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13-04-2015, 15h10

Eduardo Galeano: uma vida de enfrentamento

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Daniela Martins
Brasília

O escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano faleceu hoje, aos 74 anos. Ele enfrentava um câncer no pulmão desde 2007. Sua vida e suas ideias sempre foram de combate.

Galeano denunciou em seus livros a história de exploração e sofrimento dos povos latino-americanos. Viveu anos como exilado político. Ao mesmo tempo, sempre celebrou o pluralismo e as muitas possibilidades culturais do continente.

Em homenagem ao autor, recomendamos o episódio do programa “Sangue Latino” filmado em 2009, dirigido por Felipe Nepomuceno e produzido pela Urca Filmes e pelo Canal Brasil. Em 25 minutos, o escritor brasileiro Eric Nepomuceno conversa com Galeano sobre temas como a solidão, o medo, o desejo de contar histórias e o papel da arte e da literatura no mundo atual.

Galeano diz, em um trecho, algo que soa como um resumo de sua busca ao longo de toda a vida: “A partir das pequenas coisas, ser capaz de olhar as grandes, os grandes mistérios da vida. O mistério da dor humana. Mas também o mistério da persistência humana nessa mania, às vezes inexplicável, de lutar por um mundo que seja a casa de todos e não a casa de uns pouquinhos e o inferno da maioria.”

Equilibrando-se entre o humor e a denúncia, diz em outro momento que “Os mais fáceis de se machucar, as pessoas que mais dor sentem ao viver, os mais sensíveis, são os mais vulneráveis. Em contrapartida, esses filhos da puta que se dedicam a atormentar a humanidade vivem vidas longuíssimas, não morrem nunca. Porque não têm uma glândula, que na verdade é bem rara, que se chama consciência. É a que nos atormenta pelas noites.”

Eduardo Galeano foi um homem cuja consciência para os temas sociais e humanos jamais esteve adormecida.

http://canalbrasil.globo.com/programas/sangue-latino/materias/homenagem-a-eduardo-galeano.html

Foto capa: frame do programa “Sangue Latino”

Comentários
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  1. Taisa Mambrim Leme disse:

    Legal a dica. Melhorar nossa cultura geral e nossa capacidade de reflexão quem sabe possa colaborar para que quando saiamos as ruas saibamos corretamente o que pedir, e quando formos às urnas pensemos direito em quem votar.

  2. Benjamim Mota disse:

    Continui a caminhar Eduardo Galeano, pois, é para isso que a UTOPIA serve.

  3. Joaquim disse:

    Morreu um homem, acima de tudo atual, veja o que ele fala da própria obra.

    “Mais de 40 anos depois, Galeano revelou que não leria novamente seu livro de maior sucesso. “Eu não seria capaz de ler de novo. Cairia desmaiado”, disse, durante a 2ª Bienal do Livro de Brasília, realizada entre 11 e 21 de abril na Capital Federal, como noticiaram os jornalistas que fizeram a cobertura do evento. “Para mim, essa prosa da esquerda tradicional é chatíssima. Meu físico não aguentaria. Seria internado no pronto-socorro”, disse o escritor, de 73 anos, durante uma coletiva de imprensa. O episódio demonstra que Galeano assumiu um tom mais ponderado para analisar o maniqueísmo político de outrora. “Em todo o mundo, experiências de partidos políticos de esquerda no poder às vezes deram certo, às vezes não, mas muitas vezes foram demolidas como castigo por estarem certas, o que deu margem a golpes de Estado, ditaduras militares e períodos prolongados de terror, com sacrifícios e crimes horrorosos cometidos em nome da paz social e do progresso”, disse o escritor. “Em alguns períodos, é a esquerda que comete erros gravíssimos”, completou.
    O livro foi publicado quando Galeano tinha 31 anos e, segundo o próprio escritor, naquela época ele não tinha formação suficiente para realizar essa tarefa. “A Veias Abertas tentou ser um livro de economia política, só que eu não tinha a formação necessária”, disse. “Não estou arrependido de tê-lo escrito, mas foi uma etapa que, para mim, está superada”.”

    É esta autocritica que esta faltando a muitas autoridades Brasileiras.

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