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Geral
06-03-2020, 17h37

Elites do Brasil e EUA têm uma grande diferença: a americana gosta do país

Bolsonaro pode ser comparado a Trump, nunca a Sanders
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Kennedy Alencar
WASHINGTON

É absurda a tentativa de comparar Bernie Sanders com o presidente brasileiro, dizendo que o senador democrata seria “o Bolsonaro da esquerda”. Bolsonaro pode ser comparado ao presidente Donald Trump. Ambos são monstros morais.

Exemplo: ao ser indagado hoje em entrevista sobre um ingrediente sexista na eleição americana, análise feita por Elizabeth Warren ao sair da corrida presidencial ontem, Trump foi grosseiro como costuma ser em relação às mulheres.

Há sexismo, sim, na política dos EUA _ país bastante conservador. Trump e Bolsonaro são misóginos. O americano disse que a queixa de Warren sobre sexismo seria descabida e que ela deixou a corrida eleitoral por “falta de talento”. Trump é parecido com Bolsonaro, não Sanders.

Bernie Sanders é um homem de esquerda, um social-democrata. Apesar disso, ele tem dificuldade maior do que o conservador moderado Biden para obter votos no eleitorado negro. Biden foi vice de Obama e tem uma carreira ligada às causas afro-americanas.

Sanders não consegue apoio no eleitorado feminino na proporção necessária para tirar o favoritismo de Biden. O ex-vice-presidente de Obama agrada ao mercado financeiro, porque a plataforma econômica de Sanders assusta esse segmento. Wall Street gosta de Biden mais do que de Trump.

Fazer uma comparação entre Sanders e Bolsonaro é algo descabido. Dá até preguiça, porque despolitiza as pessoas e coloca no mesmo patamar políticos diferentes.

Trump, por exemplo, é uma figura sem empatia. Isso é um problema para enfrentar Biden, um “Senhor Simpatia” na comparação com o presidente americano. Há um cansaço de setores dos EUA com Trump.

No Brasil, em menos de dois anos, também existe certo cansaço em relação em a Bolsonaro, que todo dia fala uma besteira. Trump fala bobagens há quatro anos, como minimizar o risco do coronavírus na atual crise.

Biden é o democrata moderado que poderá se beneficiar desse cansaço, inclusive de setores republicanos, com o estilo Trump.

É preciso ter cuidado com a falsa simetria, largamente utilizada na campanha eleitoral brasileira. Não dá para comparar o respeito do PT à democracia e minorias com a truculência e ignorância do bolsonarismo.

*

Servidão voluntária

A elite americana gosta do país dela. Gosta dos EUA. A elite brasileira não gosta do Brasil. É uma elite com a mentalidade ainda voltada para a metrópole. Nos EUA, houve uma revolução em 1776 para as colônias se tornarem independentes da Inglaterra. No Brasil, foi o filho do rei que declarou a independência.

A elite brasileira, com cabeça colonial, é predatória, com o desejo de enriquecer voltando seus olhos para Miami e Paris.

Com pouco tempo vivendo nos EUA e fazendo cobertura extensiva da política, é possível sentir essa diferença entre as elites dos dois países. Na área central de Washington, há pelo menos uns seis museus com acervos maravilhosos e acessos gratuitos sustentados por contribuições da elite americana.

Brasília não tem um museu decente. O Masp, em São Paulo, foi criado por Assis Chateaubriand na mão grande, digamos assim, para falar da relação que estabeleceu com a elite brasileira.

Temos uma elite ruim e mesquinha, capaz de inventar o que não existe, como “PIB público” e “PIB privado” para agradar a um governo autoritário e a uma equipe econômica incompetente.

*

Calendário quente

Na próxima terça-feira, dia 10, seis Estados americanos farão primárias: Michigan, Mississipi, Missouri, Idaho, Dakota do Norte e Washington. Uma semana depois, no dia 17 e também numa terça, haverá outra rodada relevante, com quatro Estados: Arizona, Flórida, Illinois e Ohio.

A Flórida, que elegerá 219 delegados, foi capturada pelos republicanos. Um candidato como Joe Biden teria mais chance de recuperar a hegemonia no Estado do que Bernie Sanders.

Se Bernie Sanders não reagir nas próximas duas rodadas, a tendência será perder a indicação democrata para Joe Biden, que virou o favorito da Super Terça para cá. Biden entregou o que prometeu, o apoio maciço do eleitorado negro, fundamental na base democrata. Bernie Sanders não entregou a mobilização de novos eleitores que havia prometido.

