aki

cadastre-se aqui
aki
Entrevistas
08-06-2016, 21h45

‘Dilma é responsável por queda; Temer emite sinais contraditórios’

Haddad acha que oposição "jogou contra país" e agravou erros na economia
21

KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse que a presidente afastada, Dilma Rousseff, errou “na condução da política econômica”. Ele também considera Dilma a principal responsável por sua queda da Presidência.

Questionado se a maior responsabilidade pela perda do poder cabia à presidente afastada, Haddad respondeu: “É evidente que, sempre, o chefe do Executivo responde mais do que os outros. Mas não podemos perder de vista o contexto também. […] Acho que a oposição também jogou contra o país”.

Ao fazer uma avaliação do governo Temer, Haddad disse que “os sinais são muito contraditórios” e deixaram as pessoas “atônitas” em poucas semanas. “Ainda não está clara qual é a agenda do governo. E isso é ruim, porque um país em crise não pode vacilar. Um país em crise tem de saber o que fazer.”

Em entrevista ao SBT, Haddad declarou que “não há dúvida que houve erro de condução na política econômica no governo Dilma”. Afirma que alertou a então presidente sobre equívocos na política monetária. Considera que ela se errou ao manter congelado por longo tempo o preço da gasolina: “Foi um erro administrar preços públicos, por exemplo. Não era o caso de administrar preços públicos”.

Para Haddad, o desastre da política econômica do governo Dilma prejudicou São Paulo. “Sim, mas sem dar calote em ninguém”.

O prefeito é crítico da política monetária da gestão de Alexandre Tombini, que será substituído por Ilan Goldfajn na administração Temer. “Eu acredito que o Banco Central errou e vem errando na condução da política monetária.”

Haddad considerou uma vitória ter renegociado a dívida da Prefeitura de São Paulo com a União. Mas a recessão inviabilizou o aporte de recursos federais que ele prometeu na campanha eleitoral de 2012 e que esperava obter no governo Dilma.

“Veio menos da metade do previsto no período. Dos R$ 8 bilhões conveniados, nós estimávamos, no primeiro mandato, conseguir no mínimo R$ 3 bilhões. Conseguimos R$1 bilhão. É pouco, podíamos ter conseguido mais. (…) Depois da reeleição, começa o período de recessão. Isso inviabilizou a remessa de recursos federais para cá e para todo o Brasil.”

Haddad defendeu o conjunto de ações da política pública de mobilidade que aplicou em seu governo, como ciclovias, faixas de ônibus exclusivas, diminuição da velocidade no trânsito e fechamento de avenidas para lazer.

“Nós aumentamos a fiscalização para reduzir os acidentes. Isso, sim. Isso é dever do poder público. Uma das filas mais expressivas do SUS (Sistema Único de Saúde) é a de cirurgia ortopédica, fruto de acidentes de trânsito. Então, as pessoas querem melhorar a saúde e não querem melhorar a vida urbana? É uma contradição. Nós seguimos recomendação da ONU. A Organização Mundial da Saúde recomenda para todas as cidades que moderem a velocidade máxima. Porque melhora a velocidade média, como nós demonstramos, e reduz drasticamente o número de acidentes.”

A respeito da candidatura à reeleição, afirmou: “Estou confiante de que eu vou conseguir explicar o muito que nós fizemos por São Paulo. Se isso vai ser suficiente, quem manda é o eleitor. (…) Não vale a pena uma troca de rumo. O rumo está correto. São Paulo nunca esteve tão bem do ponto de vista das suas finanças, do ponto de vista da sua legislação urbanística, do ponto de vista de seus investimentos. Eu quero ter a chance de provar essa tese. Agora, vou ter a humildade de acatar qualquer que seja o resultado”.

Abaixo, seguem a íntegra em vídeo e texto da entrevista com Haddad, feita em São Paulo, na tarde desta quarta-feira

*

Parte 1 – Prefeito defende política de mobilidade urbana

Parte 2 – Avaliação sobre governo Temer

*

Kennedy Alencar: Vamos começar falando dos temas de São Paulo, a maior cidade do país. Tem uma ideia icônica, prefeito, que é a ideia das ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas, que as melhores cidades, as mais modernas do mundo implantaram. O senhor implantou isso em larga escala em São Paulo. Há uma crítica de que é uma boa ideia que não teria sido tão bem implantada. Teria sido mal implantada porque alegam que há um maior risco de colisão, que alguns trajetos não terminam no metrô, para ter complementação dos chamados modais. Como o senhor avalia essa crítica e esse projeto?

Fernando Haddad: São Paulo certamente promoveu no país o maior plano de mobilidade urbana da história. Fala-se muito da ciclovia, que é um item desse plano, mas, às vezes, os críticos se esquecem de dizer que foram 506 km de faixas e corredores exclusivos para ônibus; o maior número de metros quadrados de calçadas já feito _ superamos a marca de um milhão de metros quadrados de calçadas novas na cidade de São Paulo. Esquece-se da recomendação da Organização Mundial da Saúde de segurança no trânsito, todas adotadas na cidade de São Paulo, o que fez reduzir drasticamente o número de acidentes e de mortes no trânsito.

