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Geral
14-03-2019, 8h08

É preciso banir armas, não facilitar porte como quer Bolsonaro

Massacre em escola é resultado de série de causas
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

Massacres como o de Suzano acontecem devido a uma série de causas. Um dos motivos é o acesso fácil às armas no Brasil.

Ontem, morreram cinco estudantes e duas funcionárias de uma escola estadual de Suzano (SP). O tio de um dos dois atiradores foi assassinado antes disso. E os criminosos morreram em circunstâncias ainda a serem esclarecidas _a polícia diz que um deles atirou no outro e se suicidou.

A facilidade para obtenção de armas no Brasil é um dos motivos que ajudam a explicar mais um episódio de ataque numa escola _algo que passou a ocorrer no país com certa frequência nos anos recentes.

Nesse contexto, banir as armas seria a melhor solução. O governo Bolsonaro está no caminho errado. Já flexibilizou a posse de arma via decreto. Ontem, antes de saber do massacre, o presidente disse a jornalistas que encaminharia ao Congresso projeto para afrouxar as regras de posse.

Ora, isso só vai piorar o problema. Mais armas de fogo em circulação resultam em mais episódios violentos com esses instrumentos letais, atestam pesquisas e apontam os especialistas mais respeitados.

O caminho é reforçar o Estatuto do Desarmamento. A gente tinha de ser radical nesse caso e banir as armas para uso dos cidadãos. Nesse caso, teriam armas os bandidos, que as obteriam ilegalmente e que deveriam ser presos e punidos duramente, na forma da lei. Também teriam armas os agentes públicos autorizados pela lei. Ponto final.

O revólver calibre 38 que estava nas mãos de um dos atiradores de Suzano potencializou a tragédia. Não foram a besta e a machadinha usadas no ataque, apesar de também serem equipamentos perigosos.

O problema principal é a arma de fogo. O jornalista Ivan Finotti publicou na “Folha de S.Paulo” uma reportagem mostrando como já é fácil obter uma arma no Brasil.

O presidente Jair Bolsonaro e seus aliados vão piorar a situação com a defesa irresponsável de permitir maior facilidade para armar os cidadãos. O senador Major Olímpio (PSL-SP) afirmou que, se professores tivessem armas, o impacto teria sido menor no massacre de Suzano. O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) disse que a tragédia seria prova de fracasso do Estatuto do Desarmamento. Eles estão errados.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagiu corretamente. Afirmou que facilitar o posse de armas em áreas urbanas seria estimular a barbárie no Brasil. Disse que segurança pública é responsabilidade do Estado e que o tema não deve ser terceirizado _seria jogar a responsabilidade pela defesa pessoal na conta do cidadão.

Um artigo da psicanalista Vera Iaconelli, publicado pela “Folha de S.Paulo”, traz luz para entendermos a tragédia. Ela fala de um conjunto de causas e de procedimentos que a sociedade deveriam adotar, como estimular espaços de diálogo na escola e não a radicalização de opiniões. Leiam o artigo de Vera Iaconelli.

O “Jornal da CBN – 2ª Edição” entrevistou ontem Marlova Noleto, diretora e representante da Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Ela afirmou que as escolas não devem ser transformar em bunkers, mas precisam ser espaços mais seguros. Disse que a Unesco não apoia políticas públicas de incentivo ao armamento, porque pesquisas evidenciam que mais armas em circulação provocariam mais violência, citando pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Marlova Noleto lembrou que episódios como o de Suzano acontecem por diversas razões. “Nunca é uma única causa. São múltiplas causas que contribuem parea que um massacre desses seja possível. Ela recomendou evitar “soluções simplistas para um tema tão complexo como um massacre numa escola”. Ouçam a entrevista de Marlova Neto a partir dos 6 minutos no áudio ao final deste texto.

*

Zona cinzenta

O STF (Supremo Tribunal Federal) começou a julgar se vai separar processos em que há crimes comuns e eleitorais ou se os casos serão enviados para a justiça especial. De fato, há uma zona cinzenta nesse tema.

A lei prevê que crimes conexos aos eleitorais sejam julgados na justiça especial e não na comum. Ou seja, a apreciação do conjunto de delitos seria da Justiça Eleitoral nessas hipóteses.

Mas a experiência mostra que a menor estrutura da Justiça Eleitoral leva a respostas mais lentas do que os casos examinados na Justiça Comum (estadual ou federal).

O problema é mudar a lei, mas a Lava Jato gosta de fazer gol de mão, como no caso da tentativa de criar fundação privada com dinheiro de origem pública. Aliás, nesse assunto é bom registrar que eles não abriram mão do tal fundo bilionário. Eles não tinham autorização legal para fazer o que fizeram.

