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Entrevistas
27-11-2015, 10h45

Dilma não é capaz de tirar país da crise, diz ACM Neto

Mas prefeito defende que presidente convide oposição para conversar
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

O prefeito de Salvador, ACM Neto, afirma que não vê na presidente Dilma Rousseff “capacidade de exercer uma liderança que o cargo exige para fazer” com que o país “saia da crise mais rápido”. No entanto, defende que ela convide a oposição para discutir “uma pauta” para o Brasil.

“Não entendo por que a presidente não convoca a oposição para participar dessa construção”, diz ACM Neto. Segundo ele, a oposição atenderia a um convite que partisse da presidente Dilma.

“Não é chamar a oposição para discutir apoio político para medidas que simplesmente vão dar maior alívio ao governo. Não é isso. Mas, em torno de uma pauta para o país, eu não vejo como, inclusive, negar um convite da própria presidente da República.

ACM Neto (DEM) está pessimista em relação ao ano que vem: “O Brasil pode perdurar na crise até o final de 2018, o que vai ser um preço terrível. Na prefeitura, estou me preparando para 2016 ser pior do que 2015 em termos da arrecadação do município”.

O prefeito de Salvador diz que nunca apostou “fichas no impeachment”. “Um Congresso fragilizado como o atual, não tem meios para conduzir um processo de impeachment que possa, de fato, depois, produzir para o Brasil uma outra agenda.”

ACM Neto cobra que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, autorize Estados e municípios com capacidade de endividamento a tomar empréstimos: “O clima de depressão no país, em função do aumento do desemprego, da pressão da inflação, é total. Nós não estamos vendo praticamente investimento público em infraestrutura. O Brasil não pode parar, eu tenho dito ao governo, disse recentemente a um ministro. Eles precisam liberar os financiamentos externos para prefeituras e governos”.

ACM Neto diz que será “inevitável” a cassação do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), preso pelo STF (Supremo Tribunal Federal) sob a acusação de tentar comprar o silêncio de um possível delator da Lava Jato (Nestor Cerveró) e ajudar numa eventual fuga para o exterior.

O prefeito também defende que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se afaste da presidência da Câmara dos Deputados. “O presidente Eduardo Cunha não tem mais condições de liderar o Legislativo.”

Na opinião de ACM Neto, “a fadiga de material já chegou, já bateu na porta e invadiu a casa do PT”. Ele avalia que haverá alternância de poder no Palácio do Planalto em 2018, “que vai começar acontecendo já em 2016, nas eleições municipais”.

A respeito do livro de memórias do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no qual o tucano diz que nunca ouviu o senador ACM a respeito de assuntos importantes, o prefeito de Salvador afirma: “Era de conhecimento público que eles não se amavam. (…) Mas sempre que foi preciso para o país, os dois conviveram bem e construíram uma pauta enquanto presidente do Congresso e presidente da República”.

A seguir, a íntegra em vídeo e texto da entrevista de ACM Neto, realizada na tarde desta quinta em São Paulo:

Kennedy Alencar – O sr. está com 36 anos, muito jovem. Foi deputado federal durante dez anos, teve uma carreira longa no Legislativo e está há dois anos no Executivo. Gosta mais do Legislativo ou do Executivo?

ACM Neto – São experiências muito distintas, mas não tenha dúvidas de que o Executivo nos permite realizar muito mais do que o Legislativo. Eu tenho comentado que há uma diferença muito grande da atividade parlamentar, do que se vive no Congresso Nacional, para, por exemplo, um trabalho na prefeitura. O trabalho na prefeitura é o trabalho do dia a dia, do contato direto com as questões que dizem respeito à vida das pessoas. Não há, talvez, cargo na vida pública que aproxime mais o político da pessoa como a prefeitura.

KA – Quando o sr. olha para o deputado ACM Neto, vê que o Congresso tem um distanciamento maior do eleitor?

ACM – Muito grande. Às vezes, o Congresso vive uma realidade, achando que aquilo ali é o Brasil. Achando que aquilo ali é a vida que o Seu João, a Dona Maria, estão vivendo na rua de São Paulo ou de Salvador, do Rio de Janeiro ou de qualquer cidade deste país. No entanto, a distância é enorme, é muito grande. Hoje, depois de quase três anos na prefeitura e com essa experiência toda que eu acumulei no Executivo, eu vejo o quanto Brasília precisa estar mais conectada com o Brasil, quanto o Congresso Nacional precisa estar mais próximo das ruas. Isso não é fácil. Colocar deputado e senador para ouvir a vontade do cidadão, de fato, não é fácil. Para viver a realidade do cidadão. Agora, é claro que é uma aspiração e um desejo que nós temos, até para melhorar a política brasileira.