KA: Foi a diminuição da velocidade, não é isso?

FH: Exatamente. Com a melhoria do trânsito. São Paulo, que era a sétima cidade do mundo, das 300 avaliadas, que tinha o pior trânsito, o sétimo pior do mundo, hoje está na 58ª posição. Em apenas dois anos, em função das melhorias e das obras viárias que foram feitas, da duplicação de avenidas importantes como Belmira Marin, Estrada do Alvarenga, M’Boi Mirim, dentre outras. E aí se pega uma questão pontual sobre os 400 km de ciclovias que foram feitos na cidade de São Paulo. É um plano de mobilidade.

KA: O senhor acha que as críticas são apenas por causa das ciclovias ou tem uma incompreensão geral em relação a esse plano? Por que tem essa gritaria, na sua avaliação?

FH: Na minha avaliação, a oposição joga muito na confusão. Tem uma lei federal que tem uma receita de bolo sobre como tratar a mobilidade. São Paulo fez a lição de casa e com muito êxito. Na questão específica da ciclovia, qual é o objetivo da malha cicloviária? Aumentar o número de ciclistas. Dobrou. E diminuir o número de mortes. Caiu 34% em 2015. Então, é um sucesso sob todos os pontos de vista. São Paulo está fazendo o que tem de ser feito na área de mobilidade como nunca se fez. Recentemente, foi a primeira cidade do Brasil que regulamentou o uso de aplicativos para compartilhamento de viagens. Então, todos os aplicativos de transporte individual estão regulamentados na cidade. Regulamentou o transporte de cargas, regulamentou o fretamento. Nós tomamos todas as medidas que os maiores especialistas do Brasil e do mundo recomendam para cidades do porte de São Paulo.

KA: Seria um choque com essa cultura do carro, que precisaria de um tempo de aceitação?

FH: Eu diria que mais do que isso, é a democratização do espaço público. Se tem um símbolo da minha gestão, é o do uso racional do espaço público, desde a avenida Paulista aberta para os pedestres. Também é outra diretriz do Plano Nacional de Mobilidade que vias da cidade sejam abertas para pedestres, ciclistas, skatistas em determinados horários e dias da semana. Ou seja, nós seguimos à risca a recomendação do que tem de mais avançado no mundo. Críticas pontuais são da natureza de quem faz. Quem não faz não é criticado, porque não faz.

KA: Outro ponto, a chamada indústria das multas. De 2003 para 2016, o número de radares em operação praticamente dobrou. Passou de cerca de 500 para 900 radares. O Ministério Público tem travado uma luta contra o senhor, tem questionado. A arrecadação dos Estados e municípios da União caiu no Brasil inteiro. Uma acusação que se faz é de que essa indústria da multa é uma forma de suprir a falta de arrecadação de recursos e de desviar o uso dessa verba, que deveria ser aplicada em educação ou engenharia de tráfego, para, por exemplo, pagar a Polícia Metropolitana. Qual é a sua resposta a essa crítica?

FH: A arrecadação de multa na cidade de São Paulo está estável há seis anos. Desde o terceiro ano do governo Kassab para cá, a arrecadação em termos reais é exatamente a mesma. Nós aumentamos a fiscalização para reduzir os acidentes. Isso, sim. Isso é dever do poder público. Uma das filas mais expressivas do SUS é a de cirurgia ortopédica, fruto de acidentes de trânsito. Então, as pessoas querem melhorar a saúde e não querem melhorar a vida urbana? É uma contradição. Nós seguimos recomendação da ONU. A Organização Mundial da Saúde recomenda para todas as cidades que moderem a velocidade máxima. Porque melhora a velocidade média, como nós demonstramos, e reduz drasticamente o número de acidentes.

KA: Os números são quais em redução de acidentes?

FH: A ordem de grandeza de feridos estimada para o último ano caiu de 38 mil para 28 mil. Então, 10 mil pessoas deixaram de se machucar no trânsito e 250 deixaram de perder a vida no trânsito de um ano para o outro. Para se ter uma ideia, no Brasil, morrem 24 brasileiros por 100 mil habitantes no trânsito. Em São Paulo são oito. É um terço da média nacional.

KA: O senhor atribui isso a essas medidas?

FH: Evidente. E a acusação de que está sendo desviado dinheiro de multa para fazer terminal de ônibus é um absurdo. Você vai fazer o que com o dinheiro da multa? Você tem que investir em transporte público. Na verdade, o Ministério Público deveria recomendar a aplicação do recurso da multa em transporte público, que é o que nós estamos fazendo. E é o que deveria ser feito, na minha opinião.

