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Entrevistas
26-09-2017, 9h24

‘Delação mentirosa é pior para democracia que caixa 2′

Para petista, Doria o trata bem comparado a Alckmin
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad disse que uma delação premiada mentirosa é pior para a democracia do que caixa dois. Afirmou que esse instrumento de investigação precisa ser regulamentado porque temos “um sistema frouxo, onde cada um diz o que quer”.

Para Haddad, o Ministério Público “acordou” para a necessidade de estabelecer critérios mais rigorosos para a colaboração. “O Ministério Público diz: ‘Olha, caixa dois é um crime mais hediondo do que qualquer outro, porque mexe com a democracia’. Uma delação mentirosa mexe com a democracia muito mais!”, disse Haddad, em entrevista à série “Cenários 2018”, do “SBT Notícias”.

Haddad afirmou que haveria “suposições” e não provas contra o ex-presidente Lula. Ele defende a revisão da sentença do juiz Sergio Moro que condenou Lula. Elencou casos da Lava Jato nos quais existem provas incontestes de corrupção, como os R$ 51 milhões encontrados num apartamento em Salvador, conta aberta em banco no exterior e gravação de pedido de empréstimo milionário depois entregue por mala a um assessor. Não citou nomes, mas se referiu a acusações contra o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o senador Aécio Neves, respectivamente.

Indagado sobre a possibilidade de ser candidato ao Palácio do Planalto em 2018 caso Lula seja impedido juridicamente de concorrer, Haddad disse: “Nós não estamos trabalhando com essa hipótese, porque, primeiro, seria uma grande deselegância com o presidente Lula, do qual eu fui ministro. E você sabe que eu me elegi prefeito, em 2012, muito pela ação do Lula junto ao partido, em me lançar candidato a prefeito. (…) Estamos trabalhando com o que nos parece mais justo, que é uma revisão da sentença”.

O ex-prefeito afirmou que o sucessor, João Doria, “não tem nenhuma experiência administrativa na gestão pública” e “fala coisas sobre as quais ele não entende”.

“O próprio Fernando Henrique [Cardoso, ex-presidente] falou que ele é um bom gestor de Facebook, não é? Isso não sou eu dizendo, é o Fernando Henrique, que é do partido dele. Diz que ele gere bem o celular. (…) Torço para ele dar certo. E eu acho injusto da parte dele, com a transição que eu fiz, reclamar de alguma coisa. (…) Mas, a julgar pelo que ele está fazendo até com o Alckmin, eu acho que ele até está me tratando bem”, declarou.

Haddad disse que “o investimento privado não substitui o público”. Considerou ser possível manter a dívida pública sob controle e a União fazer investimentos ao mesmo tempo, a fim de que a economia volte a crescer de forma significativa.

Defendeu uma reforma da Previdência que leve em conta a desigualdade social. “Tem uma parte da população brasileira que vai viver em média 85 anos e tem uma parte da população brasileira que não passa dos 65. É uma diferença muito grande entre uma coisa e outra. A população rural tem outro tipo de vida, são outras as dificuldades. Nós deveríamos levar em consideração a desigualdade no Brasil para fazer uma reforma um pouco mais justa”, disse.

Veja a íntegra da entrevista em vídeo e texto, dada ontem à tarde em São Paulo:

Kennedy Alencar – Prefeito, obrigado por dar a nós esta entrevista.
Fernando Haddad – Obrigado, Kennedy.
KA – Eu queria começar falando com o senhor de um bloco temático que a gente tem aqui no Cenário 2018. Há um consenso razoável, prefeito, de que o país precisa de uma reforma da Previdência. Pode nem ser essa que está aí em tramitação no Congresso, mas muitos especialistas falam da necessidade de se reformar a Previdência. Pergunto para o senhor: o senhor é favorável a uma fixação de uma idade mínima de 65 anos de aposentadoria para o homem e de 62 anos para a mulher?
FH – Olha, Kennedy, é difícil o governo que não tenha proposto uma reforma da Previdência. O governo Fernando Henrique fez uma, o governo Lula fez outra, o governo Dilma fez uma terceira.
KA - Tentou fazer, mas acabou não conseguindo, não é?
FH - Mas ela regulamentou uma lei importante da época do Lula que fixou teto para os novos servidores.
KA - É verdade.
FH - E que vai permitir uma economia futura bastante significativa. Por que é tão importante reformar a Previdência? Porque você tem que garantir a sustentabilidade do pagamento dos benefícios futuros para uma população que está envelhecendo. Qual é o problema desta reforma? O problema desta reforma é que, na minha opinião, ela não ataca os problemas mais graves da Previdência, sobretudo a pública, exclui setores importantes do debate e faz recair sobre uma parcela pobre da população ônus que não deveriam estar sendo discutidos neste momento, sobretudo em um momento de crise econômica, em que as desigualdades estão aumentando. Então, por exemplo, desconstitucionalizar uma parte da legislação previdenciária é importante, até para garantir uma legislação infraconstitucional mais maleável, que leve em consideração o envelhecimento, que leve em consideração a capacidade de trabalho das pessoas, que felizmente se amplia com o tempo. Mas eu penso que essa reforma deveria… E o Congresso fará isto: não vai votar a reforma como está, justamente para debatê-la melhor, fazendo com que o ônus da reforma recaia de forma mais adequada.
KA - E a questão da idade mínima?
FH - Em relação à idade mínima, eu já ia me referir a isso. Veja bem, nós teríamos que encontrar um caminho e discutir isso com juristas, para verificar se seria possível fazermos algumas considerações em torno de idade mínima e contribuição baseadas no perfil do beneficiário. Porque tem uma parte da população brasileira que vai viver em média 85 anos e tem uma parte da população brasileira que não passa dos 65. É uma diferença muito grande entre uma coisa e outra. A população rural tem outro tipo de vida, são outras as dificuldades. Nós deveríamos levar em consideração a desigualdade no Brasil para fazer uma reforma um pouco mais justa.
KA - Então, para entendermos, o senhor acha que essa regra de 65 e 62 anos, como está proposta, não é a ideal? Tem que se buscar esse modelo de que o senhor está falando?
FH - Eu buscaria caminhos alternativos, do que você tratar todo mundo igual.
KA - Há um ponto nessa reforma que expressa bastante esse debate sobre igualdade de regras, sobre punirem-se os mais pobres, que é a elevação do tempo mínimo de contribuição de 15 anos para 25 anos.
FH - Esse é um dos pontos mais importantes, do ponto de vista dos críticos, quando falam da informalidade da economia brasileira.
KA - Dizem que seria difícil cumprir os 25 anos.
FH - Exatamente.
KA - A minha pergunta para o senhor é esta: o senhor é a favor ou contra essa elevação para 25 anos?
FH - Eu sou… Olha, nós vamos ter que deslizar para mais. A contribuição vai ter que ser maior, o tempo de contribuição vai ter que ser maior e, provavelmente, a idade mínima vai ter que ser maior. Eu penso que não há nenhum especialista que esteja em desacordo de que vai haver um deslizamento, em função do envelhecimento da população. A outra coisa é não levar em consideração as desigualdades. Eu penso que tratar todo mundo igual, com tanta desigualdade, vai fazer recair o ônus da reforma sobre os mais pobres. Essas alternativas…
KA – E aí deveria haver um tempo menor de contribuição para essas pessoas?
FH - Por exemplo, na zona rural. Como é que se vai tratar uma pessoa da zona rural igual a um cidadão que tenha acesso a serviços de saúde de primeiro mundo aqui na cidade de São Paulo, por exemplo? Ou alguém que está no interior do Maranhão?
KA - Para ficar claro, prefeito, o senhor não se opõe à ideia de fixação de uma idade mínima? O senhor acha que precisa ter?
FH - Não.
KA – O senhor acha que precisa ter?
FH – Todo sistema previdenciário precisa ter.
KA – O ponto é fixar isso levando-se em conta maior justiça social?
FH – Isso.
KA – E essa questão dos 15 anos para os 25 anos conta como uma mudança automática?
FH – Sim, pensar a economia informal no Brasil, sobretudo com a reforma trabalhista, que também vai ter impactos no mundo do trabalho muito significativos. Provavelmente, nós teremos um aumento da desigualdade no mundo do trabalho também, fruto dessa reforma que foi aprovada pelo governo Temer.
KA - O governo Temer também aprovou uma regra no ano passado, em 2016. É uma regra constitucional que estabelece um limite para o crescimento das despesas públicas nos próximos 20 anos. No décimo ano, pode haver uma revisão, de acordo com a regra que está aprovada. Pelas normas em vigor dessa proposta, as despesas do orçamento da União, em um ano, somente podem crescer o resultado da inflação nos 12 meses acumulados até junho anterior. Para 2018, vai ser um crescimento de 3% — até a inflação caiu. No entanto, prefeito, já há um debate de que, sem se aprovar a reforma da Previdência, essa regra do teto talvez não seja possível de ser cumprida em 2019 ou 2020. Esta é a pergunta para o senhor: em um futuro mandato de um presidente da República, o próximo governo tem que flexibilizar essa regra ou tem que fazer reformas para essa regra ser cumprida?
