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Geral
19-02-2018, 8h00

Desafio de intervenção é deixar legado de longo prazo

Para dar certo, ações demandam planejamento
24

KENNEDY ALENCAR
LONDRES

O maior desafio da intervenção federal no Rio de Janeiro será deixar um legado de políticas públicas de médio e longo prazo para os próximos governador do Estado e presidente da República. Um problema de décadas dificilmente será solucionado em dez meses. É muito difícil que isso aconteça.

Mas, tomada a decisão de usar as Forças Armas na segurança pública, é preciso dar um crédito e ver que medidas vão ser adotadas nos próximos dias, semanas e meses. Certamente, serão exigidas ações por anos a fio.

A palavra principal é planejamento a fim de que não haja frustração no futuro. Desde 1992, o Rio sofre com essas intervenções militares nas operações de GLO, de Garantia da Lei e da Ordem, geralmente em eventos internacionais. Enquanto dura a intervenção, a situação melhora. Ela acaba, tudo volta a ficar como antes ou até pior.

O efeito de curto prazo pode ser positivo, mas é importante que ele seja sustentável no tempo. A blitzkrieg de Hitler dominou rapidamente o Leste Europeu (Polônia e Ucrânia, por exemplo) e chegou a estar a quilômetros de Moscou. A incapacidade de sustentar o terreno conquistado e a quebra da linha de suprimento e de armas foram mortais para Hitler, que, na Batalha de Stalingrado, viu o Exército Vermelho dar o troco, resistir e iniciar uma ofensiva que acabou tomando Berlim.

O mesmo paralelo pode ser feito com a malfadada intervenção militar americana no Vietnã. Não adianta ter a maior máquina militar do planeta. Ajuda, mas há exemplos na História que mostram que em muitos casos não resolve.

As UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) foram uma espécie de blitzkrieg que morreu na ocupação de terreno e não avançou numa integração com as necessidades sociais e econômicas das comunidades no Rio. De início, colheu-se um resultado. Depois, não se sustentou.

Fui cobrir a guerra do Afeganistão em 2001 pela “Folha de S.Paulo” como voluntário. Vi como as tropas especiais americanas ajudaram os guerrilheiros da Aliança do Norte a vencer rapidamente o Talebã. Mas os americanos estão atolados há 17 anos no Afeganistão.

Não dá para as Forças Armadas brasileiras virarem polícia do Rio e de outros Estados por duas décadas. O risco da atual intervenção é produzir um efeito temporário, dar gás a ideias regressivas de combate à violência que são defendidas por Jair Bolsonaro e falhar no plano de devolver ao poder civil o controle da segurança pública.

*

Repercussão internacional

O Brasil, infelizmente, está fora do radar dos principais acontecimentos no mundo. O país perdeu importância geopolítica nos últimos anos. E tem aparecido pouco no noticiário internacional. Quando aparece, é notícia ruim.

Em Londres, a primeira repercussão foi negativa, porque a ida das Forças Armadas para combater o crime ecoou imagens do passado, da ditadura militar.

Analistas dizem que muitos investidores ficam inseguros em pôr dinheiro no Brasil e demandam análises de risco. É um mau momento pro Brasil na cena internacional.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Intervenção pode ser um remédio amargo, mas é o único disponível ! Não dá para continuar como estava, é uma parceria com o crime e contra a sociedade.
    Agora é recolher os cacos e endurecer a legislação penal, especialmente em relação ao menor criminoso (chamado carinhosamente de infrator).

    • Lazaro disse:

      Entendendo que, embora não perceba, a sentença de morte já existe para muitos traficantes juvenis nas periferias do país, o encarceramento, em sua maioria são de traficantes ou envolvidos pelo tráficos. E não fazem tremer, o amedrontar. Analogamente aos “homens Bombas”, eles estão disposto a morrer. Endurecimento e repressão a longo prazo não causa efeito algum. O exercito, poderá sim realizar a repressão, mas isso não garante outros traficantes não irão agir, assim que forem debandadas as forças militares. As UPPs mostraram exatamente isto. A 10 anos o México tomou ações semelhantes com ainda os exército nas ruas, embora ainda apresentem níveis de violências alto. Um ponto importante é que, assim como a PM, em parte, foram cooptadas a corrupção e alianças com o tráficos, ocorre o risco de o mesmo ocorrer com o exercito.

