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Geral
06-04-2020, 13h57

Discurso de guerra ao vírus é tentativa de Trump esconder erros

EUA vão à batalha sem armas; Bolsonaro comete crime de novo
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Kennedy Alencar
Washington

O discurso de guerra contra o coronavírus do presidente Donald Trump é tentativa de esconder os erros de ter minimizado a covid-19 por mais de dois meses, apesar dos avisos internos da gravidade da doença e da falta de preparo do país para enfrentá-la. Se há uma guerra, os EUA estão indo para as batalhas sem armas em número suficiente.

Faltam aparelhos de respiração assistida, máscaras e luvas. Faltam equipes médicas para dar conta da demanda. Trump perdeu tempo na fase em que comparava o covid-19 à gripe comum. Há oitenta dias já recebera alertas do perigo, mas os desprezou.

No fim de semana, o cirurgião-geral do governo e espécie de ministro da Saúde, Jerome Adams, deu eco à comparação entre o coronavírus e a guerra. Disse que esta semana será o momento Pearl Harbour dos EUA. Em dezembro de 1941, o Japão atacou Pearl Harbour, base naval americana no Havaí, matando 2.403. Foi o evento que desencadeou a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial. Adams também invocou o 11 de Setembro, atentados ocorridos em 2001 contra as Torres Gêmeas de Nova York e o Pentágono que mataram 2.996 pessoas.

O alerta de Adams é forma de dar a real ao país, mas também faz a comparação com a guerra para servir aos projetos políticos de Trump. O próprio Jerome Adams foi uma das autoridades a subestimar a gravidade do coronavírus.

As estimativas mais otimistas mostram que deverão morrer americanos em número similar às baixas em Pearl Harbour, 11 de Setembro e nas guerras da Coreia, Vietnã e Afeganistão. Somadas as mortes nesses eventos, o número gira em torno de 106 mil. Por ora, há mais baixas do que a soma de Pearl Harbour, 11 de Setembro e guerra do Afeganistão.

A estimativa do governo prevê entre 100 mil e 240 mil mortes por covid-19 se o plano de mitigação funcionar bem. No entanto, 8 dos 50 Estados americanos não deram ordem para que as pessoas fiquem em casa. Todos republicanos, os governadores do Arkansas, Iowa, Carolina do Sul, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Nebraska, Utah e Wyoming resistem à quarentena.

O fato é que os EUA não estão preparados para enfrentar a covid-19, apesar de o presidente ter escrito no Twitter hoje que o país está forte e pronto para tal combate. Ontem, o presidente americano falou em luz no fim do túnel, o que é uma inverdade.

Há tratamentos em teste. Falta cura terapêutica comprovadamente eficaz para lidar com a covid-19. A vacina ainda está longe de ser descoberta.

Ontem, por exemplo, Trump impediu que o imunologista Anthony Fauci, principal voz da força-tarefa da Casa Branca, respondesse a uma pergunta sobre a eficácia da hidroxicloroquina, remédio usado contra a malária. O presidente americano simplesmente impediu a fala de Fauci, que já disse que não há evidência de funcionamento do remédio, mas testes.

Trump indagou aos repórteres: “O que temos a perder [ao usar a hidroxicloroquina]?”. Médicos respondem: a vida. O próprio Trump diz uma coisa e se contradiz no minuto seguinte. Não tem compromisso com a verdade. Está preocupado em minimizar os danos políticos num ano eleitoral. Daí a manjada retórica de guerra, que sempre busca a união do país em torno do líder de plantão. Acontece que Trump se revela, na crise, um líder sem estatura para o desafio.

*

Bolsonaro e Trump

A forma como Trump induz as pessoas a usar um remédio sem eficácia comprovada só encontra irresponsabilidade semelhante no comportamento do presidente Jair Bolsonaro. No Brasil, um empresário bolsonarista produz a substância para o remédio. Nos EUA, Rudolph Giuliani, advogado de Trump, tem feito lobby pela hidroxicloroquina.

É atitude baixa e antiética defender com tanta ênfase um medicamento sem eficácia atestada pelas autoridades de vigilância sanitária. Também é uma aposta política, sem contar eventuais interesses econômicos sombrios. Caso a droga funcione e seja autorizada para pacientes de covid-19, Trump e Bolsonaro vão se vender como visionários que não são. Ambos são presidentes que ampliaram a tragédia em seus países porque incapazes, mentirosos, manipuladores e contraditórios.

