aki

cadastre-se aqui
aki
Economia
16-08-2017, 8h20

Equipe econômica deixa bomba fiscal para próximo governo

Sem reforma da Previdência, regra do teto de gastos vira armadilha
11

KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Além de aumentar as metas fiscais de 2017 e 2018, a previsão de buraco nas contas públicas também foi elevada para 2019 e 2020. Há expectativa de superavit primário apenas a partir de 2021.

Parece bom deixar uma folga fiscal para o próximo governo. No entanto, isso significa que um problema que deveria ter sido resolvido continuará a atormentar o país. O governo seguinte receberá uma bomba fiscal, porque dificilmente a atual administração aprovará uma reforma da Previdência que evite que a regra de teto de gastos paralise o Executivo.

A tarefa do próximo governo será ainda mais dura. Sem uma reforma da Previdência relevante, a regra do teto de gastos se transformará numa armadilha para o próximo presidente.

A mudanças das metas fiscais parece uma vitória de Meirelles, mas não é. Foram fixados R$ 159 bilhões de buraco para este e o próximo ano.

Esses números poderiam ter sido anunciados na quinta-feira passada, mas Meirelles passou os últimos cinco dias resistindo à pressão da ala política para adotar metas ainda mais deficitárias. A ala política não acredita que haverá receitas para cumprir os números defendidos pela equipe econômica.

Essas metas já nascem cercadas de dúvida em relação ao seu realismo. Foram adotadas como forma de dar uma satisfação ao mercado financeiro e evitar abalar ainda mais a credibilidade da equipe econômica. A demora para o anúncio e o questionamento da ala política enfraqueceram Meirelles e a equipe econômica, que não entregaram o ajuste fiscal prometido.

*

Luta contra corporativismo

Além de novas metas fiscais, o governo lançou um pacote para conter gastos com o funcionalismo. Essas medidas são necessárias, mas será difícil implementá-las.

De fato, o governo precisa conter o crescimento das despesas com a folha de pagamento do funcionalismo. Há muitos privilégios. Faz sentido criar regra mais rígida para auxílio-moradia.

Na atual situação, com o peso que tem a Previdência dos servidores, é necessário aumentar a contribuição previdenciária de 11% para 14%. No entanto, haverá uma batalha contra o corporativismo.

É fundamental fazer a Constituição ser cumprida em relação ao teto salarial. Já tem uma norma na Constituição que é desrespeitada. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acertou ao criar uma comissão para analisar o assunto.

O tema corre risco de ficar para as calendas. Aliados do governo, sobretudo no Senado, estavam deixando a ideia engavetada para não entrar em choque com o Judiciário e o Ministério Público.

A opinião pública precisa dar apoio ao Congresso para criar uma regra que obrigue Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público a respeitar a Constituição. A maior resistência corporativa hoje vem de juízes e procuradores, que lutam para continuar ganhando acima do teto.

É incrível, mas é disso que se trata: convencer os profissionais do direito a agir legalmente, respeitando a Constituição.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
11
  1. Carlos Santos disse:

    De repente ele dá umas “pedaladas” já que agora não é mais crime.

    • walter disse:

      Exatamente caro carlos Santos; podemos usar o termo sem medo, já que as “pedaladas” continuam na moda; a maior dificuldade do temer, é a legitimidade, nos parece uma “princesa na masmorra, no alto do castelo”; todos o enxergam a distância, mas falta gritar bem alto, para o congresso acordar…Eu havia cantado esta bola, logo que se falou em reforma da previdência, não acreditei em celeridade na reforma; são muitos canalhas, incluindo se os safados dos grandes partidos; estão dificultando, para não possibilitar, qualquer tentativa do temer se candidatar em 2018; esta conversa de nova meta fiscal, é uma derrota fragorosa do governo; enquanto o distritão surgiu do nada, e ocupou a pauta, já que o rodrigo maia, passou a fazer discursos para a plateia; também sonha; se o temer não tiver um plano B, esta irremediavelmente igualado a dilma, tornando se inoperante; estão enjaulando o dito cujo, terá que repensar tudo; se nada for feito de imediato, não haverá sequência; o País precisa acordar!

  2. Edi Rocha disse:

    “… que obrigue Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público a respeitar a Constituição”.
    .
    É perigoso o desrespeito que se tem à constituição nos últimos anos. Um desrespeito aqui, uma interpretação propositalmente equivocada acolá, enfim, sem limite a escalada só continuará.
    Onde está o “guardião da Constituição”. É verdade que são “acovardados”? Ministros, não importa as divergências entre vocês, superem isso e conversem. Decidam pela ilegalidade do que for ilegal. Já chega de só assistir, ou então saiam daí.

