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Geral
09-09-2013, 19h47

Dilma deve ir além das palavras na ONU

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A presidente Dilma Rousseff prepara um discurso para a Assembleia Geral da ONU, agora no final de setembro, em Nova York. A promessa é defender novas regras para a segurança de pessoas e empresas na internet, uma chamada “nova governança” na rede mundial de computadores.

Trata-se de uma boa intenção, mas há deveres de casa que o Brasil precisa fazer antes. Primeiro deles: o governo deveria retomar com prioridade a discussão no Congresso sobre um marco civil regulatório da internet. Esse assunto ficou em banho-maria.

Segundo, o Brasil precisa articular com outros países uma pressão conjunta contra a revelação de que as agências de espionagem americana e britânica são capazes de bisbilhotar tudo e todos na internet.

Fazer discurso na ONU será importante, mas ele poderá cair no vazio. Servir apenas como satisfação para o público brasileiro a fim de justificar a visita de Estado a Washington no mês que vem.

É óbvio que interessa ao Brasil diminuir e não agravar a crise com os EUA, nosso segundo parceiro comercial _a China é o primeiro. Mas, em determinadas situações, um lado acaba ficando seu saída e precisa enfrentar o outro. Talvez seja conveniente analisar com seriedade a hipótese de cancelar a visita de Estado a Washington. Vamos aguardar as explicações e a retratação americana…

O Brasil não é uma república de bananas. Tem peso geopolítico. Melhorou a sua inserção no mundo nos últimos anos. Possui escala econômica. É uma potência energética e ambiental.

Marcar reunião do novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Figueiredo, em Washington é um pequeno passo. Melhor seria uma satisfação ser dada aqui em solo brasileiro. Nossa diplomacia tem de retomar a audácia do governo Lula.

Parte da atual ausência de iniciativa do Itamaraty se deve ao estilo centralizador da presidente. O antigo ministro, Antonio Patriota, queixava-se de falta de autonomia. Dizia que não tinha um décimo do poder que Celso Amorim recebeu de Luiz Inácio Lula da Silva. Falava que Dilma cortava suas asas.

O caso do “contrabando” do senador boliviano para o Brasil é exemplo da falta de ação do Itamaraty que o Brasil tanta critica na ONU. Houve uma paralisia que resultou na explosão do bem-afamado diplomata Eduardo Saboya.

Quando assumiu em 2011, Dilma inventou uma diplomacia de direitos humanos que não se sustentou. Hoje, com razão, ela pede que a Síria só seja atacada com aval da ONU. A tão desejada distensão com os EUA deu qual resultado? A atual crise?

O Brasil tem de voltar a priorizar a integração latino-americana. Deve aumentar ainda mais a sua presença na África. E voltar a articular com emergentes e nações mais desenvolvidas que recusam um mundo a reboque da supremacia econômica e militar americana. O Brasil não deve temer o papel de contraponto.

Para isso, Dilma precisa se interessar por política externa como Lula se interessava. E faz falta um ministro com o estilo elétrico e ousado de Amorim.

 

Comentários
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  1. Marcus Cunha disse:

    EUA historicamente roubam nas regras do jogo para obter vantagem econômica e quando não conseguem, são capazes de inventar uma razão para a guerra. Está mais do que na hora de boicotarmos produtos USA como forma de puni-los no que lhes é mais caro, economicamente.

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