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Kennedy Alencar

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Política
08-10-2015, 9h21

Dilma precisa de Renan e de votos na Câmara

Impeachment ainda tem um longo caminho a ser percorrido
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Apesar de a derrota no TCU (Tribunal de Contas da União) fortalecer o movimento da oposição pró-impeachment, há um longo caminho a ser percorrido. O governo ainda tem as suas armas para reagir.

O TCU recomendou ao Congresso a rejeição das contas de 2014 do governo Dilma. Esse parecer é visto pela oposição como um argumento para dar viabilidade jurídica a um eventual impeachment, mas o debate é eminentemente político.

A primeira atitude do governo é pedir socorro ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para engavetar ou adiar ao máximo a apreciação das contas de 2014. Por ora, há uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que deixa nas mãos de Renan o poder de escolher o momento de votar essas contas.

Antes, porém, há uma batalha na Comissão de Orçamento, que vai analisar a recomendação do TCU. Portanto, o principal caminho para o governo é político. É obter mais votos na Câmara e não perder apoio no Senado a fim de enfrentar as votações necessárias e resolver os problemas de uma vez.

Dificilmente haverá sucesso numa estratégia via STF neste momento. A tendência é o Supremo dizer que se trata de assunto interno do Congresso, pois o que existe é uma recomendação de rejeição do TCU, que é órgão auxiliar do Legislativo.

Em resumo: é a política, estúpido, diriam os americanos sobre o Brasil de hoje. A presidente Dilma Rousseff precisa fazer política. E isso significa arrumar votos no Congresso e organizar politicamente as prioridades do governo. Do contrário, correrá o risco de perder o poder e de continuar com um administração paralisada, um governo que não governa.

*

Na eleição americana de 1992, James Carville, marqueteiro de Bill Clinton, cunhou a expressão “É a economia, estúpido”. Referia-se à importância do debate sobre economia, que o adversário do candidato democrata Clinton, o então presidente republicano George Bush, não entendia como o principal tema da disputa. No caso da presidente Dilma, é a política a maior razão de suas dificuldades.

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O principal efeito da decisão do TCU é criar um fato político forte a favor do impeachment, porque a decisão do TCU foi unânime, reunindo ministros e técnicos num discurso incisivo contra o governo. Nesse sentido, a investida política e jurídica contra o TCU, a fim de tirar o ministro Augusto Nardes da relatoria e adiar o julgamento, acabou amplificando o tamanho da derrota do governo e dando mais importância à recomendação do tribunal.

Há uma corrente no governo que avalia que foi correto atacar Nardes e o tribunal na reta final do julgamento. Outra ala acredita que foi um erro, pois criou mais um fato negativo com origem numa ação do governo. E isso tem sido uma constante.

Toda semana o governo toma uma iniciativa que resulta mais em desgaste do que em ganho político. O TCU se uniu em defesa de Nardes, e o governo não obteve nenhum voto a seu favor no julgamento.

*

O principal problema do governo é a sua capacidade de errar. Quando começou a negociar a reforma ministerial, a presidente Dilma decidiu, sozinha, tratar com o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani.

A tendência era fazer um acordo com Picciani e tirar ministros ligados ao vice-presidente Michel Temer e ao senadores Jader Barbalho e Renan Calheiros. Foi convencida pelo ex-presidente Lula de que seria um erro. Portanto, a situação poderia estar pior.

Há insatisfação de outros partidos, como PSD, PR, PTB, Pros e PRB com o seu tamanho no ministério, cada um tem uma pasta, e com pedidos de cargos de segundo escalão. A presidente deverá dar prosseguimento ao loteamento político do governo.

De fato, não é uma situação fácil. O governo vai aprofundar o toma-lá-dá-cá correndo o risco de ceder e não receber nada em troca. Mas a presidente não tem alternativa. Se não se entender politicamente com os partidos ditos aliados, não terá votos no Congresso, sobretudo na Câmara, para barrar votações pró-impeachment.

