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Kennedy Alencar

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Geral
08-04-2020, 11h16

Desigualdade social nos EUA faz covid-19 matar mais negros do que brancos

Dados alarmantes sobre mortalidade servem de lição para o Brasil
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Kennedy Alencar
WASHINGTON

Com cerca 400 mil casos e 13 mil mortes nos EUA, um detalhe do mapa do covid-19 mostra que os negros são mais atingidos do que os brancos. A fatalidade maior é resultado da desigualdade social nos EUA.

Em Illinois, com 15% da população negra, 42% das mortes foram de afro-americanos. Em Michigan, os negros representam 14% da população, mas 40% das vítimas fatais de covid-19. Na Louisiana, com 33% de habitantes negros, 70% das mortes são de afro-americanos.

A desigualdade social nos Estados Unidos explica a maior mortalidade entre negros. Essa população tem mais comorbidades, menor renda e, em muitos casos, resiste a ir ao hospital. Esta relutância não é medo do médico, mas da conta.

Muitos seguros de saúde demandam que o segurado arque com parte da despesa antes do desembolso da seguradora. Para evitar contas altas, pessoas hesitam em correr para o hospital. Em alguns casos, quando o fazem, chegam com sintomas graves devido a dias de espera.

O que acontece com a população negra nos EUA serve de alerta ao Brasil, que tem uma desigualdade social maior. É preciso implementar com urgência políticas para proteger os mais pobres no Brasil.

*

Voo cego

Andrew Cuomo, governador de Nova York, diz que só a aplicação de testes em massa dará condições de pensar num plano para reativar a economia adiante. Ele reiterou que essa hora ainda está distante, mas que é preciso elaborar a estratégia já.

Daí a importância de testar em larga escala. É outra lição importante para o Brasil, onde a discussão do isolamento social é dinamitada pelo incapaz presidente Jair Bolsonaro. Tratar de aumentar testes, então, é algo que parece passar longe do Palácio do Planalto.

Quem se preocupa com empregos deveria estar preparando um plano para testes em massa. Sem testes, está garantido voo cego para lidar com os efeitos econômicos da covid-19.

*

Irresponsabilidade republicana

Em Wisconsin, a Justiça determinou a realização de uma primária nesta terça em meio a uma pandemia. Republicanos não aceitaram o adiamento proposto pelos democratas, interessados em manter a votação para um cargo de ministro da Suprema Corte estadual.

Essa mistura de irresponsabilidade e oportunismo gerou filas de espera e comparecimento menor, porque muitas pessoas ficaram com medo de votar e contrair o vírus. Para os republicanos, as primárias não têm importância. O presidente Donald Trump será candidato à Presidência.

O que interessava mesmo era a briga por uma vaga no sistema de Justiça, que tem sido aparelhado pelo trumpismo com magistrados bem conservadores. Nos EUA, juízes ficam no cargo até morrer ou se aposentar por conta própria. Não há limite de idade.

As eleições americanas estão em segundo plano. Quem mais faz campanha é Trump, que transformou em comício de campanha o pronunciamento diário em horário nobre. Ele ameaçou cortar recursos da OMS (Organização Mundial de Saúde), numa tentativa de terceirizar responsabilidades pela incompetência na condução da crise do coronavírus.

Ouça os comentários feitos no “CBN Noite Total”, às 22h30 de terça, e no “Jornal da CBN – 1ª Edição” às 6h45 desta quarta:

Comentários
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  1. Walter Nobre disse:

    Estava escrito nas estrelas Kennedy, não houve mobilização no momento ideal, estão pagando por isso. o sistema de Saúde lá assemelha se ao brasileiro, quando os recursos são contingenciados o tempo inteiro, por vários governos, separando classes infelizmente. Por ser Ano político, já não seria fácil realizar movimentos para gastos, neste instante o Trump tem feito finalmente a lição de casa, lá como em qualquer lugar, onde recursos disponíveis pagam melhor qualidade de vida, não fogem a regra, com isso os negros que já vivem de carboidrato, acabam prejudicados ao quadrado. Os governos americanos mais afetados, arregaçaram as mangas, com ajuda do exército vão caminhar a passos largos para debelarem esta crise do corona. O Trump com o Bolsonaro governam com mãos de ferro, na devida proporção dos fatos, claro que o Brasil esta a frente em suas atitudes na segurança, independente de posturas heterodoxas; estamos caminhando bem apesar de tudo, vamos ter no mês de abril boas notícias..

  2. EUA & Brasil, tão diferentes e tão iguais disse:

    Não é novidade ao mundo que os negros padecem pela desigualdade nas Américas. Analisando os donos da terra: os índios (ameríndios). Não são tratados em desigualdade (tendem a invisibilidades), são exterminados. E não virarão nem estatísticas. Afinal, alguém controla os estrangeiros dentro da Amazônia que tem contato com os nossos indígenas? Não. E o que mudou com o Governo Bolsonaro? Tudo para pior. Esse governo a mando de Trump quer que nossos índios seja exterminados. Assim, garimpam até o centro da terra no Brasil para encontrar minérios. As desculpas de Trump, serão as mesmas de Bolsonaro. Aplicar testes em massa para quê? No Brasil seria um marketing negativo ao governo. Então, esqueçamos isso. Pois, Bolsonaro prefere (e já mostrou isso), que nós brasileiros morramos de coronavírus como cobaias de nos transformamos autoimunes (É seu Augusto Aras – não é assim que você enxerga a saidinha dele – fazermos o quê?). Diferente Trump quer a reeleição e aponta terceiros como culpados.

