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Geral
15-06-2020, 13h59

Decisão da Suprema Corte dos EUA sobre LGBTQs está em sintonia com o tempo

Corte proíbe demissão por orientação sexual ou identidade de gênero
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Kennedy Alencar
WASHINGTON

É histórica a decisão da Suprema Corte dos EUA para tornar federal a proteção a trabalhadores LGBTQs. Eles não poderão ser demitidos em função de sua orientação sexual ou identidade de gênero. A decisão está em sintonia com o espírito do tempo, que é de manifestações nos EUA contra o racismo estrutural e centenário.

Em muitos Estados, há leis que protegem esses trabalhadores, mas existem outros nos quais é permitida legalmente uma demissão por discriminação devido à orientação sexual ou identidade de gênero. O impacto da Suprema Corte é enorme na vida real das pessoas.

Os EUA são um país com uma legislação trabalhista fraca. Esse tipo de proteção é fundamental para dar segurança aos trabalhadores LGBTQs.

As chamadas causas identitárias são muitas vezes criticadas como causas de gueto, causas de minorias que não teriam significado para outros segmentos da sociedade. Seriam causas que assustariam setores moderados e que acabariam estimulando o apoio a políticos conservadores, como Trump.

Isso é um erro de avaliação. Essas causas identitárias são causas de respeito aos direitos humanos, e isso é universal e tem repercussão na vida de todos numa sociedade. São causas que pedem o mesmo reconhecimento civil que todos os cidadãos devem ter numa sociedade democrática.

O movimento negro Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) tem uma causa que é universal, sim. É claro que todas as vidas importam, mas é preciso falar que a vida negra importa porque ela é ameaçada de uma forma que a vida branca não é ameaçada.

A mesma coisa vale para a orientação sexual ou a identidade de gênero. As pessoas podem ter o direito à orientação sexual e identidade de gênero que quiserem sem sofrer retaliação pelo que são.

A Suprema Corte acertou. Agiu em sintonia com uma sociedade que está nas ruas pedindo mudanças reais e que parece cansada de políticos racistas e misóginos como o presidente Donald Trump.

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Fase ruim

A atmosfera política nos EUA é desfavorável ao Trump e às ideias que ele representa. O site 538 publicou artigo que mostra que a taxa de desaprovação do presidente atingiu 54,9%. A taxa de aprovação está em 40,8%. Esses números indicam dificuldade para a reeleição de Trump.

Há um cansaço com essa experiência de governar estimulando o divisionismo, recorrendo a fake news e agindo agressivamente em relação aos adversários.

Ontem, Trump tuitou que “a maioria silenciosa está mais forte do que nunca”. Hoje, ele já postou “lei e ordem”, na sua tentativa de se vender como líder forte.

O presidente dos EUA acredita que a estratégia que deu certo em 2016 funcionará em 2020. Mas, neste momento, há uma mobilização da maioria do eleitorado negro e eleitorado jovem que é ruim para ele eleitoralmente.

Se negros e jovens comparecerem em peso nas urnas, num país em que o voto não é obrigatório, a chance de derrota de Trump aumentará. E, como há um Colégio Eleitoral nos EUA, é preciso que ele seja derrotado em Estados fundamentais para que o eleito obtenha no mínimo 270 dos 538 votos.

Hoje, a análise das pesquisas nesses Estados decisivos para vencer no Colégio Eleitoral mostra maior chance para o democrata Joe Biden do que para o republicano Donald Trump.

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Matar com facilidade

Na sexta-feira, em Atlanta, no Estado da Georgia, Rayshard Brooks foi morto por um policial com dois tiros nas costas quando ele tentava fugir da polícia.

O episódio tem semelhanças e diferenças com a morte de George Floyd em Minneapolis, no Estado de Minnesota. A abordagem policial no início foi correta. Rayshard Brooks estava dormindo dentro do carro no meio de um estacionamento de um restaurante, numa posição que atrapalhava o trânsito.

Mas a abordagem policial acabou com a morte de Rayshard Brooks com dois tiros pelas costas depois de ele ter resistido a ser algemado, ter tirado uma arma de choque elétrico e de ter tentado atingir um policial com essa arma.

O excesso de força policial, com arma mortal, foi injustificado e resultou em mais um caso de violência policial contra um negro. É impressionante a facilidade com que se mata um homem negro nos EUA, algo bem parecido com George Floyd e com o que acontece no Brasil.

Nos EUA, mais essa morte deu gás a protestos que estão hoje no 21º dia e têm conseguido obter respostas de autoridades municipais, estaduais e federais para reformar a polícia.

Ouça o comentário:

Comentários
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  1. Walter Nobre disse:

    Kennedy, não defendo polícia, mas o cidadão que foi preso no estacionamento,não precisava ter reagido contra dois policiais armados; também não precisavam ter atirado para matar. A questão nos EUA sobre o racismo, tem seculos de problemas, faltam critérios para convívio, certas ocasiões, fica muito claro, o ódio mutuo. Os negros tem diferenças sócias, e econômicas, que são ignoradas a longo do tempo. A questão eleitoral, esta muito longe da realidade, o Trump tem mais “rendcap” nesta contenda; quanto pior for as soluções pelo conjunto; levarão os americanos a pensar, até a última hora. A desordem social neste País, nada tem a ver com o governo diretamente, a situação piorou, diante de tantas incertezas, o Povo esta totalmente desorientados e sem esperança. A Policia tem um protocolo no mundo todo; lembro me do brasileiro, assassinado no reino unido, onde não usam armas letais; por suspeita naquele dia, estavam armados até os dentes, quem pagou a conta, foi o desavisado de cor parda.

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