Haverá hoje uma reunião ministerial. Esses encontros se mostram pouco produtivos. Mais uma vez, ocorrerá um apelo aos ministros para que influenciem suas bancadas. Mas esse trabalho é feito no cotidiano. Não é algo da noite para o dia.

O governo tem de se reorganizar. Conseguir quórum para uma sessão do Congresso, manter os vetos presidenciais, ir resolvendo um assunto de cada vez e não abrir frentes de batalhas novas, como fez ao atacar Nardes e o TCU.

Nessa questão dos vetos, o Senado já está decidido a mantê-los. É baixo o risco de serem derrubados, mas a Câmara tem conseguido impor derrotas ao governo e empurra a análise dos vetos com a barriga.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, mesmo enfraquecido pelas revelações de contas bancárias na Suíça, tem conseguido complicar a vida do governo. Daí toda essa torcida no Palácio do Planalto contra Cunha.

O enfraquecimento de Cunha ajuda o governo, porque ele é uma figura fundamental na estratégia da oposição para votar um eventual impeachment. Mas depender do inferno político do outro não é garantia de obter um lugar no céu. Cunha tem se complicado, mas o governo também vem derretendo em público.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
17
  1. João Alberto Afonso disse:

    É, a coisa está ficando preta e não a vermelha do PT. Mas, a Dilma tem a favor o fato de que o Congresso, em sua grande maioria e como sempre, está a venda e, via disso, basta apenas oferecer mais cargos no sistema toma lá dá cá. Enquanto isso, o Povo que se dane.

  2. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    O Brasil perdeu o bonde do acordo de livre comércio por conta de política externa equivocada, movida por ideologia bolivariana, obsoleta e corporativista com vizinhos fracassados. Agora corre o risco de perder o bonde republicano por conta de sobrevivência no poder e manutenção do grande cabide de pelegos e capachos !

  3. Pasquale disse:

    Augusto Nardes, relator das contas do governo no ano passado, deu declaração em fórum de líderes

    Ano passado já encontramos situação muito crítica. O Ministério da Fazenda não contabilizou cálculos atuariais da Previdência no valor de R$ 1,1 trilhão. Chegamos próximo de R$ 2,3 trilhões não contabilizados no ano passado. E agora constatamos uma série de empréstimos através da Caixa e outras instituições sem sustentação legal

  4. Ataliba Magalhaes disse:

    O probema não é político, o problema é petista. O PT governa somente para seus eleitores, criminalizou o resto do Brasil que não lhe deu voto e iferece o inferno a essas pessoas. O PT quando acerta em algo, acerta sozinho, quando erra a culpa é “deles”. Quem reduziu a pobreza brasileira foi o PT, quem jogou o Brasil na recessão foi oposição e a crise (eles). Achar que o problema é político e não estrutural-ideológico-petista-pseudo progressista é mais um equivico dos simpatizantes petistas. Mais um engano é achar que Eduardo Cunha saindo as coisas melhoram. O brasileiro acordou, novas lideranças surgirão. Ninguém aguenta mais esse retrocesso petista e o Congresso entendeu isso.

  5. Jonny disse:

    Isso é só um circo para a mídia. FHC e governadores tb tiveram contas rejeitas. Por isso não há a mínima chance de ir a adiante. Levaria anos e o governo deste mandato já terá acabado.

    O Próprio Alckmin concorda que isso é um precedente para implicar com todos os governos e isso não tem como ir p frente.

    A mídia que ajudou a oposição colocar o Cunha que está acabando com o país, deveria estar mais preocupado em tira-lo de lá. Como já aconteceu no Passado qdo a Globo apadrinhou o Color, e depois ajudou a tirar.

    Vamos pensar no Brasil, e não no fim dele. Vc não e nunca ajudaram, mas se irmos para o caos, vcs tb perdem.

  6. Santos disse:

    Cada vez mais o “toma lá, dá cá” da Da. Dilma. Ou seja: enquanto aumentam os já absurdos gastos do governo com a tentativa de compra de apoios, querem aumentar ainda mais os impostos da super explorada e roubada população que trabalha e produz na república das bananas. É um governo medíocre que desesperado em se manter no poder quer contar com o apoio de verdadeiros bandidos, que cada vez mais aumentam seus “preços”. Qual moral esses senhores tem para falar em volta de CPMF e aumento de carga tributária?

