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Política
19-07-2017, 8h25

Duelo Temer-Maia por dez deputados exibe mazela política

Episódio mostra necessidade de reforma para reduzir número de partidos
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O jantar de ontem em Brasília deve diminuir um pouco as desconfianças entre os presidentes da República, Michel Temer, e da Câmara, Rodrigo Maia. Mas elas continuarão vivas enquanto houver a possibilidade de queda de Temer e de ascensão de Maia ao Palácio do Planalto, primeiro na linha sucessória hoje porque o país não tem vice-presidente e o democrata comanda a Câmara dos Deputados.

Fantasmas rondam Temer e Maia. No caso de Temer, o fantasma da conspiração para lhe tomar o poder. No de Maia, o da tentação de chegar ao Palácio do Planalto. É a política como ela é.

Temer agiu certo ao se encontrar ontem com um grupo de deputados do PSB que estuda migrar para o DEM. O presidente sugeriu a possibilidade de filiação ao PMDB. Não tinha alternativa.

É fato que já era antiga a articulação para um grupo de deputados do PSB entrar no DEM, mas ela estava em banho-maria por questões de poder. Não há nada de ideológico numa migração de deputados ditos socialistas para uma legenda de direita como o DEM. De socialista no PSB, só restou o nome.

Esse episódio exibe as mazelas da fragmentação partidária, em que grupos de dez deputados têm peso enorme a ponto de estimular um duelo público entre os presidentes da República e da Câmara. Essas fatias do Congresso atuam sem norte ideológico, mas apenas por interesses fisiológicos. São o retrato da necessidade de uma reforma política para diminuir o número de partidos.

A negociação desse grupo com o DEM envolvia uma questão de espaços regionais para deputados insatisfeitos com as direções do PSB nos seus Estados. No entanto, quando cresceu a possibilidade de Rodrigo Maia virar presidente, surgiu um novo atrativo que interessa a esses pequenos grupos parlamentares: ingressar no partido do futuro presidente da República. Isso fortaleceria Maia e abriria para esses congressistas maior acesso a benesses do poder.

Temer enxergou o risco que isso lhe trazia e reagiu. Gerou estresse com Maia, mas mostrou estar atento a movimentos que poderiam ser prejudiciais a ele. Criou um certo constrangimento para a articulação do DEM.

A migração de um grupo do PSB para o DEM pode levar outros deputados a fazer o mesmo. Segundo o site da Câmara, o DEM tem hoje 29 deputados no exercício do mandato. O partido almeja chegar a cerca de 50, o que o colocaria entre as maiores legendas, ao lado do PMDB e do PT e superando o PSDB.

O presidente correu risco ao entrar em choque com Maia. O presidente da Câmara é o último deputado com quem Temer pode brigar. Por isso, houve esse morde e assopra de ontem. O dia começou com o presidente se reunindo com deputados do PSB e terminou com ele jantando com Maia.

Se o presidente da Câmara assumir atitude hostil em relação a Temer, será difícil o peemedebista se segurar no poder. Mas movimentos prematuros de Maia também podem facilitar a reação do presidente e de seus aliados.

Temer e o PMDB têm demonstrado capacidade de reação política para se manter no poder muito maior do que tinham Dilma e o PT. Temer conhece bem o Congresso Nacional. Tem instrumentos de poder à mão, como cargos e verbas, que são fundamentais na relação fisiológica estabelecida entre Executivo e Legislativo.

Para Maia, é também prudente evitar brigar abertamente com Temer. Daí o balé de aliados no jantar de ontem.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Fernando Mendes disse:

    Ao meu ver o Maia podendo não pode privar-se do direito de ser presidente, o governo Temer se mostra esgotado devido a uma imagem desgastada, as inúmeras denuncias de crimes agravam a governabilidade do Brasil, há na minha opinião uma desfragmentação do governo que dificilmente conseguirá uma coalizão, ao assumir a presidência Maia de certa forma conseguiria acalmar os ânimos no congresso e criaria uma certa zona de neutralidade, algo necessário para viabilizar a volta do dialogo politico e o funcionamento integral do congresso.

  2. Stanislaw: É HORA DE “LAVA JATO 2! disse:

    Se a área econômica resiste à confusão política, na área política faz-se necessário, já, uma “LAVA JATO 2”!
    Enquanto a LAVA JATO deve continuar investigando os fatos já acontecidos, é preciso uma LAVA JATO 2”, URGENTEMENTE, investigando a sangria aos cofres públicos atualmente e coibindo a continuação deles. Não é possível o poder Executivo continuar sangrando os cofres públicos, liberando dinheiro para os políticos que estão se vendendo, literalmente, descaradamente, sem nenhum senso de respeito pela nação, para apoiar a permanência de um presidente com índice de aprovação de 7% e ainda evitar que seja julgado por corrupção. Se o dinheiro é “PÚBLICO” e só 7% da população aprovam o presidente, ele precisa ser coibido pela justiça, e não é possível que haja “disenteria verbal e decrepitude moral” dentro da justiça, que seja contra a cessação de mais esse crime contra a nação brasileira!

  3. walter disse:

    “Era uma casa muito engraçada”, caro Kennedy, ali muitos assuntos são discutidos nos bastidores; está questão da disputa de deputados, leva a um “braço de ferro” entre o maia e o temer,de forma sigilosa, existe uma corrente querendo que o maia force a barra, para quem sabe, assumir por tabela, o lugar de presidente; principalmente os cartolas do Rio, precisam de dinheiro a custo zero, e o Maia é a melhor opção…quanto a briga por deputados, isso faz parte…é evidente que se o maia conquistar mais deputados, seus pares faram mais pressão sobre ele, que tem medo de pegar este “abacaxi”; sabe do tamanho do pepino contra, pretende continuar na mesma condição…

    • walter disse:

      Agora a noite caro Kennedy, ficou mais claro no jantar de desagravo do temer a Rodrigo Maia; veio o pedido para o presidente apagar alguns incêndios no RIO, e a velha solicitação mal resolvida, em liberar recursos novos, sem garantias ao estado…são tão previsíveis que fica muito claro, que o Maia não quer assumir o planalto e nem disputar com tanto afinco, os deputados que querem migrar aos partidos…estão fazendo um bem bolado, cada um do seu jeito, para livrar a cara mutuamente…são previsíveis demais…por essas e por outras…aguardaremos o desfecho mas esta tudo combinado…são que nem siameses daqui para a frente, salvo com fatos novos…

  4. AGOSTO - MÊS DE FATOS POLÍTICOS “FORTES”: QUE TAL “O PULO DO GATO”? disse:

    Rodrigo Maia deveria deixar de lado essa coisa de “lealdade política” pois isso não existe quando no quadro político predominam quadrilhas de periculosos assaltantes de cofres públicos, como a maioria da população sabe. Exemplo claro do tipo de “lealdade política” entre quadrilhas foi o ocorrido entre Temer/Dilma – não dá para tapar o sol com a peneira.
    A corrupção tem 7% de aprovação – lealdade à corrupção ou lealdade a 93% da população?
    Acho que, além de ser muito mais digno ser fiel à vontade da população brasileira é, sem dúvida, no momento, “o pulo do gato”!

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