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Política
22-09-2017, 8h28

DEM prefere Doria a Alckmin como candidato do PSDB ao Planalto

Afago de Maia reflete cogitação do prefeito sobre mudança de partido
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Nos bastidores do DEM, a preferência por apoio a eventual candidatura presidencial de João Doria é manifestada pela maioria de políticos da legenda, que o veem como uma novidade política competitiva do ponto de vista eleitoral para um partido que nunca teve um candidato a presidente de peso.

Ontem, num jantar em São Paulo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que Doria seria a melhor opção na hipótese de o PSDB escolhê-lo. Afirmou que o DEM lhe daria apoio. Indagado pela “Folha de S.Paulo” se haveria suporte semelhante a uma candidatura do governador Geraldo Alckmin, Maia teria titubeado, de acordo com a reportagem, mas dito que sim.

A preferência por Doria existe porque o prefeito pode se filiar ao DEM, algo que o governador de São Paulo não cogita. Há tratativas de bastidor entre Doria e Maia a respeito dessa possível filiação a fim de que o prefeito esteja na cédula eleitoral de 2018 pelo DEM. Existe tempo para construir uma saída assim.

O prefeito paulistano tem defendido que o PSDB escolha o candidato no ano que vem, mais perto de abril, que é o prazo para filiações partidárias a fim de disputar no ano que vem e para que ocupantes de cargo Executivo deixem sua função se forem concorrer a outro posto.

Se o PSDB decidir escolher um candidato em dezembro, como prega o governador paulista, isso favorece Alckmin, mas poderá fundamentar um discurso de eventual desembarque de Doria rumo ao DEM.

Doria não é taxativo ao negar saída do PSDB. Diz que fará essa discussão no seu tempo. Alckmin e Doria estão determinados a disputar o Palácio do Planalto no ano que vem. No PSDB, só há espaço para um.

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Papel fundamental

Na estratégia para barrar a segunda denúncia na Câmara, a prioridade hoje do presidente Michel Temer é acalmar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que está contrariado com o assédio do PMDB a políticos que negociavam filiação ao DEM.

Ironia: Maia se queixa das investidas do PMDB sobre possíveis futuros filiados ao DEM, mas teve um encontro ontem em São Paulo cujo pano de fundo é a eventual saída de Doria do ninho tucano. A política como ela é.

Em relação à nova denúncia contra Temer, Maia disse que não misturaria esse assunto com o conflito entre PMDB e DEM por conta da busca de filiados. Mas a simples menção a essa insatisfação deixa o Palácio do Planalto de orelhas em pé.

O papel de Maia é importante nesta segunda votação. Um sinal interno dele na Câmara pode atrapalhar o governo na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), atrasando a análise de um tema desgastante para o governo. O Planalto queria resolver o tema antes do feriado de 12 de outubro. Maia já falou que talvez não dê tempo.

Portanto, a tarefa imediata à qual Temer vai se dedicar será restabelecer a boa interlocução com Maia. A tendência é o governo barrar o prosseguimento da denúncia, evitando que a Câmara dê autorização para o Supremo analisá-la. Mas a rapidez dependerá bastante do papel que Maia jogará nos bastidores em reuniões com líderes partidários, por exemplo. Temer sabe disso, porque conhece a Câmara, Casa que já presidiu três vezes.

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PP x PSDB

O governo deverá acabar de contemplar pedidos específicos do PP por cargos e verbas, mas sem tirar espaço dos tucanos. Há queixas em relação ao articulador político, o ministro da Secretaria de Governo, o tucano Antonio Imbassahy. Mas Temer deseja ampliar o apoio na bancada do PSDB nessa segunda denúncia. O presidente vai se dedicar a um corpo a corpo com integrantes da Comissão de Constituição e Justiça, exatamente como fez na primeira denúncia.

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Pedra no sapato

Vieram a público trechos da delação do doleiro Lúcio Funaro, porque eles constam da nova denúncia contra o presidente. Esses trechos têm peso forte, porque trazem acusações mais detalhadas sobre eventuais acertos de propina do grupo do PMDB da Câmara.

No entanto, pelo que foi divulgado até agora, trata-se de Funaro dizendo que sabe de supostos atos de corrupção de Temer por meio de terceiros. Esse ponto será difundido na Câmara dos Deputados em defesa de Temer.

O governo vem questionando a veracidade das afirmações de Funaro. Fez isso novamente em nota ontem, lembrando que, no passado, a Procuradoria Geral da República enviou ao Supremo uma manifestação dizendo que o doleiro já mentira à Justiça.

Haverá mais chumbo grosso contra a equipe do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que fechou a delação de Funaro. Aliados de Temer vão questionar se não teria havido pressão ou orientação a Funaro a exemplo do que se sabe hoje a respeito dos casos de Joesley Batista e Ricardo Saud. Aliados de Temer na CPI da JBS vão investigar auxiliares de Janot e não pretendem tratar apenas de como foram feitos os acordos de Joesley e Saud, mas o de Funaro também.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Fabio disse:

    Kennedy, para mim o importa é, não vou em nenhum deputado ou partido que dê apoio ao quadrilheiro Temer, deu apoio ao presidente quadrilheiro não terão meu voto, digo isso porque 99% das pessoas que converso dizem a mesma coisa.
    Ano vem quem apoia Temer sera lembrado nas urnas.

  2. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Alckmin nunca foi nenhum fenômeno eleitoral, ao contrário, foi apenas o Anti-Lula. Sucateou a segurança pública, não paga os precatórios aos aposentados nem reajusta os professores da ativa.
    Passou da hora de fazer uma auto-crítica, permitir novas lideranças e a unificação do partido que ele racha desde 2002.

  3. walter disse:

    O PMDB realmente, continua o mesmo caro Kennedy; não há lisura, e pelo visto o Temer, comprar esta briga com o DEM, por dissidências…mostra que o presidente não comanda os seus, ou não tem noção do perigo; este braço de ferro com este aliado…precisa de toda a ajuda possível, já que o rodrigo maia esta em alta, sendo assediado, pelo mercado financeiro; já estão enxergando nele, um substituto do presidente…Quanto a Dória e Alkimin, tudo indica que os dois saem a presidente, um deles pelo DEM…quem vai perder é o PSDB, que não se antecipa, e mantém os dois em casa…nossa política é fraca, ninguém se une, para um bem comum; seus EGOS estão na Lua…

  4. Te pergunto: O DEM é uma espécie de “partido parasita” igual ao PMDB ? Por que não criam seu próprio projeto e lançam um candidato. Nossa, como a política brasileira consegue ficar cada vez pior.

  5. É tudo bandido, delatores e delatados, e o melhor é livrar-nos de todos. Cadeia neles.

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