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Economia
30-04-2019, 8h36

Economia perde com novo choque entre Bolsonaro e Receita Federal

Intervenções contrariam discurso de governo "liberal"
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Kennedy Alencar
São Paulo

Mais uma vez, o presidente Jair Bolsonaro e o diretor da Receita Federa, Marcos Cintra, entraram em rota de colisão. Bem no início do governo, foi Cintra quem teve que negar a suposta criação de imposto único, desmentindo uma fala de Bolsonaro.

Ontem, o jogo se inverteu. Fato: a equipe econômica discute a ideia de reunir impostos federais num tributo e cobrá-lo nos moldes da antiga CPMF.

Em tese, faz sentido simplificar a tributação, mas a simples menção à criação de um imposto, com o adendo de que também seria cobrado de igrejas, levou Bolsonaro a desautorizar o chefe da Receita.

Isso causa ruídos que têm impacto negativo sobre as expectativas econômicas. Agentes econômicos e cidadãos comuns precisam de normalidade para tomar suas decisões. Normalidade é algo que não parece estar no vocabulário do atual presidente da República.

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Todo cuidado é pouco

O ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu ao BNDES e à Caixa Econômica Federal que vendam suas ações da Petrobras. O governo é o responsável pela indicação do xerife do mercado, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A CVM tem um colegiado com um presidente e quatro diretores.

Esse tipo de venda tem de obedecer à governança das empresas. Diretores respondem com o próprio patrimônio por eventuais decisões temerárias. A Petrobras tem sócios minoritários, que sofrem o impacto de decisões sobre venda de lotes. O BNDES detém 14% do capital total da Petrobras. A Caixa possui 2,3%.

Haveria enorme impacto econômico com venda maciça, pois as ações da empresa poderiam perder valor com uma oferta tão grande ao mercado. Especialistas em negociar ações, com posições compradas ou vendidas, podem tirar vantagem desse tipo de movimento em detrimento de acionistas minoritários e dos interesses da própria Petrobras.

Em resumo, é uma baita intervenção no domínio econômico para uma administração que se diz liberal. No governo, a versão é que há orientação para diminuir a participação do Estado e que medidas como venda de ações dependem dos conselhos das empresas. O problema é como reduzir essa participação trazendo o maior benefício possível ao Tesouro e o menor dano possível aos acionistas minoritários.

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Mais uma

Noutro gesto intervencionista, Bolsonaro pediu ontem que o Banco do Brasil reduzisse a taxa de juros para o agronegócio. O porta-voz, Otávio Rêgo Barros, teve de negar o que o presidente disse com todas as letras no Agrishow ontem, em Ribeirão Preto (SP).

Aliás, o presidente voltou a defender ontem maior liberdade de posse de armas em áreas agrícolas. Bobagem. Maior liberdade para porte e posse de armas só estimulará mais violência, como dizem especialistas e experiências concretas no mundo todo.

*

Debate federal

Em entrevista ao “Jornal da CBN – 2ª Edição”, a diretora-executiva do Centro de Liderança Pública, Luana Tavares, defendeu ontem a importância de regras previdenciárias novas aprovadas pelo Congresso valerem também para Estados e municípios.

Ouça a entrevista e os comentários abaixo:

Comentários
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  1. walter disse:

    Kennedy, um jornalista da BAND definiu muito bem, a postura do Marcos Cintra, em sua reforma, lembra a famigerada CPMF, “ele se empolga, e começa a delirar”, não é mal intencionado; não entendo como os discursos, ainda não estão alinhados; houve confusão, quando o Bolsonaro fez um comentário humorado, com o presidente do BB, sobre a possibilidade de juros mais baixo; não deu outra, a imprensa mal intencionada, usou tal fato, para provocar o Caos…nunca foi segredo, o Paulo Guedes, quer privatizar a Petrobras…quanto a menor restrição aos fazendeiros, por defenderem suas terras com morte; será aprovada, por ter um congresso abarrotado por donos de fazendas…a reforma da previdência, esta na forma, agora que o Bolsonaro vai “controlar” os discursos do Maia; caminharemos para uma reforma relâmpago, pelo que tudo indica…