KA: Eu me lembro de que, na eleição de 2012, um eixo importante do seu discurso era “como eu sou do PT, o partido da presidente Dilma, eu vou ter mais facilidade para renegociar a dívida da cidade com a União e de trazer mais recursos”. O que a gente viu, ao longo desses quatro anos, até porque uma recessão grande se instalou no país, foi uma dificuldade enorme para renegociar a dívida. Não vieram os recursos que, no momento da eleição, o senhor tinha a expectativa de que viriam. E a gente viu, por exemplo, que a DRU, a Desvinculação de Receitas da União, que é aquela emenda constitucional que dá maior liberdade com relação a gastos fixos, acabou sendo estendida para Estados e municípios no governo interino de Michel Temer. Era até uma reivindicação do senhor. De uma maneira geral, em relação à dívida e recursos federais, a presidente Dilma não cumpriu o combinado com o senhor?

FH: Vamos por partes. Em primeiro lugar, a dívida. A presidente Dilma mandou para o Congresso Nacional, ainda em 2012, um projeto trocando o indexador da dívida. Quem recusou a oferta foi São Paulo. Porque São Paulo queria que a troca do indexador valesse desde a data da assinatura do contrato, no governo Pitta e Fernando Henrique Cardoso, no ano 2000. A presidente não concordava com essa retroatividade. E nós sensibilizamos o Congresso Nacional, isso nos levou dois anos de trabalho, para trocar o indexador desde a data da assinatura do contrato. Resultado: eu peguei o município com R$ 72 bilhões de dívida e vou entregar com R$ 28 bilhões. Acho que valeu a pena. São R$ 46 bilhões a menos de endividamento. Isso não tem precedente na história do país, um prefeito ter conseguido reduzir em mais de 60% a sua dívida em um mandato.

KA: O senhor trabalhou até na área econômica no Governo Federal e também durante a gestão Marta em São Paulo. É importante esse dado, a resistência da União em renegociar. Diziam que isso geraria uma instabilidade muito grande no país. O senhor estaria renegociando um acordo que foi feito com São Paulo no ano 2000 e com outros Estados na segunda metade dos anos 90. Isso abre um problema fiscal para um país que já está com uma política fiscal destruída.

FH: Não é verdade, porque é uma troca de dívida. Não é gasto adicional que está sendo autorizado. Você está reconhecendo que a União cobrou mais do que deveria. Era um indexador indevido, um desequilíbrio no contrato. A União não pode enriquecer às custas das cidades, que é o que estava acontecendo. A renegociação da data da assinatura era para corrigir um desequilíbrio. Tanto é que todos os partidos votaram a favor de São Paulo. Tomou dois anos, mas votou a favor de São Paulo.

KA: O Supremo Tribunal Federal deu um prazo de 60 dias para haver uma renegociação com os Estados.

FH: Aí, não envolve os municípios.

KA: Mas é mais ou menos a mesma questão, uma discussão que envolve o indexador.

FH: R$ 46 bilhões, para que o telespectador entenda, são dez anos de investimento na cidade. São Paulo investe hoje, de forma inédita, R$ 4,5 bilhões por ano. Eu não podia abrir mão disso. E o que de melhor podia ter acontecido para São Paulo era isso. Não vieram os recursos do PAC, como nós gostaríamos. Veio menos da metade do previsto no período. Dos R$ 8 bilhões conveniados, nós estimávamos, no primeiro mandato, conseguir no mínimo R$ 3 bilhões. Conseguimos R$ 1 bilhão. É pouco, podíamos ter conseguido mais.

KA: Por que não veio?

FH: Por causa da recessão. Porque, quando as obras foram licitadas, coincidiu com a reeleição [de Dilma]. Depois da reeleição, começa o período de recessão. Isso inviabilizou a remessa de recursos federais para cá e para todo o Brasil.

KA: Vamos falar da DRU para explicar direitinho. Já foi votada na Câmara uma emenda constitucional em que se desvinculam as receitas da União. Isso vai ser estendido para Estados e Municípios. Essa é uma proposta. O governo Temer diz que vai apresentar uma outra proposta de emenda constitucional para a União limitar o crescimento dos gastos à inflação do ano anterior. Ou seja, em 2017, se vai poder gastar o mesmo que se gastou em 2016 mais a inflação. Como que o senhor vê essas duas questões?

FH: Eu fui o ministro da Educação que acabou com a DRU da Educação. O governo Fernando Henrique desvinculou os recursos da educação. O governo Lula, na minha gestão como ministro, revinculou. Tanto é que o orçamento da educação, durante a minha gestão, saiu de R$ 20 bilhões para R$ 100 bilhões, nessa ordem de grandeza. Eu sou contra a DRU para a saúde e a educação. Acho que são áreas que precisam ser preservadas. Outras vinculações são desnecessárias. Na minha opinião, é até um equívoco do ponto de vista do planejamento. Mas saúde e educação, se você não vincular, no Brasil, os governantes não vão investir.

KA: Temer disse em entrevista ao SBT na semana passada que a vinculação em saúde e educação será mantida, mas dentro desse teto. Ou seja, vai ser a despesa de 2016 sempre acrescida da inflação, mas não vai diminuir percentualmente. Essa receita é importante, prefeito? Porque nós estamos vendo que houve uma destruição do superavit primário e da política fiscal no Brasil. O mercado internacional, os investidores, olham com preocupação o crescimento da dívida pública no Brasil. Não é uma medida acertada essa do teto para despesas públicas?