    • paulo silva disse:

      Desculpe Kennedy, não concordo, com voce, tem que ser a longo longo prazo. .se for para ficar 10 anos.. que fique!!!, ora bolas, nos estamos em guerra com algum pais ? não, entao as forças armadas. recebem e tem que trabalhar e ajudar.. se for para sufocar o trafico tem que ficar 2 3 4 5 6 7 10 anos se preciso for.. vai resolver não sei… mais. para mim.. tem que começar uma revitalização das favelas. .com asfalto, escolas, hospitais… demolir becos e vielas.. e transformar em verdadeiros bairros. pode ser upotico. mais penso assim.. OU VAI ou racha

    • Analista Alpha disse:

      Não é baixando a idade penal que os crimes diminuirão. Quando baixar pra 16, os bandidos usarão menores de 14, 12, 10 …. vamos baixar a idade penal para quanto? 8, 6 ?
      São políticas públicas que retiram menores do alcance dos criminosos. É escola, emprego pros pais, faculdade pros jovens. Oportunidades.

    • Analista Alpha disse:

      Perfeita cara Maria Aparecida, só não consigo entender o temer queimando etapas, causando dificuldades extras, na reforma da previdência; porque não aguardam uma semana, para decretar tal intervenção; podem ter certeza, tem mais “buracos neste queijo”, a convulsão social, já esta acontecendo…estamos a beira de um estado de sitio; se o “governador”, não fosse do MDB já estaria expurgado também, trata se de mais um inútil, carregador de piano, que não tinha condição de vencer qualquer eleição…resultado, seu chefe esta preso, e muitos outros a caminho, enquanto isso o mdb tem esta bananosa nas mãos…a pergunta que fica…farão a reforma da previdência antes???

  2. QUADRILHAS MAIORES INSPIRAM AS MENORES - "NÃO ADIANTA SÓ ENXUGAR O GELO"! disse:

    Vemos o fruto de anos de roubalheiras oficiosas dos Executivos e Legislativos federais tomados por quadrilhas de roubadores de cofres públicos, travestidos de “representantes do povo”, aliados a empresários corruptos de várias áreas. Os partidos políticos hoje sequer têm uma ideologia política – uma “salada” de bandidos ora se digladiando, ora se unindo, sempre para roubar. A prova de que são quadrilhas são os envolvimentos com a justiça. A segurança pública foi relegada sempre a segundo plano e o resultado foi a bandidagem menor se achar no direito de criar um governo paralelo do crime – e criou. É necessário combater sim, o crime da ladrãozada inferior – mas não podemos esquecer que a Lava Jato tem que continuar combatendo a ladrãozada superior, a inspiradora daquela, ou estaremos simplesmente “enxugando gelo”, tapando o sol com a peneira. A nação espera e acredita que o Judiciário e nossas honradas Forças Armadas não se deixem envolver em “conversa para boi dormir”!

  3. Leonardo PP disse:

    Kennedy, é importante ressaltar que os números oficiais não mostram esta escalada da violência no carnaval do RJ, mto pelo contrário, ela é menor que nos anos anteriores. A exemplo da histeria relacionada a febre amarela, houve uma massiva cobertura sobre os crimes (rede Globo a frente dos seus veículos – CBN, jornal, TV aberta e Globonews).

    Obviamente que o crime no RJ não é diferente de outros anos e aumentou sensivelmente em um estado onde os funcionários públicos não recebem em eia, por outro lado em um fds em SP morreram 4 pessoas em eventos ligados ao pré-carnaval (sendo 3 assassinato) – como foi a cobertura? e os outros crimes tiveram a dimensão? o problema do RJ passa pela falta de governo e principalmente pela queda de receitas do estado, mas a imagem para a população é de um estado aonde o governador era chefe de uma quadrilha, pode-se tudo.

  4. Ronaldo disse:

    Se opressão e violência resolvessem problemas sociais ainda estaríamos todos vivendo sob o domínio do império romano. Um imenso grupo social vítima por muitas décadas do descaso do Estado e agora armado até os dentes e com um contingente de dar inveja a muitos países mundo afora não vai se curvar tacitamente à vontade de qualquer pessoa ou instituição. O caminho escolhido pelos “inteligentes e honestos” partícipes do califado do Jaburu pode funcionar como exemplo de barbárie, genocídio ou até desencadear a guerra civil tão almejada pelas “eminências pardas” que sem nenhum voto dirigem os destinos da Nação e acreditam que após um massacre generalizado colocariam no poder seu representante ideal, que nos poderia transformar, agora sim, em uma maravilhosa Cuba pré castrista, o maior bordel do planeta a serviço e para o prazer ilimitado dos sobrinhos do tio Sam e seus associados, afinal suas ambições expansionistas já não têm como se realizar no Oriente médio ou África.