FH – As duas coisas. Eu acho que você tem que… Primeiro, como é que você vai tratar da retomada do crescimento econômico sem investimento público, num um país em desenvolvimento? Essa é a pergunta central. País em desenvolvimento depende de investimento público para crescer.
KA – Só os investimentos privados não dão conta.
FH – Não dão conta. O investimento privado não substitui o público. Por mais concessões ou PPPs que você venha a fazer, existe uma parte do investimento que é do Estado. Esta é a primeira questão. Há uma segunda questão. Quando você congela os gastos por 20 anos, a pergunta que cabe é: o interesse corporativo vai falar mais ou menos alto que o interesse difuso, o interesse de todos? Em geral, as corporações conseguem defender seus interesses, junto aos parlamentares, com muito mais efetividade do que a população em geral. Então, é uma regra que acaba comprometendo os serviços públicos em áreas centrais, como saúde, educação e assistência, justamente para quem mais precisa. Então, esse é o segundo ponto que precisa ser considerado. Mas eu vou fazer um outro exercício que me parece mais interessante. Suponha que nós consigamos voltar a crescer como crescíamos no tempo do governo Lula, por exemplo. Crescemos 4% ao ano. Por que a despesa tem que ficar congelada 20 anos, se nós crescermos 4% ao ano?
KA – Para reduzir a dívida pública, que está muito alta.
FH – Mas precisa ser 100% do ganho de crescimento voltado para uma única finalidade, os credores do Estado? Será que não é possível combinar virtuosamente?
KA – Parte abate a dívida, controla a dívida; e parte se investe.
FH - Com uma parte, você controla a dívida; e uma parte se investe. Então, na minha opinião, o governo foi muito afoito, querendo mostrar serviço para se sustentar politicamente, e acabou não fazendo a conta. É sempre bom você demostrar austeridade, mas isso tem que ser feito com inteligência, para você conseguir manejar a economia sem depois ter que voltar atrás, comprometendo a sua credibilidade.
KA – Perfeito. Prefeito, nossa entrevista é um pouco corrida, porque há muitos temas. Eu vou tentar fazê-la rapidamente. No governo Lula se criou uma regra de reajuste real do salário mínimo, em 2007. Ela já foi renovada diversas vezes. A regra atual vale até 2019. O que a regra prevê? Que o salário mínimo seja corrigido pela inflação do ano anterior, mais a variação do PIB de dois anos antes, se for positivo. Se houver recessão, é apenas a inflação. A regra acaba em 2019. O senhor é a favor de manter essa regra por mais algum tempo? Ou ela já cumpriu a missão que tinha?
FH – Vamos fazer o mesmo raciocínio que fizemos para a dívida. O que eu dizia? Que, se tiver um aumento, um crescimento generoso do PIB – acima de 3,5% a 4% –, nós temos que reservar uma parte disso para investir no país, na infraestrutura do país. Não cabe congelar por 20 anos sem pegar uma fatia desse bônus e investir nas pessoas, investir na infraestrutura. Por que não pensar a mesma coisa com o salário mínimo? Vamos supor que o país esteja momentaneamente numa situação de muita dificuldade e você não consiga dar o PIB nominal inteiro, inflação mais crescimento. Mas você consegue dar 50% do crescimento? Você consegue dar 70%? Consegue dar 30%? Não dá nada?!
KA – Manter algum reajuste real é importante.
FH – Manter algum reajuste real é fundamental para você fazer com que o trabalhador, no período da sua vida útil, tenha condições de prever uma melhoria da sua condição de vida e a da sua família. Então, de novo, não vamos ser dogmáticos: “Ou é essa regra, ou é nada”, porque você pode cair no extremo oposto, o de tomar uma providência que não seja sustentável num país que está em crise. Agora, falar “não”, do ponto de vista salarial, falar “não”, do ponto de vista do serviço público… Perceba você que o “não” é sempre dito para os mesmos endereçados, que são os mais pobres. Quer dizer, é um governo que só diz “não” de forma taxativa para os de baixo.
KA – Prefeito, há previsões do mercado e do governo de que a dívida pública bruta pode chegar, em 2019, a 80% do PIB. A gente não consegue fazer uma reforma tributária que seja mais progressista, ou seja, que cobre mais imposto dos mais ricos e menos dos mais pobres. Também há uma dificuldade muito grande de se voltar a fazer superávit primário. A gente está vendo o governo Temer elevar as metas fiscais, que são deficitárias. Levando em conta esse cenário todo – o senhor tocou na questão do investimento público –, vale a pena aumentar ainda mais essa dívida pública fazendo investimentos, e com gastos de custeio importantes, como na saúde e na educação? Ou a gente tem que seguir a receita de austeridade e não deixar essa dívida pública crescer mais que 80%?