FH: Eu acredito que nós precisamos corrigir os gastos públicos. Mas com essa política monetária… Eu entendo que a política monetária está corroendo a base do ajuste fiscal.

KA: Mas não é porque não tem uma política fiscal consistente, que ajude a política monetária? Toda a crítica que o Banco Central faz é que, durante o governo Dilma, ela acabou com a produção do superavit primário, a arrecadação caiu e todo o custo de combater a inflação fica sobrecarregado na política monetária. O senhor entende bem disso. Uma política fiscal mais austera não ajudaria a reduzir os juros?

FH: Mas aí é que está. A contradição foi que os juros deveriam ter subido quando a política fiscal não era austera. Até porque nós estávamos vivendo uma situação de pleno emprego. Cabia subir os juros num momento em que o desemprego estava em 4,8 ou 4,9%. Nós chegamos a uma taxa de praticamente pleno emprego no Brasil.

KA: Então, foi um erro do governo Dilma?

FH: Foi. Evidente que foi.

KA: O senhor falou com ela, a alertou disso?

FH: Falei. Como foi um erro, também, administrar preços públicos, por exemplo. Não era o caso de administrar preços públicos.

KA: Congelar o preço da gasolina, por exemplo?

FH: Não há dúvida que houve erro de condução na política econômica no governo Dilma. Como houve no primeiro mandato do governo Fernando Henrique. Nem todo mundo acerta todas. Houve um erro e estava-se pretendendo corrigir. Agora, a correção que foi feita com esse choque monetário que foi dado no crédito e na taxa básica de juros, está corroendo o ajuste fiscal. Você está cortando despesa e a recessão está se aprofundando, ao invés de a gente superar essa situação. O equilíbrio fiscal é necessário, seja por corte de despesa ou aumento de receita. Mas, com essa política monetária, a conta não vai fechar.

KA: O Banco Central tinha de estar baixando os juros? Tem reunião do Copom.

FH: Eu acredito que o Banco Central errou e vem errando na condução da política monetária.

KA: Prefeito, ainda uma questão da cidade de São Paulo, a das creches. Há uma crítica de que as creches não foram construídas e entregues na proporção prometida na campanha de 2012. O senhor reconhece que essa crítica está correta? Acha que o que entregou é satisfatório? Poderia ter feito mais?

FH: Em primeiro lugar, nós abrimos 370 creches na cidade de São Paulo. É recorde histórico. Na educação infantil, são 92 mil vagas. Nós devemos, até o final do ano, superar 100 mil vagas. Qualquer bairro que você visite em São Paulo, pergunte para as mães quanto tempo elas levavam para conseguir uma vaga e quanto tempo elas levam. Não tem precedente o que se abriu de creches em São Paulo. Na recessão. Na maior recessão da história, o Meirelles hoje está falando na maior recessão da história.

KA: Que pode ser maior do que 1929, ele falou.

FH: Pior do que 29. Nós fomos o governo que mais abriu vagas de educação infantil. Nós fomos o governo que não deu calote em ninguém. Todos os meus antecessores, todos, deram calote em credores. Sejam fornecedores, sejam credores de precatórios. Sem exceção.

KA: O desastre da política econômica do governo Dilma prejudicou São Paulo.

FH: Sim, mas sem dar calote em ninguém, reajustando os servidores, sobretudo professores, médicos e enfermeiros, eu estou batendo recorde em investimento, inclusive na Educação. Não se abriu vaga em creche na proporção atual em nenhum governo passado. Vamos superar 100 mil vagas de educação infantil. Queríamos chegar a 150 mil, como prometido? Queríamos. Seria mais que duas vezes o melhor desempenho passado. Mas você chegar em 100 mil, tendo prometido 150 mil, com 8% de recessão acumulada em dois anos, eu acho que é um compromisso com a educação que ninguém vai deixar de reconhecer.

KA: Eu queria ouvir a avaliação do senhor a respeito de dois índices. Nós vamos ter eleição em outubro, o senhor vai ser candidato à reeleição. Quem está liderando, por ora, é o Celso Russomano. Há até uma discussão jurídica se ele poderá ser candidato ou não. Mas, se for, ele está no patamar dos 30%. O senhor e a Marta oscilam naquele patamar de 12% a 15%, alternando um pouco a colocação a depender das pesquisas. O Andrea Matarazzo, do PSD, e o João Dória Jr., do PSDB, entre 3% e 5%, num pelotão abaixo. Para um prefeito que, como o senhor está dizendo, considera que fez um bom trabalho, não é um índice de intenção de voto muito baixo? A avaliação do desempenho do governo do senhor também é baixa. A maioria da população tem uma avaliação negativa. Como o senhor explica esses dois índices?