O egoísmo geopolítico de Trump, que impede exportação de equipamentos médicos para outros países, ficará marcado na História. Ela faz mal ao país e ao mundo. No caso de Bolsonaro, o bocoite à quarentena o torna um genocida. Em vídeo divulgado ontem, Bolsonaro manipulou a boa-fé das pessoas, mentiu sobre suposta tentativa de golpe e usou o nome de Deus em vão.

Ao ameaçar utilizar a caneta presidencial para demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, Bolsonaro cometeu mais um crime de responsabilidade. Fez novo ataque à saúde pública no Brasil, sugerindo que demitirá o ministro por discordar de suas diretrizes sanitárias e também movido por evidente ciúme político.

O Congresso e o STF (Supremo Tribunal Federal) também têm canetas. O
Brasil ainda possui uma Constituição. Um presidente criminoso tem de ser punido na forma da lei. Sua narrativa genocida na atual crise matará mais gente.

A irresponsabilidade de Bolsonaro desorienta a população. Em Minas Gerais, há relatos de prefeitos que desejam o fim da quarentena e a volta de atividades econômicas, como o retorno ao trabalho de empresas de confecção.

Romeu Zema, governador de Minas, não entendeu que a saúde pública é a prioridade no momento. Medíocre e inculto, Zema é uma espécie de Bolsonaro do Partido Novo.

Pessoas também acreditam na narrativa de Bolsonaro e bananinhas de que a imprensa exagera ao noticiar a covid-19 para derrubá-los do poder. Isso é mais uma mentira dita pelo presidente e os filhos políticos.

Além da teoria conspiratória bolsonarista, merece menção mais uma imbecilidade do ministro da Educação, Abraham Weintraub. Não satisfeito em destruir a educação no Brasil, ele se dedica a dinamitar a relação com a China, a nossa maior parceira comercial. É a tradicional mistura de ignorância com irresponsabilidade que marca o desgoverno Bolsonaro.

Ouça o comentário feito no “CBN Brasil”:

Comentários
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  1. Walter Nobre disse:

    Kennedy, finalmente os EUA estão tomando medidas semelhantes a tempos de guerra, HJ o comentário do TRUMP vendo Luz no fim do Túnel, fez com que os mercado no mundo subissem, mostrando a necessidade de esperança em tempos bicudos. A questão nos EUA é grave, precisam ter mais aplicação, não há meio termo com 330 Milhões de habitantes. O Trump tem uma pegada forte com fornecedores internacionais, e empresas internas, pretende canalizar condições agressivas para obter equipamentos e espaços, com intuito específicos em debelar o surto do corona vírus. Em comparação ao Brasil,estamos numa situação mais avançada, mesmo com menos equipamentos e condições; precisamos comprar melhor, tem muita pirataria no Mundo, a China chega a insistir em recebimentos adiantado, o que não tem sentido, já que não temos esta autorização ao presidente, pagar antes de receber equipamentos; não há comparação entre Países, seguindo posições diferentes. O Países segue caminhos heterodoxos, vamos lá.

    • Miguel Angelo disse:

      Dr. Walter, analisa econômico, bancário, bolsonarista teimoso. A China é capitalista. Está pedindo o pagamento adiantado com medo de calote dos EUA. O Brasil se não fosse governado pelo Bolsonaro, entreguista da soberania nacional, pois deu Alcântara com suposta troca de tecnologia sem utilizar dos instrumentos do Direito Administrativo, a licitação para os melhores países com a mesma tecnologia e menor preço, teria conseguido a prazo e em primeiro lugar. Contudo generais malucos, incompetentes sim (Imagine organizar um batalhão onde sabe-se que o presidente é contra negros, pobres, gays, petistas e pedir a eles armados que lutem a favor do governo? Militares no governo de Bolsonaro são tapados em estratégia militar e governo), atacam o povo chinês, o governo chinês, em favor de ficar de quatro diante os EUA. Walter a culpa é do Bolsonaro. E a economia, sem China, Índia, Rússia e Mercosul. Seu Walter, seu Ministro da Economia – simplesmente não existe. Acorde Brasil!