FH – Olha, a dívida está numa trajetória… O problema não é nem o volume dela, porque a nossa dívida líquida não é nem tão grande, comparativamente… Obviamente, o Brasil não pode ter dívida de país muito desenvolvido, porque nós não somos um país muito desenvolvido. E a trajetória recente da dívida é muito ruim por conta da queda do PIB. Nosso problema todo é que o PIB caiu quase 8% em dois anos. Quando o PIB cai, a relação dívida/PIB explode. Então, nós tivemos dois efeitos: o efeito da queda do PIB e o efeito do fim do superávit e do começo do déficit público. Isso, combinado com juros elevados no começo do governo para debelar a inflação, tem três efeitos, fora a questão do swap cambial, que também teve impacto. O câmbio também teve impacto sobre a dívida. Então, soma muita coisa. São quatro efeitos para explicar esse aumento. Isso não vai se repetir, esses quatro efeitos conjuntos…
KA – A inflação está caindo.
FH – … Eles não vão se repetir concomitantemente. Então, alardear que a trajetória é explosiva, também não é correto. Ela é administrável.
KA – Então, há espaço para mais investimento público?
FH – Ela é administrável porque nós já vivemos o maior impacto disso nos últimos dois ou três anos.
KA – O instrumento da delação premiada tem sido importante no combate à corrupção. Isso é uma coisa que a maioria dos políticos diz. No entanto, a gente viu no caso JBS toda uma descoberta de que houve uma tentativa de manipulação do Ministério Público e do Judiciário. O próprio PT tem muitas queixas em relação à lei da delação premiada, dizendo que há uma perseguição ao ex-presidente Lula. O senhor é a favor de mudanças na lei da delação premiada?
FH – Olha, o próprio Ministério Público acordou para o fato de que a lei não foi regulamentada e que, portanto, não há protocolos que devam ser observados no caso de uma delação. Até hoje não se sabe muito bem o que acontece com um delator que mentiu em parte. Suponha que um delator mentiu em parte. O que acontece com ele? Ele é beneficiado, ele não é beneficiado? Dependendo da gravidade da mentira, do quanto que ela afetou a vida política do país? O Ministério Público diz: “Olha, caixa dois é um crime mais hediondo do que qualquer outro, porque mexe com a democracia”. Uma delação mentirosa mexe com a democracia muito mais! Então, veja você, nós estamos vivendo num momento em que os países que adotaram a delação premiada – e foi o PT que sancionou,  acho que foi o Lula ou a Dilma que sancionou…
KA – Foi a Dilma que sancionou.
FH – Foi a Dilma que sancionou a lei da delação, portanto ela era a favor. Todo país que a adotou, adotou com protocolos muito rígidos, evitando subjetivismos, evitando afirmações que não podem ser comprovadas por meio nenhum. Isso tudo é evitado nas delações. Então, nós estamos em um sistema frouxo de delação, onde cada um diz o que quer. E não se sabe o que acontece com aquele que ou não comprovar suas afirmações, ou – o que é mais grave e já está acontecendo – a pessoa envolvida numa delação demonstrar que o delator mentiu. Porque isso também é possível e já aconteceu. O que vai se passar com todos esses benefícios? Um ricaço que vai para casa, em geral uma mansão, numa prisão domiciliar, com todas as benesses, em geral com uma boa parte do patrimônio, eu não acho que isso…
KA – Tem que mudar. É importante uma revisão, não é?
FH – É importante uma regulamentação, porque o brasileiro não quer que o delator também ganhe tudo, como estava acontecendo com a JBS. Delatou todo mundo, e ficou com a fortuna e em liberdade. Você viu que, para rever isso, se deu uma pirueta ali. Se usou um outro áudio para anular tudo aquilo com que a própria população não estava concordando.
KA – Prefeito, o ordenamento jurídico do país prevê que uma eventual condenação em segunda instância nos processos aos quais o ex-presidente Lula responde seria suficiente para enquadrá-lo na lei da ficha limpa, e aí ele não poderia disputar a eleição. No entanto, dirigentes do PT afirmam que uma eleição sem Lula seria uma fraude. Eu pergunto para o senhor dois pontos: se essa visão não acaba sendo um desrespeito à lei, porque nós temos um ordenamento; e se o ponto principal não deveria ser o questionamento de eventual ilegalidade das acusações, da qualidade das provas. A batalha não deveria ser por um julgamento no devido processo legal, e não uma batalha contra as instituições, dizendo-se “Ah, a eleição sem Lula é fraude”?
FH – Olha, é um jogo retórico que se faz para dizer o seguinte: passaram três anos… Uma coisa é o seguinte: você pegou 51 milhões de reais em dinheiro, dentro de um apartamento; pegou uma conta na Suíça em nome de um trustee com um cartão de crédito da sua família inteira, inclusive o seu; uma conta de um laranja em um paraíso fiscal… São coisas muito palpáveis, e de pessoas que não teriam a menor condição de reunir essa fortuna se não fosse por corrupção. Então, isso é uma coisa. E aí é inapelável, acabou. Ou um telefonema pedindo 2 milhões para pagar o advogado, e depois o dinheiro é entregue para um primo, que está ameaçado de morte. Essas loucuras que nós vimos são provas muito eloquentes. Mala de dinheiro e tal. Outra coisa é quando você condena por suposição, suposição de que o Lula estava trocando de apartamento, um apartamento antigo por um triplex, não ia pagar a diferença. Veja só, ia trocar de apartamento, não ia pagar a diferença, e isso tem a ver com a Petrobras. É muita coisa! Cada uma dessas afirmações precisa ser provada. Precisa ser provado para se condenar.
KA – O senhor não vê prova contra o Lula?