FH: Em primeiro lugar, eu cortei em 50% a verba de publicidade. O governo Kassab gastou _ porque aí é gasto mesmo, não é investimento_ R$ 800 milhões em publicidade.

KA: Em quatro anos.

FH: E terminou mal o governo. Eu ganhei do José Serra, que tinha sido candidato a presidente e ganhado em São Paulo a corrida presidencial.

KA: E tinha tido o apoio do Kassab naquela eleição.

FH: Eu venci o candidato mais forte do PSDB, naquilo que eles consideram o seu quintal, saindo de 3% de intenção de voto. E o governo Kassab, gastando quase R$ 1 bilhão em publicidade, terminou o mandato com 24% de aprovação. Vamos dar chance ao tempo, porque eu não tive tempo de defender o meu governo em nenhuma circunstância. São três anos de crise. E há um alinhamento: ou o meio de comunicação é neutro, ou é muito desfavorável à administração. Nós tivemos um arranca-rabo grande com vários setores da mídia, inclusive pela redução dos gastos de publicidade.

KA: O senhor se considera perseguido pela imprensa?

FH: Não me considero perseguido. Porque eu tomei decisões que contrariaram interesses de boa parte dos meios de comunicação. Você não reduz em 50% a verba de publicidade impunemente. Agora, vamos dar tempo ao tempo. Deixe a campanha começar, apresentar o governo.

KA: A aposta do senhor é que, na campanha, o senhor terá tempo para vender o seu governo e ganhar a eleição, na sua opinião?

FH: A conjuntura é muito desfavorável para a classe política em geral. Eu não vou ser arrogante de dizer qual vai ser o resultado eleitoral. Estava muito confiante em 2012. Saí com 3% e achava que iria ganhar. A conjuntura é muito desfavorável.

KA: Mas está confiante, prefeito?

FH: Eu estou confiante de que eu vou conseguir explicar o muito que nós fizemos por São Paulo. Se isso vai ser suficiente, quem manda é o eleitor.

KA: Tem um efeito da crise desses 13 anos de poder do PT. O partido implementou um projeto importante no Brasil, incluiu os mais pobres no orçamento, mas, ao mesmo tempo, a Lava Jato expôs um grave escândalo de corrupção que tragou figuras importantes do PT e de outros partidos também. A gente está vendo que o procurador-geral da República pediu a prisão de quatro cardeais do PMDB. Agora, nas eleições municipais, esse efeito negativo do desempenho do governo Dilma, da crise do PT, vai prejudicar os candidatos do partido nas eleições?

FH: Se a ética for discutida para valer, sem hipocrisia, nós temos muito a apresentar. Os meus adversários são os primeiros a reconhecer o mérito da Controladoria Geral do Município. Sabe quanto de dinheiro desviado de administrações passadas nós recuperamos? R$ 278 milhões. De recursos recuperados do desvio da Água Espraiada, da gestão Maluff-Pitta, e da máfia do ISS, gestão Serra-Kassab. Foram R$ 145 milhões no primeiro caso e R$ 133 milhões no segundo. E o meu governo é absolutamente transparente com tudo. Não tem uma acusação sobre desvio de conduta. Muito menos minha e nem da minha equipe.

KA: Mas, como um dirigente importante, uma figura importante do PT, não crê que falta ao partido fazer uma autocrítica sobre os erros que cometeu na economia e na política para perder o poder como perdeu, prefeito?

FH: Eu acho que têm havido sinais de autocrítica. Ontem mesmo, eu vi um discurso do presidente Lula, não me lembro onde, numa solenidade pública, dizendo que a presidente Dilma merecia voltar ao poder até para corrigir os seus equívocos. A frase, bem lida, já revela uma certa consciência.

KA: Mas ela não faz autocrítica. Ela fala “posso ter cometido erros”. Não se ouve da Dilma uma reflexão, como todo o respeito a ela, sobre os erros que ela cometeu. A gente sabe que a cadeira de presidente da República no Brasil é muito poderosa. Como é que alguém que recebeu um país em que a inflação estava menor, juros menores, a base de apoio era maior no Congresso e, cinco anos depois, perde tudo isso? Ou seja, a principal responsável pela própria queda não é a presidente Dilma?

FH: Eu acredito que houve uma sucessão de fatores. Primeiro, houve erros. Eu já dei várias entrevistas, inclusive fazendo um diagnóstico desses equívocos na condução da política econômica. Mas também nós devemos reconhecer que, depois das eleições de 2014, a oposição, percebendo essa vulnerabilidade, entrou com pautas-bomba sem pensar no interesse do país. Então, uma crise que teria uma escala ganhou outra proporção a partir desse recrudescimento da animosidade em Brasília.

KA: Mas a oposição era minoria no Congresso.

FH: Mas se tornou maioria.

KA: Foi a própria base do governo Lula e do primeiro mandato dela que se voltou contra ela. A principal responsabilidade não é dela?