KA – A gente está vivendo em 2015 um ano de crise econômica muito forte. O desemprego começou a subir. A média nacional, no último trimestre, estava em quase 9% _ 8,9% de acordo com a última Pnad. A Bahia está acima da média. O Estado está com 12,8% e Salvador está com uma taxa altíssima, de 16,1%. Por que o desemprego é maior na capital baiana? Que efeitos a crise está tendo lá e que medidas a prefeitura pode tomar para amenizar isso?

ACM – Primeiro, não tenha dúvidas de que esse é o principal problema que nós vivemos na região metropolitana de Salvador. A região metropolitana de Salvador é recordista no Brasil em desemprego. Eu diria que o grande elemento que causa isso é que toda a pressão econômica do Estado da Bahia está concentrada na região metropolitana. Então, por não haver um equilíbrio maior entre as regiões, pelo interior não ser gerador de emprego, acaba que as pessoas saem de suas cidades no interior, migram para a região metropolitana e isso gera uma pressão enorme na região metropolitana. Não só pelo emprego, mas também pelo próprio serviço público: a demanda de saúde, de educação, de assistência social. Nós temos feito um trabalho muito grande em Salvador para enfrentar a crise. Primeiro, arrumando a casa. Quando eu assumi a prefeitura, nós colocamos as contas em dia, fizemos um ajuste fiscal poderoso, o que me permitiu virar de 2014 para 2015 com mais de um bilhão em caixa. Nós temos hoje um plano de investimentos com diversas obras acontecendo na cidade. Obras de mobilidade, obras de infraestrutura urbana, a recuperação da orla, a ampliação dos serviços de educação e saúde que Salvador nunca teve. E com um detalhe, tudo isso está acontecendo com recursos próprios do município. Porque, neste momento, se esperar transferência de recursos federais, a coisa não avança. As coisas em Brasília estão paradas. Isso tudo gera emprego e motiva a cidade. É uma das maneiras de enfrentar a crise. Mas é claro que, com a dimensão nacional dessa crise, é fundamental que o Brasil também dê um passo para virar a página. E aí, sim, a gente vai ter uma consequência maior lá na cidade.

KA – Vamos falar da crise nacional, quero ouvir o sr. a respeito. Se são possíveis saídas para essa crise. Mas, antes, uma agenda municipal: o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, é muito criticado, por exemplo, por implementar algumas bandeiras que, na visão dele, são civilizatórias, mas que geram uma reação muito grande. Houve toda uma discussão sobre as ciclovias, sobre reduzir a velocidade em grandes vias, nas vias mais rápidas, uma redução para 50 km/h, tem toda uma discussão sobre fechar grandes avenidas aos domingos. O sr. tem adotado esse tipo de medida? Como avalia a dosagem disso?

ACM – Eu acho que, talvez, essa seja a questão: a dose. A diferença do remédio para o veneno é a dose. Não dá para você querer mudar a cultura de uma cidade da noite para o dia sem validar, sem combinar isso com o cidadão, que é quem vive a cidade, quem faz a cidade ser viva. Muito bem, lá em Salvador, a gente tem adotado medidas como essas, sim. Até o fim do meu mandato, eu terei implantado, entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, mais de 200 km em Salvador. Com todo esse processo de recuperação da orla da cidade, nós, por exemplo, implantamos o conceito do piso compartilhado, onde o pedestre convive com o automóvel, com o ônibus, com a moto. E, nesse caso, o limite de velocidade é de 30 km/h. Qual é a ciência? É você não olhar a cidade de uma maneira homogênea. A cidade é muito distinta. Então, em determinados lugares, dá para você reduzir a velocidade. Em outros, não dá. E tudo isso tem que ser feito com um processo de aculturação das pessoas. Não dá para ser uma decisão do governo, da prefeitura, imposta de cima para baixo.

KA – O sr. falou com entusiasmo do Executivo. Pretende ser candidato à reeleição?

ACM – Tenho adiado essa decisão e esse anúncio. Quando assumi, em janeiro de 2013, sabia que o meu desafio era muito grande. Então, o que é que eu me impus, a mim e à minha equipe? Vamos esquecer o calendário eleitoral. Até porque eu precisava tomar medidas difíceis, duras, porém necessárias. O problema do Brasil, com a reeleição, é que o sujeito se elege e, no dia seguinte, ele já está pensando na reeleição. Então, eu tirei isso da minha pauta.

KA – Mas é um caminho natural, não é?

ACM – Para mim, a reeleição é consequência de um trabalho bem feito. A administração indo bem, a população satisfeita, naturalmente haverá um desejo da reeleição. Mas essa decisão ainda não foi tomada.

