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Geral
03-02-2020, 15h28

Derrota de Trump pode conter populismo e autoritarismo no planeta

Eleição presidencial entra na fase de primárias; democratas estão divididos
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Kennedy Alencar
Des Moines, Iowa

A eleição presidencial americana terá uma forte relevância para o futuro da democracia no planeta, não apenas nos Estados Unidos. A reeleição do presidente Donald Trump tende a reforçar a crise das democracias liberais. Uma vitória de um democrata pode conter o avanço do populismo de direita e do crescente autoritarismo nos EUA e no mundo.

A democracia liberal é uma democracia representativa, com eleições livres sob a tutela inequívoca do Estado de direito. Pode ser parlamentarista ou presidencialista. Pode ser uma monarquia constitucional como o Reino Unido. Pode ser uma república federativa, como os Estados Unidos e o Brasil. O modo de produção capitalista é o dominante, com variantes sobre a influência que o Estado deve ter na economia para minimizar desigualdades sociais. A democracia liberal respeita e protege os direitos individuais e as minorias. É imperfeita, mas é o melhor que temos, como diria Churchill.

Trump e seus pupilos mundo afora são uma ameaça à democracia. O americano exerce a Presidência de modo imperial, colocando seus interesses pessoais acima dos nacionais. É alguém que usa a mentira como arma política. Ataca a imprensa e os políticos tradicionais. Trump é o pai, digamos assim, de todos esses populistas de direita e extrema-direita que ameaçam as democracias no mundo, como acontece no caso do Brasil com o presidente Jair Bolsonaro.

Uma vitória de Trump teria efeito positivo para Bolsonaro, que se alinha automaticamente com ele. Em Washington, congressistas e lobistas descrevem a relação de Bolsonaro com Trump como a de um fã, um admirador. De fato, há um elo forte do governo Bolsonaro com a administração Trump. Nesse sentido, uma vitória do americano seria boa para o Bolsonaro. Mas uma derrota seria ruim para o presidente brasileiro.

Nos Estados Unidos, a imprensa entende o seu papel. É comum jornalistas dizerem com todas as letras que o presidente mente, que abusa do poder, que tenta enfraquecer as instituições e que é uma ameaça à democracia americana.

Em 2016, a eleição de Trump foi uma surpresa. Pode se considerar um acidente de percurso a democracia americana permitir a eleição de alguém que deseja enfraquecer a própria democracia. Mas, se Trump for reeleito, isso será indicativo de uma mudança profunda na democracia americana, com apoio a visões autoritárias que se fortalecem na sociedade.

Nesse contexto, o debate presidencial do lado democrata está marcado por uma questão: quem tem mais capacidade de derrotar Trump, que dominou a base do Partido Republicano e tem o bom desempenho econômico a seu favor?

O ex-vice presidente Joe Biden, que foi o número 2 de Barack Obama, tenta se vender como aquele com mais chance de derrotar Trump. Mas a disputa democrata está muito concorrida e pulverizada, com 11 pré-candidatos. Embaralhada, ela reflete a divisão interna no Partido Democrata.

Desses 11 postulantes, há um primeiro pelotão com Biden, Bernie Sanders, senador por Vermont, Elizabeth Warren, senadora por Massachusetts, Pete Buttigieg, ex-prefeito de South Bend (Indiana), e Amy Klobuchar, senadora por Minnesota.

Em resposta a Biden, outros candidatos se dizem preparados para enfrentar Trump. Bernie Sanders, que tem empolgado a ala esquerda do Partido Democrata, está crescendo nas pesquisas. Bernie fala para os mais pobres, numa mensagem bem direta e popular, como a usada por Trump.

Trump fala em gerar empregs. “Jobs, jobs, jobs (Empregos, empregos, empregos)”. Bernie promete perdoar a dívida de estudantes e criar um sistema universal de saúde. A dívida estudantil é um problemão aqui. A saúde também.