      • Walter Nobre disse:

        Caro Miguel Angelo, não adianta discutir contigo, só enxerga um lado dos fatos, em primeiro não consta nesta administração, desvios e roubos do erário enquanto o presidente estiver a frente deste governo, isto o Povo sabe, quanto ao Paulo Guedes, esta fazendo um trabalho fundamental, apesar do vírus; aliás, podemos tudo, não admitir os técnicos escolhidos neste governo como capazes, mesmo um Mandetta não opção. A escolha da cloroquina,em sido sim uma opção bem sucedida em muitos Países. O David UIP da equipe do Dória na saúde não quis admitir na sua entrevista, mas foi desmascarado pelo Datena. A pergunta que não quer calar, considerando as autoridades de Saúde americanas, acabaram de liberar o medicamento como opção a cura. Vamos aguardar caro, teremos em pouco tempo a cloroquina autorizada, com isso o Brasil vai respirar, devemos permitir esta opção, estão usando na China com sucesso. Por motivos que não sabemos em SP o Sírio já ministra a cloroquina, e o plasma de curados..

        • Miguel Ângelo disse:

          Caro Walter. Discordo que Paulo Guedes venha fazendo alguma coisa. Nem no presente da economia, nem para o futuro. Deve estar e ser ciente, que não foi o governo Bolsonaro, nem Guedes que aprovou a reforma da previdência. E, que saiba logo, uma reforma que haverá de ser modificada daqui 4 anos. Quem aprovou a reforma foram os líderes do Congresso. Datena não é técnico. É um oportunista midiático fechado com o bolsonarismo. As entrevistas deles terão sempre viés e pegadinha ao entrevistado. Se não é técnico, só fala com base em leitura. Se o apresentador for técnico e emitir pesquisa científica. Tá, podemos até dar ouvidos. Datena não nos serve como referência de nada. Cloroquina já tem estudos dizendo que quem toma ou não toma tem o mesmo resultado. É informação inverídica. Plasma é ainda teste. Entenda que o vírus é mutante. E que pode sair dessa salada um mais resistente e mortal. Quem estuda Economia já sabe que Guedes/Bolsonaro não fazem nada para melhorar a economia. Vive legado.

          • Miguel Ângelo disse:

            Quanto as desvios e roubos… O que são desvios e roubos? Se desviar for arrumar um caminho diferente ao qual deveria se ser seguido. Entendo que dar Alcântara aos EUA é um desvio digno de corte marcial para Bolsonaro, líderes do Congresso, e FFAAs. Sou nacionalista, então é a forma que penso. E se chegar politicamente um dia a algum lugar. Eu cobraria desse governo. Roubar é pegar as escondidas, ou diante uso de arma o que não é teu. Bem, canetas são armas tão perigosas quanto o 38 (conhece né Walter?). Então, milicianos fizeram negócios, assessores fizeram transferências, existem provas de rachadinhas. Ninguém quer saber se essa financiaram a eleição de 2018. Sei lá. Analise isso dentro da realidade dos fatos. Tem coisa errada e muita. Quanto a corrupção. Leia sobre os indicadores de corrupção. Foram feitos com o período desse Governo. E Dr. Walter. Quem negocia com o governo. Responde que aumentou. Ou seja, pagam mais nesse governo por fora para conseguirem o que deveria ser normal.

  2. Braga-BH disse:

    Estamos entrando naquela fase da crise viral em que as pessoas realmente infectadas irão demonstrar a doença. Aqui em Minas já é de conhecimento da população que a quantidade de infectados e mortos pela doença está subnotificado e com a anuência dos governos estadual e federal. Não querem admitir que a pandemia bateu forte no estado. Já existem relatos de enterros sendo realizados de caixoes lacrados mesmo com o laudo da necropsia colocando o caso em duvidas. Porque não existem kits para testes de uma grande parcela da população como é que vai ter para aquelas que já estão agonizando? Esta é a semana da Paixão. Parece-me que o calvário do Brasil está apenas começando com o Governador de Roma (leia-se do Brasil) fazendo de tudo para que as mortes sejam muitas e rápidas para voltarmos a normalidade na economia.
    Pobre povo brasileiro!!!

