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Política
07-01-2019, 20h29

Despreparo e estratégia de agressão marcam início do governo

Decreto para liberar mais armas é erro grave
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

Despreparo administrativo e estratégia política agressiva são as palavras que definem o início do governo Jair Bolsonaro.

Na semana passada, ficou evidente a falta de estratégia clara a respeito da reforma da Previdência e a incapacidade do presidente da República de dar informações corretas sobre esse tema em particular e a economia em geral.

O despreparo, que já é grave, ganha a adição de uma estratégia agressiva que busca ver inimigos por todos os lados. Bolsonaro e seus filhos têm mirado no PT, Lula, imprensa, “globalismo marxista”, seja lá o que isso signifique.

Paulo Guedes, ministro da Fazenda, voltou a bater duro, falando em caixa preta nos bancos públicos, em associações perversas entre burocratas e políticos.

Ora, é preciso apresentar provas de crimes cometidos nos bancos públicos. Apontar suspeitas sem provas é uma atitude leviana, sobretudo na boca de ministro. Também é necessário entender que a exportação de serviços é prática global correta da maioria dos governos.

O Brasil tem projeção geopolítica na África e na América Latina. É natural que o BNDES tenha financiado projetos de empresas brasileiras que conquistaram obras. Se houve casos de corrupção nos contratos, que sejam apurados e punidos.

É falta de compreensão da economia internacional atacar suposta rede de corrupção nos bancos públicos. O que Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda de Dilma, pensa realmente sobre esse discurso a respeito dos bancos públicos e do BNDES? Como esteve no governo, Levy pode ajudar Guedes a obter provas de suas acusações.

Normalmente, governos buscam evitar conflitos. A gestão Bolsonaro opta por acirrar confrontos. Essa estratégia pode até funcionar na campanha. Afinal, deu certo para o novo presidente.

Mas governar com a estratégia agressiva contra tudos e todos costuma dar errado e dificultar a entrega de resultados. Nos EUA, o presidente Donald Trump, por exemplo, começa a ver que esse método tem limite.

Foram incomuns o nível de bateção de cabeça, de anúncios equivocados e de choques internos na primeira semana do governo Bolsonaro. Isso não é da tradição nacional, mas sinal preocupante da falta de preparo para administrar um país tão complexo como o Brasil. E a agressão como método também não trará boas novas.

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Bárbarie à vista

O futuro decreto de Bolsonaro para afrouxar as regras para posse e, eventualmente, porte de armas será um dos maiores erros de sua Presidência. É uma irresponsabilidade com a população.

Contraria tudo o que os principais especialistas dizem sobre combate à violência. É inacreditável que o ex-juiz Sergio Moro, ministro da Justiça, esteja dando aval a uma medida tão equivocada.

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Abacaxi federal

Os ataques no Ceará soam como um desafio a Moro e Bolsonaro. O Estado precisa vencer o crime organizado. Deve fazê-lo com inteligência. Há alguma em Brasília?

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Nova escravidão

O fanatismo religioso numa seita do Distrito Federal ajuda a explicar o cárcere privado de uma jovem e as barbaridades a que foi submetida.

Ouça os comentários de hoje no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
10
  1. FERNANDO ANTONIO BRAGA MONTEIRO disse:

    Bolsonaro é consequência da bipolarização que o país vive.Dizem os especialistas que o PT e o PSDB precisam de uma autocrítica – o que é verdade – mas não podemos deixar de fora a imprensa brasileira, pois parte esmagadora dos jornalistas incitara a bipolarização apostando tudo na vitória do Aécio. Com a derrota do tucano – não digerida diga-se de passagem – a imprensa passou a apoiar as pautas bombas do Eduardo Cunha para sabotar a petista, mesmo sabendo que este estava atolado em corrupção com provas robustas que esta mesma imprensa ignorou visando a derrocada da Dilma.Até Moro entrou neste vale tudo. Quando, na posse do Bolsonaro, jornalistas foram tratados muito mal, embora achando errado – afinal estavam no cumprimento do seu trabalho – confesso que não senti nem um pouco de pena Kennedy, pois ali estava gente que ao invés de ter feito bom jornalismo, preferiu jogar para a torcida incentivando o antipetismo em um impeachment eivado de irregularidades.O Brasil agora corre perigo.

  2. walter disse:

    Kennedy meu caro, pode até ser para alguns, motivos de agressão os relatos deste governo neste inicio; estão bem transparentes até aqui; o lula esta respeitando, e aguardando um desfecho; se as expectativas forem correspondidas, este país vai vibrar, com tantas perspectivas, como a muito não se vê…haverão ajustes, certamente; por tudo isto, é precoce condenar as iniciativas positivas, pelo conjunto…quanto a caça as Bruxas, nos bancos do governo, não houve qualquer citação à Nomes ou partidos; pode ser inquiridos, ministros do governo temer, acho cedo qualquer ilação, sobre os argumentos do Paulo Guedes, devemos aguardar…o caso do Ceará, começou, ao assumir o novo governador do PT, com aliança local, com os Irmãos Gomes, ninguém sabe bem porque?…Realmente, a violência contra as mulheres, assombra; imagino, seja uma das pautas do Dr Moro…a questão das armas, podem gerar muita polemica, mas já estavam previsto lá atrás por consulta…tudo pode melhorar caro, vamos aguardar…

  3. NSK disse:

    FABEAPA 2019.

    É a estratégia Trump na versão república Bozonariana: Fale e faça bobagens seguidamente, várias vezes ao dia, todos os dias. Assim quando as pessoas começarem a reagir a uma abobrinha, já tem mais cinco esperando na fila.

    Enquanto isso o Queiroz, o motorista de um milhão, continua desaparecido.

  4. Alberto disse:

    Samba de uma nota só.

  5. Wellington Alves disse:

    O presidente mais despreparado (não a atoa quer que um deus inexistente o prepare) e o governo mais incompetente que já tomou posse.

  6. VIVA A LAVA JATO, DOA A QUEM DOER! disse:

    Diante da corrupção desvendada pelo Mensalão/Petrolão, há que se cuidar, sim, do PT, Lula, imprensa defensora do globalismo marxista e tudo o mais relacionado à corrupção. Bater duro nas caixas pretas de Bancos públicos é demonstrar respeito pelos milhões de pagadores de impostos. Não tenho visto “acusações” e sim promessa de “investigações”, embasadas nos antecedentes de escândalos de corrupção. Suspeita e conseqüente investigação é obrigação de um governo que sabe que governos anteriores cometeram crimes de vários tipos, lesando gravemente os cofres públicos. O PT, no governo, não fez isso, quanto aos governos anteriores, porque preferiu aderir à corrupção. “Não” a excessos nas investigações, e “não” aos condenados legalmente que se colocam como “vítimas” – pois a única vítima de toda essa vergonha que tomou conta do país é o contribuinte, pagador de imposto, principalmente o das camadas mais pobres, o mais atingido pelos efeitos da ladroagem aos cofres públicos.

  7. Marcos disse:

    O Ceará não tem GOVERNADOR, não? Por que Bolsonaro leva a fama, já que no Ceará tem POLÍCIA?

  8. ANTONIO WOLFGANG BIERBAUER disse:

    Kennedy, sim creio ser um pouco cedo para afirmar despreparo, falam muito em equipe, porém é preciso consolidar as opiniões e agir.

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2019-03-23 17:26:33