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Democracia em risco

No processo de impeachment, os republicanos levaram em conta apenas o aspecto político e mandaram as provas e os escrúpulos de consciência às favas. O presidente americano deverá ser absolvido nesta quarta.

A maioria dos americanos acha que Trump fez algo errado, mas há uma divisão meio a meio sobre tirá-lo da Presidência. Ele é acusado de abuso de poder e obstrução de investigação do Congresso.

Os republicanos não permitiram testemunhas, o que transformou o julgamento num acobertamento que abre precedentes perigosos para a democracia americana. Críticos do processo dizem que será muito difícil aprovar o impeachment de futuros presidentes, pois há prova abundante no caso da pressão de Trump sobre a Ucrânia para investigar Joe Biden, seu adversário político. O Partido Republicano resolveu fechar os olhos e vai absolver Trump.

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Começa a corrida

Iowa é o primeiro estado a fazer prévia, sistema de escolha de delegados para a convenção nacional democrata que vai oficializar o candidato. Há duas formas: primárias e caucus. As primárias podem ser restritas a eleitores democratas ou abertas para qualquer cidadão que queira participar. O caucus é uma assembleia com debate aberto das preferências.

Cada Estado tem regras próprias para suas primárias ou caucus. Em Iowa, as regras preveem que um candidato precisa ter pelo menos 15% dos votos. Se não conseguir, os eleitores desse candidato podem apoiar um outro que tenha mais votos ou tentar atrair outros eleitores para superar os 15%.

Iowa é simbólico, porque dá o pontapé no sistema de escolha por prévias. É um estado pêndulo. Já apoiou Bush, Obama e Trump. Iowa é a América profunda _um grande produtor de milho, etanol, soja e carne de porco. É um Estado do agronegócio americano com produtores incomodados com a China e com os produtores brasileiros de soja, milho, etanol e proteína animal.

Mais de 90% da população é branca. Tem pouca diversidade e peso político. Iowa é um nome de origem indígena. Vem de um tribo Sioux e do rio Iowa. A capital Des Moines, com pouco mais de 200 mil habitantes, significa “dos monges” em francês. Iowa foi território francês.

A importância de Iowa reside mais no simbolismo da largada da corrida presidencial de fato. A convenção nacional democrata terá 4.750 delegados. Desses 3.979 são escolhidos nas primárias ou caucuses. E há 771 superdelegados _nomes da máquina partidária, parlamentares etc.

Iowa indica 49 delegados na convenção nacional democrata _1% apenas. No colégio eleitoral, Iowa tem apenas 6 votos num total de 538. Para ser eleito presidente, um candidato precisa alcançar, pelo menos, 270 votos no Colégio Eleitoral.

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Nova coluna

Os horários da Pastoral Americana serão os seguintes. Na segunda, logo após o Repórter CBN das 13h no CBN Brasil. Na terça, às 6h45 no Jornal da CBN – 1ª Edição. Na quarta, às 21h30 no CBN Noite Total se não houver programação esportiva. Na quinta, por ora, será às 18h32 no Jornal da CBN – 2ª Edição. Na sexta, às 15h50 no Estúdio CBN.

Por gentileza, prestigiem e ouçam:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy, não tem chance do Trump perder, pelo contrário sairá fortalecido, pelo corona vírus na China, por tabela.os Democratas já contabilizam a derrota ampla, por excesso constatado.Exatamente pelo excesso da imprensa com usas tendências, confundem mais o eleitor, em qualquer lugar do mundo; o Trump conta com isso. O momento político no EUA nunca foi tão exigente aos presidenciáveis. O Mundo esta conturbado como nunca, querem um candidato duro que mostre a cara, estes fatores e a fraca concorrência, vão leva lo a reeleição com folga. Tudo corrobora a favor dos EUA neste momento; os Chineses não pode endurecer com seu calcanhar de aquiles.

  2. MOACIR VIANA disse:

    Pelo menos, espero que possa freiar o Capitão tresloucado que temos na presidência !!

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2020-02-28 18:19:39