FH: É evidente que, sempre, o chefe do Executivo responde mais do que os outros. Mas não podemos perder de vista o contexto também. Coube a mim falar desses assuntos e eu enfatizei em várias entrevistas o que, na minha opinião, teriam sido equívocos. Aqui mesmo eu fiz isso. Mas eu acho que a oposição também jogou contra o país. E mais, eu acho que o PT vai pagar caro em relação a essa questão da Lava Jato. Mas eu acho que os outros partidos, se a Lava Jato for para valer, até o final, até as últimas consequências, PMDB e PSDB vão ser envolvidos também. Porque o sistema de financiamento de campanha estava todo errado, desde sempre. O que está demonstrado.

KA: Os erros do PMDB e do PSDB não justificam os do PT, não é?

FH: Não justificam. E vice-versa. Porque, às vezes, eu vejo investigados do PSDB querendo tirar o corpo fora e jogando a responsabilidade no colo do PT. Você falava do Janot, que pediu a prisão de quatro cardeais do PMDB. Mas o mesmo Janot pediu, por mais de uma vez e insistentemente, para poder investigar as acusações contra o candidato a presidente do PSDB, o senador Aécio Neves. Se for passar a limpo para todo mundo, acho que o PT também vai fazer o mea culpa devido.

KA: Nessa questão da Lava Jato tem um ponto específico que é uma suspeita de que o João Santana, que fez a sua campanha em 2012, teria recebido recursos de caixa 2 como pagamento por serviços à sua campanha. Como é que o senhor responde a essa suspeita?

FH: Negativamente, porque nosso contrato foi feito com base em valores de mercado, acompanhando, inclusive, o contrato de marketing das outras campanhas. Eu tomei muito cuidado com esse contrato em especial em função do que tinha acontecido com o Duda Mendonça. Você lembra disso?

KA: Lembro.

FH: E a orientação que eu dei para a campanha foi a seguinte: o nosso contrato está equilibrado em relação ao contrato que as campanhas do Serra e de outros candidatos estão fazendo? Se você averiguar, o nosso contrato segue os valores de mercado. Agora, eu não posso responder por uma empresa que fez cinco campanhas eleitorais em 2012, sendo três no exterior. O João Santana fez a minha, a de Belo Horizonte, fez a da Venezuela, a de El Salvador e de Angola no mesmo ano.

KA: O senhor responde pela sua.

FH: Eu respondo pela minha. Respondo pelo contrato que eu autorizei assinar.

KA: O diretório Nacional do PT proibiu coligações com partidos que apoiaram o impeachment. Mas pode haver coligações com políticos que deram apoio. Aqui em São Paulo, está prevista uma coligação proporcional com o PR. O senhor falou que talvez o PT tenha que fazer uma autocrítica, esse modus operandi da política brasileira como um todo está em xeque. Quando o PT topa, eventualmente, uma aliança com o PR, que tem ministros no governo Temer, que votou a favor do impeachment, o PT não vai enveredar pelas mesmas práticas antigas que o levaram a essa ruína política e a essa queda do poder?

FH: Vamos pensar abrangentemente. A primeira aliança que nós estamos fazendo é com o PDT. Veja que o Chalita estava no PMDB, estava com um ministério prometido, estava prometido ser ministro. Deixou o PMDB e foi para o PDT por confiar no projeto que a gente representa. O senador Antônio Carlos Rodrigues, ministro dos Transportes, do PR, ficou até o último dia com a presidente Dilma. Como eu não vou reconhecer que ele teve uma atitude decente, ao contrário de outros ministros que mudaram de opinião na sexta-feira, véspera da votação e que voltaram ao ministério? Antônio Carlos Rodrigues recusou ser ministro do governo interino por uma questão de hombridade. Ficou até o final e manteve a sua posição, manteve a sua palavra. Eu acho que isso tem valor na política.

KA: Se for reeleito prefeito de São Paulo e o PT quiser lançá-lo candidato a presidente em 2018 o senhor cogitaria avaliar a possibilidade de disputar o Palácio do Planalto?

FH: Eu não cogito esse tipo de coisa por várias razões. Primeiro, porque tem gente muito mais importante do que eu no partido que pode ser candidato. Em segundo lugar, porque eu tenho um desafio enorme pela frente em 2016 que eu preciso vencer, que não vai ser fácil. Em terceiro, eu não acredito em político que fica fazendo planos para o futuro abdicando das responsabilidades que tem no presente. Quando eu era ministro da Educação, fiquei oito anos no MEC, seis e meio como ministro, a todo momento vinha essa pergunta. E eu dizia: só saio do MEC quando eu concluir as minhas tarefas aqui. Modéstia à parte, acho que deixei um legado importante. Infelizmente, muitas das coisas que eu deixei estão sendo desmontadas.

KA: Vou mudar a pergunta, então. Não para 2018. O senhor descarta disputar a Presidência da República algum dia?  

FH: Eu não penso nisso, sinceramente. Não pensava em ser prefeito…

KA: Todo político pensa numa carreira política.