  3. EUA & Brasil, tão diferentes e tão iguais disse:

    No Brasil. O governo consegue culpar, seus colaboradores da eleição. Prefeitos, governadores, deputados, senadores que o apoiaram. Trump precisando de seus aliados internos, e da máquina pública, vira sua metralhadora para fora do pais. O problema é a China, o problema é a OMS, é comunidade pobre do país. Mas, não assume que o problema é ele, seus senadores, e os empresários que o apoiaram. O maior problema dos americanos é o Trump. Aqui, o presidente acusa a China. Que sabiamente fez negócio com os EUA. E o que Bolsonaro faz. Ele ainda irá hoje no jornal contar as glórias dessa amizade passiva, digna de saída do armário (feito o bicho papão). Nós governo conseguimos dos EUA a ajuda para máscaras e respiradores. Meu amigo Trump está me ajudando. E esquecerá claro. Que Trump comprou produtos da China a toneladas. E venderá ao Brasil mais caro. E nós (economistas cegos amigo de Bolsonaro). Novamente nos endividaremos com os EUA por Inhonhos. E vocês FFAAs, não estão vendo isso de novo.

  4. MARCELOS DE CARVALHO CALDEIRA disse:

    Prezado Kennedy,
    Mais uma vez você está de parabéns pela sua coragem em sensatez, atitudes ainda mais importantes em tempos de tanta irracionalidade como estamos vivendo.
    Permita apenas trazer mais uma variável para este debate.
    A estupidez do Bolsonaro tem método, como foi muito bem assinalado por você em outras oportunidades. Mas o que dizer do “andar de cima” do empresariado (leia-se FIESP e FEBRABAN)? Estão ali, nas sombras, sem se posicionar claramente. Ao que parece, estão mais preocupados com a continuidade das agenda de reformas liberalizantes do que com a mortalidade da COVID. Lamentável, mais uma vez esse posicionamento. Lembro dos tempos do AI5, do auge da repressão no governo Médici, quando eles financiaram os órgãos da repressão. Ou seja, o sacrifício da democracia era um mal menor diante das questões econômicas. E agora, o que vemos? O mesmo Estado, tão demonizado pela Escola de Chicago, é quem pode nos aliviar o sofrimento das pessoas, como em outras oportunidades

  5. EUA & Brasil, tão diferentes e tão iguais disse:

    O Coronavírus no Brasil aniquilará as empresas. Não porque estão fechadas. O consumo existe, as pessoas podem comprar pela internet, e a entrega pode acontecer com profissionais com equipamento e produtos esterilizado. Um dos motivos é que temos empresários. Muitos dos quais não vão existir por causa do Bolsonaro. Na economia uma coisa natural é quando se diminui renda a corrida para subprodutos. Onde claro, os de linha serão mantidos em estoque. E esse caminho não muda. Se não diminuir os preços dos produtos de linha. Não os vende. Só que nesse caminho. Bolsonaro já mostrou que é incapaz de defender os interesses do Brasil. Com o comércio exterior em baixa. Quem é que vai comprar os produtos de linha americanos? Os quintais: Brasil é um exemplo. E se não comprar? Bem Governadores, Prefeitos. Os EUA tem Alcântara a quantos km do DF? De SP? do RJ? Da BA? Dos Estados do Sul? o Brasil é refém da estupidez dos generais juntos a Bolsonaro. E o mundo de Trump e os Senadores que o apoiam.

  6. EUA & Brasil, tão diferentes e tão iguais disse:

    A diferença entre essa igualdade de terem a frente as piores representações para o bem comum de seu povo: Trump e Bolsonaro. É que o povo americano se reinventa. Gostemos ou não. Não é o governo que sustenta o povo americano. É o povo americano que faz os EUA um país especial. Gostem o mundo ou não. Mas, no Brasil. Uma elite financeira, que fez suas riquezas (não todos, mas bem poucos), em acordos com o erário e seus mandatários. Não vive harmoniosamente com o povo. E isso é claro. É uma mentira que a lei no Brasil serve a todos. O que faz um vereador do RJ (cria Bolsonaro) num gabinete em Brasília? Ora, sabendo que o RJ teve um ninho de corrupção administrativa. É justo ter um vereador despachando acordos no pé de ouvido do “papai” a favor dos interesses dele no Governo do Crivella). E os outros municípios não merecem da mesma invasão a Alvorada? E Aras? Lava as mãos nas masmorras da vaidade do cargo dado pelo presidente. Aqui ou lá. Impeachment devido aos vícios de mando não existem.

  7. Diule Queiroz disse:

    Bolsonaro, o Incapaz. (gostei da definição)
    Penso como será daqui 20 a 40 anos, quando sociólogos e historiadores tentarem explicar como elegemos esse ser para a presidência. Péssimo militar, péssimo deputado, péssimo orador e agora péssimo presidente. Alguém que só tem discurso de ódio e fala somente para os seus. Que chama torturador e ditadores de herói. Que vai contra a ciência e os fatos. Infelizmente a resposta para esse acidente na nossa história não poderá ser respondido agora, somente daqui muitos anos, quando sairmos das condições que levaram a tal eleição macabra.

  8. José Antônio disse:

    E ainda boa parte do povo, inclusive pobres, ficam defendendo os Estados Unidos, como se lá fosse tudo progresso ( econômico pode ser), mas social, nem tanto.
    Pessoas que exibem a bandeira americana em perfis de whatsApp; que atacam, repetindo os “seus chefes” ideológicos a China, não para defender o Brasil, mas para defender os EUA.
    Defendo que o Brasil não deveria seguir nem ser vassalo de nenhum país e trilhar a busca de se tornar potência.
    A China fez isso, não quis ficar sob os pés da URSS e hoje é grande potência.
    Já o Brasil, adora adular Tio Sam.

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