por se filiar à Rede ou ao PSB. Marina daria uma excelente vice para o ex-ministro, seja numa chapa com os dois na Rede, seja numa aliança com Barbosa no PSB, que teria mais recursos e tempos de TV e rádio.

Os tucanos continuam com baixo desempenho no Datafolha. O prefeito de São Paulo, João Doria Jr., começa a ser confrontado com a dureza de administrar a maior cidade do país. Entrou numa espécie de Vietnã político na questão da cracolândia, com uma ação que contraria a maioria dos especialistas. Doria começa a ser questionado como gestor até por FHC. O ex-presidente disse que o prefeito maneja bem o celular, numa alusão ao excesso de marqueting, mas não viu mudança em São Paulo.

Por último, o PSDB tem Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, que seria o nome mais forte hoje na máquina partidária. Alckmin mantém a esperança de ser o candidato do PSDB, mas teria dificuldade para nacionalizar o nome. E ainda haverá o obstáculo da Lava Jato, porque o governador paulista deverá ser investigado no âmbito do STJ, o Superior Tribunal de Justiça.

*

Fere, mas não mata

A baixa popularidade do presidente Michel Temer cria um complicador e desgasta politicamente ainda mais o governo, mas não inviabiliza a estratégia de defesa contra a iminente denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá apresentar até amanhã. Segundo o Datafolha, Temer tem apenas 7% de índice ótimo/bom, o pior resultado em 28 anos.

Por ora, Temer sustenta boa parte de apoio no Congresso e no empresariado. O governo prevê que teria hoje, pelo menos, 220 deputados que poderiam ficar ao lado de Temer e ir ao microfone dizer não à denúncia de Janot. Entre os aliados, há quem ache que Temer possa obter 250 deputados. E ainda haveria a possibilidade de tentar esvaziar a votação, porque são necessários 342 deputados para autorizar o STF (Supremo Tribunal Federal) a examinar a denúncia.

Temer está em situação diferente daquela enfrentada no ano passado pela então presidente Dilma Roussef. Quando Dilma chegou ao fundo do poço na pesquisa Datafolha, havia combinação de acusações de corrupção contra o PT e o governo, economia piorando, base parlamentar encolhendo e empresariado mudando de lado.

O atual presidente sofre acusações de corrupção. A economia não vai bem, mas parou de piorar e a inflação caiu. Temer ainda tem cartas para jogar no Congresso e no meio empresarial.

A consistência da denúncia de Janot será fundamental para medir o impacto na opinião pública e no Congresso. Se apresentar evidências e indícios, aumentará a chance de resistência de Temer. Se houver novidade, como trechos antes inaudíveis da gravação de Joesley e Temer que sejam duros em relação ao presidente, diminuirá a possibilidade de barrar a denúncia na Câmara.

*

 Agora não dá

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a sugerir a possibilidade de Temer propor antecipação de eleições gerais e abrir mão de um ano de poder.

Nos bastidores, Temer avalia que aceitar essa ideia agora poderia atrapalhar os planos para barrar a denúncia de Janot, porque desagradaria deputados e senadores. Por isso, o presidente pretende enfrentar antes a batalha na Câmara contra a denúncia.

No entanto, num cenário de desastre, que implicaria na aceitação da denúncia ou no agravamento ainda maior das condições de governabilidade após uma eventual vitória contra Janot, Temer poderia avaliar a possibilidade de propor a redução do próprio mandato.

Ele acha que seria mais factível propor apenas a antecipação da eleição presidencial, recriando o mandato de 5 anos sem reeleição no âmbito de uma reforma política em discussão na Câmara.

O presidente considera difícil que o conjunto de governadores e de congressistas aceite abrir mão de um ano de poder. Tampouco seria um debate fácil mudar a Constituição para antecipar o calendário eleitoral de 2018.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
9
  1. sandro mendes disse:

    Esta muito claro que com Lula na disputa nao ha adversarios pra ele, entao prevejo que ele seja imepdido, embolando totalmente a corrida presidencial.