  2. Miguel Ângelo disse:

    A ideia de um imposto único é interessante. Mas isto deve vir com a percepção macro de como fiscalizar e impedir a sonegação. Não discordo da cobrança sobre as Igrejas. O papel social que estas organizações tem, não pode ser uma premissa para isentar tudo que elas tem de empresas intermediárias. E além de tudo, quem controla os tributos das folhas de pagamento destas novas empresas da fé. Ninguém! Afinal, cabe a figura do religioso que recebe o dízimo apontar onde serão investidos estes recursos. Bolsonaro, para começar é simples. Pode apontar uma modificação na declaração de IRRF-2019 (IRRF-2020) para registro dos valores do dízimo. Desta forma, saberia o governo o tamanho dos bilhões que a fé não destina para ações sociais. As dívidas delas com o FGTS/INSS. necessidade de uma emissora de TV/Rádio da Igreja em não ser tributada? Os registros podem ser separados contabilmente. Dê a Cesar o que é de Cesar. Tributá-las é necessário já que se beneficiam dos bens públicos.

  3. Lucas disse:

    Definitivamente, virou mangue, esse país, com esse pessoal aí governando. Um diz uma coisa (totalmente sem nexo, verdade seja dita) aí vem outro e desdiz… Tá difícil. O pior é que o povão é que se ferra com essas trapalhadas todas. Complicado.

  4. Miguel Ângelo disse:

    O Brasil de Bolsonaro é um buraco de minhoca para um futuro repleto de erros. Ontem no governo militar cantava-se um Brasil que vai para a frente, o petróleo é nosso, soberania acima de tudo. Hoje, sem ainda computar as ações que vão crivar seu legado tosco. O governo bolsonarista, que de pau em Mourão, já se sabe, não está voltado a um governo militar. Já que se fosse, não erraria tanto em suas ações governamentais internacionalmente. O Sr. Pateta e seus 3 metralhas, querem discutir Previdência, Orçamento, dançando de saia em cima do muro da rendição incondicional aos EUA. Um passo na cessão de território para qualquer medida militar dos americanos na Venezuela, acaba com um Brasil soberano e líder na América do Sul/Latina. Para a Ásia/Europa/África, entenda Alemanha, Rússia, Índia, Países Árabes perda gigantesca para economia. Somado ao descompasso técnico Petrobrás/BB/BNDES/CEF/INSS/Mercosul nos condiciona a Idade das Pedras, no menos pior, a era da enxada no chão de asfalto.

  5. Marcos Silva disse:

    Estratégia dos golfinhos:
    Talvez seja equívoco meu, mais tenho a impressão de que a estratégia deste governo é semelhante à dos golfinhos onde alguns se fazem notar para chamar a atenção dos observadores enquanto o cardume avança em segurança sem ser notado. Isto explica a quantidade de notícias desconexas e contraditórias na mídia com relação ao governo atual. Parece até que o clã Bolsonaro está cevando (igual na pescaria) a mídia brasileira, e o pior é que está dando muito certo. Talvez seja importante fazer o bom e velho exercício cartesiano de duvidar de nossas impressões e buscar esmiuçar os fatos em busca do real objetivo contido nas ações do governo. E se as tuitadas do clã forem intencionais para chamar a atenção da mídia enquanto as verdadeiras pautas estão sendo discutidas sem a atenção desta? Pensar que o governo é repleto de pessoas sem noção pode via a ser um erro, afinal “o mau do malandro é pensar que todo mundo é bobo”.

  6. acho intervenção total também… e que deveria se extender a diminuição dos juros a vários setores da economia..

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2019-07-21 10:24:57