  5. Márcio disse:

    O Gov. Federal está só ensaiando uma tomada em nível federal, quando interviu no RJ. A maioria do Gov. vão ser presos em breve. O povo está propenso a entregar o poder aos militares, a exemplo: Bolsonaro. Querem criar o Munist. Extraord. da Segurança, por quê? Para simplesmente coordenarem as polícias dos Estados, o coord. a tomada geral? Pense!

  6. Jota Jota disse:

    A intervenção não vai mudar nada. Na prática é férias para a bandidagem pois a maioria dos criminosos já foram presos – possuem extensa ficha corrida – e estão em liberdade em decorrência de um código penal e processual penal altamente conivente com a criminalidade. Cerca de 50% dos criminosos pegos em fragrante são soltos na audiência de custódia, e os demais ficam pouco tempo preso, nem latrocídas ficam muito tempo na prisão.

  7. ANDRE disse:

    Vejo com muita desconfiança os fatos que ocorreram no carnaval do Rio, me parece ter sido proposital tentar passar a imagem de caos na segurança da cidade, com o prefeito e o governador parecendo estarem trabalhando para que de alguma forma isto acontecesse. Pode ter sido realmente incompetência, mas tenho muitas dúvidas quanto a isto. Todos que prezam pela manutenção da democracia devem ficar atentos a estas intervenções militares, para que não sejam usadas disfarçadamente para golpear o país. Da mesma forma que não confio no judiciário, no legislativo e no executivo, não confio nas forças armadas, pelo seu próprio passado, em que uma insubordinação de sargentos, criada por um infiltrado dos oficiais do exército, o cabo Anselmo, levou a um golpe.

  8. Marcos disse:

    Agora irão fazer o ministério da segurança controlando a PF e vários órgãos. E devagarzinho sem o povo notar eles vão estacando a sangria, e vão se blindando e a corrupção continua no seu rumo a destruição do Brasil.

  9. Domenico disse:

    A intervenção é o melhor negocio impor o respeito e meter bala nesta bandidagem.

  10. Miguel Ângelo disse:

    Concordamos com teu comentário Kennedy.Mas se a segurança faz feio e repercute quanto aos investimentos externos. O que eles dizem então da notícia:Juízes ganham R$ 211 milhões com ‘auxílios’ atrasados. Diante a covarde imposição do governo de colocar uma Reforma que só atinge aqueles que começaram a trabalhar antes dos 18 anos na década de 60, 70? Você poderia comentar para gente, com base legal, se destes 211 milhões, quanto iria para a previdência fechada dos magistrados? Será que o problema é só realmente os pagamentos em atraso? Não deveria o povo ser consultado através de plebiscito, referendo, para impor um salário justo aos magistrados, em tese aos 3 poderes. Esta moralização do pagamento do salário até o teto. Não reflete melhor para o mercado externo, do que a mentira que estamos fazendo reforma na previdência? E cadê o Jungmann para os problemas internacionais? Só eu escrevo há meses sobre os Venezuelanos. Seria esta cegueira quanto a segurança externa uma briga contra o PT.

  11. Ray Magno disse:

    Pois é, quase todos concordam que mandar força especial com soldados inexperientes, andando pra lá e pra cá, pedindo documentos e eventualmente entrando em combates sem grandes novidades, nada resolve.
    .
    Entretanto, ninguém tem uma fórmula para acabar com a violência, assassinatos, os assaltos e o tráfico, porque simplesmente na cabeça de governantes isso nunca foi prioridade.
    .
    Sabemos que isso é jogar conversa fora, como sempre. Porém, atenção, o Rio de Janeiro está dentro de um mapeamento pandêmico brasileiro da violência. Já foi endêmico e epidêmico enquanto só no estado. Mas pra que esquentar, não é mesmo? O Brasil é o país do carnaval, gente. Do futebol, deve ser o quinto, mas não faz mal a gente ganha a Copa de novo.
    .
    Alguém pensaria em suspender o carnaval no Brasil por falta de segurança e concentrar-se numa estratégia nacional de no mínimo 5 anos para combater pra valer o tráfico espantoso de armas, drogas e etc.?
    .
    1001 argumentos contrários se levantarão!
    .
    Saudações.