  3. Marco Santo disse:

    Simples, consulta popular. Não respeitar CONTRATOS lesivos a União e muito menos as tais privatizações. Retomar a PETROBRAS, tendo em vista a INSEGURANÇA JURIDICA nas aceitações de contratos e acordos. Simples. A bomba está armada, mas será desarmada por um GOVERNO LEGITIMO e referendado.

  4. Gilson Costa disse:

    Bastaria baixar a taxa de juros, disponibilizar dinheiro para consumo através de crédito barato para movimentar a economia e, assim tirar o Brasil do buraco. Mas este cenário de caos interessa a este governo comprometido com entidades empresariais e com o sistema financeiro, pois promovendo a estagnação econômica e o desemprego, já se utilizou disto para aprovar a lei das terceirizações fraudulentas, a reforma trabalhista escravagista, mas ainda falta empurrar a reforma da previdência assassina, ou seja, criar dificuldade para se vender facilidade.

  5. ANDRE disse:

    Este governo e sua equipe econômica estão descolados da sociedade brasileira, não existe mais nenhuma ponte ou diálogo do povo com o governo Temer que é o governo da câmara, um governo que tenta perpetuar seu golpe em coluio com deputados, que tentam emplacar uma sinistra tentativa de impor o parlamentarismo. O parlamentarismo não deixa de ser um sistema de governo mais estável, mais com as estruturas políticas atuais, seria um desastre, um golpe não tão diferente do que Maduro encaminha na Venezuela. É o poder mais desprezível do Brasil, tentando se perpetuar e assumir o poder de forma total. Espero que o próximo governo consiga acabar com este teto dos gastos públicos, substituindo por um austero programa de contenção de despesas no executivo, legislativo e judiciário.

    • rudolph disse:

      Ao que parece que este governo e seus partido não tem interesse em mudar essa atua situação, alias sempre e assim o politico tem sempre tem uma brilhante para certas atitude, para eles não tem interesse no bem de pessoas mas nem todos, o que penso nesta situação tem muita manobras e pouco resultados e que eles falam não e mostrado realmente ou aquele ditado transparência.

  6. Fabio disse:

    O proximo governo eleito nas urnas, diferente deste atual que é golpista, deveria revogar todos os atos desse governo atual de bandido e depois pedir a prisão destes bandidos que golpearam nossa democracia e levaram nosso pais praticamente ao obito.

  7. O PERIGO DE DUAS PESSOAS MALIGNAS NO PODER! disse:

    Dois aposentados, um com 30 mil reais e outro com 250 mil reais mensais – aos 55anos e 57 anos de idade respectivamente, desejam implantar a toda uma sociedade, coisas do tipo:
    1 – aumentar de 11% para 14% os descontos para a previdência de funcionários públicos que ganhem “acima” do teto máximo de aposentadoria do INSS, que é de R$5.301,31 reais – justa proteção aos que não têm salários absurdos no funcionalismo público. Mas ao mesmo tempo querem:
    2 – Numa “Reforma da Previdência” que desejam aprovar, querem que uma aposentadoria de valor tipo R$2.000,00, que se transforma em pensão para uma viúva sem outra renda qualquer, quando o marido aposentado morrer, passe a ser “A METADE” (R$1.000,00 REAIS). Quer dizer, além da viúva ficar sozinha, sem nenhuma outra renda, o valor é dividido ao meio. Na opinião dos dois malignos, uma viúva, sozinha, sem nenhuma outra renda, pode sobreviver com R$1.000,00 reais por mês! Deveriam as esposas dos dois ficar na mesma situação?

  8. Fabio Camargo disse:

    Pessoal, eu estou rouco de tanto falar. Mas, vou continuar insistindo. A bomba fiscal que irá estourar no colo do novo governo será muito maior do que o “buraco” do Meirelles.
    Considere que, em julho, há um “rombo” no acumulado em 12 meses de 183bi, 24 além do previsto para dezembro. De janeiro a julho o buraco foi 20bi a mais do que o previsto. A revisão da meta para 159bi apenas reconhece essa diferença. As despesas no segundo semestre são maiores do que no primeiro e a formação do déficit se concentra perto do fim do ano. Em 2106 se contou com 45bi em receita extra vindos da repatriação. Agora não dá para contar com nada significativo. Então, o déficit de agosto a dezembro vai superar a nova meta. Vai provocar novo arrocho que irá afetar a arrecadação e levar a mais déficit e mais dívida. Breve, para rolar a divida, o governo vai ter de aumentar a Selic. Mais recessão, mais déficit ou… inflação. Pior, quem assumir em 2019 e tentar mexer nessa política insana vai levar a culpa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

2020-09-23 09:47:00