Numa eleição na qual o voto não é obrigatório, convencer o eleitor a sair de casa é fundamental para ganhar a indicação no Partido Democrata e também a eleição. É preciso também vencer nos Estados certos, aqueles com maior peso nas convenções partidárias e no Colégio Eleitoral.

O Colégio Eleitoral escolhe o presidente. Entre os 538 membros, é preciso ter 270 votos para ganhar a parada. Ouça o comentário feito nesta sexta no “Estúdio CBN”:

Comentários
7
  1. Elisardo mathias disse:

    Boa noite, Kennedy, precisamos eleger um candidato do centro/esquerda para fazer frente ao Bolsonaro na próxima elé eição. E este candidato poderia ser o Ciro, mas ele é meio duro, mal educado etc., Seria possível uma acessoria especialiaada que o tornasse mais palatável?

  2. walter nobre disse:

    Kennedy, nem o Bolsonaro concordaria com esta comparação ao Bernie, podemos esperar o balanço ao final deste governo, como o Trump nas próximas eleições; estamos a nãos luz com relação aos EUA que pensam e respiram diferentes, lá todos se unem em torno do País, quando percebem a exposição em qualquer circunstância, aqui somos bairristas querendo provar o improvável. Esta mentalidade deve ser abolida numa democracia de verdade, e só o tempo mostrará quem tem razão. As elites brasileiras sejam lá em qual é o seu credo politico, são predatória, não se preocupam com nada além do umbigo. Com relação ao candidato dos EUA já esta decidido, será o Joe Biden, com maiores currais a seu favor, o Bernie deveria evitar esta vergonha, já perdeu. Acredito que a contenda será festiva, o Biden sabe a parada indigesta que terá pela frente, principalmente com a união Republicana em torno do seu candidato único.

  3. Miguel Ângelo disse:

    Kennedy. Eu entendo que o Brasil não tem elite. Tem uma tendência elítica financeira. Onde que tem dinheiro acha estar acima de todos os acontecimentos que os rodeiam. Enquanto nos EUA a elite defende os interesses observando o Mundo. Aqui uma pequena elite financeira (pois o País é pobre e faz poucos milionários) discute PIB e Bolsa de Valores (uma única – que já seria uma ameaça ao mercado) pelo Coronavírus. A Bolsa está em queda. O PIB projetado sempre beirando a 1 ou superestimado a 2% (que duvido). Prezados analistas, alguém da economia, fez previsões se da reunião que Bolsonaro vai fazer a Trump nos próximos dias, sairá um acordo de apoio a invasão a Venezuela? Não! Lhe antecipo Kennedy, que um apoio do pior governo e ações militares da FFAAs a Trump, e vistas grossas ou ajuda a uma invasão americano a quaisquer de nossos vizinhos. Tiraria o Brasil da BRICS. Afastaria o comércio com a Argentina, Bolívia e Paraguai (historicamente). Bovespa sucumbirá. Brasil também.

  4. Miguel Ângelo disse:

    E a motivação é simples. Por maior que seja a incapacidade de Maduro admitir que está errado. O governo brasileiro não apresenta uma administração confiável. O governo Bolsonaro não tem ações de sua equipe para garantir a economia, a independência econômica, a segurança e soberania nacional. Para piorar, talvez ainda esse presidente que arrota capitalismo. Com toda sua família e amigos nas costas do erário brasileiro. Pode sair historicamente como o carrasco que ajudou invadir uma país com sua população faminta, doente, fraca e desassistida socialmente. O Brasil comandado pela “menina do Brasil do Trump”, Sr. Bolsonaro (não é o presidente de todos), pode em suas ações infantis, desprovida de astúcia militar (pois sempre foi soldado ruim, então capitão pior ainda), será culpado da morte de inocentes diante sua irresponsabilidade e ganância dos EUA (principalmente Trump que usa a máquina pública a seu favor apoiado pelo seu congresso). Bolsonaro trará a falência do País.

  5. Claudio Freire disse:

    Perfeita sua observação sobre a diferença entre as elites brasileira e americana, Kennedy.

  6. Wilson Santana Junior disse:

    Temos, no Brasil, um agravante hodierno, o “bolsonarovírus”.

  7. Celso Junqueira disse:

    A elite brasileira é uma das piores do planeta. Não enxerga um palmo na frente do nariz. É cega, surda, mas não é muda!! A elite brasileira odeia o povo brasileiro, nossa cultura, nossa História, odeia ter nascido aqui. É uma vergonha.

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2020-04-07 01:23:48