  12. Frederico Perecin disse:

    A intervenção só é cabível se tudo resto falhou, caso do Rio, legado de longo prazo é desordem que se estabeleceu no Rio e no Brasil na área de Segurança Publica,por década de descaso

  13. João disse:

    O problema da intervenção é que só pega os bituqueiros da ponta….. e aí a gente já sabe que vai sobrar p os tres “ps”, pobre, .eto e .uta…. contra os quais não há necessidade de provas….. são pegos pela cara (tipo processo não tem capa)…..
    Até pq os tanques, metralhadoras etc…. vão para a periferia…. enquanto os de punhos de renda, geralmente branca e bem postada, tipo malas de dinheiro…. ou os helicópteros de cocaína???? ou alguém já viu tanque brucutú ou mandato coletivo nos ibirapuera / barra da tijuca da vida….

  14. DIRETO AO ASSUNTO: É PRECISO PASSAR O PAÍS A LIMPO - VIVA A LAVA JATO! disse:

    Será que só o Estado do Rio está precisando de “intervenção”? O Estado do Rio está para o problema da segurança pública, assim como a Previdência está para falta de dinheiro das roubalheiras aos cofres públicos – Estado do Rio e Previdência – os bodes expiatórios – os disfarces – as últimas enganações!As Forças Armadas combatendo a ladrãozada do morro… e a ladrãozada dos palácios?

    • Wellington Alves disse:

      Lugar do Exército não é na política. Abaixo a Lava Jato.

      • p/Welligton Alves disse:

        Que misturada é essa? As Forças Armadas (e não só o Exército) estão sendo usadas para combater a ladrãozada de baixo, que criou um estado paralelo, incentivada pelo mau exemplo da ladrãozada de cima (políticos e governantes travestidos de “representantes do povo” – e empresários corruptos; a Lava Jato combate a ladrãozada de cima! Então, quem não é ladrão e nem apóia a ladrãozada de baixo nem a de cima, deveria dizer: viva as Forças Armadas e viva a Lava Jato!

  15. renata vieira disse:

    Infelizmente a intervenção foi o único remédio que restou.

  16. Declaração impertinente do general Eduardo Villas Bôas nos Conselhos da República e de Defesa nacional, ontem, a “de que é preciso evitar no futuro uma nova Comissão da Verdade.”
    O general retoma o discurso velho, que vivia na boca dos que fizeram a ditadura. Só faltou a naftalina: “revanchismo”.
    Declaração que vem de encontro ao que costuma dizer o próprio general. Em entrevista recente ao Estadão, elogiou a maturidade da autonomia da democracia brasileira, sua dinâmica de pesos e contrapesos para absorver e processar conflitos sem a necessidade de quaisquer tipos de tutela, muito menos militar.
    Indispensável perceber a sensibilidade da própria função pública que exerce, neste momento particular pra minha Cidade atravessada, como sempre, pelo problema nacional confuso, inconcluso, entre segurança pública e defesa nacional: a abordagem militar da proteção social. Há na favela carioca uma questão que preocupa: a natureza bélica da disputa por território, cada vez mais grave, agora com

  17. Ray Magno disse:

    Claro que a intervenção das forças armadas é medida amarga. Mas como resolver esse caos em que o país mergulhou?
    .
    Fazer o quê? Confiar em quem? Resolver como? Não há solução a curto e médio prazos. Não há um planejamento sério, respaldado. Não há mágicas. Como deixar que bandidos e forças estrangeiras tomem conta cada vez mais desse país, que não sabemos se ainda é nosso?
    .
    A entrada de armas e tráfico pesado de drogas nessa terra nunca foram resolvidos. E atingimos o fundo do poço, já há tempos. Brasil terra humilhada!
    .
    Quem diz que forças armadas tem que ficar no quartel não está entendendo o que se passa. Em países mais organizados isso aconteceu um dia. Mas há que haver planejamento e logística concretos a longo prazo.
    .
    Ninguém desejaria as forças armadas nas ruas. Os moços bonitinhos lá de cima só falaram de políticas e reeleições. E mão na grana. Agora não tem jeito, não adianta espernear!
    .
    Saudações

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2019-11-17 23:15:41