Em muitos debates, esses procuradores de Curitiba demonizam quem pensa diferente. Sugerem interesses escusos para remeter tais processos à Justiça Eleitoral e defendem um desmembramento, que até pode ser uma solução Mas, ontem, o presidente do STF, Dias Toffoli, respondeu dura e corretamente contra esse comportamento de desqualificar quem pensa diferente.

Ouça os comentários feitos ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição” e também a entrevista da representante da Unesco, Marlova Noleto a partir dos 6 minutos no áudio abaixo:

Comentários
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  1. Miguel Ângelo disse:

    Nossos governantes viajam entre a insanidade e o despreparo temporal. Na Ditadura Militar tínhamos quase um terço da população que temos hoje – aproximadamente. Se o ponto é a insegurança promovida por atos de arma de fogo, o porte, a posse deve ser dificultada, e os que as levam treinados para momentos extremos e ação em último caso. Foram-se vidas, e não há como pesar o valor delas. Mas, talvez um médico, um bom advogado para um dia juiz sério, um bom político para a real democracia e o capitalismo não com a mão do bolso do erário. Suplico aos leitores a observação do filme “Terra Selvagem”, nela todo comportamento psicológico, de atitudes grupal e individual com uso da arma podem ser analisados. Vejo o Brasil de Bolsonaro tal qual os momentos finais. Onde os estupradores, assassinos utilizam a bala contra a própria lei. Ao final ficam os mocinhos. E a lição. Do que o erro do uso das armas, só vão contribuir para aumentar o número de pessoas comuns em valas da soberba dos tolos.

  2. Miguel Ângelo disse:

    E para completar, que sigam as observações das notícias em nuvens de dúvida aos leitores de jornais. Não temos mandante do crime de Marielle, mas temos que ex-militares foram executores. Na casa de alguém, que está relacionado aos dois, encontraram não uma, se completa ou não, centenas de armas. Bolsonaro e militares do Grupo quase centenário, são a favor da posse e até porte de armas. Representantes de empresas internacionais encontram-se com nosso Ministro de Vitrine da coisa certa. Não temos fábricas brasileiras de armas. A Engesa faliu. E quase tudo que temos é ultrapassado ou com ciência de contra ataque superior ao que temos em defesa, tanto em casa (talvez não nas empresas de segurança – de quem? Dos militares na maioria). Tenho pena do Lula, não Santo. Mas com menos, preso. Tenho pena da Dilma, com menos impeachment. E agora, o País vai entregar Alcântara para EUA. Ou por erro contratual. Já que o que vale está em inglês (Pasadena Golpe em letras miúdas). Acordem!!

  3. reinaldo vinhas disse:

    Neste caso especifico a arma utilizada no crime é uma arma ilegal com numeração raspada.
    Quando implantaram a lei do desarmamento com esta mesma ideia que desta forma diminuiria a violência, foi retirada as armas adquiridas de forma legal com registro em nome de seu proprietário. E foram deixadas as armas ilegais com numeração raspadas iguais a esta que foi utilizada nesta tragedia, assim fica claro esta lei só serviu para deixar a sociedade mais vulnerável.

  4. LAURINDO BONILHA REGUEIRA disse:

    E as coisas, quanto à violência, tendem a piorar. Ser governado por um presidente pessoalmente agressivo; que defende o uso de arma de fogo pelos cidadãos; que promete eliminar todos seus inimigos políticos, mais especificamente os de esquerda; que acha que bandido bom é bandido morto; que despreza mulheres – estuprando-as apenas se merecerem – negros, gays, indígenas e pobres em geral; que forma um governo prenhe de militares, em várias funções importantes, só pode vir a ser o mais violento país do planeta, pois sem esses incentivos, já éramos um dos mais violentos, imagine-se, então, com o aval do poder central?!

  5. mariza disse:

    Kennedy, concordo quanto a questão do desarmamento, apesar de estar ciente que a compra de armas no Brasil é mais simples que imaginamos. O crime organizado se estabeleceu dentro do País por falta de uma política séria de combate. Todos os governos até o momento não fizeram nenhuma política séria para controlar o tráfico de armas.
    Mas, o posse de armas não é a principal causa deste tipo de tragédia. O Brasil enfrenta um problema de saúde mental muito sério. O Governo FHC acabou com os Hospitais Psiquiátricos que não passavam de depósitos humanos. Posteriormente, foram criados os Hospitais Dia que no governo PT desapareceram por falta de verba do SUS. Na cidade que resido houve um aumento significativo de moradores de rua. Grande parcela destes moradores de rua são pessoas com doenças mentais que foram abandonadas por familiares ou que saíram de casa e nunca mais conseguiram retornar. Será que acabar com as armas vai resolver o problema de atentados iguais ao de Suzano?

