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Política
30-09-2015, 9h13

Dilma sinaliza troca de Mercadante por Wagner

Ministro da Casa Civil ainda tenta resistir a pressão por queda
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A presidente Dilma Rousseff sinalizou em conversa ontem com o ministro Aloizio Mercadante que deverá tirá-lo da Casa Civil. Dilma disse que estava difícil enfrentar a pressão do ex-presidente Lula, do PT, do PMDB e de outros aliados para realizar essa mudança.

Dilma e Mercadante deverão conversar novamente hoje, dia decisivo para a presidente tomar as decisões finais para anunciar amanhã a reforma ministerial.

Ontem à noite, Mercadante argumentava que sua saída significaria a perda de um escudo político para Dilma, porque ele apanharia muitas vezes para protegê-la.

O desenho mais provável é deslocar Mercadante para a Educação, pasta que ele já ocupou, e colocar o ministro da Defesa, Jaques Wagner, na Casa Civil. O ex-presidente Lula e o PMDB apoiam Wagner, que tem perfil conciliador e já governou a Bahia duas vezes.

Havia a possibilidade menor de uma indicação mais técnica. Levar a presidente da Caixa, Miriam Belchior, para a Casa Civil. Mas Lula e o PT dizem que a crise é política e demanda uma dupla nova na Casa Civil e na Secretaria Geral da Presidência, com Wagner e Ricardo Berzoini nesses cargos, respectivamente.

Berzoini, que já está atuando como articulador político, vai deixar as Comunicações para assumir a Secretaria Geral. Se confirmada, a saída de Mercadante da Casa Civil será a decisão mais importante da reforma ministerial, porque mudaria o núcleo do governo. Diante da relação de proximidade entre Dilma e Mercadante, havia no PT quem preferia aguardar o dia de hoje para dar essa troca como favas contadas. Temia-se um recuo.

Mas, nos últimos dias, ficou clara a pressão de muitas forças políticas pela troca. Há um desgaste de Mercadante pelas brigas que comprou. Também se atribuem a ele as manobras políticas para tentar afastar a presidente do PMDB, o que o ex-presidente Lula considera o mais grave erro estratégico que o governo cometeu desde o primeiro mandato.

Agora, enfraquecido, o governo terá de ceder ao PMDB sete ministérios para tentar barrar um impeachment político. A presidente está fazendo concessões de forma tardia, mas que são apontadas como a única chance de ela evitar que cresça no Congresso um movimento para votar seu impeachment por razões absolutamente políticas.

A presidente também negocia as Comunicações com o PT e a Ciência e Tecnologia com o PSB, mas tem dúvidas se entregar essas pastas vai resultar em votos no Congresso contra o impeachment.

*

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), está certo ao separar a discussão de financiamento de empresas a campanhas políticas da votação sobre vetos presidenciais da chamada “pauta-bomba”.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, está fazendo uma chantagem política quando condiciona a votação dos vetos presidenciais ao seu desejo de viabilizar o financiamento empresarial de campanhas políticas após decisão em sentido contrário do STF (Supremo Tribunal Federal).

Com apoio da oposição e parte dos partidos da base de apoio do governo, Cunha quer que Renan aprecie hoje o veto da presidente à permissão para que empresas doem a partidos políticos. Se derrubar o veto, Cunha poderá dar início a uma disputa jurídica com o Supremo a fim de tentar manter doações empresariais.

Renan também se recusa a acelerar a votação de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para permitir que empresas doem aos partidos políticos. Como regras eleitorais devem entrar em vigor um ano antes do pleito, seria necessário votar essa emenda constitucional até sexta, dia 2 de outubro. Renan não deseja enfrentar o Supremo. Ele avalia que não há clima para tentar reverter para 2016 a proibição de financiamento de empresas.

O presidente do Senado acredita que seria melhor testar a regra e, diante de eventuais problemas, tentar ressuscitar o financiamento empresarial em 2018.

No meio dessa briga, ficam em segundo plano vetos presidenciais importantes para barrar a criação de mais R$ 63 bilhões em despesas nos próximos quatro anos. É brincar com a economia e o país colocar em primeiro plano o desejo de manter o financiamento empresarial.

Cunha também compra briga com a maioria do Supremo, o que não é boa estratégia para quem aguarda o julgamento do tribunal sobre a aceitação de uma denúncia do Ministério Público Federal no âmbito da Operação Lava Jato.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. claudio antônio disse:

    E quem iria para o Ministério da Defesa? Aldo Rebelo? Ai Dilma compraria briga com militares da Ativa e Reserva, que somam mais de 4 milhões e mais os simpatizantes, pois Rebelo é comunista (no papel, pois na prática nunca foi)e os militares não vão tolerar serem comandados por um comunista.

  2. Aguinaldo Triumpho Avellar disse:

    Será que a presidente Dilma ao encarregar o Ministério da Saúde ao PMDB não estaria dando ao Dr.Michel Temer um
    ‘PRESENTE DE GREGO’! Sabemos que o Vice-Presidente ´tem crescido em popularidade e aceitação popular, mas se o PMDB se encarregar do MINISTÉRIO da SAÚDE, a saúde do povo não melhorará ão haverá dinheiro para investir em saúde.
    Entendo que o ideal para o maior partido brasileiro oriundo dos movimentos democráticos desde 64, será se apartar do governo.

  3. César disse:

    O governo já estava ruim das pernas e agora está entregando os dois braços, direito e esquerdo, para tentar salvar o pescoço. Governo Frankenstein! Todo costurado. Cabeça sem cérebro, corpo do PMDB, membros de diversos partidos da base aleijada. Monstro desfigurado!

  4. Essa mulher está trocando seis por meia dúzia.
    Não entra um que presta nesta troca de ministros.
    Tira de um lado e joga para outro e assim o Brasil continua indo de mal a pior com essa gente.
    Parece que gente decente e competente não se arrisca a fazer parte desta quadrilha… PT e PMDB.
    Também pudera, escutando o Lula e o Temer só poderia dar nisso.
    PURA INCOMPETÊNCIA..

  5. ANTONIO IVO GALVAO NETO disse:

    Desculpe quem é Lula ele foi presidente senhores ele governa através de Dilma e faz aconchavo com os partidos politicos para ferrar o povo através de imposto hoje subiu a gasolina nas distribuidoras mais 6% estamos pagando pela roubalheira do PT os remédios populares deixam de ser subsidiado pelo governos o pobre que votou no PT vai se ferrar .

  6. Lisandre oliveira disse:

    E a corrupção nao para ! Sem mensalao, sem petrolao, a moeda agora utilizada pelo governo sao os ministerios, vende-se ministerio em troca de voto. Que vergonha ! Que mal exemplo ao povo !
    Impeachment ja´.

  7. Alberto disse:

    O PMDB dando as cartas para substituir esse governo de inéptos.Armou o tabuleiro para o xeque-mate na madame Vana e aspones.É só aguardar mais um pouquinho.

  8. Pereira disse:

    A mais pura verdade, é que a favor do povo brasileiro nada de vantagem é feito, somente nós brasileiros é que estamos pagando a conta vencida, atual e ainda de sobra a que vai vencer.
    Como sempre digo, nessa política do toma lá dá cá, só tem o favorecimento para os que estão no poder “políticos”. Será que o brasileiro não se lembra que por muito menos que isso que está acontecendo na nossa atualidade o ex presidente Color foi cassado. Falta mesmo é união da população brasileira em todos os níveis.

  9. César disse:

    Escândalos sucessivos! Mensalão, Petrolão, Eletrolão, Reformão.

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