KA – Está com discurso de candidato, já… (risos). Prefeito, nos bastidores, houve convite do PMDB para o sr. trocar de partido, deixar o DEM. O DEM vive uma crise política nos últimos anos, perdeu quadros para o PSD e para outros partidos. O sr. continuará no DEM? Como acha que essa crise do partido vai se solucionar?

ACM – Eu continuo no Democratas. O Democratas talvez tenha pago o preço da coerência. Nós, quando éramos governo, com o Fernando Henrique, chegamos a ter mais de 100 deputados na Câmara federal. Hoje, nós temos 20. Mas, o que acontece? Diferente dos outros partidos, nós não aderimos ao governo. Nós não nos apegamos ao poder simplesmente pelo poder. Nós mantivemos uma linha de oposição. Fizemos toda a depuração que pouco partido fez. O Democratas cortou na carne quando, por exemplo, teve problema com o Arruda, quando teve problema com o Demóstenes. Nós não passamos a mão na cabeça. Expulsamos um governador [do Distrito Federal], no caso do [José Roberto] Arruda, e expulsamos um líder no Senado, que era o Demóstenes Torres. Eu acho que isso tudo serviu para o partido se modernizar, se atualizar. Hoje, há uma grande conexão das lideranças parlamentares do Democratas, principalmente o deputado Mendonça Filho (PE) na Câmara, o senador Caiado (GO) no Senado, o presidente [José] Agripino (RN), há uma grande conexão com a sociedade. Eles verbalizam hoje muitos dos anseios da sociedade. E, é claro, com o governo que a gente está fazendo em Salvador e em outras prefeituras bem-sucedidas no Brasil, a gente acha que tem uma plataforma boa para construir um crescimento do partido.

KA – O sr. tocou no caso do Demóstenes. O José Agripino Maia, o senador que é presidente do partido, também está respondendo a inquérito no Supremo por acusações em relação a ele. Por que essa diferença de tratamento?

ACM – Porque a defesa do senador Agripino foi muito consistente e muito convincente. É claro que ele ainda vai ter a oportunidade de concluir esse processo junto ao Supremo Tribunal Federal, mas é uma loucura imaginar que o senador Agripino tinha qualquer relação com coisas que envolvem o Governo Federal sendo ele um senador de oposição. E a sua defesa foi muito consistente, como foi a do senador Aloysio Nunes, como foi a do senador Anastasia. Ninguém, na vida pública, está impassível de ter o seu nome envolvido em algum problema. O que precisa é ter contundência na defesa e consistência para que o seu nome fique limpo. A gente confia no senador Agripino e acha que a defesa dele foi consistente.

KA – O sr. falou há pouco da coerência do Democratas que, de fato, é um partido que se manteve numa posição muito dura tanto em relação ao governo Lula e ao governo Dilma. O sr. foi deputado, acompanhou as votações que aconteceram no governo Fernando Henrique, por exemplo _ o Democratas, antigo PFL, defendeu medidas de ajuste fiscal muito duras. Neste ano, o Democratas, junto com o PSDB, os dois partidos abraçaram aquela chamada “pauta-bomba”, que gerou um risco de aumento das despesas públicas. Essa “pauta-bomba” só foi desarmada agora, no final do ano, porque pegou muito mal e houve toda uma pressão nesse sentido. Não é contraditório o Democratas, com a sua própria história, votar contra medidas de ajuste fiscal?

ACM – Eu estou muito à vontade para responder a essa pergunta, porque as duas primeiras medidas provisórias do pacote de ajuste fiscal do governo só foram aprovadas com os votos do Democratas. Exatamente os votos do Democratas da Bahia. Porque, apesar de sermos oposição…

KA – O Michel Temer, vice-presidente, articulou com sr.

ACM – Eu articulei com o Michel Temer, articulei com o ministro Levy e nós colocamos os deputados para apoiarem e aprovarem as medidas de ajuste fiscal. Eu não sou a favor da oposição por oposição.

KA – O sr. é contra votar a favor do fim do fator previdenciário?

ACM – A gente não pode torcer para o “quanto pior, melhor”. Eu estou hoje no governo, eu sei qual é a responsabilidade de ter que pagar conta todo mês, de ter uma folha de funcionários para honrar, de ter obras para tocar. Então, o Brasil precisa neste momento, sim, de uma grande unidade. Eu tenho defendido, no campo da oposição, que a gente possa construir a pauta da oposição. E, naquilo que a pauta do governo coincidir com a pauta da oposição, nós vamos votar. Por exemplo, a DRU, a Desvinculação de Receitas da União, que dá mais liberdade para o Orçamento. Eu sou a favor que a oposição vote, a oposição deve votar a favor. Agora, por exemplo, a CPMF eu sou contra. Porque não é aumentando imposto que a gente vai retomar o crescimento econômico do país. Pelo contrário, isso pode atrasar ainda mais essa retomada. Então, a oposição está na hora de construir a sua pauta e dizer: muito bem, nós defendemos isto aqui, este é o nosso plano. Naquilo que o governo coincidir, nós vamos votar.

