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Política
05-08-2019, 19h30

Discordar de Bolsonaro não faz de ninguém um mau brasileiro

Presidente mente e faz discurso típico de regime totalitário
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

Discordar do presidente da República não faz de ninguém um mau brasileiro. É preciso dizer essa obviedade para comentar o perigoso discurso feito hoje pelo presidente Jair Bolsonaro em Sobradinho, na Bahia.

Bolsonaro disse: “A Amazônia tem um potencial incalculável. Por isso, o mundo está de olho nela. Por isso, alguns maus brasileiros ousam fazer campanha com números mentirosos contra a nossa Amazônia”. Leia reportagem da “Folha de S.Paulo” sobre a fala presidencial.

Um presidente da República não pode discursar, lançando acusação tão grave contra servidores públicos, como se estivesse trocando de camisa. Não pode acusar funcionários públicos de serem “maus brasileiros” porque dados que incomodaram o governo vieram a público.

O ex-presidente do Inpe Ricardo Galvão é respeitado pela comunidade científica. É uma pessoa séria, que respondeu com dados corretos a uma mentira dita por Bolsonaro, que negou o aumento do desmatamento da Amazônia.

Ao chamar de “maus brasileiros” funcionários públicos como Galvão, Bolsonaro adota estratégia típica de regimes totalitários e fascistas. É o velho discurso do “quem não está comigo está contra o Brasil”.

Os dados de desmatamento aferidos pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial estão corretos. Os números são verdadeiros. Bolsonaro tenta intimidar servidores públicos que ficaram no Inpe.

O presidente também comete crime ao mentir para a opinião pública, recorrendo à teoria conspiratória de que potências estrangeiras querem tomar a Amazônia dos brasileiros. Isso é fake news, expediente usado por Bolsonaro na campanha e no governo.

As palavras de um presidente da República têm peso. Hoje, reportagem da Folha mostrou que um terço dos entrevisados pelo Datafolha concorda com “frases agressivas” de Bolsonaro. Essas “frases agressivas” são preconceitos, mentiras e absurdos em relação a políticas públicas que vão do meio ambiente aos direitos humanos.

É perigoso que um discurso desse tipo seja normalizado. Já há muita gente que acredita nas barbaridades difundidas pelo atual presidente e sua rede de apoiadores na internet.

O jornalismo tem um papel civilizatório. A objetividade e a imparcialidade não podem criar uma falsa isenção, tratando coisas que têm pesos diferentes como se fossem equivalentes. Não podemos chamar de “polêmicas” declarações mentirosas e absurdas que buscam cindir ainda mais uma sociedade dividida. Afirmações do presidente estimulam a intolerância no debate público.

Não há polêmica no episódio “governadores de Paraíba”, houve preconceito da parte de Bolsonaro. Não há polêmica em relação aos dados do Inpe sobre desmatamento, um lado está mentindo, o do presidente da República.

É papel do jornalismo dar nome aos bois. Normalizar absurdos é como as democracias morrem.

Ouça o comentário feito hoje no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
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  1. MARIZETE RODRIGUES GOMES ALVES disse:

    É um absurdo os Brasileiros ficarem quietos enquanto o presidente está espalhando ódio, desunião e destruição do nosso País.

  2. nilton albino da silva filho disse:

    Aproveite Presidente 4 anos passam rápido e a Vida Continua Depois.

  3. claudia souza disse:

    Meu Deus será que teremos um governo fascista? O que foi que o povo brasileiro fez nesta ultima eleição? Mas graças a Deus teremos outra para tentar nos redimir.

  4. walter nobre disse:

    Sinceramente, não vi qualquer mentira do bolsonaro Kennedy; a pressa que esperam certos acontecimentos, e a forma da condução pessoal, podem levar a certas conclusões absurdas; as vitórias que tem conseguido, a imprensa dá pequenas notas; falta consideração ao eleito, se houvesse mentiras, já estaria inquirido, pelos famigerados; esta ansiedade, em ve lo errar, para a maioria, dos que perdeu a eleição, não conseguem entender, que não vão ganhar no grito; outra coisa que faz diferença, este governo não roubou ninguém até então, e isto para os pobres mortais, faz diferença demais…

  5. ANDRE disse:

    Isso é o que dá apostar na barbárie contra a velha política. O lobo do totalismo, se escondeu no irreal combate a corrupção do juiz Sério Moro, e tenta lançar o Brasil nas trevas do atraso.

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2019-08-20 09:24:08