    • walter disse:

      Caro Sandro, nãos e preocupe com esta falsa ascensão do lula, a poder de muito dinheiro e publicidade, estes efeitos parecem ser maiores que o são…o lula hj em dia é uma farsa; certamente a polemica gera especulações, e te muitos que votam, como se fosse uma partida de futebol…infelizmente a ignorância e falta de conhecimentos, promovidas pela qualidade de vida nos últimos anos, geraram mais dependentes do estado, com as falsas promessas, que não saíram do papel…mas o lula, e todos os pré candidatos, terão grandes surpresas; vão dar ibope, aqueles nomes novos sem “fichas sujas”; não há duvidas, que haverá segundo turno, mas o lula, se conseguir passar e se não for impedido, morrerá na praia, devido a sua grande rejeição que atinge 60% pelo menos;nos não merecemos isso mais.

      • sergio mendes coelho disse:

        o Problema é com quem seria esse segundo turno.

        Bolsonaro tb tem muita rejeição, e nos debates fala muita coisa que a sociedade nao concorda como a Tortura por exemplo.

        Mas vamos ver por onde o rio vai, acho que o nome da esquerda sera Ciro Gomes que hoje esta a margem dessa sujeira, provavelmente se preparando para entrar no jogo na hora certa

    • p/Sandro Mendes - VIVA A LAVA JATO: A ÚNICA ARMA ATUAL DO POVO, DOA A QUEM DOER - EM 2018 TEREMOS OUTRA ARMA : O VOTO! disse:

      Você está chamando a maioria dos eleitores brasileiros de “imbecis, tolos, idiotas”, afirmando que Lula venceria a eleição presidencial? Ou chamando os eleitores de “corruptos”? Ou de masoquistas? Ou de filhos …?! Sei não, mas será que tudo o que está acontecendo não está abrindo os olhos da grande maioria dos eleitores? Espero que você esteja errado! Viva a Lava Jato, doa a quem doer!

  2. Wellington Alves disse:

    “Temer sustenta boa parte de apoio no Congresso e no empresariado. ” Isso q sustenta poder nesse país e não manifestações. Dilma caiu pois não manteve esses campos. Golpe.

  3. AXLEN CHAVES disse:

    Olá, Muitos que hoje comentam esta possível candidatura, ridicularizavam tal possibilidade. Hoje podemos observar que estes mesmos que faziam chacota, comentam o fato como se tudo fosse tão legítimo (estratégia).
    Sabe qual é a real desse pessoal? Desfragmentar o eleitorado que se simpatiza por Joaquim Barbosa (13% de intenções de voto) e Jair Bolsonaro (16% de intenções de voto), diluindo entre os eleitores um voto que poderia ser concentrado em um dos dois destes candidatos que apresentam posicionamento que dá a entender real mudança para o país e fazer com que os 30% de intenções de voto dados ao Lula sejam suficientes para que o mesmo venha a vencer as próximas eleições.
    Pessoas que não votam em Lula, podem tranquilamente votar em Bolsonaro e Joaquim Barbosa, todavia Marina (15% das intenções dos desiludidos de esquerda) aparece como batedora para escoltar o sem dedo e garantir ao mesmo a vitória nas próximas eleições.

  4. Roberval disse:

    Não entendi essa colocação de Kennedy sobre a Marina, único nome que vence Lula no segundo turno!

  5. NOVO PRESIDENTE DA REPÚBLICA SEM "LIMPEZA TOTAL" NO SENADO E CÂMARA FEDERAL (PELAS URNAS EM 2018), É "CHOVER NO MOLHADO"! disse:

    O presidente da república ideal em 2018 seria alguém descomprometido com os corruptos do meio político atual. Junto a isso o eleitorado deveria entender a necessidade de uma “limpeza geral” nos quadros do Senado e Câmara Federal – eliminar todos os investigados por corrupção, mesmo os absolvidos, porque as figuras exponenciais dos corruptos têm muita força, principalmente dentro do judiciário, já infestado pelos “Disenterias Verbais e Decrepitudes Morais” que os protegem! Muitos serão absolvidos não por não serem ladrões de cofres públicos, mas por serem muito espertos para serem pegos! Estamos numa guerra em que num dos lados estão os maiores bandidos do mundo, os mais perigosos, os mais cruéis e espertos: OS LADRÕES DE COFRES PÚBLICOS TRAVESTIDOS DE REPRESENTANTES DO POVO! UM NOVO PRESIDENTE SEM RENOVAÇÃO TOTAL DO CONGRESSO NACIONAL É CHOVER NO MOLHADO!

  6. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Datafolha falou ? … Esquece, não vai acontecer !

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