KA – Dá para ter entendimento numa agenda mínima comum?

ACM – Eu acho que é bom, necessário e imprescindível para o país.

KA – Porque a gente fica só numa pauta de Lava Jato e acaba a questão econômica ficando em segundo plano.

ACM – Aí, a gente volta para o Brasil real _ para o Seu João, para a Dona Maria _ que, infelizmente, está pagando uma conta mais cara no mercado, uma conta de energia que não para de subir, o botijão de gás. Então, o Brasil real está esperando essa reação da política. E eu acho que a oposição tem de ter grandeza e altivez para liderar essa reação.

KA – O sr. falou na reação dura que o Democratas teve com relação ao Demóstenes quando, no entender do partido, as explicações não foram convincentes. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, está sob um fogo tremendo. Hoje, a oposição está numa estratégia de obstrução dos trabalhos porque acha que ele não tem mais condição de continuar à frente da Casa. Qual é a sua opinião sobre as condições políticas do Eduardo Cunha continuar na presidência da Câmara?

ACM – Com a experiência de quem viveu dez anos naquela Casa, ocupei liderança, vice-presidência da Câmara, conheço ali muito bem. Eu acho que, de fato, o presidente Eduardo Cunha não tem mais condições de liderar o Legislativo. A instituição é maior do que as pessoas. Acho, inclusive, que ele já passou do tempo de sair da presidência da Câmara, até para ter condições de defender o mandato del, caso ele não tenha a sua culpabilidade comprovada. Então, acho que passou do tempo. A oposição teve uma postura clara, vem defendendo nitidamente a saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Eu acho que não tem outro caminho. O caminho é esse, tem que se afastar.

KA – O sr., na CPI dos Correios, foi sub-relator de uma área em que o Delcídio do Amaral, que foi preso ontem e continua preso, era o presidente daquela Comissão Parlamentar de Inquérito. O Delcídio do Amaral é um político que transitava muito bem entre vários partidos, tido até como uma figura “boa praça”. Mas foi pego numa conversa em que está descrita ali uma confissão de um crime, a tentativa de um acobertamento, de comprar o silêncio de um possível delator da Operação Lava Jato. Qual é a avaliação do sr. sobre o que vai acontecer com o senador Delcídio? O senhor acha que ele vai acabar sendo cassado? Que desdobramento vai ter?

ACM – Eu acho que é inevitável. Primeiro, lamento profundamente que o senador Delcídio tenha se envolvido nisso. Fiquei perplexo, chocado, acho que como todos os brasileiros, quando ouvi as gravações que foram feitas. Eu era da CPI dos Correios, que apurou o mensalão, ele era presidente daquela CPI e teve um papel importante para que a CPI não acabasse em pizza. Então, eu não imaginava, jamais, que o senador Delcídio fosse se envolver nisso. Além de ser uma figura muito amável, que se dava bem com todo mundo. Agora, a lei é a lei e não interessa. Então, errou, tem que pagar pelo seu erro. O senador Delcídio não tem mais nenhuma condição de continuar no mandato. E, ele agora preso, apesar da prisão não significar cassação imediata, eu acho que será inevitável a abertura de um processo no Conselho de Ética do Senado e a consequente cassação do mandato dele.

KA – Prefeito, o sr. acha que haverá impeachment da presidente Dilma ou esse assunto morreu?

ACM – Eu nunca apostei as minhas fichas no impeachment. Porque, para mim, três condições têm de estar reunidas, ao mesmo tempo, para o impeachment. Uma, a configuração jurídica clara. A segunda, o apoio social. O desejo popular também é uma coisa que tem de ser muito forte. E, terceiro, a condição política do Congresso. Um Congresso fragilizado como o atual, não tem, na minha opinião, meios para conduzir um processo de impeachment que possa, de fato, depois, produzir para o Brasil uma outra agenda. Porque, muito bem, o impeachment. E o que é que vai acontecer depois do impeachment? Então, eu também não sou daqueles que embargam a discussão: ah, não pode discutir. Está na pauta, a Constituição prevê esse mecanismo. Mas eu acho que, neste momento, não é algo concreto. Não acredito que vá acontecer o impeachment. Acho, pelo contrário, que a presidente devia já ter assumido um papel de maior liderança na construção de uma agenda para o país. Não entendo por que a presidente não convoca a oposição para participar dessa construção.

KA – A oposição aceitaria? O Aécio aceitaria, o Agripino Maia aceitaria, o sr. aceitaria?