  6. O problema não é a liberação do porte de arma, pois estas armas são legais, registradas e pode ser rastreadas; todos esses crimes são cometidos por armas ilegais, ou seja, obtidas já num mundo do crime, foi o que ocorreu em Suzano; não temos que questionar as armas, mas sim, o que passou na mente desses dois rapazes para cometer o crime, é um problema psíquico, inclusive eles estavam armados com facas, e machado.

  7. Não concordo com o Kennedy, hoje em dia, não temos o porte de arma, mas, os bandidos tem, caso queiram entrar em nossas residências, entram e fazem o que quiserem, estuprar nossas filhas, nossa esposa e por aí vai. Bandidos estão matando por um celular, temos o direito de se defender, bandidos atiram a esmo, atiram para matar sem piedade, se, vamos morrer, morremos com dignidade de se defender. Sou a favor do porte de arma, e, as leis tem que mudar, quem matar, cadeia no mínimo 30 anos sem progressão de pena.

  8. Edison Luis disse:

    Ao contrário tem armar a população de bem. E não deixar o bandido armado.

  9. Guilherme Rocha disse:

    Pessoas matam pessoas, que quando querem matar usam qualquer objeto como instrumento para esse fim, não raras vezes só um empurrãozinho já basta. O principal “instrumento de matar” no Brasil é o automóvel, vai querer banir também?

  10. Wellington Alves disse:

    Vide que neste caso, os meninos só conseguiram uma. A tragédia seria pior se houvesse outra arma, já devido a dificuldade. O caso de Campinas o autor teve de adquirir no Paraguai. Se fosse facilitado, a tragédia teria ocorrido bem antes.
    Não às armas – sim ao aparelhamento da Polícia Civil para resolver e apurar os casos.

  11. Jonas disse:

    Os bolsonaros milicianos querem liberar as armas porque ganham dinheiro vendendo armas, como foi evidenciado pelos 117 fuzis achados com o vizinho de bolsonaro, o assassino da Marielle.

  12. Jonatas duarte barbosa disse:

    A personalidade do atirador ja demostrava a tendencia suicida do mesmo, este traco sendo identificado por um psicologo para concessao do porte,haveria a reprovacao do mesmo imediato nao sendo possivel a obtencao do porte de arma. Tudo Isto talvez nao venha ao caso pois ele nao teve esta necessidade de estar legalizado ! caso tambem nao tivesse uma arma de fogo com certeza utilizaria outra forma letal.
    E na possibilidade de existir alguem com porte que estivesse na hora, poderia ter com certeza
    reagido e minimizado a quantidade de mortos.
    Discordo totalmente de seu ponto de vista em relacao a este assunto.

  13. walter disse:

    Kenneddy, esta questão, nada tem a ver, com ter ou não armas; este indivíduos, são os excluídos, sem educação, sem origem definida; pobres de espirito, sem qualquer adulto, para se importar por eles; são bestas humanas, que se formam em todo o planeta, principalmente, incentivados, por jogos, eletrônicos, violentes; a questão bélica, não acrescenta ou diminuem a intenção dos doentes…ali de fato, nem a família, conhecia os elementos, estavam por conta do destino…quanto a questão, no STF, é extremamente danosa, como disse, uma zona cinzenta; as questões eleitorais, não se resolvem de fato, por este departamentozinho do supremo, que é a tal justiça eleitora; com isso, a roubalheira, do caixa dois, será oficializada, a pedido dos meliantes, camuflados, que tem interesses, em continuar a desviar recursos, já que os julgamentos, prescreveram…digamos que Rosa Weber, Fux por ex., vote a favor do desmembramento destas questões, estaremos constatando o Caos, daqui para a frente..

    • Miguel Ângelo disse:

      Imagine seu Walter quando este jovens pobres ou ricos de espírito acordarem com uma guerra mundial, com os americanos em solo brasileiro, e eles sendo executados por Drones. Você se estiver vivo ainda, verá que o que aconteceu será pinto diante inúmeros suicídios e assassinatos. Seu presidente é insano, e transmite ao ceder Alcântara insanidade e falta de coragem. O Brasil na mão de Bolsonaro é piada, ou comédia de quinta.

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2019-03-21 18:52:26