FH – O que os advogados dizem – e não sou eu –, e 122 juristas escreveram um livro sobre essa sentença, dizendo: “Olha, essas três condições que seriam fundamento de uma sentença condenatória, nenhuma das três foi comprovada”. Então, o que legitimamente os defensores do presidente Lula estão fazendo é dizendo o seguinte: “Olha, essa sentença é frágil e precisa ser revista”, para que não haja, para que não aconteça com o Lula o que aconteceu com a Dilma, que foi uma punição que o próprio Senado reconheceu que não tinha fundamento legal.
KA – Uma eleição sem o Lula seria uma fraude?
FH – Seria o seguinte: uma coisa é você derrotar o Lula nas urnas; a outra coisa é você, por expedientes que não estão claros, pelo menos para uma parcela grande da população, tirá-lo do pleito. Porque ele vai ter que se defender no pleito, concorda? Ele vai ter que se expor. Ele vai ter cinco, seis, dez adversários.
KA – Que vão fustigá-lo.
FH – Que vão fustigá-lo, que vão cobrar explicações. Então, não é que o Lula está eleito. O Lula quer se apresentar, não é?
KA – Prefeito, eu tenho bastidores de que, se o ex-presidente Lula não puder ser candidato, por essa questão jurídica ou por uma avaliação política dele de que não deva ser – porque isso também pode acontecer, tem muita água para passar por baixo dessa ponte –, que, nessa hipótese, o Lula gostaria de lançar o senhor para disputar a Presidência da República. O senhor aceitaria?
FH – Olha, Kennedy, nós não estamos trabalhando com essa hipótese, porque, primeiro, seria uma grande deselegância com o presidente Lula, do qual eu fui ministro. E você sabe que eu me elegi prefeito, em 2012, muito pela ação do Lula junto ao partido, em me lançar candidato a prefeito. Então, seria uma enorme deselegância. Seria trabalhar com a hipótese de ele ser julgado em segunda instância e condenado em segunda instância. Nós estamos trabalhando com o que nos parece mais justo, que é uma revisão da sentença. E que ele possa, depois de tantos anos de investigação, apresentar-se legitimamente. Ser derrotado ou ser eleito, não importa. Mas eu penso que, para a democracia brasileira, seria um ganho extraordinário, porque todas essas cicatrizes que foram abertas vão se fechando pelo processo democrático, com a participação da população.
KA – O senhor é um dos petistas que mais falaram na…
FH – Eu só queria fazer uma breve…
KA - É que nós estamos quase no finalzinho… Mas diga.
FH – Na eleição de 2016, o Russomano foi julgado no Supremo Tribunal Federal sobre uma conduta de nomear uma pessoa para uma empresa dele, nem sei os detalhes. Eu torci pela absolvição. Não me parecia grave o suficiente para tirá-lo do pleito.
KA - Para tirá-lo da eleição do ano passado.
FH – O que eu estou querendo dizer é que eu não defendo uma regra para os meus e outra regra para os outros. Eu acho que a gente tem que ser equânime.
KA – O senhor é um dos petistas que mais falaram na necessidade de o partido fazer uma autocrítica. Em uma entrevista que deu à BBC, o senhor falou o seguinte: “É difícil você conseguir fazer com que as partes façam as autocríticas cabíveis e promovam uma virada de página, porque tudo virou uma briga de facção no Brasil”. Eu pergunto para o senhor: o PT não teria mais chances de voltar ao poder, ainda que com essa intolerância no debate público, com essa polarização, não haveria mais chance de voltar ao poder se fizesse essa autocrítica?
FH – Olha, eu acredito no seguinte: eu acredito na depuração do processo político, que envolve necessariamente fazer balanços e reconhecer que não fez a reforma política, tinha força para fazer e não fez. Porque uma coisa é você dizer: “Poxa, eu me alinhei ao PMDB, e o PMDB fez essa lambança toda – Paulo Roberto Costa, Cerveró, sei lá mais quem…” Outra coisa é o seguinte: “Olha, eu podia ter feito uma reforma política que me tornasse mais independente dessas forças retrógradas da sociedade”. Fernando Henrique não fez…
KA – Mas, e em relação à questão da corrupção? Porque tem… O Renato Duque foi indicado pelo PT. Há diretores acusados de corrupção indicados pelo PT.
FH – Se indicou o Renato Duque – que eu não conheço, nunca vi na minha vida –, se indicou, tem que reconhecer que errou na indicação. Como é que alguém me aparece com 100 milhões de dólares numa conta no exterior, e a gente vai defender o nome dessa pessoa? Tem que defender é punição exemplar. Modestamente, aqui em São Paulo, nós criamos uma controladoria com um trabalho impecável de combate à corrupção. E não ficavam me perguntando se era para punir A, B ou C. Era para punir quem errou.
KA – Prefeito, o senhor já respondeu a isso em entrevistas, mas é importante responder aqui, porque somos uma série que quer documentar todas as perguntas. Como é que o senhor responde a essas acusações dos delatores da Odebrecht e do casal de marqueteiros Mônica Moura e João Santana de que houve repasse de recurso caixa dois para a sua campanha em 2012?
FH – Olha, aconteceu um caso similar com o Ricardo Pessoa, da UTC. Ele disse que repassou dinheiro para a minha campanha em 2012 e deu o telefone celular da pessoa que teria recebido o dinheiro. Essa pessoa, finalmente, depois de um ano e meio, foi localizada. Compareceu frente ao delegado do inquérito e disse: “Recebi o dinheiro, mas não era da campanha do Haddad”, mas um ano e meio depois! Quer dizer, todo o estrago já tinha sido feito. O que eu quero lhe dizer, Kennedy…
KA – E, na entrevista que o senhor deu ao SBT, o senhor falou que nunca autorizou ninguém a pedir caixa dois em nome do senhor.
