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Economia
15-08-2017, 8h13

É erro privatizar de improviso para pagar despesas correntes

Venda de bens públicos deveria obedecer a um plano estratégico
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A demora para fixar as novas metas fiscais de 2017 e 2018 cria desconfiança em relação ao cumprimento desses objetivos. Desde quinta-feira passada, a equipe econômica vem sinalizando para o mercado financeiro que as metas deste e do próximo ano deveriam ficar em cerca de R$ 159 bilhões _talvez um pouco mais. No entanto, abaixo de R$ 160 bilhões.

Esse número é ligeiramente superior ao deficit de 2016. A equipe econômica se fixou nele para evitar transmitir a imagem de um crescimento descontrolado, ano a ano, do rombo nas contas públicas.

Quando assumiu o poder, a nova equipe econômica elevou a meta fixada no governo Dilma, que era de R$ 96,6 bilhões em 2016, para R$ 170,5 bilhões. Fez isso alegando que precisava trabalhar com números realistas, mas que, nos anos seguintes, os deficits seriam consecutivamente menores. Não está entregando o que prometeu.

Sinalizou um ajuste fiscal gradual de longo prazo enquanto aprovaria a regra do teto de gastos e a reforma da Previdência. Acontece que a área política diz que não garante as receitas que dependem de aprovação do Congresso para cumprir as metas de aproximadamente R$ 159 bilhões e recomenda um valor mais alto, na casa dos R$ 170 bilhões.

Diante desse vaivém, é óbvio que há um debate para saber se ficará de pé essa conta de chegada nos R$ 159 bilhões. Hoje, parece uma meta inconsistente. Se for divulgado um número maior, soará como derrota da equipe econômica para a ala política. Se for confirmada a meta de R$ 159 bilhões, ela já nascerá cercada de dúvida em relação ao seu realismo.

A equipe econômica está improvisando. Não sabe o tamanho real do buraco nas contas públicas. A privatização de bens públicos deve resultar de uma ação estratégica que combine redução de gastos, mas também a busca por melhorias da infraestrutura do país e do serviço fornecido aos cidadãos. Não pode ser feita a toque de caixa para pagar despesas correntes. Mas é isso o que está acontecendo.

O governo não tem certeza se conseguirá privatizar a Cemig neste ou no próximo ano. Então, há dúvida se pode contar com essa receita extra. Agora, surgiu novamente a ideia de privatizar aeroportos que dão lucro à Infraero, como Santos Dumont e Congonhas.

Ora, num momento de crise, no qual os ativos brasileiros estão baratos, não parece fazer sentido privatizar dois aeroportos lucrativos. Um bom gestor deveria ter dúvida e aguardar a melhora do momento econômico. Esses aeroportos são fundamentais para a saúde da Infraero. Um cidadão só vende um bem valorizado num momento em que o mercado está ruim se está desesperado por dinheiro. É essa a imagem que a equipe econômica está transmitindo.

A área política diz que será difícil garantir a aprovação da reforma da Previdência, o que é fundamental para que a regra do teto de gastos não crie uma paralisia na máquina pública. O time político do governo também não assegura a aprovação do novo refis num modelo que gere R$ 13 bilhões de receita, porque o projeto da equipe econômica foi desfigurado na Câmara.

Logo, tem razão o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao dizer que a revisão da meta é um “jeitinho” e que as coisas “não caminham bem”. Até agora, o ajuste fiscal de Meirelles é um fracasso. Só aumentou a dívida pública.

Chamada de “time dos sonhos”, a atual equipe econômica está produzindo um pesadelo fiscal, porque aceitou fazer concessões à elite do funcionalismo e a grupos empresariais com maior poder de pressão. Sacrificou os mais pobres. Também perdeu tempo, porque não aprovou a reforma da Previdência nem elevou impostos para os mais ricos quando tinha capital político para adotar essas medidas.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. walter disse:

    Caro Kennedy, se tem uma coisa que lembra a dilma, são os 170 BI deficitários, contra isso o governo temer esta inoculado; pecará se esta meta dobrada não cair; nenhum governo sabe de fato, os custos reais da maquina pública, gastam sem critérios, e os ministros encarregados deste “controle” não tem pleno aval. Referindo me as privatizações, sou a favor da total desmobilização destas “empresas do governo”, que só servem de cabides a todos os eleitos; sabemos desde a escola, que os políticos são péssimos administradores; seríamos hipócritas, se não assumíssemos isso, podemos usar o jargão, “me engana que eu gosto”, já que não acompanhamos de perto, enquanto sociedade; teríamos que ser organizados, com grupos especializados, bem perto da coisa pública,acreditamos em nossas escolhas e aí…

  2. Elaine disse:

    Se a Dilma estivesse no poder até hoje (na ausência de sabotagem por parte da mídia, elite empresarial, congresso e mercado), garanto que já estaríamos na rota do crescimento desde 2016.
    O golpe parlamentar custou muito, muito caro ao país. Isso é fato.
    E o resultado disso tudo é chocante. A conferir:

    -Rombo Fiscal e 14 milhões de desempregados.
    -PIB negativo em 2015 (-3,8%) em 2016 (-3,6) em 2017 (0,2%)
    -Aumento brutal da criminalidade e redução drástica dos recursos para saúde, educação, etc. etc. etc.
    O que tem de positivo, só mesmo a queda da inflação, mesmo assim: a que custo?
    O agronegócio vai bem, mas ele tem dinâmica própria. O maior problema é o setor industrial e o de serviços.
    A taxa SELIC continua alta, pois os juros em termos reais estão elevados (isto trava os investimentos privados)
    E os privilégios seguem intocáveis para o oligarquia deste país.
    TERRA ARRASADA NO FINAL DE 2018.
    Quem viver, verá.

  3. Analista Alpha disse:

    Ficou pior, muito pior que o governo anterior. O Brasil está afundando. Todos gostam de dizer que não querem o Brasil como a Venezuela sem perceber que já estamos a caminho.
    Todos perdemos com esse golpe, o Brasil perdeu o rumo, o rombo só aumenta, e agora procuram bodes expiatórios para por a culpa, como no caso do funcionalismo e a previdência.
    A culpa é sempre do outro.
    Não se ouve falar do pagamento assombroso dos juros da dívida, não se ouve falar dos gastos do governo com publicidade, a culpa é do Bolsa Família, dos servidores públicos.
    Quanta balela. Niguém quer pagar a conta e empurram pro lado.

  4. Fabio disse:

    Uma coisa é certa, o Temer e todos que o apoiam estão destruindo o Brasil e apagando o Brasil de vez do futuro.
    Temer e seus apoiadores acabaram com qualquer esperança do brasileiro em ter dias melhores.

  5. Wellington Alves disse:

    Depois fazem como Viracopos – devolvem e dane-se tudo.

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