ACM – Eu acho que, se fosse em torno de uma pauta clara, sim. Não é chamar a oposição para discutir apoio político para medidas que simplesmente vão dar maior alívio ao governo. Não é isso. Mas, em torno de uma pauta para o país, eu não vejo como, inclusive, negar um convite da própria presidente da República. Mas, não vejo nela esse jogo de cintura e essa capacidade de exercer uma liderança que o cargo exige para fazer com que a gente saia da crise mais rápido. E o que me preocupa é que, com isso, o Brasil pode perdurar na crise até o final de 2018, o que vai ser um preço terrível. Por exemplo, na prefeitura, estou me preparando para 2016 ser pior do que 2015 em termos da arrecadação do município.

KA – Essa expectativa negativa é ruim.

ACM – E o clima de depressão no país, em função do aumento do desemprego, da pressão da inflação, é total. Nós não estamos vendo praticamente investimento público em infraestrutura. O Brasil não pode parar, eu tenho dito ao governo, disse recentemente a um ministro. Eles precisam liberar os financiamentos externos para prefeituras e governos. Porque, neste momento, se prefeituras e governos fizerem obras, vão gerar empregos. Eu estou fazendo com o que posso, com o que tenho dos cofres municipais.

KA – Há uma cobrança grande para o Joaquim Levy fazer isso.

ACM – Ele tem que liberar. Porque a prefeitura e o governo que tiverem capacidade de endividamento e de pagamento não têm porque não tomar o dinheiro.

KA – Acabou o nosso tempo aqui, mas uma rápida palavra do sr. sobre 2018. Está longe ainda, mas já analisando. O PT tem condição de se manter no poder? Haverá alternância, chances de um nome fora da política aparecer? Como o sr. está vendo?

ACM – Eu acho que a fadiga de material já chegou, já bateu na porta e invadiu a casa do PT. Mas só que, mais do que isso, eu acho que o PT, enquanto partido, a máscara caiu no Brasil. De fato, o PT cometeu um estelionato eleitoral em 2014. Eles venderam uma realidade que não existia. Além de tudo isso, o PT mostrou que não aprende com seus próprios erros. Depois do mensalão, o que é que nós imaginávamos? Que haveria uma depuração do PT. Pelo contrário, eles sofisticaram a corrupção e produziram o petróleo. Então, eu acho que o conjunto da obra que hoje alcança a presidente Dilma, o ex-presidente Lula e todas as lideranças do PT, fará com que, em 2018, a gente tenha uma alternância de poder no Brasil. É saudável, inclusive, para a democracia que haja essa alternância de poder. E que a gente saia mais maduro. Claro que é fundamental também implementar um conjunto de mudanças no campo da reforma política, que não aconteceu. O que o Congresso fez foi um arremedo, uma colcha de retalhos que não vai mudar nada. E é preciso enfrentar a questão do financiamento de campanha, acabar de vez com o caixa 2, acabar de vez com essa relação espúria que existe entre empresários e poder público. E tudo isso, eu acho, passa por uma alternância de poder em 2018. Que vai começar acontecendo já em 2016, nas eleições municipais.

KA – No livro de memórias do Fernando Henrique Cardoso, ele fala dos dois primeiros anos do governo dele. Muita gente ficou insatisfeita. Lá pelas tantas, ele cita o seu avô, o senador ACM, e diz que não o ouviu em questões importantes. Relata rivalidades entre os dois. Qual era a opinião que o senador ACM tinha a respeito do presidente Fernando Henrique?

ACM – Então, era de conhecimento público que eles não se amavam. Eles conviviam, como tinham de conviver. Meu avô era presidente do Congresso. O Fernando Henrique, presidente da República. Eles conviviam, não se amavam. E aí, a “Folha de S. Paulo”, fazendo uma matéria, me perguntou o que eu achava, se eu fiquei magoado. De maneira alguma. Primeiro, porque eu gosto muito do presidente Fernando Henrique, tenho respeito por ele. Segundo, porque, se ACM tivesse escrito um livro de memórias, certamente não teria falado bem de FHC.

KA – As alfinetadas estariam lá.

ACM – O que não é o meu caso, repito, a minha opinião é outra. Mas eles não se amavam. E isso faz parte da vida. Não se amavam, mas sempre que foi preciso para o país, os dois conviveram bem e construíram uma pauta enquanto presidente do Congresso e presidente da República.

KA – Há uma parceria do SBT e da Prefeitura de Salvador para a transmissão do Carnaval do próximo ano. Qual é a importância dessa parceria para a cidade?