FH – Não, ninguém! E sobretudo o meu tesoureiro, que jamais participou de uma negociação dessa natureza. Isso significa dizer o seguinte: da mesma maneira que as investigações demostraram, no meu caso, que o delator tinha mentido… Mentido por má-fé ou por ignorância, eu não sei. Eu não sei se ele quis me envolver porque eu tinha cancelado uma obra dele. É uma possibilidade, a de que tenha sido uma represália. Ou ele imaginou que estava colaborando com a minha campanha, e na verdade não estava; alguém pediu em meu nome, alguma coisa assim. Mas o fato é que quem recebeu o dinheiro falou: “Eu não prestei esses serviços para a campanha do Haddad”. Eu não tinha dúvida de que isso ia acontecer, mas muita gente teve.
KA – Olhando hoje, passado quase um ano da eleição – e o senhor acabou não sendo reeleito –, em uma autocrítica sincera, o senhor acha que a sua derrota para o Dória se deveu mais a fatores externos, como uma cobertura da imprensa negativa, que o senhor chegou a apontar no artigo para a revista Piauí? Ou mais a erros que o senhor cometeu? O que o senhor podia ter feito de diferente, para ter sido eleito?
FH – Em primeiro lugar, reconhecer: o PT perdeu 60% dos votos no Brasil entre 2012 e 2016; em São Paulo, nós perdemos 40%. Mas, no Brasil, não tinha uma Marta Suplicy concorrendo com os candidatos do PT, como eu tive. A Marta saiu do partido, foi para o PMDB, garantiu o voto contra a Dilma, pela legenda, e concorreu comigo. Se você considerar os votos que eu e ela tivemos em 2016, dá exatamente os votos que eu tive em 2012, mais ou menos. Então, o PT fez muito pela periferia de São Paulo, só que, na cabeça do eleitor da periferia, nós estávamos com dois candidatos, porque a Marta fez muito na periferia quando foi do governo petista.
KA – Aquilo inviabilizou uma ida para o segundo turno?
FH – Demais! Se tivéssemos feito…
KA - Teve um efeito Marta?
FH – Ah, teve um efeito Marta importante. Teve um efeito PT nacional, teve um efeito Marta e teve os meus erros, porque todo governo erra.
KA – Quais foram, prefeito?
FH – Olha, eu acho que a gente errou muito na comunicação de algumas medidas que talvez exigissem mais tempo de implementação, para que as pessoas se habituassem com um paradigma moderno de gestão de cidade, com o qual nós não estávamos acostumados. Então, quando você diz para o motorista do carro que o ônibus não vai ficar mais no congestionamento porque vai ter uma faixa exclusiva… Uma coisa é você implementar em três meses, outra coisa é você implementar em um ano e meio. Talvez nós devêssemos ter feito as coisas de uma outra maneira, conversando mais. Agora, eu não estou arrependido das medidas que eu tomei, até porque elas não estão sendo revertidas, na sua grande maioria. E a população já assimilou uma cultura de mobilidade nova para a cidade.
KA – O prefeito João Dória foi o entrevistado anterior, aqui. Ele reclamou que problemas de gestão que ele enfrenta, como semáforos sem funcionar, mais buracos de rua e atraso nessa licitação para a nova concessão de linhas de ônibus – que ele falou que não será mais de 20 anos, será por 10 anos –, deve-se a uma herança negativa da sua administração. Como o senhor responde a essas críticas do prefeito Dória?
FH – Olha, na verdade, o Dória não tem nenhuma experiência administrativa na gestão pública, então ele realmente fala coisas sobre as quais ele não entende. Ele recebeu a cidade, pela primeira vez na história, com um grau de investimento. Você pode imaginar uma cidade, que eu recebi com R$ 80 bilhões de reais de dívida, receber um selo de grau de investimento de uma agência de risco?!
KA – Que é um selo de bom pagador.
FH – Que é um selo de bom pagador. Deixei R$ 5,5 bilhões em caixa, atestados pelo Tribunal de Contas e pela Agência Lupa. Desses R$ 5,5 bilhões, R$ 3,5 bilhões para além das despesas que ele teria que pagar em janeiro. Desses R$ 3,5 bilhões, R$ 300 milhões livres para ele tapar buraco, consertar semáforo, para fazer o que ele bem entendesse… Terminar o hospital de Parelheiros. Então, eu não quero atribuir má-fé a ele, não quero mesmo. Apesar de já ter dado essas explicações dez vezes, eu acho que ele realmente não entende. E eu não acho que…
KA - Acha que ele não é o bom gestor que ele diz ser.
FH - Olha, eu acho que vai ficando claro que talvez não seja bem assim. Eu não sei a quantas andam. Mas o próprio Fernando Henrique falou que ele é um bom gestor de Facebook, não é? Isso não sou eu dizendo, é o Fernando Henrique, que é do partido dele. Diz que ele gere bem o celular. Vamos ver. Eu torço para ele dar certo. E eu acho injusto da parte dele, com a transição que eu fiz, reclamar de alguma coisa. Porque tudo, entre o primeiro turno – ele se elegeu no primeiro turno – e a posse, tudo foi feito de acordo com os pedidos da equipe de transição, inclusive os editais de licitação. Então, é muito impróprio. Mas, a julgar pelo que ele está fazendo até com o Alckmin, eu acho que ele até está me tratando bem.
KA - Uma última pergunta: como o senhor avalia a gestão do ministro da Educação, Mendonça Filho?
FH – Olha, não vai deixar legado. Primeiro, é muito rápido, e é um governo que não tem compromisso com a educação. Está cortando bilhões de reais do orçamento do Ministério da Educação, comprometendo a saúde econômico-financeira das universidades, dos Institutos Federais, deixando de transferir recursos para estados e municípios. Infelizmente. E acho que nem é por ele, acho que é o contexto do governo Temer. Não tem nada do governo Temer que esteja indo satisfatoriamente, do ponto de vista setorial. Saúde, educação, mobilidade, o “Minha Casa, Minha Vida”, tudo está difícil ali.

