aki

cadastre-se aqui
aki
Política
26-09-2017, 8h17

Debate sobre fatiar denúncia serve ao fisiologismo

Governo tem menos margem de manobra para negociar
4

KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

O debate sobre eventual fatiamento da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer une partidos da oposição e do centrão, favoráveis ao desmembramento. Motivo: prolongar ao máximo a análise da denúncia. Isso aconteceria com o fatiamento.

Mas a concordância acaba nesse ponto. O interesse de partidos do centrão é pressionar o Palácio do Planalto para obter mais benesses, cobrando novamente uma conta alta para avaliar preliminarmente as acusações contra Temer e os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria Geral.

Para a oposição, uma análise prolongada serve de palco para desgastar mais o governo. Permite centrar fogo em Temer e nos ministros em processos separados.

No entanto, dificilmente prevalecerá a tese do fatiamento. A assessoria jurídica da Câmara já se manifestou contra. Mas a simples discussão dessa possibilidade mostra a que ponto chegou o debate político no país, no qual são criados falsos problemas que demandam gasto de energia e abrem o balcão de negócios entre Executivo e Legislativo.

Depois, os políticos se queixam da baixa popularidade deles. Mas cavaram o abismo no qual se jogaram e levaram junto o Brasil.

A segunda denúncia contra Temer chegou à Câmara na quinta-feira passada. Na sexta e ontem, não houve o quórum mínimo de 51 deputados para a abertura de sessão e leitura da denúncia.

Temer não perdeu a pressa. Ainda quer analisar logo a denúncia, mas a avidez de setores da base do governo por mais cargos e verbas cresceu novamente numa hora em que o Palácio do Planalto tem menos o que oferecer.

Já houve insatisfações na votação da primeira denúncia em relação a acordos para barrá-la. O governo avalia que a pressa ajuda a reabrir fortemente o balcão de negócios justamente quando lhe falta munição. A eventual delação do ex-ministro Geddel Vieira Lima, se acontecer, tende a demorar alguns meses.

Temer possui menos margem de manobra para realizar o tradicional varejo de cargos e verbas. No atacado, o governo reabriu a negociação em torno de um novo Refis, um programa de refinanciamento e perdão de dívidas com a Receita Federal. Em resumo, o governo ainda prefere fazer uma análise rápida, mas está com menos poder de fogo para negociar com deputados fisiológicos.

*

Sem cacife para bancar

O desgaste internacional foi o fator que mais pesou na decisão do presidente Michel Temer de desistir do decreto de extinção da Renca (Reserva Nacional do Cobre e Associados). Durante a viagem aos Estados Unidos, o presidente Michel Temer sentiu o dano político ao seu governo.

O fator doméstico também influenciou Temer, porque a opinião pública do país majoritariamente se posicionou contra a extinção. A decisão de Temer também ajuda o governo a priorizar a batalha contra a denúncia na Câmara, tirando da mesa presidencial um tema incômodo.

Desde a decisão de adiamento da extinção, estava claro que a atual administração não teria cacife para bancar o fim da Renca. Mas a repercussão internacional foi decisiva para o recuo presidencial.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
4
  1. ANDRE disse:

    Como voltou atrás na extinção do RENCA e no momento em que a câmara vota a segunda denuncia, uma parte do centrão desgostosa com isto vai pedir compensações. O fisiologismo da câmara em alta, diante de um presidente envolto em denuncias de corrupção.

    • walter disse:

      A extinção do Renca caro Andre, estava escrito nas estrelas; governo ilegitimo, não da voos de falcão; esta mancomunado com políticos mal intencionados, como Romero Jucá, que tem terras na área e quer devastar mais rápido a floresta; o temer é mais do mesmo, sabemos todos; não consigo entender a falta de celeridade do processo; fatiar não ajuda, e só vai demorar mais…se brincar, não terá tempo nem de cogitar a reforma da previdência…quanto a oposição, que é uma vergonha, com meia dúzia de gatos pingados; pra quem saiu recente do comando, são uma negação…poderiam fazer quórum, e aceitar logo a denúncia, no entanto, favorecem a lentidão do processo, a favor dos réus, com intenções macabras certamente; jamais a favor do Brasil…

  2. EM 2018 O POVO DARÁ A CADA DEPUTADO O QUE ELE MERECE! disse:

    Os deputados federais que vão votar contra a autorização para que o STF investigue a denúncia da “PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA”, estão cegos! Primeiro não enxergam que são “REPRESENTANTES DO POVO” – e que o povo quer essa investigação. Segundo, que o povo não está mais nas ruas, mas que está “INDIGNADO” com o que Executivo e Legislativo têm feito – os índices de avaliações mostram isso. Não enxergam que estão indo contra a Constituição que diz que “todos são iguais perante a lei” e que há indícios concretos contra o presidente que precisam ser investigados. Não autorizando tal investigação estão agindo contra a Constituição, contra o desejo do povo, contra todos os princípios de moralidade. Estão se vendendo por benesses passageiras. Essas benesses durarão 1 ano – exatamente o tempo em que haverá eleições – exatamente quando o povo, com certeza, julgará a cada um dos deputados que estão votando agora – o voto que poderá ser de aprovação ou indignação!

  3. Luis Henrique Freitas Diniz disse:

    Mas uma pergunta, se a câmara rejeitar o processo, os ministros do Temer também se livram? E seria assim se o projeto fosse fatiado? Vamos dizer, não faria sentido fatiar o processo quanto aos ministros e essa parte não ter que passar pela câmara?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

2020-07-15 20:44:17