  3. […] Fonte: Discurso de guerra ao vírus é tentativa de Trump esconder erros | Blog do Kennedy […]

  4. José Antônio disse:

    Incapacidade? Loucura? Insensatez? Egoísmo? Pressão dos apoiadores? “Conivência” dos demais poderes?
    Qual a explicação as suas ações errôneas constantes?
    Nos EUA, o Trump parece que conseguiu enxergar o problema e mudou a sua opinião. Aqui, o Presidente continua cego! E o pior com muita gente o apoiando e banalizando um problema sério!

  5. jose disse:

    O idiota está com a caneta derretida. Maia, que facilitou Temer, tem avançado nos coices. Resta ao idiota falar pro bando dele. Pena que ele não tenha massa cefálica e nem condições normais para sentir vergonha. O idiota cria inimigos e se enfraquece em consequência engrandecendo-os. Mandetta, mero deputado de MS, se avolumou. Já passou da hora de enxotá-lo juntamente com o bando dele. O desespero é tamnho que ontem ele disse “O presidente sou eu”. Se soubesse ler, teria lido a categoria hegeliana do Servo e do senhor. Logo, logo, também o conge vai atacar o médico que está ministro. Essa gentinha mesquinha só pensa nela. O conge está caçando holofotes, o jejum de câmeras e de perguntas combinadas lhe fazsm falta, ele agoniza. FEz uma foto com um livro na mão: cafona e ridículo. O livro lhe é estranho.

  6. jose disse:

    Em pleno pico da pandemia causada pela covid-19 teóricos de ocasião já falam como futurólogos aventurando sobre o futuro da humanidade, a pós-modernidade, o fim do capitalismo. A humanidade é fruto dela mesma e esse é o único fato palpável. Vai mudar?, certamente pra pior a ver Trump dizendo que não quer que os outros recebam equipamentos primeiros socorros. Se foi ironia, não é o momento. Se foram palavras factuais, revelam um feeling da humanidade. O ardor da cadeira foi empurrado goela abaixo do idiota que a todo momento vem lembrando que o presidente é ele. Lembra cena de um bêbado alienado querendo participar da festa, mas não sabe dançar.

  7. jose amud eufrasio disse:

    Bom dia querido!
    Em tempos de coronavirus, gostaria de lhe perguntar sobre um outro assunto, que é a regulamentação da venda das drogas.
    Sou Advogado e sei que esse problema desse virus é passageiro, porém no que se refere as drogas, esse não, esse com certeza, passaremos por muitos apertos.
    Como advogado, sei que já se regulamentou o fato de alguém ser dependente quimico. toda via, a produção e a venda não, também sei que é uma luta perdida, pois, ao lada da minha casa, na minha rua, e em todas as ruas e bairros do brasil, se consome e se comercializa droga.
    Vejo os pobres dos policiais se matando e correndo atrás de drogado e fechando pontos de drogas.
    Mais sei que é uma briga perdida, não seria melhor regulamentarmos a produção e venda desse mal.
    Desta forma, acabaríamos como as mortes por ponto de droga, que na realidade é o que mais mata, pois, as facções brigam por esses pontos.
    De outro lado se tivéssemos o controle de quem produz e de quem consome, poderíamos criar polit públc

  8. Trump e o Mundo. Bolsonaro e o Mundo. Nos mundo de imundos. disse:

    Trump diante o mundo em caos, se apequena. Não existiria ato humanístico desse ser orgulhoso. Aflora o ser capitalista mesquinho. O representante marqueteiro das mídias televisas da arrogância, das caretas e frases de efeito. Oras mundo! O que ia se esperar? Beijinhos com a mãozinha feito o bolsonarismo e seu líder? O sujeito é um demagogo americano. Mais rico, e com origens no pensamento capitalista (e agora implantando a mesma proposta do capitalismo brasileiro – já que usa a máquina a seu favor. É americanos – essa é a verdade – com muitos capitalistas nas costas do erário do EUA – é só procurar que vão achar). Agiria como o presidente capitalista tupiniquim. Que pensa ser um Deus, ou Rei, o preguiçoso Bolsonaro (e seu clã e discípulos). Só que Trump faz apologia: primeiro meu povo (mas ele ganhando por fora). E Bolsonaro diz: primeiro eu, meus filhos, bobos na TV e quartéis, tolos nas Igrejas. E o povo? Como dizia Chico Anísio caricaturado: “Que se exploda”. Você tem o que elegeu.

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