Comentários
10
  1. BRAGA BH disse:

    Vamos esperar os açoites dos comentaristas…

    • walter disse:

      não necessariamente Braga, o mal do haddad foi prometer e se comprometer; arruinar o trânsito de SP, em nome de um suposto numero menor de vítima, e HJ o trânsito esta mais prejudicado, por decisões erradas do CET; que aliás é o maior “cancro”, com relação a soluções positivas; fazem de tudo pra complicar, e acharam o prefeito ideal, que prometia informatizar os faróis, e no final, por excesso de tintas e pinceis, o dinheiro sumiu; não entregou os hospitais; DEIXOU VIAS INTERDITADAS; agora estão tentando recursos, para finalizar…finalmente, contingenciou todos os recursos, tornado um inferno a gestão Dória, que não o critica, por ter postura parecida, como gestor; ou seja, SP ficou mais prejudicado que nunca; tanto isto é fato, que o cara não se reelegeu…defender o lula, é perda de tempo; fez muitos rolos, quando não desviou permitiu; uma gestão em treze anos, porca e sacana com o Brasil…

  2. Cap Troz disse:

    Daqui há alguns anos São Paulo vai reconhecer que o Haddad foi um dos melhores prefeitos que a cidade já teve. Priorizou o transporte coletivo, acabou com a máfia da SEHAB, implantou o novo plano diretor, criou um orgão anti-corrupção que devolveu centenas de milhões de reais a prefeitura … infelizmente por ser do PT teve uma rejeição enorme e além disso o povo caiu na bravata de que o Dória era alguém “fora da política”. Hoje vemos que ele é tão político que traiu até seu próprio padrinho Alckmin, com a ajuda do MBL e dezenas de assessores de “redes sociais”

  3. Célio Vitorino Leite disse:

    Haddad, o seu maior erro foi deixar os irmãos Tato (Gilmar e cia.) ser seu porta voz em muitas ações, estas ações vinculadas a empresas do Ramo de Fiscalização eletrônica (A grande maioria todas empresas fora de São Paulo) e de outras empresas que poderíamos citar do ramo de Sinalização e obras que tinham enormes Lob’s dentro dos orgãos como CET, entre outras da máquina pública municipal e ao contrário do que o disse na entrevista as áreas da Zona Leste e zona sul ficaram esquecidas em sua gestão, mas apesar destes erros que deve-se ser colocado em sua conta, temos que admitir que o sr. cumpriu o seu mandato até o final, não usando a Prefeitura de trampolim como fizeram o Serra, Kassab (a quem atribuo juntamente com Pitta, Marta e Serra os piores prefeitos que São Paulo pode eleger) além de apesar de todas as avalanches de denúncias contra o PT na época se manteve fora de quaisquer denúncias que maculassem sua gestão. Cumpriu a sua promessa de ACABAR COM O CONTROLAR no formato operante