FH: Mas eu não me ajusto a esse figurino. O primeiro cargo público que eu assumi foi com 37 anos, um cargo técnico. Fui chefe de gabinete, fui assessor especial, fui secretário executivo e fui ministro. Fui disputar minha primeira eleição com quase 50 anos de idade. Você está falando de pessoas que com 20 já estavam disputando eleição. Esses eu acho que sonham em ser presidente. Eu quero terminar bem o mandato aqui na Prefeitura e quero convencer o cidadão de que São Paulo está no rumo certo. Não vale a pena uma troca de rumo. O rumo está correto, São Paulo nunca esteve tão bem do ponto de vista das suas finanças, do ponto de vista da sua legislação urbanística, do ponto de vista de seus investimentos. Eu quero ter a chance de provar essa tese. Agora, vou ter a humildade de acatar qualquer que seja o resultado.

KA: Uma rápida avaliação sobre o governo Temer que tem pouco mais de três semanas.

FH: Não está claro. Os sinais são muito contraditórios. Eu penso que as pessoas estão um pouco atônitas com os sinais contraditórios que este governo emitiu em poucas semanas. Vai tirar dinheiro de onde? Vai por aonde? Esses reajustes salariais para a cúpula do funcionalismo. O que, na verdade, está em jogo? Para mim, que leio jornal todo dia, eu me confesso confuso com os sinais que estão sendo emitidos. Ainda não está clara qual é a agenda do governo. E isso é ruim, porque um país em crise não pode vacilar. Um país em crise tem de saber o que fazer.

Comentários
21
  1. Antenor disse:

    “Dilma errou”? Grande novidade, Haddad!
    O erro maior será se os senhores senadores não resolverem logo esse impeachment e tirarem, de uma vez por todas, essa incompetente que nos jogou nessa situação catastrófica, a ponto de chegarmos a índices de desemprego gigantesco, recessão nunca vista antes e desarranjo total em todas as políticas públicas. Os órfãos da Dilma estão “vendendo” a sórdida ideia da volta dela. DEUS NOS LIVRE DISTO. Outra coisa: São Paulo quer ver Haddad pelas costas. “Tchau queridos”

    • mprtandela disse:

      Haddad o melhor prefeito que são paulo já teve

    • sylvia disse:

      Acho que voce acabou de aterrisar nesse planeta.

    • walter disse:

      Caro antenor, o mal de todos os petistas, é condenar e menos prezar as gestões anteriores, tentando puxar a “gloria, apenas para Si; deveriam permitir a avaliação do ELEITOR, por isso perde.
      Não vai se reeleger sr haddad…prejudicou SP com a redução absurda , para 50 KM, com o firme proposito, em arrecadar…ninguém sabe, o que fez com os recursos; não vai admirar ninguém, se PEDALOU…fala mal da dilma agora; outro ciro gomes, no mínimo Bipolar;falei com o vereador FRANGRE, me disse que o cronograma da Obra do Hospital Parelheiro esta no cronograma; afimou:”fomos prejudicados pelo repasse de verba federal”…traduzindo…NÃO ENTREGARÃO A OBRA, ATÉ O FIM DO MANDATO, MAS O COMERCIAL JÁ ESTA NO AR,e os recursos “O”…

  2. JOSE VITOR DE CASTRO IMAFUKU disse:

    Melhor prefeito da história de SP, correto, integro, moderno… Foi digno em sua entrevista, mostra claramente que é o melhor quadro politico no Brasil, espero sua vitória na urna em outubro. Haddad foi o melhor ministro da educação criador do sistemas de Cotas, PROUNi, Ciencias sem fronteiras, novo Enem, Pronatec, Novo FIES, SISU, ou seja uma gestão histórica… Como prefeito inumeras inovações e resultados.
    Espero que vença no primeiro turno.

  3. o Prefeito de São Paulo Fernando Haddard tem que explicar onde está indo o dinheiro das multas de transito. A cidade de São Paulo está cheia de radares e de buracos no asfalto. Cadê o dinheiro das multas?

  4. A ciclovia é uma obra muito boa para os paulistanos.
    Menos para os Tatto. Na porta dos Tatto não!
    Que zika! Corrupção Mata mais que mosquita!

  5. Romanelli disse:

    Fácil falar
    .
    Quem não conhece não sabe a qdade as sandices deste prefeito
    .
    -Criou corredores de ônibus SEM padrão e MARGINALIZOU os veículos e fretados. IMPORTANTE, NÃO conseguiu aumentar a velo dos coletivos
    .
    -diminuiu a velo dos automóveis em ruas, avenidas e nas marginais alegando aqui proteger motos (e MULTAR pra valer) q continuam a circular acima do permitido, c/isso esconde q muitas ações visam a implantação do modelo MUNDIAL de carro s/condutor
    .
    -FALHOU q tentou assistência a drogados na cracolândia e Prometeu e não entregou creches nem habitação
    .
    -Não diminuiu os congestionamentos q hoje qdo cedem é por CULPA DA RECESSÃO
    .
    -Não tornou transparente a formação da tarifa de ônibus q, seguindo a inflação do REAL, deveria estar em R$ 2,35 e não em R$ 3,80 (c/75% da frota dada a UM elemento)
    .
    -FORA o BOLSA família, SP tem pra estrangeiro, drogado, aluguel, travesti, pichador e agora pra ciclistas tb

    -e eu nem falei das CICLOVIAS

  6. Sergio disse:

    Tchau Querido!!!

