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Política
27-02-2020, 21h05

Democratas têm de parar de reagir a Bolsonaro como pombas

Deputadas brasileiras relatam nos EUA abusos contra índios e minorias
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Kennedy Alencar
WASHINGTON

Duas deputadas brasileiras, Joênia Wapichana (Rede-RR) e Erica Kokay (PT-DF), visitaram o Congresso americano nesta semana a fim de relatar danos aos índios e a outras minorias que ocorrem no governo Bolsonaro.

Entre outros assuntos, Joênia veio discutir a criação de uma frente parlamentar indígena das Américas. Kokay gostaria de ampliar a frente, transformando-a numa reunião de mulheres de todo o planeta. Em julho, haverá um congresso em Brasília para tratar das duas possíveis frentes.

Joênia disse que as ameaças do presidente Jair Bolsonaro à população indígena no Brasil se transformaram em casos concretos. “O autoritarismo do presidente já está dizimando populações.”

Kokay declarou que elas também fizeram outros relatos às congressistas americanas Deb Halland (Democrata do Novo México), parlamentar de origem indígena, e Ilhan Omar (Democrata de Minnesota), parlamentar somali-americana. Segundo a petista, foram abordadas “a violência contra as mulheres no Brasil e também contra jovens negros, vítimas da truculência policial”.

Joênia e Kokay discutiram com parlamentares americanas a atitude de Bolsonaro de divulgar um vídeo contra o Congresso brasileiro, convocando pessoas para uma manifestação golpista em 15 de março. A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) também participou da visita das parlamentares brasileiras a Washington.

Bolsonaro já deixou faz tempo de ser uma ameaça à democracia. Ele a dinamita no Brasil. E as reações ao seu autoritarismo são absolutamente fracas.

O ministro do STF Celso de Mello disse que, se Bolsonaro divulgou o vídeo, não está à altura de ser presidente. Ora, não está à altura faz tempo. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), preferiram não entrar em rota de colisão com o presidente.

É ruim que os democratas não sejam tão incisivos na defesa da democracia quanto os autoritários são incisivos para solapar a democracia. Bolsonaro mente no vídeo. A milícia digital que o apoia atacou uma jornalista séria como Vera Magalhães, que revelou que o presidente divulgava pessoalmente a mensagem golpista. Os ataques à jornalista são inaceitáveis e criminosos.

Bolsonaro e essa milícia digital têm predileção pelos ataques às mulheres. São misóginos. É grave o que está acontecendo no Brasil. Os democratas têm de parar de reagir como pombas. Já passou da hora de reagir, aliás.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outras pessoas só agora estão entendendo que há uma ameaça à democracia no Brasil. Deveriam ter acompanhado mais os comentários na “Política Como Ela É” desde antes da eleição.

Ouça a segunda parte da “Pastoral Americana” desta quinta a partir dos 7 minutos e 40 segundos no áudio abaixo:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy, desde o momento que o Bolsonaro venceu as eleições, começaram os desgastes, dos dois lados, não há inocentes, a começar por meios de comunicação, encabeçadas por uma central; fica muito fácil definirmos quem esta com mais direito ou menos, sem assumir o verdadeiro ônus dos excessos de todos os lados: falar sobre a Amazônia e seus moradores, são prejudicados desde sempre, com as demarcações, mesmo antes da democracia vigente. Quanto ao FHC e outros que não fizeram por merecer atenção pós mandato, fica fácil lembrar do “autoritarismo” do atual presidente, sem lembrar dos planos deste congresso com péssimas intenções todos os dias. Realmente, vc tem toda a razão, lembrar da democracia como “pombas”, é um exercício, que só falta o tabuleiro de xadrez, somos analfabetos das boas intenções, não queremos construir nada.

  2. Georges disse:

    Chamar isso aqui de democracia é piada né? Um sistema de governo onde quem apita é o parlamento e o presidente só dá cabeçada não é e nunca será democracia. Ou o parlamento atende uma demanda sequer do povo? Uma sequer?

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