ACM – Muito importante. Nós estamos fechando um acordo com o SBT para que ele possa transmitir nos próximos quatro anos o Carnaval de Salvador como a emissora oficial da nossa cidade. É a forma de levar essa festa de quase dois milhões de pessoas nas ruas para o Brasil e para o mundo. O SBT, que tem essa identidade tão forte com Salvador, que já vem consolidando essa cobertura dos grandes eventos da Bahia, agora fecha esta pareceria conosco, de longo prazo. Para a gente, vai ser muito interessante ter o SBT levando essa festa, esse calor, essa energia do povo baiano e principalmente do Carnaval para o Brasil inteiro.

Comentários
28
  1. luis disse:

    Infelizmente,estamos perdidos…
    Pois a mediocridade tomou conta da politica brasileira.
    O Governo não tem a minima competencia… já está provado com 5 anos de Dilma, a tendencia
    é que teremos com esse governo, mais situações ridículas.
    A oposição dá amostras de ser mais incompetente ainda…, pois sequer consegue colocar contra a parede esse governo. Pois cinco anos de mediocridade do poder e a oposição, não consegue unir e dialogar com a sociedade, parece que não passam tambem de um bando de oportunistas…

    • Renato Cunha disse:

      Infelizmente sou obrigado a concordar com você luis. Na epoca de FHC a oposição bateu até derrubar o PSDB e assumir o poder. Hoje O Sr. Aécio simplesmente sumiu. Só pode estar havendo conchavo. Deve haver muita vantagem na distribuição dos lucros na guerra da corrupção e perpetuação do poder nessa associação demoníaca, que visa espezinhar a população brasileira, com alta carga de impostos e alta taxa de juros. Sinceramente, não sei a quem isso tudo interessa (falo da miséria da população). Algo precisa ser feito. Até me arrepia em falar, mas creio que a saída menos ruim ainda seria entregar o país aos militares, a exemplo de algumas escolas públicas que já estão sob o comando militar e está tendo ordem e progresso como antigamente. É triste, mas, pelo menos haverá respeito humano (pelo menos aparentemente).

    • Antonio Oliveira disse:

      Qualquer coisa é melhor que o governo mentiroso dessa “presidenta” arrogante e incompetente, apoiado por um partido reconhecidamente corrupto, o PT. Serão necessários anos para corrigir as asneiras dessa política populista que dá esmola de 230 reais para o excluído e enche o bolso da “cumpanheirada” ! Olha o caso do Vaccari! Formado numa bobagem qualquer em uma “falcudade” pagou-passou e foi nomeado para o Conselho de Administração da Itaipu, ganhando 15 mil por algumas reuniões com viagens com tudo pago! O que um pobre coitado desse pode contribuir numa atividade como essa além de tomar cafezinho e falar asneiras? E onde está ele hoje? Preso por desvio de dinheiro público! Só mesmo no Brasil!

    • Jorge disse:

      ” Todo governo é o espelho do seu povo “

  2. Antonio Sobreira disse:

    ACM Neto não pdoeria dizer outra coisa, mas o tratamento dado a Delcídio “cassação” e a Cunha “afastamento” permite identificar os dois pesos e medidas que tem sido a tônica dessa era adversativa…”apesar de”….”mas”…..Não se pode dar fé à ética suposta desse político! A mídia dá voz a ignóbeis, como sendo paladinos definitivos da hombriedade!…Alé disso pede a Dilma aceitar…a oposição????? E foi essa a técnica utilizada enquanto eles são governo??? Aai ai ai ai

  3. Mauro disse:

    Embora eu acredite que o governo petista não tem mais legitimidade alguma para propor alguma coisa, o entrevistado não é a pessoa qualificada para propor dialogo e muito menos algum tipo de coalização, seja para salvar esse governo, seja para tentar devolver o pais aos trilhos.
    A unica coisa que resta a esse desastroso e calamitoso “governo” é dizer que está com dor de barriga e sair de fininho, antes que o joguem privada abaixo, pois verdadeiramente é o que eles merecem.

  4. PEDRO ALMEIDA NETO disse:

    BOM DIA
    KA ACHEI MUITO INTERESSANTE ESSA ENTREVISTA COM ACM, PORQUE A POPULAÇÃO BRASILEIRA NÃO CONHECIA SUA OPINIÃO SEU DIRECIONAMENTO POLÍTICO, E NEM MUITO MENOS COMO PREFEITO, GOSTARIA QUE OUTRAS ENTREVISTA COM SENADORES, DEPUTADOS E OUTROS FOSSEM FEITAS.

  5. Alexssandro Carvalho disse:

    Nossa….quanto tempo não ouvia falar mais do ACM Neto. Entendi….vai voltar à mídia em substituição ao Aécio, já que este por sua vez não decolou conforme era o plano inicial.

  6. Marco Túlio Castro disse:

    Será que ele chegou a esta conclusão sozinho ou alguem desenhou para ele ?