  7. antonio brandeleiro disse:

    A matéria apresentada soa como se fosse uma coisa comum apenas o vai vem de mais um dia do governo, precisa de apoio aqui abre uma brecha ali, a conversa é outra ! é desvio de conduta ! é prejuízo aos cofres públicos ! estão brincando com dinheiro de um país quebrado ! a imprensa banaliza atos de verdadeira falta de conhecimento, de gente sem a menor competência, mafiosos que se preocupam com cargos para compadres quando a finalidade é o bem do povo da maioria, precisamos nos livrar definitivamente dessa quadrilha.

  8. walter disse:

    Caríssimo Kennedy, estamos vivendo o “mundo” dos horrores, não importa muito, quanto tempo levará para o impedimento, sabemos que vai acontecer; infelizmente, o pt brinca com o perigo.
    Já havia comentado antes, o lula esta sendo ignorado pelos congressistas, por motivos diversos, o principal neste momento, é o ATAQUE AO CUNHA; faltou inteligência ao Planalto, subestimaram o “deputado nanico”, e deu no que deu…de cara mostrou sua força; a dilma mandou “deitar o pau”; mesmo sobre ataque, contagia o renan por exemplo, que sobrevive, entre a cruz e a espada; a “cama de gato”, esta esticada; farão o corpo mole conveniênte como sempre, os tais ministérios, causaram mais mal do que bem; o PT continua de “salto alto”; porquer???

  9. Alberto disse:

    Agora é “ou dá ou desce”,simples assim.

  10. Ser presidente da república é coisa para político experiente em administração pública. A Dilma além de não ter nenhuma experiência, demonstra também uma burrice que contraria ao mais elementar traquejo de relacionamento com aqueles de quem depende. Acredito que para cometer tantos erros tem sido acessorada, pois parece impossível alguém ser tão burro sozinho.

  11. Cássia disse:

    Ótimo comentário! Sempre esclarecedor!Obrigada. As coisas estão tão complicadas, que as vezes é difícil para pobres coxinhas entenderem!!! Rs.

  12. César disse:

    A Presidente Dilma Rousseff a cada dia que passa, está ficando mais isolada. Igual o Brasil!

  13. César disse:

    Agora a Presidente da República Dilma Rousseff diz que “não pode pagar pelo que não fez.” Presidente Dilma, Vossa Excelência só vai se juntar ao povo brasileiro, que está pagando pelo que não fez, sem poder pagar. Vossa Excelência vai se somar a Petrobrás, que pagou pelo que não fez. Era propina e superfaturamento de obras em aditivos inexistentes. Os seus eleitores já perceberam que a senhora não fez nada! Não fez nada do que prometeu. Não fez nada para impedir a roubalheira. Não fez nada para mudar a política de barganhas. Não fez nada para governar o país. E não deveria receber pelo que não fez. Deveria nos devolver o seus salários! Não deveríamos paga-la pelo que não fez!!!!!

  14. Paulo disse:

    Este governo não tem perigo de dar certo.

  15. Santos disse:

    Caro Kennedy, por que você não diz o que o país PRECISA, ao invés de ficar dizendo o que esse desgoverno precisa? Chega desse jeitinho de querer achar que esse toma lá dá cá funciona.

  16. Rafael Silva disse:

    Isso tá mais para novela mexicana do que para outra coisa… vamos aos fatos:o governo não governa; o Brasil quebrou; Eduardo Cunha, Dilma e seus asseclas são canalhas; essa bizarrice vai continuar até 2018; o pré-sal acabou antes de começar; as commodities estão em baixa; inflação em alta; dólar disparou; ….; e quem paga por tudo é a população… ok !!! já vi essa novela e sei como acaba… infelizmente da mesma forma como começou. VIVA O BRASIL!!! O PAÍS DO FUTURO!!! (SEMPRE!)

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