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Política
14-02-2018, 9h03

Episódio Segóvia mostra falta de autocontenção de autoridades

Diretor-geral errou, mas não dança música sozinho
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Mais uma vez, o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Segóvia, falou o que não deveria e não poderia ter falado.

Em recente entrevista à agência Reuters, ele disse que não havia indício de crime nem de pagamento de propina num inquérito sobre portos no qual o presidente Michel Temer é um dos investigados. Segundo a Reuters, Segóvia indicou tendência de arquivamento desse inquérito da Polícia Federal.

Houve reação de entidades que representam policiais e peritos federais. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Roberto Barroso, cobrou explicações do diretor-geral da PF.

Tem sido uma marca da gestão Segóvia dar declarações desastradas e que denotam um desejo de agradar ao governo que o nomeou para comandar a Polícia Federal. É inadequado que um diretor-geral aja assim.

O próprio Palácio do Planalto avalia que Segóvia deu um tiro no pé, numa tentativa de servilismo que teve efeito contrário ao pretendido. No entanto, ele não está dançando a música sozinho.

Delegados da Polícia Federal e procuradores da República são pródigos em falar sobre investigações em andamento. A diferença é que Segovia falou em defesa do presidente da República. Normalmente, as manifestações são para alardear provas contra um investigado. Falar contra um investigado pode. Falar a favor não pode? Ora, não pode a favor nem contra.

Dificilmente um ministro do STF cobra esses delegados e procuradores a explicar suas declarações sobre inquéritos em curso. Aliás, é comum ver ministros do STF a pontificar sobre casos que ainda serão julgados, antecipando posições.

O ministro Luiz Fux, atual presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), já se manifestou sobre a eventual candidatura do ex-presidente Lula, que nem registrada foi. O petista está no meio de uma luta judicial, mas Fux já tem a sua posição.

O ministro Barroso, que cobrou Segóvia, deu declarações e escreveu artigo na “Folha de S.Paulo” contra eventual revisão da decisão do Supremo sobre prisão após condenação em segunda instância, apesar de a corte provavelmente vir a ser chamada em breve a se manifestar novamente sobre o tema.

Segovia errou e arrotou um poder que não tem completamente, mas apenas parcialmente. Mesmo que a PF venha a arquivar o inquérito sobre portos, isso não significa que o Ministério Público vá deixar de levar a investigação adiante.

Faltou a Segovia a mesma atitude de autocontenção que tem faltado a outras autoridades da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. walter disse:

    Tenho até medo de elogiar, mas o Barroso Kennedy foi preciso em acionar o diretor da PF a dar explicação, de suas declaração; ao meu ver, não transmite a menor segurança em suas declarações a “favor da sociedade”; este Sarney veio no ao pacote do vice do PT, e não faz questão de ser inoportuno em suas ações Nefastas…tem o intuito o tempo todo, em livrar se das acusações na Lava jato…quando nomeou o Segóvia, todos já imaginavam…nossa sorte, que seu poder como diretor lá é ínfimo; tudo ali, passa por um crivo…não podemos nos iludir, se o temer aumentar a popularidade, tentará barbaridades, para livrar os citados do seu partido; pretendem continuar a dar as cartas, atrás de qualquer eleito que surgir; são ervas daninha, são antigos e perigosos, possuem currais eleitorais…

  2. Analista Alpha disse:

    Num país onde as próprias leis transformam altos cargos em tipo de imperadores, fica difícil isso não ocorrer.
    Esses arroubos de poder acontecem o tempo todo, Magistrados, delegados, procuradores, politicos, todos esses são protegidos pelas nossas próprias leis.
    Vejamos, quem julga um juiz? Outro juiz.
    Quem julga um político, outros políticos, pois só são cassados por meio de seus próprios colegas.
    As corregedorias das polícias das assembléias, do judiciário, são formados por seus próprio membros.
    Isso só vai mudar quando tudo isso acima mudar e com o clamor da sociedade.
    As corregedorias deveriam contar com membros de outras classes, com critérios para ser eleito.
    Como podemos conter um boca mole como Gilmar Mendes? Ele fala o que quer e não é advertido, não sofre qualquer punição caso faça besteira, como qualquer pessoa.
    Como corrigir um erro gigante absurdo como esse do Fux? Ele erra, e afunda um país.

    • p/Analista Alpha: A MAIOR HIPOCRISIA É COLOCAR "RAPOSA PARA TOMAR CONTA DE GALINHEIRO"! disse:

      Você tocou num ponto crucial, Analista Alpha: membros de uma categoria serem julgados, ou estarem sujeitos a “autorizações” para serem processados em delitos criminais, por seus próprios pares, é no mínimo um absurdo, uma excrecência que precisa ser abolida. Tal só deveria acontecer em fatos meramente administrativos, referentes a falhas, erros, no desempenho da função, que não se caracdterizem como crime previsto na legislação penal. Alguma exceção talvez só devesse ser permitida aos magistrados, logicamente através de um colegiado escolhido por critérios rigorosíssimos, sem nenhuma influência política.

  3. Julio Moreira disse:

    Quando Procuradores, Policiais Federaiz, Juizes, Desembargadores, Minístros do STF, do STJ, VASAM escandalosamente para a Mídia coisas de seus mais escusos interesses, cinicamente se auto-intitulam prestadores de serviço ao Brasil.
    Quando se nomeia um Gilmar, um Segóvia, um Moraes, está se partidarizando essas instituições, se Mendes e Alexandre são do PSDB, juntos eles farão de tudo para proteger o Aécio e levar o Alkimim a presidência da República, o Segóvia é do PMDB(MDB) e fará o que for necessário para proteger o Temer, o Jucá, o Franco, o Padilha , Dalgnol, Moro, e todos da Lava Jato estão sentados sobre inquéritos, processos, investigações de Tucanos, jamais eles farão isso, imaginem investigar o Helicoca, Não Senhor, investigar os areportos do Aécio, Não Senhor, investigar desvios da Cidade Administrativa de MG, Não Senhor, investigar contas da família Neves no exterior, Não Senhor, investigar Rodoanel, Paulo Preto, Serra, Alkimim, entreguem para o Degrandis .

  4. Stanislaw. disse:

    Num país sério esse Segóvia já deveria ter sido exonerado da função!

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2018-08-17 08:11:56