    Será preciso mais o que para enterrarem de vez este governo nosferatu ?

    O PT está fazendo política de terra arrasada só pode!

  7. Sônia Ribeiro disse:

    Para todos estes políticos de plantão, seja neto de ACM, seja presidente da República, sejam congressistas; enfim, o povo quer prioritariamente, o fim da roubalheira, da corrupção, com os impostos que paga de forma tão dura. O povo quer segurança, quer educação de qualidade (todo progresso passa incomensuravelmente pela educação), quer saúde. Quer ter orgulho de apresentar seu passaporte brasileiro e não constrangimento. Se outros países conseguem dar uma vida digna a seus cidadãos, porque o Brasil não consegue?!!!
    O povo quer o fim deste partido chamado PT e tantos outros. Há que diminuir o número de partidos e o número de parlamentares mamando nas tetas do povo! O povo não aguenta mais a carga tributária, para cobrir os desmandos desta máfia chamada política. O povo CANSOU!!!! Quem tem mais cultura quer ir embora e viver num país que seja sério, que atenda a demanda de sua população. Este chiqueiro já deu o que tinha que dar….

  8. mario machado disse:

    Não é preciso ser diplomado em Harvard ou a outra qualquer universidade no exterior para saber que o presente ocupante da cadeira da Presidência da República – no nosso caso, Dilma Roussef -, não tem e jamais teve condições a exercer um cargo de mando tão importante como o de Presidente de uma Nação como a brasileira. Não a culpo, totalmente, já disse antes a um de meus comentários. Ela é a criatura criada por outra criatura de sonhos de Poder continuado. Nota-se que foi “criada” pelo ex-presidente Lula. Só a culpo por ter acatado sua indicação com o objetivo de não deixar hiato algum entre o governo do seu criador e o seu e, numa tentativa de reeleição vitoriosa, após o seu segundo mandato, deixar a porta escancarada ao ex-presidente. Estamos a um beco que vai dar num abismo sem fim. Rombo de mais de 30 bi às contas públicas. Isso não é nada, não é mesmo? Tira-se de letra, ou melhor: tira-se ao couro da população brasileira, graças aos muitos impostos, baixíssimos salários e outros.

  9. Rubens Prado disse:

    Parabéns ACM Neto, descobriu a pólvora, mais um no vácuo do avô, é assim mesmo, politico de carreira é de pai para filho.

  10. Simone disse:

    Isso não é novidade o mundo sabe que Dilma é incapaz de tirar o Brasil da crise ela é lesada e louca somente no Brasil uma pessoa como ela pode ser presidente de uma nação.

  11. Li a reportagem e os comentários, ótimos por sinal.
    O Kennedy fez uma ótima entrevista também.
    Mas para mim só tem um jeito…
    fechar esses antros de corrupção, formar uma junta governativa e novas eleições sem nenhum desses bandidos de colarinho branco participar. Gente nova é a solução

  12. George disse:

    ACM Neto só engana a quem não o conhece. Quando Dilma vem a Salvador ele é o primeiro na fila do “beija-mão”. Rasga elogios à presidente, que ajudou e muito a cidade de Salvador, inclusive nos desabamentos e mortes pelas chuvas nesse ano, e, à exemplo da fábula do escorpião e o cavalo, a ataca depois por ser essa a sua natureza de opositor e pelo DNA da oligarquia Magalhães.

  13. Celeste disse:

    Mais uma vez quero parabenizar o prefeito ACM Neto pelo ótimo trabalho que está fazendo aqui em Salvador. Sou soteropolitana e tenho acompanhado o desenvolvimento desta cidade tão bonita e que praticamente estava abandonada pela gestão anterior. Parabéns Neto, continue assim, cada vez melhor e cuidando de verdade da nossa cidade!

  14. CRISTIANO CAMPOS disse:

    ACM Neto só é político pelo avô. Herdou o trono político da família. Se elegei não por mérito próprio, mas por influência do avô. Os políticos tentem a se perpetuar no poder e faze-lô hereditário (mesmo numa democracracia: Rosiane Sarney, Picciani, Cabral, Bolsonaro, Aécio Neves, etc…). ACM deveria ficar quietinho, pois está na política não por MERITOCRACIA.O avô é o Eduardo Cunha de hoje. Tem gente que perde a oportunidade de ficar calado. Não estou defendendo o governo, apenas atacando a classe política….