  7. Ado Silva disse:

    Todo político tem que ser cara-de-pau, e o Haddad não é diferente.
    Dizer que aumentou a fiscalização para reduzir acidentes é um acinte à inteligência média do paulistano. GCMs escondidos em cima de pontes com radares nas mãos reduz acidentes como? Quando?

    E claro que ele se “esqueceu” que está sendo investigado pelo Ministério Público por desvios de finalidade nas verbas das multas e pelos R$ milhões gastos em ciclovias inúteis a preços astronômicos, em obras realizadas por empresas fantasma.
    Mas realmente dobrou o número de ciclistas. Aqui na minha região tinha dois. Agora já são 4…

    • Fatima disse:

      Olha, parei de ler lá pelo meio. O senhor fala muito sr Haddad. Moro em São Paulo há cinquenta anos e nunca vi tanto absurdo nesta prefeitura. Ando muito por esta Cidade e já vi fatos bizarros. Como o caso das ciclofaixas na Vila Talarico, pintaram o asfalto no meio da rua, sem proteção alguma, o caso do Posto de Saúde na Água Rasa com uma ciclofaixa na porta, impedindo as pessoas idosas e parturientes de parar com o carro ou mesmo de desembarcar. Outro absurdo uma CRECHE em Artur Alvim improvisada, com uma placa da prefeitura com mais de cinquenta crianças em um espaço mínimo. O Senhor também aprovou o aplicativo Uber, lembrando que a maioria destes jovens incluindo alguns da minha família são da geração Nem-Nem, nem nunca estudaram nem tao pouco trabalharam na vida, agora temos a disputa da categoria dos taxistas, que já são super taxados e terão que dividir com esta molecada. Lembrando que o Sr também é do PT, o filho é seu também.

  8. Marcelo disse:

    As mortes de transito diminuíram, mas manter o tempo médio de deslocamento casa/trabalho em 2h07min é um absurdo. Nunca antes este índice esteve tão alto. É notório que com o transito travado como está o número de acidentes diminua, afinal, carro parado não bate. Mas e a estatística dos mortes por enfarte, pressão alta, stress e outros em decorrência ao trânsito caótico? Não existem não é?! E com relação aos corredores de ônibus, realmente existem, mas cadê os ônibus para trafegarem por eles? O que vejo são corredores vazios com ônibus lotados. Não adianta o passageiro fazer um trajeto rápido se fica meia hora ou mais parado no ponto esperando o ônibus chegar e aí vai espremido como sardinha. Quanto as ciclovias e ciclofaixas, ideia boa em outros países mas nem todas as boas receitas se aplicam no Brasil. Em outros países foram construídas para somar um meio de transporte às vias existentes, em SP foram suprimidas vias de transporte e transformarem em ciclovia. Puro MKT mentiroso!!

  9. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Emporcalhar a cidade, os monumentos, em especial permitir a pichação dos “Arcos do Jânio”, desrespeitando o patrimônio histórico e cultural… esse é o grande legado do ex ministro da (des)educação.

  10. Alberto disse:

    Haddad? Vixe,desconjuro mangalõ três vezes,rsrsrsrsrsrs.

  11. Sérgio Rodrigues disse:

    Haddad é o que temos de mais moderno em termos de gestão pública no Brasil. Com certeza derrotará a insanidade ideológica dos coxinhas!..

  12. João Vergílio Gallerani Cuter disse:

    Kennedy, escrevo para puxar o saco. Sou seu fã. Esse é o tom correto de uma entrevista: mostra qual é a briga, sem entrar nela, extrai informações sem jogar casca de banana, tem perfeita noção do que é essencial e do que é só fofoca e chute na canela. Show de bola!

  13. Pilatos disse:

    Esse já era. Pode tentar convencer a si mesmo de que fez uma boa administração, mas o povo sabe que ele foi um ausente. Interessante como ele distorce a finalidade da indústria das multas associando isso a um benefício para a população em termos de saúde. Cínico e mentiroso, como todo petista é.

  14. VINÍCIUS VIRGENS disse:

    Kenedy, excelente entrevista! Você e Bob Fernandes, são atualmente os melhores jornalistas em exercício no país.

    Sobre o conteúdo: Fernando Haddad é extremamente preparado e bastante diferenciado em relação aos chefes do executivo existentes no Brasil. Dá gosto ouvi-lo falar de política e gestão pública, Concordemos ou não com sua visão de mundo.

  15. Haddad ferrou a cidade de são paulo inteira com suas faixas de ônibus, mudança de mão nas ruas e ciclovias não planejadas. Transformou a vida do paulistano num verdadeiro inferno e agora vem com essas hipocrisias.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

2020-09-22 08:46:39