  4. mano disse:

    prezados: 2 erros do juiz Sérgio Moro e um importante alerta para o Estado Democrático de Direito. A prisão do Vacari sem provas foi um erro gravíssimo, pois a penalidade aplicada jamais será reparada. O 2º erro, a dosimetria da pena do José Dirceu. Neste caso, é mais provével que o erro esteja a associado a incompetência técnica do juiz. Vamos salvar a democracia brasileira permitindo a ampla defesa, o devido processo legal e a decisão da prisão preventiva no 2º grau de jurisdição ou então, institui um ato institucional no padrão do AI 5.

  5. Joao Carlos disse:

    Colocação terrivel, não existe crime melhor. Ambos as coisas são crimes e merecem punição. A função da justiça não é acreditar nas deleções é usa-las no caminho de provas para um crime. A Justiça do Brasil exige provas para condenar alguem, e quem se encontra neste status teve um processo com provas correspondente. E existe os recursos para se provar que houve engano ou se confirmarem as provas. Um lider politico dizer que é melhor um tipo de crime do que outro, fica mal. Será que o que ele prefere favorece ou favoreceu ele ?

  6. RONALDO LEITE FONSECA disse:

    Respeito muito a Opinião do Ex-Prefeito Haddad, mais o que incomoda hoje a população num contexto Geral… e a quantidade de Acordos de Delação, os famosos X-9, ou seja se não me ajudarem eu entrego todo mundo.
    O fato de ele colocar que é melhor o caixa dois do que estas delações, é da onde vem o dinheiro destes caixas dois, pois somente enganar o TSE, gastei somente 1 conformne declarado, mais na realidade foi gasto 3, de onde provém estes dois… ou seja dos acordos multi empresariais.
    Que continue a Lava-Jato, Denuncias da PGR e varios acordos de dealçoes,
    Abraço Kennedy

  7. PELO BEM DO BRASIL! disse:

    Haddad usa o termo pejorativo “delação” reforçado pela palavra “mentirosa”.
    Mas sabe que a “COLABORAÇÃO PREMIADA” não vale nada, se não vier acompanhada de provas: periciais, testemunhais e as materiais – tipo depósitos bancários no país ou no exterior, recibos, notas fiscais de compra, gravações de áudio e (ou) vídeo, anotações em agendas, planilhas de empresas etc. E que, caso tais colaborações premiadas não sejam corroboradas com provas, ou se forem comprovadamente mentiras, o colaborador perde o direito aos benefícios!
    Gostaria de saber a opinião do senhor Haddad, do seu íntimo, como um brasileiro que ama o Brasil, onde deveriam estar hoje, colhendo o fruto de tudo o que fizeram pelo país, as celebridades nacionais do mundo político, Lula, Dilma, Sarnei, Aécio, Temer, Palocci, Dirceu, Collor, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Romero Jucá, Eliseu Padilha, Moreira Franco, Geddel Vieira, Sergio Cabral, Eduardo Cunha, Carlos Marum, Darcísio Perondi e todos os semelhantes a esses?

  8. ANDRE disse:

    Discordo do posicionamento do Haddad quanto a reforma da previdência, acho que comete o mesmo erro de não considerar outras formas de reformulação da previdência e não traçar compromissos com a redução da inadimplência da previdência. O tema da reforma da previdência é complexo, deve se procurar uma reforma em que o peso da mesma não recaia de forma desigual sobre as pessoas. Por que não se pensa em um tempo de contribuição maior, mas com uma redução gradual da jornada de trabalho a partir de certa idade? Por que também esta reforma não vem acompanhada de incentivos e medidas que garanta a permanência do idoso no mercado de trabalho? Quanto ao Dória, passou a desprezar a cidade de São Paulo, que lhe confiou a tarefa de ser prefeito, seduzido pela vaidade de ser o presidente. Já seria difícil para ele administrar a cidade pela falta de experiência e despreparo, sem estar com o devido foco fica pior ainda.

  9. JOSÉ CASSIO disse:

    Pra mim, CAIXA 2 é PROPINA!
    E propina é roubo e quem rouba deveria estar na cadeia.
    Muito me impressiona um advogado quantificar crimes, que é melhor ou pior.
    Crime é crime, e politico deveria ter vergonha de praticá-los e ser punido exemplarmente.
    Quem paga impostos e não recebe NADA em troca deste governo, não acha que caixa 2 é engraçadinho.

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2019-09-15 15:07:00