    • Franklin Pereira disse:

      A.C.M Neto, é um Ótimo Político, vem representando a um bom tempo a Juventude, e está trazendo uma bagagem de uma nova geração que tem novas ideologias políticas no Brasil. Chega desses velhos tirados a Coronéis, que só ajuda a manter a máquina da corrupção no país. A.C.M Neto, cresceu em um família de políticos mais com sua ideologia de nova política que de quem sabe do que uma sociedade jovem e inovadora precisa pra se desenvolver ele vem conseguindo só com apoio de seu eleitorado fiel da Bahia se manter forte em um cenário político elitizado e pragmático. Acredito no sucesso dele em termo nacional em mais alguns anos. Eu sou Baiano e moro a 5 anos em SP, parabenizo pela ótima gestão em Salvador e posição política no Brasil.

    • Marco Albuquerque disse:

      ACM foi eleito pelo povo baiano e tem agora total aprovação e reconhecimento da população pelo seu trabalho. Agora, para aqueles rancorosos que tentam destilar ódio contra o Avô dele, o que se pode dizer é que um é um e o outro é o outro.

  15. douglas disse:

    O presidente da CSN declarou que em 1996 alertou o FHC sobre a corrupção que corria solta na Petrobrás por isso gostaria que entrevistasse ele em rede nacional, se existisse o lava jato na época a história hoje seria outra. alguém tem coragem????

  16. sidnei disse:

    Claro que a Dilma não consegue tirar o país da crise, o PSDB não deixa !! Ela coloca um tijolo, ai vem o PSDB e tira dois. Eles não querem que ela levante o país, eles querem que o país caia e a Dilma, caia junto ! Um oposição assim, não tem democracia que resista !

  17. Alberto disse:

    Tudo passa pela imbecilização do eleitorado.

  18. Antenor disse:

    Sobre esse governo ou sobre qualquer outro que venha a se instalar em Brasília, é bom que fiquem sabendo: O povo brasileiro não tolera mais MENTIRAS e FALSIDADES ELEITOREIRAS.
    Este é o preço que esse “desastre” chamado PT / Dilma têm que digerir, por conta de suas mentiras e punhaladas nas costas de seus eleitores.
    Essa punhalada eu não levei! NUNCA VOTEI NESSE PARTIDO NEFASTO. E mais: No estágio em que se encontra, não adianta mexer, fazer “alianças e conchavos” porque as raízes já estão apodrecidas. Não tem mais sustentação.

  19. geninho disse:

    Será q o tal consegue ao menos resolver a crise do Estado dele, a Bahia..terra do ACM manipulador de painéis.

  20. Sonia Ribeiro disse:

    Sidnei, sou apartidária. Acho que todos são corruptos e safados; mas querer defender este PT, nesta altura do campeonato e esta sra., que se diz presidente é uma paulada na cara do povo brasileiro. Nossa esperança é que os petistas reconheçam que nenhum político de outrora fez o estrago que eles fizeram. Este partido quebrou o país, conseguiu falir a Petrobras, ainda há o escândalo do BNDES e do nióbio. Pelo amor de Deus, que pelo menos isto seja fruto de uma nova mentalidade. Não podemos nos transformar numa Venezuela…..

  21. Pernambucogoia disse:

    A saída da Dilma e do Cunha é, hoje, uma unanimidade nacional e política: é o que todos, opinião pública, Deputados e Senadores da oposição e da base querem porque é a única opção que limpa a mesa sem destrui-la de uma vez.

    O Cunha ainda tem a chance de se recuperar politicamente no futuro, aliás o fato dele facilitar o impeachment é essencial porque vai redimi-lo perante os eleitores. Dilma, cada dia que fica, derruba a economia, empobrece todas as classes sociais e piora as perspectivas do PT, que hoje se arrasta e opera abertamente contra ela (vide a nota condenando o Delcidio antes que os Senadores votassem a manutenção da prisão dele).

    É um velório que naturalmente se encaminha p/ o enterro porque do contrário o fedor afeta todo o conjunto da política nacional.

  22. Zé Pelintra disse:

    Esta proposta de unir governo e oposição para discutir medidas econômicas é um conto de fadas. Os modelos de gestão e de condução da política nos dois casos é radicalmente oposta. Portanto, a proposta pode ser classificada até como sendo infantil. Por que o PSDB iria arriscar a se sujar nesta imensa confusão causada pelas vacilações de Dilma? Note-se que do parlamento não despontam líderes, apenas acusados de crimes. Temer saiu de cena, Aécio perdeu a determinação de ferrenho oposicionista que alardeou no início do ano, FHC dedica-se a contagem do dinheiro obtido com a venda de seus livros, Alckmin faz tanto silêncio que até esquecemos dele. Até Marta Suplicy está sumida. Nas casas parlamentares políticos se debatem para limpar a mesa e encerrar o ano. Caiu na ordem do dia, vota-se, senão, que fique para alhures ou algures. Que se dane! Ô o o, vida de gado, povo marcado Eh, povo feliz. “Tirar o país da crise”, essa é boa, conta mais.

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2020-10-20 11:17:27